Avaliação imobiliária do indizível

Clayton Alexandre Zocarato

‘Avaliação imobiliária do indizível’

Clayton Alexandre Zocarato
Clayton A. Zocarato
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Toda arquitetura nasce de um erro cometido pela matéria ao acreditar que o vazio necessita de paredes. Antes da primeira pedra já existia a ruína; antes da fundação já havia a poeira esperando pacientemente pela sua vitória. O mundo nunca foi um lugar habitável, apenas um contrato assinado entre o silêncio e a decomposição. Chamaram de realidade aquilo que apenas resistia por alguns instantes ao colapso inevitável, como um edifício sustentado por cálculos elaborados por vermes. 

Desde então tudo passou a possuir um preço, inclusive aquilo que jamais poderia ser comprado: o peso da ausência, a umidade do esquecimento, a espessura daquilo que nunca chegou a existir. Inventou-se uma corretora para negociar o invisível, um cartório destinado a registrar a posse do impossível, uma escritura lavrada com tinta feita de dias perdidos. A partir desse momento o indizível tornou-se propriedade de ninguém e patrimônio daquilo que jamais aprenderia a desaparecer completamente.

Existe uma metragem secreta que nenhuma geometria alcança. Ela mede a distância entre o pensamento que nasce e aquele que morre antes de ser pronunciado. Não pertence ao espaço, mas ao fracasso do espaço em conter aquilo que o ultrapassa. Cada centímetro desse terreno invisível possui o peso de séculos inteiros de expectativas abandonadas. É uma terra estéril onde florescem apenas possibilidades abortadas. Não existe horizonte porque toda linha termina antes de começar. Não existe profundidade porque o abismo também possui medo de cair em si mesmo.

O primeiro avaliador do indizível descobriu tarde demais que não havia levado instrumentos suficientes. As réguas quebravam ao tocar aquilo que não tinha extensão. As balanças recusavam qualquer tentativa de pesar uma ausência. Os mapas transformavam-se em superfícies lisas onde todas as direções coincidiam com o mesmo ponto imóvel. 

A bússola passou a girar sem descanso, não por desorientação, mas por compreender que qualquer escolha seria igualmente falsa. Foi então que surgiu a suspeita mais ofensiva: talvez o universo inteiro não passasse de uma tentativa frustrada de localizar um endereço inexistente.

Cada parede visível escondia uma parede impossível. Cada teto ocultava outro teto construído sobre o medo de não existir nenhum acima dele. Cada porta conduzia ao interior de uma pergunta incapaz de formular a si mesma. Nenhum cômodo permanecia igual depois de observado. As dimensões alteravam-se não porque crescessem ou diminuíssem, mas porque desistiam de obedecer às leis que haviam recebido da matéria. A física revelava-se apenas uma superstição compartilhada por átomos excessivamente disciplinados.

As janelas jamais serviram para contemplar o exterior. Foram abertas para permitir que o nada respirasse lentamente dentro das construções. A claridade nunca entrou; foi o escuro que aprendeu a parecer luminoso por alguns instantes. Chamaram esse fenômeno de manhã. Mais tarde deram-lhe o nome de esperança. Em seguida perceberam que ambos significavam exatamente o mesmo equívoco.

A escritura do universo foi redigida sobre papel molhado. Cada palavra dissolveu-se antes que pudesse significar alguma coisa. Restaram apenas manchas interpretadas como leis naturais. A metafísica nasceu dessa umidade. Não procurava explicar o ser, mas justificar a permanência de um documento cuja tinta desaparecera antes da leitura. Toda ontologia tornou-se uma perícia realizada sobre ruínas que nunca estiveram inteiras.

Há imóveis abandonados cuja única função consiste em hospedar ecos futuros. São edifícios construídos para lembranças que ainda não fracassaram. Os corredores prolongam-se além da necessidade, como se procurassem alcançar um destino proibido pela própria extensão. As escadas sobem em direção ao peso. Os elevadores descem para alturas negativas. 

Os alicerces sustentam apenas o cansaço mineral de continuar sustentando. O concreto envelhece mais rapidamente quando percebe que nenhuma existência será capaz de justificar sua resistência.

A ferrugem compreendeu antes de todos que o tempo jamais existiu. Ela nunca corroeu metais; apenas revelou a verdadeira aparência das superfícies. Tudo sempre foi oxidação esperando pela ocasião adequada para retirar a máscara da permanência. A deterioração não destrói. Apenas informa que toda forma estava mentindo desde o princípio.

Existe um mercado clandestino onde são negociadas propriedades inexistentes. Vendem-se terrenos situados entre dois pensamentos interrompidos. Comercializam-se apartamentos edificados sobre arrependimentos nunca experimentados. Escritórios ocupam o interior de palavras que não suportaram nascer. Nenhuma transação produz lucro, prejuízo ou consequência. O capital ali acumulado consiste exclusivamente na quantidade de ilusões que conseguiram sobreviver ao conhecimento da própria inutilidade.

