O Mingo e a Mingota

Seth Marcelo: conto ‘O Mingo e a Mingota’

Seth Marcelo
Seth Marcelo
Imagem criada por IA da Meta – 07 de fevereiro de 2026,
às 12:26 PMhttps://grok.com/imagine/post/2054bb02-5c1f-471f-b026-9ad9639b98fb

Mingo era um jovem governante, elevado rapidamente ao topo da poderosa Sonangol. Cercado de privilégios, recursos e influência, acreditava-se indispensável. Do alto do seu cargo, confundia autoridade com grandeza e poder com mérito.

Foi então que surgiu Mingota. Não vinha movida por lealdade nem por admiração verdadeira, mas pelo brilho do poder e pela promessa de ganhos fáceis. Aproximou-se com passos suaves e palavras melosas:

— Salve, excelência. Que honra estar diante de alguém tão distinto. O senhor é elegante, sempre impecável, quase celestial. Dizem que governa esta empresa com mãos firmes e sábias, como um anjo enviado para guiar os outros.

As palavras tocaram fundo. O ego de Mingo inflou-se. Orgulhoso da própria imagem, abriu um sorriso confiante e, na ânsia de impressionar, falou demais, concedeu demais, confiou demais. Sem perceber, entregou documentos, poderes e decisões a quem apenas fingia admiração.

A partir desse momento, Mingota passou de ouvinte a condutora. Cada elogio era um passo à frente; cada gesto de submissão, uma nova concessão arrancada. Até que, certa vez, perguntou com falsa reverência:

— Diga-me, excelência… como devo chamá-lo?

— Mingo — respondeu ele, vaidoso, como quem grava o próprio nome na história.

Então, sem rodeios, Mingota revelou a verdade:

— Pois saiba, senhor Mingo, que todo bajulador vive de quem lhe dá ouvidos. Nunca admirei sua virtude, apenas sua posição. A transferência que autorizou era tudo o que eu precisava. Agora, com parte da empresa em meu nome, sua utilidade chegou ao fim.

O silêncio caiu pesado. Mingo sentiu o chão fugir-lhe dos pés. Percebeu, tarde demais, que havia sido traído não por um inimigo declarado, mas por um elogio conveniente. Envergonhado, jurou a si mesmo que jamais voltaria a confundir bajulação com lealdade, embora já tivesse pago o preço.

Seth Marcelo

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Eu sou o que quero ser

Ivete Rosa de Souza: ‘Eu sou o que quero ser’

Ivete Rosa de Souza
Ivete Rosa de Souza
Uma mulher que o tempo a convenceu a ser como ela é
Imagem criada pela IA do Bing

Eu sou

Eu sou o que quero ser

No mundo não me encaixo

Não me acho

Prepotente ou incompetente

Simplesmente sou só eu

Que o tempo convenceu

A ser como sou

Não me comparo a outros

Faço o que gosto

E quando mostro incomoda

Tem aqueles que criticam

Tem alguns que gostam

Mas ainda mostram

Que pode ser de outro jeito

No perfeito em que se encaixam

Então acham que devo mudar

De outro jeito me encaixar

Não quero não espero

Também não vou mudar

Se nem Cristo ressuscitado

Foi amado por alguns

Como posso ser perfeita?

Ser eleita e agradar?

Aos tolos incompetentes

Minha ausência posso dar

Quem critica nem explica

Acho que nem sabe o que dizer

Ou fazer, não mudo, já estou velha

Faço o que me der na telha

Os incomodados, passem folgados

Bem longe

Para não nublar meu caminho

Quando eu passar

Se não gostam, não se importam

De nem mesmo os enxergar.

Ivete Rosa de Souza

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