O mundo mudou inteiramente nesses vinte anos, como certamente mudou a vida de todos nós, inclusive a minha própria. Quando escrevi meu primeiro livro, ainda vivia muitas avaliações e questões internas e externas da época , em busca de alguma coisa interessante para publicar pela Editora, desde que fosse na linha do crescimento pessoal e desapego, não apenas para minha própria salvação , mas a salvação da humanidade, sobre perspectivas da vida e novos olhares . Eu queria contar um pouco de mim, de minhas experiencias e de como viver uma história mais leve de vida sem buscar opiniões dos outros para viver o que os outros acham que você deveria viver.
Na escrita minha intensidade cega os perigos e me salvo dos medos assim.
Mergulhar por inteiro, mostrar as feridas, permitir que te arranquem as cascas, só depende de você , e não é absolutamente recomendável.
Mas a escrita é uma arte habilidosa e despertar a curiosidade para leitura e prazer espiritual .Esse deve ser seu objetivo alto.
Não consigo parar, não quero parar. Meu corpo não se importa de jeito nenhum com o que meu cérebro pensa. Sinto seu beijo em toda parte, nas costas e entre meus seios, por trás dos joelhos ativando todos os poros das minhas pernas. Mas não consigo me fartar. Sua mão aperta minha cintura e viaja até meu peito. Minhas mãos não conseguem parar.
Esta é uma declaração apaixonada de amor, mas nenhuma declaração apaixonada é dirigida com gestão, ou trabalhada pelo pensamento consciente, e sim dinamizada pelo encantamento, sem orientação das línguas.
Escrever é como um momento na delegacia, de repente entra um crioulo de quase dois metros , cabelos revoltos, nariz esbelto, nem sempre bem interpretado, mas dialético. A finalidade da escrita não é propriamente formar autores premiados nacionais e internacionais , mas procurar um aperfeiçoamento mental , criar uma atração sadia com os programas e o hábito da leitura desde os parques infantis aos jardins sossegados da vida.
O mundo mudou sim, no início , apenas éramos pobres escravos, na vida duríssima do trabalho, com a influência dos negros nas canções, nas festas humildes. Lembranças alegres e tristes, mas sempre saudosas como pôr do sol.
Como bela é a vida na estrada de PERNAMBUCO, com amigos, amantes, desconhecidos, que por lá passavam com suas carroças e carros conduzidas por gente humilde e amiga e param no acostamento para comprar a melhor pamonha do Brasil.
Eliana Hoenhe PereiraImagem criada por IA do Grok – 02 de fevereiro de 2026, às 10:02 PM – https://grok.com/imagine/post/f65b3207-47e3-4c1e-8ad8-61c93a948db8
Logo da seção O leitor ParticipaImagem criada por AI Arte – 03 de agosto de 2025, às 07:05 PM
Não me casei com o grande amor da minha vida, é verdade, mas é com ele que ainda vivo momentos de luxúria, até chegar o dia em que terei que prestar contas com Deus, isto é, se é que Ele exista ou, então, não passe de devaneio da mente humana. Que seja uma coisa ou outra, não estou preocupada hoje, diante do meu marido, que repousa no caixão ornado de flores. Um bom homem, creia-me, que, durante quase 40 anos, me fez companhia nas noites solitárias, enquanto eu, talvez ingrata, só possuísse pensamentos voltados para o outro.
O outro, por assim dizer, é meu primo Orlando, cujas promessas de um futuro juntos foram repentinamente quebras por uma gravidez inesperada. Não minha, mas de outra parenta, a Judite. Sem poder fugir da responsabilidade, meu grande amor desposou a mulher, com quem ainda vive sob o mesmo teto. Como ele próprio me confidencia durante os momentos de alcova, casamento é que nem fumo de rolo, tem que ir até a última tragada.
Não guardo rancor de Judite, que, aos 17 anos, se deixou seduzir ou seduziu nosso primo. E o que teria sido uma aventura, acabou em casamento antes da barriga despontar. E foi justamente nesse dia que conheci Júlio, amigo da família, que me fez par. Éramos padrinhos daquele casal, cujo noivo, pecadora que sempre fui, desejei passar a lua de mel. Não o fiz, obviamente. Pelo contrário, me afastei de todos alguns dias após. Fui estudar na capital.
Meti a cabeça nos livros e consegui passar no vestibular para o curso de ciências contábeis. Durante as férias na faculdade, evitava voltar para minha Belmonte. Resisti quase sempre, até que, já perto de concluir o curso, visitei meus pais. Tudo corria bem, mas mamãe fez questão de me levar para uma visita à casa do Orlando e da Judite, que já estava na terceira gravidez.