O absurdo não é um acidente da razão. É sua planta baixa definitiva. Durante séculos acreditou-se que a lógica ocupava os andares superiores enquanto a loucura permanecia confinada ao porão. 

A inspeção revelou precisamente o contrário. A razão era apenas um elevador quebrado transportando equívocos de um pavimento para outro. O edifício inteiro havia sido erguido sobre um terreno onde a coerência nunca recebeu autorização para construir.

Todo cálculo conduz inevitavelmente ao mesmo resultado: uma cifra composta apenas por espaços em branco. Não se trata do zero. O zero ainda possui a dignidade de representar alguma ausência determinada. O branco absoluto nem sequer alcança esse privilégio.

É uma falência anterior ao número, uma insolvência da própria possibilidade de contar. O universo acumula déficits de realidade desde antes de sua inauguração.

A avaliação prossegue porque não pode terminar. Não existe laudo suficiente para concluir aquilo cuja matéria consiste justamente na impossibilidade de ser delimitada. Cada conclusão acrescenta novos cômodos ao edifício do impensável. Cada certeza inaugura mais um corredor onde nenhuma saída será permitida. 

A perícia transforma-se lentamente na própria construção que pretendia examinar. O avaliador desaparece dentro da avaliação, a medida dissolve o instrumento, o objeto torna-se proprietário daquilo que tentava possuí-lo.

No final, quando todas as plantas arquitetônicas forem reduzidas ao pó que sempre anteciparam, descobrir-se-á que o indizível jamais foi o imóvel avaliado. Era o único comprador possível.

Tudo o mais — a matéria, a linguagem, a metafísica, o vazio, a esperança, a decomposição e a própria ideia de existir — constituía apenas a mobília descartável de uma casa condenada antes mesmo da invenção do primeiro alicerce, onde cada parede sustentava apenas a lenta evidência de que o universo inteiro nunca passou da mais cara e inútil especulação imobiliária realizada pelo nada contra si mesmo.

A documentação do indizível jamais permaneceu arquivada no mesmo lugar. Os registros deslocavam-se por iniciativa própria, como se recusassem a testemunhar qualquer estabilidade. 

Toda certidão envelhecia antes da assinatura. As datas nasciam fossilizadas. O calendário era apenas um cemitério onde dias ainda não vividos aguardavam exumação. Chamaram de futuro a decomposição antecipada de um passado que insistia em não terminar. Chamaram de memória a infiltração produzida por um tempo incapaz de sustentar seu próprio peso.

A cronologia transformou-se em uma doença da linguagem, e toda biografia converteu-se numa sucessão de rachaduras abertas sobre um terreno que nunca suportou o primeiro passo.

A avaliação encontrou então um subsolo que não figurava em planta alguma. Não estava abaixo da construção, mas abaixo da própria ideia de profundidade. Era uma camada onde o espaço esquecia sua obrigação de estender-se. 

Ali toda distância implodia até adquirir espessura suficiente para esmagar qualquer tentativa de localização. Não havia direção. Não havia centro. Tampouco existia periferia. Apenas uma massa imóvel de ausência comprimida sobre si mesma, semelhante àquilo que permaneceria depois da destruição completa da possibilidade de existir destruição.

O silêncio revelava uma arquitetura mais sofisticada do que qualquer linguagem. Não era a falta de som, mas o excesso de tudo aquilo que nenhuma palavra suportaria transportar. Cada frase pronunciada equivalia a uma demolição parcial dessa construção invisível. 

Falar era cometer vandalismo contra aquilo que jamais solicitara interpretação. O idioma foi, desde o princípio, uma retroescavadeira contratada para nivelar montanhas feitas exclusivamente de mistério. Nunca conseguiu terminar o serviço. Apenas espalhou destroços semânticos sobre uma superfície onde antes existia um vazio perfeitamente íntegro.

As fundações do mundo possuíam um defeito anterior à própria matéria. Não afundavam por desgaste, mas por vergonha. Nenhuma estrutura suporta indefinidamente o constrangimento de existir sem justificativa. 

Os pilares arqueavam-se lentamente diante da evidência de que sustentavam apenas a repetição de um equívoco cósmico. Cada coluna era uma vértebra pertencente ao cadáver de uma hipótese esquecida. Cada viga permanecia tensionada entre duas impossibilidades igualmente sólidas. A engenharia tornou-se a arte de distribuir fracassos de maneira simétrica.

Toda superfície escondia uma dívida ontológica impossível de quitar. O reboco encobria apenas a falência da pedra. A pedra ocultava a insolvência do mineral. O mineral mascarava a ruína do elemento. O elemento escondia a falência da própria existência. Escavar nunca conduziu à origem; conduziu apenas a camadas sucessivas de inadimplência metafísica. Quanto mais profunda a investigação, maior a certeza de que nenhuma fundação havia sido completamente paga.

A luz começou a apresentar fissuras. Não se tratava de eclipses, sombras ou qualquer fenômeno óptico. A própria claridade dava sinais de exaustão. Tornava-se opaca por compreender que iluminava apenas corredores destinados à decomposição. Sua fadiga espalhava-se pelas superfícies como um fungo invisível. Os objetos deixavam de refletir porque já não viam sentido em continuar distinguindo-se do vazio. A luminosidade tornou-se um aluguel atrasado cobrado por um proprietário inexistente.

