O ébrio

Evani Rocha: Poema ‘O ébrio’

Evani Rocha
Evani Rocha
Fotografia digitalizada mostrando um homem com roupas gastas e sujas sentado no chão de uma rua íngreme de paralelepípedos, em uma vila antiga. Ele está encolhido com a cabeça curvada sobre os braços e joelhos dobrados. Ao seu lado, no chão, há uma garrafa de vidro de bebida alcoólica deitada. Ao fundo, casas históricas de estilo europeu ladeiam a rua e o céu exibe um pôr do sol vibrante em tons intensos de vermelho, laranja e amarelo.
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Amanheceu ali na esquina úmida e lodosa.

Tinha na boca um gosto de zinabre.

A pele encrespada e fria

Pelo sereno da madrugada.

Todos já se foram…

Apenas a penumbra permanecia…

Há pouco ele se arrasta pelos becos da cidade morta.

Ainda tenta beber o último gole,

Mas suas mãos trêmulas não suportam o peso do cálice.

No horizonte, o sol quase desponta 

Em meio a um barrado cor de sangue…

É o anúncio de um novo dia!

Permaneceu ali:

Cabisbaixo e embriagado,

Não só pelo álcool, 

Mas pela angústia que lhe açolava o peito.

Nada a lamentar, nem forças para gritar…

O mundo emudeceu!

Sem jeito de ignorar a resignação…

Então, debruçou-se sobre os joelhos,

Vencido pela solidão,

E deixou o tempo dele se encarregar!

Evani Rocha

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Céu de passarinho

Marli Freitas: Poema ‘Céu de passarinho’

Marli Freitas
Marli Freitas
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Entre o nascer o e o pôr

Bem-te-vi, pintassilgo e beija-flor.

Tem andorinha no fio,

Rouxinol no arrebol

E o canto do inhambu-chororó.

Entre a poeira e o caminho

Tico-tico, papa-capim e trinca-ferro.

Tem pica-pau na mangueira,

Pardal na goiabeira

E sabiá na laranjeira.

Entre a brisa e o gado

Quero-quero, garça-vaqueira e anu do campo.

Melhor companheiro é o suiriri-cavaleiro,

Melhor família é a da coruja-buraqueira

E a melhor zoeira faz a curicaca campeira.

Entre o céu e o riacho

Biguá, gaivotas e martim-pescador.

Vezeiro é o revoar das garças,

Elegante gorjeia o caboclinho

E eletrizante é o acasalamento do tangará.

Entre a planície e o monte

Salve o canto da seriema!

Salve a fidelidade do galo-de-campina!

Salve o tiziu, o jacu e o curió!

Salve a beleza do cerrado!

Marli Freitas

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Cataratas do amor

José Antonio Torres: Poema ‘Cataratas do amor’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
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A energia das águas
De tão nobres Cataratas,
Lavam tristezas e mágoas
Que ao coração maltrata.

Sua beleza sem par
Como o sabor do cupuaçu,
Não há como esquecer
As Cataratas do Iguaçu.

Vibra n’alma a alegria
De um simples forasteiro,
Que ao coração inebria
A beleza dos aguaceiro.

Quedas d’água e floresta,
Suas belezas e cores,
Trazem o coração em festa,
Celebrando os amores.

O som das águas em queda,
É como uma doce canção.
A tristeza de mim arreda
E acalenta o coração.

Minhas lindas Cataratas,
Beleza que Deus imprimiu
Com cores lindas e exatas,
No meu querido Brasil

José Antonio Torres

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Absorção (1)

Ismaél Wandalika: Poema ‘Absorção’ (1)

Soldado Wandalika
Soldado Wandalika
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Calar no inverno quando a alma sente o adorno do frio penetrante nos ossos da caneta
Fugir do asilo da lembrança que atravessam década
Olhar firme nos olhos do medo que a vida consome
Seguir além da glória com fome da morte
Passos dados no deserto
Aguas secam no começo do trajeto
Traçado destinado, andar na linha do tempo vermelho
Inventar sorriso na órbita da malamba do controverso…

A carruagem avança o fôlego indaga o calendário

Não há rios que atravessam a ilusão das lições percorridas na forja
vozes alimentam o silêncio no pátio da lembrança
A dança encanta a manada no brilho há vida
Na vida há malfeitores
Que na trilha causam dores

Não há
Vida sem dor
Sucesso sem labor
Amor sem dessabor
Noite sem criança
Idade sem lembrança
Cicatrize sem ferida

Sim há
Morte além da vida

Absorção (1)

Soldado Wandalika

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