Ao chegarmos, fomos recebidos por Orlando, que ostentava um bigode, o que o deixou parecido com o jogador de futebol Rivelino. Um charme, por assim dizer. Conheci os dois pequenos, Lúcia e Joaquim, que timidamente me receberam. Judite, perto de parir novamente, sorriu e me deu um longo abraço. Apesar de querer me livrar daquela situação o mais rápido possível, acabei aceitando de bom grado, pois senti o cheiro impregnado do nosso homem nos cabelos de Judite.
Enquanto estávamos sentados no amplo sofá da sala, ouvindo as várias conversas sobre a vida de casados dos meus parentes, a campainha tocou. Para minha surpresa, era Júlio, que estava na cidade por causa do falecimento do pai. Aqueles olhos tristes me fizeram querer confortá-lo. Abracei-o de modo prolongado, o que despertou um olhar de ciúme em Orlando. Sei que não deveria sentir o que senti, mas meu coração se encheu de regozijo.
Dois dias depois, reencontrei Júlio na rodoviária. Por coincidência, ele havia comprado passagem de volta para a capital no mesmo ônibus que eu. Os nossos assentos não eram próximos, mas isso não foi empecilho, pois consegui convencer a senhora que estava ao lado dele de trocarmos de lugar. Como consegui? Simples. Agarrei Júlio pela cintura e menti que éramos recém-casados.
Durante o trajeto de Belmonte a Salvador, Júlio não parou de me chamar de doida por ter inventado que éramos casados. Falei para ele que aquelas horas de viagem seriam como nossa lua de mel. Não chegou a tanto, mesmo porque o ônibus estava lotado. Quase comportados, meu marido de mentirinha pegava na minha mão e a acariciava. À noite, enquanto a maioria dos passageiros adormecia ou fingia fazê-lo, tomei a iniciativa de beijar aqueles lábios tímidos. Apesar de surpreso, Júlio soube retribuir ardentemente.
Assim que chegamos a Salvador, combinamos de nos encontrar em breve. Não foi tão breve assim, pois eu precisava me dedicar aos estudos, já que enfrentaria o último semestre na faculdade. Falávamos por telefone uma ou duas vezes por semana, até que marcamos de tomar uma cerveja num domingo. Quando cheguei, percebi que Júlio estava ainda mais bonito.
Após alguns copos, comecei a imaginar como terminaríamos aquela tarde. Saímos do bar e fomos para o apartamento que eu dividia com uma amiga de curso. Ela, por sorte, tinha ido passar o final de semana na casa dos pais, em Feira de Santana. Todavia, para meu azar, Júlio se mostrou muito respeitador e fez questão de me acompanhar somente até a porta.
Nosso segundo encontro aconteceu apenas no mês seguinte, quando meu quase namorado me convidou para jantar. Era um sábado e o prato foi moqueca. Foi o encontro dos sonhos e, para minha sorte, Júlio me convidou para conhecer seu apartamento. Nem tive o trabalho de fingir constrangimento, pois era justamente o que esperava desde que passamos por marido e mulher naquele ônibus.
Não vou romantizar a noite que tivemos. Júlio, apesar de não ter se mostrado decepcionante debaixo dos lençóis, não conseguiu me impressionar. Seja como for, adorava estar ao seu lado e, após alguns encontros, ele me pediu em casamento. Aceitei como se fosse mais uma brincadeira e, duas semanas após minha formatura, oficializamos o noivado na casa de mamãe.
Casamos sem pressa quase um ano após na mesma igreja que Orlando e Judite. Por ironia, os dois foram nossos padrinhos. Lembro-me muito bem do beliscão que mamãe me deu ao perceber que eu não tirava os olhos do meu primo. O engraçado é que o romance que tivemos antes da gravidez de Judite foi breve, apesar de intenso, e, até onde sei, ninguém soube. No entanto, parece que mães sentem as coisas no ar. Soube disso após dois anos, quando Maria Clara, minha filha, nasceu.
Como morávamos em Salvador, mantínhamos pouco contato com os parentes em Belmonte, ainda mais após o falecimento de mamãe, ocorrido pouco antes do Natal de 1993. E, quando íamos, era coisa rápida e cada vez mais espaçada. De vez em quando, recebíamos um ou outro parente em nosso apartamento, momentos em que ficávamos sabendo que fulano havia se casado, sicrano morrido ou coisa assim.
Júlio e eu, que pensávamos que iríamos passar o resto da vida em Salvador, decidimos retornar para Belmonte em 2016, dois anos após nos aposentarmos. Maria Clara, casada com Paulo, um rapaz que havia feito faculdade com ela, nos deu duas netas lindas, Júlia e Roberta.
Alugamos nosso apartamento na capital e fomos morar na casa que recebi de herança de mamãe. Apesar de pequena, nos serviu muito bem, pois éramos somente dois velhos aposentados e sem muitas preocupações. Gostávamos de passear de mãos dadas pela orla, como se fôssemos namorados ainda.