As linhas retas passaram a desconfiar da própria direção. Curvavam-se discretamente, não obedecendo à gravidade, mas ao cansaço. Nenhuma geometria resiste por muito tempo ao conhecimento de que todo ângulo desemboca inevitavelmente na mesma inutilidade

O círculo era apenas uma resignação elegante. O quadrado escondia quatro arrependimentos simultâneos. O triângulo constituía o esforço desesperado da matéria para convencer-se de que três fracassos seriam mais estáveis do que um.

Foi então que surgiu uma rachadura impossível. Não atravessava paredes, mas conceitos. A fissura dividia cada certeza em duas metades igualmente falsas. Nenhuma ideia sobrevivia inteira ao contato com ela. A verdade fragmentava-se antes mesmo de adquirir consistência suficiente para ser negada. O erro já não precisava combater a razão. Bastava esperar. Toda convicção acabava espontaneamente transformando-se em entulho epistemológico.

A propriedade do vazio entrou em litígio consigo mesma. As fronteiras começaram a mover-se durante a ausência de qualquer observação. Terrenos desapareciam sem serem destruídos. Outros surgiam onde nunca houvera espaço disponível. 

As escrituras tornaram-se inúteis porque os limites recusavam qualquer compromisso com a permanência. A cartografia descobriu que sempre desenhara apenas cicatrizes sobre um organismo incapaz de possuir pele.

Nenhuma janela oferecia paisagem. Do outro lado existia apenas outra janela, voltada para outra abertura idêntica, repetindo-se indefinidamente até que o horizonte se transformasse numa sucessão infinita de molduras vazias enquadrando a ausência de qualquer exterior. A contemplação revelou-se um circuito fechado. Nunca houve mundo para além do olhar; havia somente o reflexo interminável da expectativa de encontrá-lo.

A poeira começou a adquirir densidade filosófica. Já não era resíduo da deterioração, mas substância primordial. Talvez tudo tivesse surgido dela e apenas fingisse possuir outra composição. 

Cada partícula carregava consigo fragmentos de edifícios nunca construídos, monumentos jamais sonhados e civilizações abortadas pela própria impossibilidade. Respirar tornou-se um lento processo de incorporação de ruínas anteriores à criação.

O absurdo recusava qualquer definição porque toda definição representava um cercamento. Cercar é domesticar. Domesticar é diminuir. O absurdo jamais aceitou dimensões administráveis.

Expandia-se precisamente onde tentavam compreendê-lo. Tornava-se mais ilegível quanto mais cuidadosamente era descrito. Alimentava-se da inteligência destinada a capturá-lo. Cada sistema filosófico que pretendia encerrá-lo acabava servindo apenas como mais um cômodo em sua propriedade ilimitada.

A existência começou então a parecer um imóvel colocado à venda por um corretor que jamais possuíra autorização para negociar. O anúncio prometia solidez, permanência e valor de mercado. 

A vistoria encontrou apenas infiltrações ontológicas, rachaduras lógicas, colunas corroídas pela contingência e telhados incapazes de proteger contra a chuva do nada. Nenhum comprador apresentou proposta. Nem mesmo o vazio desejava assumir a responsabilidade por tamanho passivo metafísico.

Toda tentativa de restauração agravava a decadência. Reparar significava acrescentar novas camadas de ilusão sobre uma superfície que implorava pelo colapso definitivo. 

A conservação revelou-se a forma mais sofisticada de destruição. Preservar consiste em prolongar artificialmente a agonia das formas. A ruína, ao contrário, sempre foi sincera. Nunca prometeu estabilidade. Apenas cumpriu rigorosamente o destino inscrito em cada molécula desde antes da primeira pedra imaginar tornar-se parede.

Ao final desta etapa da perícia tornou-se impossível distinguir o edifício da linguagem que o descrevia. Ambos apresentavam as mesmas rachaduras, os mesmos vazios estruturais, a mesma inclinação imperceptível em direção ao colapso. As palavras já não representavam a construção; haviam se tornado seus tijolos deteriorados. A leitura deixava de ser interpretação para converter-se em ocupação clandestina de um imóvel condenado, onde cada frase ameaçava desabar sobre a seguinte e onde toda conclusão permanecia interditada por uma única constatação irrecorrível: talvez o indizível nunca tenha sido aquilo que escapa às palavras, mas precisamente aquilo que as utiliza como escombros para continuar edificando o infinito fracasso de toda realidade.

A perícia tornou-se gradualmente indistinguível da doença que pretendia diagnosticar. Cada medição acrescentava novas irregularidades ao objeto medido. O cálculo produzia deformações cuja existência anterior jamais poderia ser comprovada. A exatidão revelou-se apenas uma superstição praticada por instrumentos incapazes de reconhecer a própria ferrugem. Nenhuma régua alcançou o comprimento do intervalo que separa uma coisa de sua inutilidade. Nenhuma balança suportou o peso acumulado por aquilo que nunca aconteceu. O resultado de toda aferição consistia apenas na ampliação daquilo que escapava à própria possibilidade de ser aferido.

