Entre ausências e retornos

Adriana Rocha: ‘Entre ausências e retornos’

Adriana Rocha
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Há ausências que não fazem barulho, mas ecoam… A cada nova edição do Jornal ROL, reencontro a alegria de ler textos que inspiram e de ver novos colegas enriquecendo esse espaço de reflexão e diálogo. Sinto satisfação a cada voz que chega, a cada olhar que amplia horizontes.  Leio os textos, celebro a qualidade das reflexões, alegro-me com a chegada de novos colaboradores e percebo, com sincera admiração, um jornal cada vez mais plural e vivo. Mas, entre uma página e outra, também me visita um discreto incômodo: o da minha própria sazonalidade. Discretamente, entre uma leitura e outra, uma pergunta me acompanha: em que estação ficaram as minhas palavras?

Escrever como colunista nunca foi apenas produzir palavras; foi pertencer, participar e deixar, periodicamente, um fragmento de mim. Ser colunista nunca foi apenas publicar um texto. Era um compromisso silencioso com a escrita, um encontro periódico com leitores e leitoras que talvez eu nunca conhecesse, mas que, por alguns minutos, caminhavam comigo pelas linhas.

Talvez a escrita tenha mesmo esse poder: quando se afasta, não nos abandona. Apenas permanece em silêncio, aguardando o instante certo para voltar a florescer.

Há saudades que não se explicam. Apenas se revelam. A vida, por vezes, impõe seus ritmos, e a escrita também aprende a respeitar os intervalos. Ainda assim, confesso: minha sazonalidade me inquieta. Sinto falta da disciplina do pensamento que busca forma, da emoção que encontra morada nas palavras e da alegria serena de entregar um texto ao mundo.

Talvez escrever seja exatamente isso: um lugar para onde sempre voltamos. E, quando a saudade se transforma em palavra, já não estamos completamente ausentes. Estamos, aos poucos, reencontrando o caminho de casa…

Adriana Rocha

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Convite aos sonhos

Sergio Diniz da Costa: Poema ‘Convite aos sonhos’

Sergio Diniz da Costa
Sergio Diniz da Costa
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O sono, traído pela inspiração,
Parte, contrariado,
A cerrar outras pálpebras
Insugestionáveis.

O poeta, atraído pela inspiração
Ressurge, reavivado,
A perder segmentos de sua alma,
Manchando alvos papéis
Com a cor perene
De seus voos de Ícaro!

Sergio Diniz da Costa

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The sole hymn of the world

Mustafa Abdulmalek Al-Sumaidi

Poem ‘The Sole Hymn of the World’

Mustafa Al-Sumaidi
Mustafa Al-Sumaidi
Ilustração artística e surreal de uma mão segurando uma caneta de luz estelar, escrevendo com tinta cósmica brilhante que forma pequenas galáxias e constelações em um fundo de espaço sideral.
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This night unfolds a page
primed for a cosmic thought.
A pen I wanted,
and I asked myself:
what kind of pen
would glint with rare sparks
upon the brow of the dark?

At the furthest reaches of space,
the unseen unveiled a star
in full radiance
I lulled it there—
in that high realm,
until it drew near and hung suspended.

I melted it into an inkwell,
arrayed with the crescents
of years gone by,
and seemed as if I hold a galaxy—
a celestial orbit to which I belong.

Something now glimmers
upon the nib of the pen,
as if dribbling from the vein of nebula
a new-born alphabet,
unimagined by any language,
weaving itself into boundless metaphors
for a text inscribed with heaven’s adornments.

As dawn I emerged.
The gloom of night lifted,
destined to fade away.

I folded the star’s orbit
after I contained the infinite expanse
within the sole hymn of the world,
leaving to the yet-to-come nights
the imprint of my fingers,
charred by the will of light.

Mustafa Abdulmalek Al-Sumaidi

O Hino Único do Mundo

Esta noite desdobra uma página
pronta para um pensamento cósmico.
Eu queria uma pena,
e perguntei a mim mesmo:
que tipo de pena
brilharia com faíscas raras
sobre a fronte da escuridão?

Nos confins do espaço,
o invisível revelou uma estrela
em pleno esplendor;
eu a ninintei ali —
naquele reino elevado,
até que ela se aproximasse e ficasse suspensa.

Eu a fundi num tinteiro,
ornamentado com as luas crescentes
de anos passados,
e senti como se segurasse uma galáxia —
uma órbita celestial à qual pertenço.

Algo agora cintila
na ponta da pena,
como se escorresse da veia de uma nebulosa
um alfabeto recém-nascido,
não imaginado por língua alguma,
tecendo-se em metáforas sem fim
para um texto inscrito com os adornos do céu.

Como a aurora, eu emergi.
A penumbra da noite se dissipou,
destinada a desaparecer.

Dobrei a órbita da estrela
após conter a extensão infinita
no hino único do mundo,
deixando para as noites por vir
a marca dos meus dedos,
abrasados ​​pela vontade da luz.

