Sensação de impotência

José Antonio Torres: Crônica ‘Sensação de impotência’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
Imagem criada por IA do bing.com/create, em 16 de março de 2026.
Imagem criada por IA do bing.com/create, em 16 de março de 2026.

Caminhando pela praia, sentindo a areia fina como a sutileza do amor. A sensação de que algo desliza e se esvai impressiona pela percepção de impotência. A mesma de quando te perdi. Tão perto, tangível e, ao mesmo tempo, se esvaindo, te perdendo.

Dor e angústia por assistir ao teu sofrimento e nada poder fazer para minorá-lo. Tudo fazendo, como um ator, representando para não demonstrar a minha dor e não te preocupar. Sim, eu sabia. Mesmo você sofrendo e partindo um pouco a cada dia, ainda se preocupava para que eu ficasse bem.

Assistir à vida se esvaindo de alguém sem poder contê-la é um sofrimento atroz. Não temos como reter a vida em um corpo quando é chegada a hora. Como um vaso que se quebra e perde o seu conteúdo, assim a vida se esvai quando o corpo está consumido e alquebrado pela terrível doença.

Não sofre apenas quem sente as dores físicas, a fraqueza e as limitações do corpo, mas também os que convivem com o ser amado e que, em pouco tempo, não o terão mais em seus braços…

Conscientemente sabemos que é inevitável, mas, ainda assim, a percepção da perda definitiva machuca, consome e dilacera nossa alma. Não mais a presença, a voz, o riso, o abraço, o beijo…. nada!
Tudo em um único instante ficou no passado e na lembrança.

Uns partem em tenra idade, outros jovens, outros ainda, maduros e outros mais, idosos. São ciclos mais ou menos longos que serviram para cumprir uma etapa que havia ficado pendente.

O tempo vai passando, a dor se acalmando e a compreensão se faz. As lembranças dos momentos de alegria vividos juntos se sobrepõem aos momentos ruins. O entendimento de que o ser amado partiu para a verdadeira morada, livre do sofrimento terreno e onde vai se recuperar para alcançar novas conquistas, nos conforta.

A mensagem que fica é a de que precisamos amar, valorizar e desfrutar de cada momento junto de quem se ama. Agindo assim, não haverá espaço para culpas e arrependimentos, que são fardos extremamente pesados para se carregar ao longo da vida.

José Antonio Torres




Sala de estar

Lina Veira: Crônica ‘Sala de estar’

Lina Veira
Lina Veira
Imagem gerada por IA do Canvas

Lembro quando meus filhos eram crianças, eu costumava levá-los para brincar na praia e ver o mar. Lá sempre foi uma extensão da nossa sala de estar.

Eles adoravam, e eu aproveitava para estimular brincadeiras de bola e de corrida na areia, aprimorar os elogios e mergulhar no mundo deles. Eu tive esse privilégio, e eles também.

Tobias, o caçula, parecia ser o mais sintonizado com ambiente, com  o irmão e  com seu amor à família, um coração saudoso e amigo tem até hoje.  O mais velho, sempre  ativo e criativo, gostava de receber os amigos  na sala de estar,  de passar mais tempo no seu quarto e jogar bola com eles na beira do mar.

Mas o que tem  a ver ‘nosso lar’ com esse assunto? A praia  em muitas circunstâncias, foi minha sala de estar com meus filhos, nosso momento  de mais risadas e conversas, porque o  verbo  da vida em família precisa ser ESTAR.   E “ A verdadeira  beleza  é com certeza a do interior” do nosso interior.  Aquela que dura muito tempo e passa diretamente pelo coração imprimindo o caráter de um ser humano. Reconhecendo o território doméstico. Construindo um lar emocionalmente seguro em um mundo inseguro. Estar junto em família , foi um dos momentos mais sublimes enquanto eles cresciam, e DEVERIA ser a resposta da pergunta:  O que temos para todos os dias?

O lar precisa ser um refúgio , na qual os filhos voltassem repetidas vezes, por se sentirem mais seguros e protegidos.  E essa  expectativa positiva comunicasse com seguridade que existe uma família.

Uma família,  duas famílias… Um lugar em que as crianças aprendessem o significado de ser responsável e  de se importar com o outro, onde o coração e o tempo  de todos moram em paz.

–  Vamos  para o quintal de casa, saiam dos bastidores. O  verbo  de uma família precisa ser ESTAR.  

Compreenda a singularidade de cada filho, eles são ricas descobertas  silenciosas da vida. Dê a eles uma memória  e cultive seu caráter em vez de garantir que eles pareçam bons diante dos outros. Que fantástico ler isso!

E lembre-se , a sala de estar precisa ser um lugar espontâneo e lembrado para toda vida.  

E seu lar,  um lugar  onde vocês possam assistir a um filme juntos, lavar o carro num dia quente,  ter uma refeição surpresa toda semana, jogar jogos de tabuleiro e ser feliz.  

Não cedam à coisas que destroem as relações familiares.   