As paredes começaram a adquirir comportamento mineralmente hostil. Não desabavam. Permaneciam de pé por uma forma de crueldade estrutural. A permanência era o método mais eficiente de deterioração. Cair representaria um encerramento digno; continuar existindo equivalia à condenação perpétua da matéria a sustentar o próprio esgotamento. Descobriu-se então que a solidez nunca foi sinônimo de força. Era apenas a incapacidade das ruínas de reconhecerem que já haviam terminado.

O teto perdeu sua função antes de perder sua forma. Continuava acima apenas por hábito. Não protegia contra nada porque o exterior já havia atravessado todas as superfícies possíveis. O céu infiltrara-se no interior da construção muito antes da primeira rachadura. 

Depois veio algo ainda mais silencioso que o céu: a ausência da necessidade de qualquer acima. A vertical deixou de possuir sentido. Alto e baixo dissolveram-se na mesma planície fenomenológica, onde toda direção desembocava em um idêntico esgotamento.

O chão revelou uma elasticidade impossível. Não afundava nem sustentava. Limitava-se a adiar a queda absoluta. Cada ponto de apoio era uma promessa que se desfazia antes de completar o próprio enunciado. 

Toda estabilidade dependia de um acordo secreto entre o peso e a desistência. Bastava que um deles revogasse o contrato para que a realidade inteira perdesse o equilíbrio que jamais possuíra.

A matéria começou a produzir ecos anteriores ao impacto. O ruído vinha antes da colisão. A consequência antecedia a causa. O efeito envelhecia enquanto o acontecimento ainda procurava autorização para existir. 

A causalidade revelou-se uma convenção burocrática criada para organizar o caos em arquivos mais facilmente consultáveis. Nada obedecia verdadeiramente à sequência. O universo funcionava por antecipações fracassadas e lembranças de fatos que nunca ocorreram.

Toda superfície passou a exalar um odor semelhante ao daquilo que permanece fechado há milênios dentro de uma linguagem abandonada. Não era cheiro de decomposição. A decomposição ainda pressupõe alguma vitalidade anterior. Tratava-se do perfume discreto daquilo que jamais encontrou ocasião para nascer. 

A inexistência também fermenta. Também amadurece. Também produz resíduos invisíveis que se acumulam lentamente sobre o pensamento até torná-lo irreconhecível para si mesmo.

As medidas oficiais da realidade sofreram sucessivas desvalorizações. O metro perdeu extensão. O segundo deixou de durar. A massa tornou-se uma opinião provisória dos minerais. A temperatura converteu-se na melancolia experimentada pelos átomos durante o lento processo de abandonar a crença em sua própria consistência. 

As unidades permaneceram impressas nos tratados científicos, mas seu conteúdo evaporou sem deixar vestígios. Toda ciência passou a contabilizar ausências utilizando instrumentos fabricados pela nostalgia da precisão.

A propriedade entrou em estado de falência metafísica. Não havia credores porque ninguém jamais possuíra legitimidade suficiente para reivindicar posse sobre qualquer fragmento do vazio. 

Também não existiam devedores. A dívida pertencia exclusivamente ao ato de existir. Cada parede devia ao nada a matéria que havia tomado emprestada. Cada sombra devia à luz o privilégio temporário de parecer escura. Cada silêncio devia à linguagem o favor de nunca precisar justificá-la.

A avaliação alcançou uma sala cuja porta não poderia ser aberta porque nunca estivera fechada. Ali nenhuma dimensão permanecia constante. O espaço respirava lentamente, expandindo-se durante aquilo que poderia ser chamado de esquecimento e contraindo-se toda vez que uma ideia tentava estabelecer residência. 

Nenhuma permanência sobrevivia naquele ambiente. Até a ausência parecia desconfortável consigo mesma. O vazio apresentava sinais inequívocos de saturação.

As linhas arquitetônicas começaram a escrever frases sobre o concreto. Não utilizavam letras, mas inclinações quase imperceptíveis. O edifício transformou-se em um manuscrito mineral cuja leitura exigia o abandono completo da expectativa de compreender. 

Cada fissura era uma sílaba pronunciada pela erosão. Cada desnível correspondia a um verbo recusando a conjugação. As colunas declinavam substantivos inexistentes. As vigas articulavam uma gramática destinada exclusivamente ao colapso.

A ruína deixou de representar um estágio da construção para revelar-se como sua verdadeira condição permanente. Tudo nasce em estado avançado de desaparecimento. 

A infância das coisas consiste apenas em sua incapacidade de perceber a velocidade com que se aproximam do próprio fim. O envelhecimento não acrescenta decadência; apenas remove a maquiagem aplicada pela expectativa.

O tempo nunca destruiu absolutamente nada. Apenas retirou sucessivas camadas de equívoco.