Mustafa Abdulmalek Al-Sumaidi

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Na estrada de Pernambuco

Lina Veira: ‘Na estrada de Pernambuco’

Lina Veira
Lina Veira
Imagem criada péla IA do Canva
Imagem criada péla IA do Canva

O mundo mudou inteiramente nesses vinte anos, como certamente mudou  a vida de todos nós, inclusive a minha própria. Quando escrevi meu primeiro livro, ainda vivia muitas avaliações e questões internas e externas da época , em busca de alguma coisa interessante para publicar pela Editora, desde que fosse na linha do crescimento pessoal e desapego, não apenas para minha própria salvação , mas a salvação da humanidade, sobre perspectivas da vida e  novos olhares . Eu queria contar um pouco de mim, de minhas experiencias e de como viver uma história mais leve de vida sem buscar opiniões dos outros para viver o que os outros  acham que você deveria viver.

Na escrita minha intensidade cega os perigos e me salvo dos medos assim. 

Mergulhar por inteiro, mostrar as feridas, permitir que  te arranquem as cascas, só depende de você , e   não é   absolutamente recomendável. 

Mas a escrita é uma arte habilidosa e despertar  a curiosidade para leitura  e prazer espiritual .Esse deve ser seu objetivo alto.

Não consigo parar, não quero parar. Meu corpo não se importa de jeito nenhum com o que meu cérebro pensa. Sinto seu  beijo em toda parte, nas costas e entre meus seios, por trás dos joelhos ativando todos os poros das minhas pernas. Mas não consigo me fartar. Sua mão aperta minha cintura e viaja até meu peito. Minhas mãos não conseguem parar.

Esta é uma declaração apaixonada de amor, mas nenhuma declaração apaixonada é dirigida com gestão, ou trabalhada pelo pensamento consciente, e sim dinamizada pelo encantamento, sem orientação das línguas.

Escrever é como um momento na delegacia,  de repente entra um crioulo de quase dois metros , cabelos revoltos, nariz esbelto, nem sempre bem interpretado,  mas dialético. A finalidade da escrita não é propriamente formar  autores  premiados nacionais e internacionais , mas procurar um aperfeiçoamento mental , criar uma atração  sadia com os programas e o hábito da leitura desde os parques infantis aos  jardins sossegados da vida.

O mundo mudou sim, no início , apenas éramos  pobres escravos, na vida duríssima  do trabalho, com a influência dos negros  nas canções, nas festas humildes. Lembranças alegres e tristes, mas sempre saudosas como pôr do sol.

Como bela é a vida na estrada  de PERNAMBUCO, com amigos, amantes, desconhecidos, que por lá passavam com suas carroças e carros conduzidas por gente humilde e  amiga e param no acostamento para comprar  a melhor pamonha do Brasil.

ESCREVER É ISSO APROXIMAR-SE DE TI. 

Lina Veira

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Raphael Masi fala sobre processo criativo, arte no Brasil e autoconhecimento

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O artista plástico se destacou no cenário das artes visuais. Para muitos, a arte no Brasil ainda não é tão valorizada e Rapha abre o jogo sobre o assunto

A arte é um oceano de possibilidades e pouco importa onde é projetada. Raphael Masi foi um adolescente apaixonado por skate onde circulava pelas ruas de São Paulo, as ruas grafitadas despertaram o seu interesse pela arte.

“Eu falo que esse processo de autoconhecimento nunca acaba, um artista sempre ta se descobrindo, estudando e se recriando. Desde novo eu era curioso em descobrir esse universo, testar materiais e de alguma forma reproduzir o que brilhava tanto meus olhos, que era a arte! Já pensei em desistir, temos dias bons e dias ruins, faz parte, acho que pra um artista é até mais sensível esse lado, mas quando você acredita na sua razão criativa acaba fluindo naturalmente.”

A proposta de Masi é perpetuar arte para pessoas de todos os interesses e em todos os locais possíveis. De peças de roupas até um disco de vinyl, o importante, no fim das contas, é divertir, compartilhar criatividade e levar alegria.

“A arte amplia sua visão sobre as coisas, acho que uma das principais qualidades de um artistas é enxergar arte onde não tem. Sempre vou buscar isso, inovar a maneira que aplico meu trabalho. Sempre que mostro algo, é como se tivesse mostrando um gosto meu, ou uma referência minha que gostaria de ecoar na arte, então além da pesquisa prática de testar materiais e aplicações, eu busco o conceito por trás da ideia.

Para muitos, a arte no Brasil ainda não é tão valorizada e Rapha abre o jogo sobre o assunto

“A arte no Brasil é algo volátil, mas acho que o mercado vem melhorando, eu tive acesso a muito estudo sobre o que eu queria seguir, isso facilitou a entender alguns processos.”

Criar não é para amadores e se destacar como revelação numa grande cidade como São Paulo é para poucos…

“Meu processo criativo não é algo que eu planejo muito, mas gosto de ouvir uma música, quando preciso de um insight maior, um vinho talvez. Anoto muito o que penso, então meu bloco de notas é cheio de observações minhas que pego para lapidar depois.”