Lina Veira

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Lua cheia

Irene da Rocha: poema ‘Lua cheia’

Irene da Rocha
Irene da Rocha
Lua cheia - Imagem gerada por IA do Bing
Lua cheia – Imagem gerada por IA do Bing

Sob a luz da Lua cheia,
Saudade sussurra em brisa,
Tu e eu, na praia areia,
Rimos de forma precisa.

O mar canta à noite escura,
Reflexo da lua bela,
Penso em minha vida pura,
E na tua, doce tela.

Prata no céu, brilho mudo,
Tua luz agora opaca,
Era um cintilar de tudo,
Mas parece que se estaca.

Uma estrada prateada,
Dançava sobre o oceano,
Tão linda e enamorada,
Rimas seguiam seu plano.

Versos feitos com esmero,
Hoje ressoam vibrantes,
Com amor e com esmero,
Cortesias tão brilhantes.

A Lua, musa a sonhar,
Prosa e poesia entoam,
O livro a se revelar,
Rosas à poesia doam.

Irene da Rocha

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O luar e o amor

Ceiça Rocha Cruz: Poema ‘O luar e o amor’

Ceiça Rocha Cruz
Ceiça Rocha Cruz
"No céu prateado, sob o clarear fulgente da Lua, o luar cintila, 
reflete no chão, ilumina o amor, na areia da praia nua"
No céu prateado, sob o clarear fulgente da Lua, o luar cintila,,,”
Imagem gerada com IA do Bing ∙ 17 de setembro de 2024 às 8:36 AM

No céu prateado,
sob o clarear fulgente da Lua
o luar cintila,
reflete no chão,
ilumina o amor,
na areia da praia nua.

Na noite nostálgica
dos acordes,
dos olhares,
das emoções,
aquieta-se o silêncio,
tece o amor sob o céu luzidio.

Somos o amor no abraço,
no teu versejar,
na tua canção,
na fulgência do cenário
sob a lucidez da vidraça
que se desenrola à flor do luar.

Amantes vagueiam,
entreolham-se fascinados
pelo passear da lua
na sacada reluzente
e infinita de mistérios.

Nas dobras prateadas
das cortinas da lua,
um encontro – o luar e o amor.

Ceiça Rocha Cruz

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Garça solitária

Ceiça Rocha Cruz: Poema ‘Garça solitária’

Ceiça Rocha Cruz
Ceiça Rocha Cruz
Imagem criada pela IA do Bing
Imagem criada pela IA do Bing

Em pleno Sol de primavera,
em abstrata candura,
o tempo passa imóvel e terno.

Na obscura solidão,
a garça,
linda plumagem,
desfila nas pedras da praia
a correr das altas ondas
que resvalam em leques
e debruçam-se em véus
de cascatas.

Pensativa que de longe veio
a pávida garça que o Sol fustiga,
solitária,
misteriosa,
espreita as ondas,
e alça o voo inefável
ao látego do vento.

Trajeto rasteiro
entremeia caminhos
na surdina da tarde,
ao Sol que morre lento.

Sob o olhar do crepúsculo,
o véu da sombra.
Viestes dos cerros pousar,
sobre o tapete de pedras da praia,
ou no verde-esmeralda
das águas da paisagem,
garça solitária?

Ceiça Rocha Cruz

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Entardecer na praia

Ceiça Rocha Cruz: Poema ‘Entardecer na praia’

Ceiça Rocha Cruz
Ceiça Rocha Cruz
Entardecer na praia
Microsoft Bing – Imagem criada pelo Designer

Na tarde sombria

busco a quietude 

no Sol que fenece

de mansinho.

No vislumbre crepuscular

olhares se cruzam, 

tece o amor na sombra

da paisagem

e no fundo dos teus olhos

encontro-me.

As névoas enveredam,

derramam-se pelo crepúsculo,

o amor segreda. 

Transfigura-se em sussurros,

em sorrisos,

em emoções.

No silêncio soturno da tarde

amantes vagueiam na areia

da praia nua

sob a lucidez da vidraça

que se desenrola à flor do arrebol.

Canções de amor,

versos poéticos,

tu e eu,

no entardecer da praia.

Ceiça Rocha Cruz

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Conchas e rochas sensíveis

Ella Dominici: Poema ‘Conchas e rochas sensíveis’

Ella Dominici
Ella Dominici
o mar impetuoso adentra pela fenda da impassível rocha e se amam
“o mar impetuoso adentra pela fenda da impassível rocha e se amam”
Criador de imagens do Bing

conchas esmagadas em sofrido aperto

contritas consternadas pelo vento

constantes sopros desmesurados

neste amor que une graciosas pérolas

rochas com a sedimentação dos tempos

águas colam enquanto passam argolas

adentrando os montes pelas grutas

choro nas paredes lágrimas nos tetos

nas lástimas me inundo em lago interno

dentro vigora azul profundo água-estéril

pinga-pinga de arbustos-folhas-sacras

ondas desiguais do mar na praia

estrondos violência em sons espetaculares

como o mar se comporta mediante

Impassibilidade das rochas

recontam o amor louco e estupendo

em tuas rochas abres fenda e adentro

enquanto mar no ímpeto

Ella Dominici

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