O indizível começou então a apresentar rachaduras internas. Nem mesmo aquilo que escapa completamente à linguagem permaneceu íntegro. Existia um desgaste anterior ao próprio mistério. 

Uma erosão atingindo o incomunicável antes mesmo de qualquer tentativa de comunicá-lo. A transcendência revelou-se igualmente vulnerável à fadiga. O absoluto possuía infiltrações. O infinito apresentava mofo em suas extremidades. A eternidade acumulava poeira sobre superfícies onde jamais deveria existir superfície alguma.

Foi nesse ponto que a avaliação deixou de procurar valor. Toda valoração pressupõe alguma possibilidade de troca. Mas o indizível não poderia ser vendido porque ninguém suportaria recebê-lo. Sua posse equivaleria ao desaparecimento imediato da diferença entre proprietário e propriedade. 

Aquilo que pertence ao impossível transforma automaticamente em impossível tudo aquilo que tenta pertencê-lo. O mercado inteiro dissolveu-se diante dessa incompatibilidade fundamental. Restou apenas a cotação do nada, variando incessantemente entre o vazio absoluto e um vazio ainda mais profundo, como se até mesmo a ausência fosse capaz de perder valor.

Então compreendeu-se que a construção nunca ocupou terreno algum. Era o terreno que havia sido lentamente produzido pela insistência da construção em fracassar. Não existia solo anterior às ruínas. Não existia fundamento anterior ao desmoronamento. 

A própria ideia de origem revelava-se apenas mais um cômodo interditado de um edifício condenado desde antes da possibilidade de receber qualquer nome.

E aquilo que durante todo esse tempo parecera um laudo técnico aproximava-se silenciosamente de sua verdadeira natureza: uma escritura lavrada pela própria inexistência para oficializar a aquisição definitiva de tudo aquilo que jamais teve autorização para ser.

A escritura começou lentamente a rejeitar o papel sobre o qual havia sido inscrita. As palavras desprendiam-se da superfície como reboco abandonando uma parede demasiadamente antiga para continuar fingindo integridade. 

Nenhuma letra aceitava permanecer ao lado da seguinte. As frases desfaziam-se antes de alcançar qualquer sentido, não porque fossem incompreensíveis, mas porque compreender passou a significar um tipo particularmente refinado de destruição.

Todo significado representa uma amputação praticada contra aquilo que poderia permanecer ilimitado. Nomear é demolir. Explicar é reduzir. Conhecer é retirar do mistério a última possibilidade de permanecer inteiro.

O próprio vazio começou a apresentar sintomas de fadiga. Durante incontáveis permanências sustentara silenciosamente a arrogância das formas, aceitando receber aquilo que continuamente desabava sobre ele. Agora, entretanto, demonstrava sinais inequívocos de saturação. 

Nem mesmo a ausência possui capacidade infinita para acolher aquilo que fracassa. Há um instante em que o nada também se torna insuficiente para conter o excesso de inexistência produzido pelas coisas.

As rachaduras já não obedeciam à mineralidade. Cruzavam conceitos, atravessavam hipóteses, fragmentavam sistemas inteiros de pensamento. A metafísica revelou fissuras invisíveis pelas quais escorria lentamente tudo aquilo que durante séculos fora chamado de essência. 

O ser não desaparecia; evaporava. Sua evaporação não deixava resíduos. Restava apenas um odor semelhante ao da pedra molhada por uma chuva que jamais ocorreu.

Toda permanência revelou uma textura inesperadamente orgânica. As paredes respiravam um ar inexistente. Os corredores dilatavam-se como veias congestionadas por uma circulação impossível. 

As colunas pulsavam discretamente sob o peso de uma gravidade anterior à própria matéria. Nada estava vivo. Mas tudo havia adquirido o cansaço característico daquilo que permaneceu demasiadamente próximo da existência durante tempo suficiente para ser contaminado por ela.

A geometria perdeu completamente sua inocência. Os ângulos tornaram-se suspeitos de conspirar contra a estabilidade que fingiam garantir. As linhas paralelas aproximavam-se lentamente umas das outras, não para encontrar-se, mas para confessar que jamais haviam suportado permanecer separadas pelo infinito.

O círculo deixou de fechar-se sobre si mesmo. Em algum ponto imperceptível abria-se uma fresta por onde escapava aquilo que nenhum cálculo havia previsto: a inutilidade da perfeição.

As medidas sofreram um colapso silencioso. O comprimento passou a depender da intensidade do esquecimento. O volume variava conforme a quantidade de silêncio acumulado em cada superfície. 

O peso tornou-se proporcional ao número de perguntas abandonadas sem resposta. Toda física converteu-se numa jurisprudência precária destinada a regulamentar acidentes,  entre inexistências incompatíveis.

O concreto envelhecia para dentro. Sua superfície permanecia aparentemente intacta enquanto seu interior era lentamente substituído por uma substância que não possuía composição, densidade ou qualquer propriedade identificável. 

Não era oco. O vazio ainda constitui uma condição. Aquilo era anterior até mesmo à possibilidade de faltar alguma coisa. Um espaço onde nem sequer a ausência conseguia estabelecer residência.

