Território da alma em solo da consciência
Ella Dominici:
A jornada da alma que desarmou o medo para renascer no raiar de uma nova consciência


Sento-me diante do medo,
encafifada, vigiando uma fronteira.
Tanto me desconhece aquilo que me indigna.
E, sem nome, em noite de angústias,
declínio em algemas junto ao
abrir de trincheiras.
Um confronto de rivais, são ideias em disputa,
e das bases, fossos, partes, pares partem
aos ataques.
O invisível se apropria de imagens sem barreiras.
Sem bandeiras, só meu verbo é lema sem dono,
onde tremula a audácia no sobreviver da palavra.
De todas as respostas impostas, sem armas e sem adagas,
em silêncio mudo, arde-me o vulto palpitante
e o não querer dizer aquilo que não tem verdade.
Destila o líquido do estopim que me acalora.
Na mente, um livro, linguagem e um debate,
o soletrar na noite que avança e, dentro dela, um resgate e,
Vislumbro.
o passável do impossível,
o possível do indizível,
o visível do mutável!
Não mais me abala a intransigência.
E, dissidente, resisto, me desabrigo e insisto,
sitiado em pôr do sol,
do absurdo que já dorme.
Um radar da Resistência
no raiar da Consciência
Livre-alvedrio
Um despertar do Sol
é um fenômeno intelectual.
Acordo.
E no território secreto da alma,
recolho do silêncio o que ainda sou.
Apenas Ela,
a consciência erguendo-se madrugada,
cale-se o que finda
no amanhecer da liberdade.
Como aprendizado do Sol internamente,
o sorriso do cálice em licor
desfaz a sede antiga
e ilumina o que em mim renasce.
Ella Dominici
A lealdade da nova roupagem – Poema de Marli F. Freitas
Um canto de transição e esperança que veste a alma com as cores, flores e a força da nova estação


Que adormeça o inverno
E desperte a primavera
Em tons de vários sóis
Realçando os girassóis.
Que se despeça o medo
E se achegue a esperança
Em tons de vigorosos brotos
Anunciando a fertilidade.
Fulguremos a nova estação
Com gratidão ao aprendizado
Em tons de orquídeas e jacintos,
Acolhendo a serenidade.
Embarquemos numa nova aventura
Na certeza de dar valor ao tempo
Em tons de tulipas e amores-perfeitos,
Confiantes e bem-humorados.
Respeitemos a nudez dos arbustos
E saudemos a lealdade da nova roupagem
Em tons de ipês e pingos de ouro,
Recebendo o estímulo que clama felicidade.
Cantemos o amor e efetivemos a vida,
Com o olhar elevado ao que é sagrado,
Em tons de vermelho cor de sangue
Pulsando com coragem o fogo da paixão.
Que venha, sem demora, a paz,
Com a clareza dos inocentes,
Em tons de azaleias, crisântemos e jasmins,
À luz da verdade e da honestidade.
Que os desvarios da vida
Não nos roubem o coração
E que venham os tons de terra cuidada,
Trazendo aconchego e dignidade.
Que brilhem no céu as estrelas
E aqui na terra reine a força da fé
Em tons de geranium e cranesbill,
Consagrando os gestos de proteção.
Marli F. Freitas
Essência da poesia
Ella Dominici
Essência da poesia: um mergulho profundo na alma, nos fados e no tripé sagrado que equilibra o desejo, a opinião e a fé no fulgor do instante


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Tem nos olhos a febre das manhãs que não dormem,
um lume de marés que se escrevem em sargaços.
A palavra lhe nasce em sístoles de vento,
tecendo silêncios de um tempo sem nome.
Seus passos são traços no ventre da areia,
onde a escrita se esquece, mas nunca se apaga.
Carrega no peito o sal das perguntas,
nas mãos, a tinta que verte do abismo.
Ela vê o que o mundo não ousa dizer,
sente as raízes do verbo ainda cru.
O papel lhe responde em sombras e brisas,
no alfabeto de águas que dança sem rima.
Não busca verdades, colhe o que arde,
colhe a incerteza, a fresta, o presságio.
Ser poeta é saber-se eterna passagem,
caminho de Sol, de sombras e fados.
No fulgor das histórias que inventa, se inventa.
No lume da língua, seu corpo persiste.
No cristal do instante, inscreve seu nome,
feito estrela que, ao morrer, ainda brilha.
O que a define, seu tripé que se equilibra
na beira do tempo, desejo, opinião e fé
O corpo se inquieta, a alma silencia,
a mente divaga, o espírito vigia.
E quando tudo vacila, sustenta a vida,
Poeta em poesia!
Ella Dominici
Poema celebra o fim de agosto com gratidão
Denise Canova colhe ‘margaridas poéticas’ em seus novo poema ‘Fechando agosto’


Fechando agosto
Com alegria e gratidão
Um mês com margaridas poéticas
Que eu colhi
Fecho meu agosto assim
Dama da Poesia
Descaminhar é preciso
Nem todo mundo: poema de Verônica Moreira
Nem todo desabafo é ataque, nem todo riso é amor: os versos de Verônica Moreira para acalmar a alma


A vida fica mais leve quando a gente passa a aceitar que todo mundo tem defeito,
todo mundo tem qualidade,
todo mundo tem deveres,
mas todo mundo tem direitos.
Todo mundo tem dores,
mas também tem felicidades.
Há pessoas que são ilusão,
mas há algumas que são realidade.
Nem todo mundo é rico,
nem todo mundo é pobre.
Nem todo mundo sabe ganhar,
nem todo mundo saberá perder.
E tudo bem para todo mundo,
mesmo quando tudo não está muito bem.
Nem todo mundo é branco,
nem todo mundo é negro,
nem todo mundo é pardo.
Nem todo mundo é triste,
nem todo mundo é alegre.
Nem todo mundo é indouto,
e nem todo mundo é doutor.
Nem todo mundo é líder,
nem todo mundo é escravo.
Nem toda dor é silêncio,
nem todo grito é dor.
Nem todo olhar é falso,
nem todo riso é amor.
Nem todo mundo compreende,
nem todo mundo abraça,
nem todo mundo ama,
nem todos sabem o que é amor.
Nem toda poesia é desabafo,
nem todo desabafo é ataque,
assim como nem todo ataque é vanglória.
Cada um de nós é o que é,
e nem todo descontrole é ignorância,
assim como nem toda ignorância é ataque.
Portanto, lembre-se:
você não é todo mundo,
e nem todo mundo tem que ser igual a você.
Entender tudo isso
é o começo de toda sabedoria.