Júlio, logo que retornamos para Belmonte, voltou a ficar próximo de Orlando, o que me obrigava a, vez ou outra, encontrar meu primeiro grande amor. Judite, que há tempos andava acamada por conta de um acidente de carro, mal conseguia andar. Júlio, alguns meses depois, me confidenciou que os dois não se relacionavam intimamente há mais de 10 anos, bem antes do acidente. Não sei se ele disse isso como forma de convite, mas passei a desejá-lo como nos meus 18 anos, quando tivemos nossa primeira vez.
Aconteceu quase por acaso alguns dias após. Meu marido precisou ir ao médico para exames de rotina. Ele me pediu para levar um livro de poesias para Judite, além de lhe fazer companhia, pois ela parecia cada vez mais definhada. Júlio me deixou na casa do meu primo e ficou de me buscar mais tarde, assim que saísse da clínica.
Sentada em uma cadeira ao lado da cama de Judite, comecei a ler o livro de poesias “A verdade nos seres”, de Daniel Marchi, autor que até então desconhecia. Lembro-me de vê-la emocionada, ao ponto de marejar aqueles olhos tão tristonhos. A inveja, até então entranhada em meu ser, se transformou em compaixão pela esposa de meu primo.
Em determinado momento, levantei e fui até a cozinha pegar um pouco de água, quando percebi a porta se abrindo. Era Orlando, que me sorriu aquele sorriso que há muito eu havia esquecido. Ele se aproximou para me cumprimentar e, não sei o que me deu, eu o abracei e comecei a chorar. Orlando me fitou e, antes que pudesse me perguntar o motivo daquele choro, aproximei meu rosto do seu e nos beijamos ardentemente.
Meu ímpeto era largar tudo e cair nos braços do meu primo. Falei que poderíamos voltar a ficar juntos, mas ele disse que não poderia abandonar a esposa, ainda mais com ela praticamente inválida. Apesar de tamanho comprometimento com o matrimônio, Orlando não resistiu ao apelo do coração. Passamos, a partir daquele dia, a ter momentos só nossos, quando tentávamos recuperar tantos desejos reprimidos por décadas.
Não sei se meu marido desconfiou de algo, até porque há tempos vivíamos praticamente como colegas de quarto. Discreto como sempre foi, nunca me tratou de modo diferente. Sempre foi muito gentil e atencioso, além de ótima companhia. Nosso casamento, que começou como uma brincadeira naquele ônibus, provavelmente duraria mais uma década ou duas, caso o infarto não o tivesse pegado à traição.
Orlando veio me consolar e disse que, se eu precisasse de qualquer coisa, ele estaria sempre perto. Judite não pode vir, pois está cada dia pior. Os médicos já a desacreditaram e, talvez, não chegue ao próximo Natal. Isso me entristece muito. Digo isso de coração, acredite. Você pode até pensar que não estou sendo sincera, pois seria a oportunidade para viver livremente o amor que sinto por meu primo. Porém, gosto das coisas como estão.
Edmar, filho mais novo do meu primo, também está aqui no velório. É incrível a semelhança com o pai. Minha filha também parece perceber, tanto é que não consegue tirar os olhos sobre o homem. Em vez de beliscão, seguro a mão de Maria Clara. Tenho certeza, mães sentem as coisas no ar.
Eduardo Cesario-Martínez
Eduardo Cesario-Martínez – Crédito Irene Araúo
Eduardo Cesario-Martínez é um premiado escritor carioca, com quatro livros publicados, além de participações em mais de 40 outras obras.
Seu primeiro livro, o romance ‘Despido de ilusões’, 2004, figurou entre os mais lidos do CCBB. ‘57 Contos e crônicas por um autor muito velho’ é seu mais recente livro.
Marcelo PiresImagem criada por IA do Bing – 17 de junho de 2025, às 22:23 PM
A paixão voou serena até os corações Não pode ser contida, nem desviada Mudou vidas, criou dilemas, e satisfações Para selar o amor, uma aliança imaculada
O ouro usado na forja dos compromissos Não reluz diante do brilho deste grande amor Talvez uma aliança de papel resolva isso Confiança no frágil papel e ideias de valor
Na aliança de papel são registradas juras Elas expressam os sentimentos belos Bem como os elos das paixões puras Registrando amores grandes ou singelos
É difícil escrever a ebulição amorosa Do coração palpitante, aflito de bem-querer A cada declaração escrita quente e fogosa Arde também os olhos ávidos de viver
O amor correspondido chegou para os dois Almas gêmeas expressas em poesias Felicidades eternas, de agora e depois Eternizadas em palavras nas entrelinhas
Após forjar as alianças do amor literal Nossa admiração em um pequeno papel Será trançado com amor, em espiral Formando um anel para um sentimento fiel
Viajando nos dedos delicados da amada Repousando suas mãos no coração dela Pousam palavras do anel no alvo almejado Tocando o coração onde nosso amor se sela