As portas continuavam abertas porque esqueceram completamente a diferença entre abrir e fechar. Os limites perderam a autoridade necessária para separar um lado do outro. Interior e exterior fundiram-se na mesma falência espacial. Não havia acesso. Não havia saída. Existia apenas uma circulação imóvel onde cada deslocamento retornava imediatamente ao ponto de onde jamais partira.

A deterioração tornou-se extremamente discreta. Já não atacava paredes, metais ou pedras. Corroía possibilidades. 

Cada hipótese envelhecia antes de completar sua formulação. Toda conclusão surgia arqueológica. A novidade aparecia coberta pela poeira de milênios inexistentes. O futuro assumira definitivamente a aparência de um fóssil escavado no interior de um presente incapaz de acontecer.

O silêncio revelou um comportamento ainda mais ofensivo. Não permanecia entre os sons. Habitava dentro deles. Cada ruído carregava consigo uma região muda infinitamente maior do que sua própria duração. 

Escutar significava apenas aproximar-se da enorme quantidade de silêncio escondida em qualquer manifestação. A linguagem inteira passou a funcionar como uma delicada película estendida sobre um oceano absolutamente imóvel.

A avaliação aproximava-se de um resultado impossível. Não porque faltassem dados, mas porque havia informação em excesso. Cada fragmento da construção continha todas as ruínas simultaneamente. 

Cada partícula reproduzia integralmente o colapso do conjunto. O detalhe tornara-se maior que a totalidade. O fragmento recusava a condição de parte. A soma revelou-se muito menor que qualquer uma de suas frações.

Foi então que a própria inexistência pareceu estremecer. Não se tratava do surgimento de alguma coisa, mas do esgotamento daquilo que nunca chegou a surgir. Como se até mesmo o nada pudesse experimentar uma lenta erosão produzida pelo peso de sustentar interminavelmente o fracasso do universo. Havia fadiga antes do ser. Havia decomposição antes da matéria. Havia ruína antes da possibilidade de qualquer arquitetura.

A perícia já não examinava um imóvel, um conceito ou uma hipótese. Examinava a lenta desintegração da própria condição de haver algo examinável. Cada palavra utilizada no laudo era imediatamente confiscada pelo indizível e devolvida completamente vazia, semelhante a uma chave fabricada para uma fechadura que jamais admitiu possuir porta.

Restava apenas a persistência mecânica do exame, continuando não por esperança de alcançar uma conclusão, mas porque até o encerramento havia sido condenado a permanecer eternamente inacabado, como um edifício cuja única finalidade consistia em impedir que a última pedra descobrisse que sempre pertenceu à primeira ruína.

Não havia mais qualquer diferença perceptível entre a deterioração da construção e a deterioração da ideia de construção. Ambas passaram a ruir com a mesma lentidão mineral, como se obedecessem a uma fadiga anterior ao próprio conceito de permanência. 

A matéria deixara de ser uma substância para converter-se em um adiamento. Tudo aquilo que aparentava consistência não passava de um atraso cuidadosamente organizado entre o nascimento impossível e a decomposição inevitável. O universo inteiro revelou-se uma burocracia administrando prazos para o desaparecimento.

As superfícies adquiriram uma característica inédita: recusavam a proximidade. Aproximar-se delas significava apenas aumentar a distância. Quanto mais curta parecia a separação, maior se tornava o intervalo ontológico entre aquilo que observava e aquilo que era observado. 

Nenhum contato ocorreu desde o princípio. Toda experiência sensível consistiu apenas na convivência simultânea de solidões incapazes de alcançar umas às outras. A matéria nunca tocou a matéria. 

A luz jamais encontrou os objetos. O pensamento nunca atravessou a própria espessura. A existência inteira aconteceu dentro de uma sucessão de desencontros suficientemente bem organizados para serem confundidos com realidade.

As paredes começaram a produzir sombras sem depender de claridade alguma. Eram sombras autônomas, anteriores à luz e independentes da escuridão. Não ocultavam formas.

Ocultavam possibilidades. Cada sombra apagava uma existência que jamais chegaria a acontecer. Assim o imóvel aumentava continuamente, não pela construção de novos espaços, mas pelo acúmulo de tudo aquilo que deixava de existir antes de nascer. A verdadeira expansão sempre pertenceu ao fracasso.

Descobriu-se que a arquitetura possuía uma anatomia invisível composta exclusivamente por hesitações. Toda coluna era sustentada por uma dúvida. Todo arco dependia de uma incerteza perfeitamente equilibrada. 

Toda fundação repousava sobre a incapacidade absoluta da matéria em decidir se deveria continuar existindo.

Os edifícios nunca permaneceram de pé graças aos cálculos; sustentaram-se porque o colapso também desconhecia a direção para onde deveria cair.

A erosão começou a consumir aquilo que jamais possuíra superfície. A abstração envelhecia. Os conceitos apresentavam infiltrações. As ideias acumulavam ferrugem em regiões onde nenhuma metáfora alcançava. 

