A janela
José Antonio Torres: ‘A janela’


28 de maio de 2026 às 11:28h
Sempre que por aqui caminho, te vejo na janela. Ela significa um portal que nos separa, em vez de nos conectar.
Me frustro, pois você não percebe a minha presença.
Meu coração grita por ti.
Sou completamente ignorado.
Enquanto te admiro, encantado por tua beleza, você sequer percebe a minha sombra.
Sigo o meu caminho, triste e desolado. Tudo eu faria por um simples olhar.
O mundo eu daria por um sorriso teu.
Mas nada, nada acontece.
Apenas a atmosfera gélida do vazio da tua frieza.
Estou ausente do teu horizonte.
Não entendo por que a imensidão do meu amor não consegue chamar a tua atenção.
Olhe para mim! Me perceba! Eu imploro! Silêncio e abstração são o que recebo em resposta.
Sigo na esperança de, um dia, o teu olhar se desviar e me encontrar.
E assim, extasiado, ver um sorriso teu dirigido a mim.
Nesse dia, sentirei todo o esplendor da vida me envolver.
Só então, exatamente nesse momento,
me sentirei vivo e a vida fará sentido.
José Antonio Torres
Para onde?
José Antonio Torres: Poema ‘Para onde?’


Ouço sussurrarem meu nome…
Intrigado, indago: Quem és?
O que ou a quem procuras?
Por que sussurras o meu nome?
Não te conheço!
Sinto o teu perfume adocicado e suave.
Não te vejo, mas sinto a tua presença.
Por que não te vejo?
A tua respiração soprando em meu ouvido…
De onde vens?
Não tenho medo.
Mas essa sensação é estranha e angustiante.
Vais me levar para algum lugar?
Responde!
Para onde?
Sinto que estou prestes a atravessar portais.
A calma se faz.
Não sinto mais angústia.
Parece que flutuo…
Percebo luzes dos mais belos matizes.
As mais belas melodias se sucedem…
Sinto presenças de quem não vejo.
Murmúrios e aromas deliciosos me acalmam…
Uma sensação de acolhimento me envolve.
Começo a ter a verdadeira consciência de mim.
Me percebo em outro plano.
Estou em meu verdadeiro lar.
Sinto-me sereno e em plena paz.
José Antonio Torres
Genuíno pensamento
Irene da Rocha: Poema ‘Genuíno pensamento’


às 00:42 AM
Sonhar contigo, mesmo além do oceano,
Imaginar tua pele, quente e morena,
Te ouvir como eco de uma voz serena,
Desejar teus beijos em meu rosto insano.
Respirar ofegante, o coração em declínio,
Seus braços entrelaçados, dúvida e desejo,
Apenas tua presença faz o tempo enlevo,
E transforma o silêncio em ritmo divino.
Aguardo esse instante, sonho e esperança,
Tão vívido, quase utopia que encanta,
Vida segue seu rumo, com esperança,
Mas minha razão insiste em que vale a pena,
Crer nesse amor que o coração revela,
Um sonho verdadeiro, pura e serena.
Irene da Rocha
Apagar-se é o preço de existir
Ella Dominici: ‘Apagar-se é o preço de existir’


às 07;30 PM
O vazio chegou primeiro.
Antes do nome, antes da pele, antes do rosto
que me ensinaram a chamar de meu.
Fui menos que um nada,
um quase-ser esperando a sorte do verbo.
Apaguei-me para caber no mundo.
Deixei pegadas que não segui,
vendi silêncios para comprar presença.
E ainda assim, o resto de mim ficou
insistindo em existir no que me faltava.
Houve um tempo em que fui todos,
um eco na multidão dos que não sabem que são.
E então, o traço. O risco. A marca.
Era eu.
Não um nome, não um número,
mas um corte no papel do tempo.
Deixei o coro dos rostos repetidos.
O coletivo me olhou como se eu traísse
o pacto dos que preferem ser sombra.
Mas a sombra não tem peso,
não tem voz,
não tem gravidade para sustentar-se.
E eu queria ser corpo,
queria ser coisa que não se apaga.
Queria ser o avesso da ausência,
o nome que me veste sem caber em mais ninguém.
APAGAR-SE É O PREÇO DE EXISTIR
Ella Dominici
A canção que nunca chega ao fim
Paulo Siuves: ‘A canção que nunca chega ao fim’


“Por que ela teve que ir? Eu não sei/
Ela não me diria
Eu disse algo de errado, agora anseio
Pelo dia de ontem”
(‘Yesterday’ – The Beatles)
Em meu coração, há uma canção que parece nunca terminar. É como se eu estivesse sempre no meio de uma composição musical interminável, tocada em acordes de esperança e tristeza. O meu mundo interior é o palco onde a luz nunca se apaga e as cortinas estão sempre abertas para uma peça que nunca chega ao fim.
Você, com sua beleza única e enigmática, é a nota que nunca se completa. Sempre que tento alcançá-la, você me desafina no ar, tornando-se um tom que escapa aos meus maiores esforços. Sua presença é um acorde suspenso, uma tonalidade que nunca se concretiza. Cada vez que penso que estou perto de tocar você, o destino nos separa e eu fico com o eco do seu não ser.
A música que toca em mim é uma sequência interminável de esperanças e sonhos. Cada verso parece repetir o mesmo desejo não realizado, cada refrão é um ritornelo do que poderia ter sido. Eu continuo a dançar, a cantar, a viver conforme a melodia que nunca se resolve, como se o tempo não fosse importante e a espera fosse uma parte natural do meu ser.
No meio dessa canção sem fim, encontro algo de beleza. Talvez a verdadeira essência esteja na jornada interminável, na aceitação de que a canção nunca terá um final. Nessa melodia que não se completa, descubro uma forma de paz. É uma aceitação do que é, uma promessa de algo que nunca será, mas que continua a tocar o meu coração, sempre me lembrando do que poderia ter sido.
Paulo Siuves
Contatos com o autor
Grandeza da alma
Irene da Rocha: ‘Poema Grandeza da Alma’


Imagem gerada pela IA do Bing – 24 de setembro de 2024 às 4:12 PM
A grandeza da tua alma doce,
Reflete o amor que em ti floresce.
Como vasto oceano a resplandecer,
Profundo e sereno, a acolher.
Tempestades chegam e passam,
Ainda assim, a calma é a palavra.
O mundo, espelho dessa essência,
Guarda em silêncio tua presença.
É no imenso coração,
Que repousa a vastidão.
Na paz que em ti reside,
O amor se expande e divide.
Assim segue a tua jornada,
Acolhendo a vida, de alma lavada.
Com serenidade a cada passo,
Um universo em teu abraço.
Irene da Rocha

