Vandalismo em nome da limpeza

O choque entre a sensibilidade da natureza e a ignorância burocrática que prefere queimar folhas a entender o outono

Bahtiyar Hidayet (Bakhtiyar Hasanov)
Bahtiyar Hidayet (Bakhtiyar Hasanov)
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As árvores do parque

viram o corte das florestas,

erguem os braços ao céu e agradecem

por um dia terem deixado sua terra natal.

As montanhas distantes em que confiei

ergueram uma bandeira branca.

Foram as primeiras a se render ao inverno.

As árvores estão tirando suas roupas,

como se entregassem suas roupas ao solo

para que o solo não sinta frio no inverno.

Mas a prefeitura da cidade

manda recolher e queimar as folhas.

Névoa branca nas montanhas depois da chuva,

névoa negra no parque.

A teoria do preto e branco de Aristóteles ainda está em vigor.

Mas a teoria da lógica difusa de Lotfi Zadeh

também não deve ser esquecida.

Há um arco-íris de mil cores ao longe.

E, no entanto,

eu conheço este presidente da prefeitura.

Para que a cidade fique limpa,

ele queimaria os manuscritos

tanto de Aristóteles quanto de Lotfi Zadeh.

Mas eu, olhando para estas árvores,

sinto saudade da minha terra natal.

Penso que esta teoria

é uma teoria mais precisa

do que a teoria do preto e branco,

e do que a teoria da lógica difusa.

Precisa e trágica.

Bakhtiyar Hasanov

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Prenúncio

Evani Rocha: Poema ‘Prenúncio’

Evani Rocha
Evani Rocha
Paisagem outonal, com folhas ao vento
Imagem criada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/6a5e54f2-a010-83e9-bfc6-53d75f5cd919

O vento passou trazendo o adeus.

Havia apenas um perfume no ar

E um burburinho nos arvoredos…

Era o prenúncio do fim!

Não houve pranto,

Nem estardalhaço.

Apenas uma palavra contida,

Que não havia mais sentido…

Somente os olhos tristes,

Perdidos num tempo distante…

Onde hoje é morada da saudade.

Daquelas crianças correndo no terreiro,

Da inocência refletindo nos sorrisos…

O vento passou e trouxe as últimas folhas do outono,

Frágeis e quebradiças…

Como as lembranças.

Como a solidão desta despedida.

Vestida de branco e cabelos em trança…

Acabou, como acabam todas as coisas

Estáveis ou fugidias…

Como acaba tudo que um dia foi real

E hoje é somente ausência.

Evani Rocha

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Do outono vem tudo

Denise Canova: Poema ‘Do outono vem tudo’

Dama da Poesia
Dama da Poesia
Imagem gerada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69c04041-6490-83e9-a718-84f663fa4d7d

Do outono vem tudo

Vem a dor e o riso

Vem o dor que eu não gosto

Outono tem isso

O dono do choro

Dama da Poesia

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Coisa que só eu ouço

Paulo Siuves: Poema ‘Coisas que só eu ouço’

Paulo Siuves
Paulo Siuves
Imagem criada por IA do Bing – 08 de julho de 2025, às 19:30 PM

Sempre vi o frio
como poesia sazonal.
Ele chega devagar,
no começo do outono,
cortante e sussurrante —
um frio que as pessoas desprezam,
até que percebem
que não era só um ventinho qualquer,
mas um inverno disfarçado.

De manhã,
o frio contrasta com o brilho generoso do sol,
mas é um brilho gelado,
como o da luz acesa da geladeira —
presença sem calor.

À tarde,
o vento sopra na minha orelha
frases que ninguém mais escuta.
Os outros correm pela avenida,
com seus fones de ouvido,
seus compromissos,
suas camisetas de verão.
E eu,
me encolho
num frio que castiga
os mais frágeis do que eu
— e às vezes, sou eu quem é.

À noite,
um mingau, um caldo,
ou um vinho encorpado,
tinto generoso como as estrelas
que brilham de longe,
trazem algum alento.

Os tecidos de algodão
tentam, em vão, proteger minha pele
desse poema gelado
que o frio insiste em declamar
na minha orelha.

E eu me recolho,
em silêncio,
sob o abrigo dos cobertores,
porque o frio —
o frio não é psicológico, coronel.

Ele só gosta de fingir que é.

Paulo Siuves

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Canção de Outono

Ella Dominici: Poema ‘Canção de Outono’

Ella Dominici
Ella Dominici
Imagem criada por Ia do Bing – 05 de junho de 2025,
às 03:57 PM

estou deixando
a chuva que amei e amou
evaporar segura em trovoadas
raios partindo…

chegando o outono sou
as folhas que voam e voltam
à terra tua que fica coberta por mim

não falo do caimento…
Falo da valsa em movimento
que me leva ao vento
e danço um leve frio
refrescar sonoro…

não falo das pessoas
esquecidas tal poeira
nem do tempo
sem eira nem beira

Digo das amareladas que
se avermelham
que são poesias livres

Digo das que se soltam
rubras em pensamentos
sem árvores nem galhos

neste outono me abraço
ao teu poema que
desfolhada me deixa
e sem queixa debruço-me
em teu chão onde sazono-me

Amando-te…

outonemo- nos!

Ella Dominici

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Santo outono

Denise Canova: Poema ‘Santo outono’

Denise Canova
Denise Canova
Criador de imagem do Bing - 05 de maio de 2025,
 às 11:21 PM
Criador de imagem do Bing – 05 de maio de 2025,
às 11:21 PM

Santo outono

Rei do quentinho e do amor

Deixa tudo mais lindo

E me deixou maravilhosa

Pronta para amar.

Dama da Poesia

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Outono

Sandra Albuquerque: Poema ‘Outono’

Sandra Albuquerque
Sandra Albuquerque
Imagem criada por IA no Bing. 31 de março de 2025,  às 08:19 PM
Imagem criada por IA no Bing. 31 de março de 2025,
às 08:19 PM

Hoje amanhecia e você nascia.
Bem-vindo outono querido!
Você traz a brisa suave…
Convida a uma boa música
Acompanhada de um bom ‘Queijo e Vinho’ para os amantes dele.
Noites mais frias e gostosas
Excelentes para um sono tranquilo.
Você é como o crepúsculo:
Avisa que logo a estação dos apaixonados irá chegar.
Sim, eu falo do inverno!
Mas enquanto ele não chega
Você aquece o ambiente.
Já pode limpar a lareira…
Aumentar as almofadas do tapete.
Você pode optar por ler um bom livro
Ou deitar no tapete com as pernas em cima do sofá, ouvindo canções, viajando no tempo.
Que tal uma pipoca e um bom filme?
É outono, outono!
Tenho muitas razões para amar você.
Para muitos, você é nostálgico
E tudo por conta da brisa fria e das folhas que caem e voam, voam e inundam as ruas com os seus coloridos tons pastéis.
Não importo o que pensam de você.
O que importa é que você me inspira a escrever.
É por isto que eu te amo, outono!
E assim…
Vou continuando o meu versejar.

Comendadora poetisa Sandra Albuquerque
Rio de Janeiro, 20 de março de 2025
Entrada do outono, hoje às 06:02 AM

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