Até mesmo o indizível passou a exibir discretos sintomas de desgaste. Sua incomunicabilidade tornou-se menos intensa, não porque estivesse mais próximo da linguagem, mas porque até o mistério sofrera a lenta abrasão provocada pelo excesso de permanecer oculto. Nada suporta infinitamente a própria condição.

O silêncio modificou novamente sua natureza. Já não ocupava os intervalos entre as palavras; passou a instalar-se dentro das sílabas. Cada vocábulo transformou-se em um edifício construído ao redor de um núcleo absolutamente mudo. 

Falar consistia em revestir esse núcleo com camadas sucessivas de ruído, como quem cobre uma ruína milenar com tinta fresca para ocultar sua idade. A linguagem inteira converteu-se em restauração mal executada.

A avaliação prosseguia sem finalidade. Não porque ignorasse seu objetivo, mas porque compreendera que toda finalidade constitui uma superstição temporal. Os fins pressupõem trajetórias. 

As trajetórias exigem movimento. O movimento depende da ilusão de que alguma coisa muda de lugar. Entretanto, nenhum deslocamento jamais ocorreu. 

O universo permaneceu imóvel desde antes da possibilidade de ser criado. Apenas o desgaste se movimentava, e mesmo ele caminhava em círculos cujo centro permanecia vazio.

As plantas arquitetônicas começaram a envelhecer mais rapidamente que as ruínas que descreviam. O desenho antecedia a deterioração porque toda representação nasce mais frágil do que aquilo que pretende representar. 

Os traços apagavam-se espontaneamente, como se o papel recusasse participar da mentira segundo a qual as formas poderiam conservar uma identidade. Restavam manchas. Depois nem mesmo as manchas aceitavam permanecer.

O próprio cálculo do valor tornou-se obsceno. Avaliar pressupõe equivalência, mas nada era equivalente ao indizível. Nem a perda, nem a ausência, nem o esquecimento, nem o nada conseguiam oferecer parâmetro suficiente.

O indizível não possuía preço porque já havia consumido a possibilidade de qualquer economia. Sua riqueza consistia precisamente na impossibilidade absoluta de ser comparado. Toda medida era humilhada pela simples proximidade de sua existência impossível.

Então ocorreu a mais discreta das catástrofes: o imóvel começou lentamente a esquecer que era imóvel. Suas paredes perderam a memória da verticalidade. Os corredores esqueceram para onde conduziam. As portas abandonaram a lembrança de terem sido passagens. As janelas esqueceram completamente a existência de qualquer lado externo. O edifício mergulhou numa amnésia mineral tão profunda que sua própria ruína deixou de reconhecer aquilo que um dia acreditara destruir.

A poeira, até então silenciosa, revelou-se a única testemunha fiel. Não porque registrasse acontecimentos, mas porque sobrevivia igualmente à presença e à ausência deles. Cada partícula transportava fragmentos de futuros demolidos antes da inauguração. 

Sobre ela repousavam cidades nunca erguidas, templos nunca profanados, casas jamais habitadas e sepulturas destinadas a cadáveres que não receberam autorização para existir. A poeira era mais antiga que a origem e mais recente que o último desaparecimento.

Restava apenas o laudo. Contudo, o laudo já não descrevia o imóvel. Descrevia a lenta inviabilidade da própria descrição. Cada frase anulava a anterior. Cada conclusão dissolvia seu fundamento. 

O texto transformava-se em um edifício feito exclusivamente de demolições sucessivas. Quanto mais avançava, menos permanecia escrito. As palavras desapareciam sem apagar-se, como se compreendessem finalmente que sua maior fidelidade ao indizível consistia em abandonar voluntariamente qualquer pretensão de significar.

Foi nesse abandono que a avaliação atingiu seu ponto mais preciso. Não encontrou um valor. Encontrou a impossibilidade definitiva de qualquer valor sobreviver diante daquilo que jamais pertenceu ao domínio do ser. 

O imóvel não estava condenado porque iria desaparecer. Estava condenado porque jamais conseguira nascer inteiramente.

Toda sua existência consistira em uma interminável aproximação do próprio fracasso, e toda realidade revelou-se apenas o ruído produzido por essa aproximação interminável, semelhante ao ranger de uma estrutura infinita sustentada apenas pela obstinação daquilo que insiste em não admitir que sempre foi, ruína antes mesmo de imaginar a primeira pedra.

A partir de um instante que jamais pôde ser distinguido de todos os outros, o imóvel deixou de conservar qualquer cumplicidade com a matéria. As paredes permaneceram apenas como uma lembrança daquilo que a pedra imaginara ser antes de descobrir a fadiga de sustentar significados. 

Os alicerces transformaram-se em remorsos geológicos. As vigas tornaram-se nervuras de um organismo cuja morte antecedera a própria anatomia. Nada ali se encontrava destruído, porque a destruição exige um passado íntegro, e nunca houve integridade suficiente para justificar semelhante privilégio. 

Existia somente uma sucessão de aproximações fracassadas da forma, uma tentativa infinita de alcançar uma consistência que continuamente se desfazia no exato momento em que parecia possível.

A arquitetura revelou sua natureza mais antiga: não era a ciência da construção, mas a liturgia do adiamento. Cada edifício consistia em um ritual destinado a retardar a evidência de que toda matéria deseja regressar à indiferença absoluta. 

As colunas não sustentavam tetos; retardavam o instante em que o vazio retomaria aquilo que nunca deixara de lhe pertencer. 

As paredes jamais dividiram espaços; apenas administraram provisoriamente a circulação da inexistência. As janelas nunca permitiram ver o exterior; ensinaram o interior a acreditar na fábula de que algo pudesse permanecer além de si mesmo.

Então o próprio conceito de interior dissolveu-se. Nenhum recinto possuía um dentro, porque toda interioridade depende da crença em um limite. E os limites haviam desertado silenciosamente da geometria. 

Cada contorno perdera sua autoridade, cada fronteira tornara-se uma lembrança burocrática de uma ordem espacial que jamais existira. Tudo se confundia não por expansão, mas por esgotamento. A diferença cansara de diferenciar.

As superfícies começaram a envelhecer em direção inversa. Não retornavam ao estado original; aproximavam-se de um estágio anterior à possibilidade de possuir origem.

A pedra regredia para além do mineral. O concreto esquecia o cimento. O ferro abandonava lentamente a memória do fogo.

Cada substância descia por uma escada ontológica onde cada degrau removia não uma camada de tempo, mas uma camada de ser. No último patamar já não permanecia qualquer elemento reconhecível, apenas uma espessura muda, incapaz até mesmo de ser chamada de vazio.

O silêncio assumiu uma consistência mineral. Não era ouvido. Era suportado. Pesava sobre cada frase como uma laje sepulcral colocada sobre a linguagem ainda viva. Toda palavra surgia esmagada antes de alcançar a superfície da voz. 

O idioma inteiro passou a parecer uma escavação realizada dentro de um túmulo cujo cadáver nunca aceitara morrer completamente. Falar converteu-se na arqueologia de uma ausência infinitamente mais antiga que a memória.

As medidas desapareceram sem produzir escândalo. O universo continuou aparentando dimensões, mas elas já não correspondiam a qualquer extensão. O comprimento tornou-se uma superstição óptica. A profundidade, uma nostalgia da queda. 

A altura, um preconceito da gravidade. Nada podia ser localizado porque toda localização pressupõe um espaço capaz de permanecer fiel às próprias coordenadas. Entretanto, o espaço desertara de si mesmo. Cada direção caminhava lentamente para uma desorientação anterior ao movimento.

A avaliação insistia em registrar o que já não possuía registro possível. O laudo adquiria a aparência de um documento escrito por uma caligrafia que desconhecia completamente o alfabeto. 

As frases não descreviam; escavavam. Cada período abria um novo abismo dentro daquilo que restava da linguagem. Não havia mais distinção entre argumento e erosão. Pensar consistia apenas em remover sucessivas camadas de estabilidade até que o próprio pensamento cedesse sob o peso daquilo que revelava.

O imóvel passou a emitir uma espécie de luminosidade negativa. Não iluminava. Retirava claridade das coisas ao redor. Toda proximidade era imediatamente empobrecida pela sua presença. 

As formas perdiam contorno, os conceitos perdiam precisão, as certezas perdiam substância. 

Não era uma influência. Era uma fome metafísica. Uma arquitetura construída para alimentar-se da possibilidade de existir qualquer diferença entre ser e desaparecer.

Então a própria ruína pareceu envergonhar-se de sua condição. Compreendeu que até ela pressupunha uma história demasiado generosa. 

A ruína ainda conserva vestígios. Ainda preserva relações entre aquilo que caiu e aquilo que permaneceu. Mas ali nem mesmo o vestígio sobrevivia. 

O desaparecimento havia ultrapassado a destruição e alcançado uma região onde toda memória do objeto era apagada antes que pudesse transformar-se em lembrança. Restava somente uma sensação de perda cuja origem fora cuidadosamente eliminada.

Foi nesse ponto que a avaliação deixou definitivamente de procurar qualquer resposta. As perguntas também haviam adoecido. Interrogar significava admitir a possibilidade de uma solução escondida em algum lugar do real. Contudo, o real revelara-se incapaz de ocultar qualquer coisa. Sua pobreza era absoluta. 

Não escondia mistérios; escondia apenas o fato de jamais ter possuído mistério algum. A transcendência mostrou-se tão exausta quanto a, matéria. O absoluto apresentou sinais inequívocos de desgaste. A eternidade envelheceu sem que o tempo tivesse participado desse processo.

Assim o imóvel permaneceu, não como objeto, nem como metáfora, tampouco como alegoria, mas como a mais perfeita demonstração de que toda existência talvez constitua apenas uma perícia interminável realizada sobre um patrimônio inexistente, um inventário redigido antes da abertura do espólio, uma escritura lavrada para registrar a posse de um território que sempre pertenceu ao silêncio anterior ao nascimento da própria possibilidade de haver qualquer coisa digna de ser chamada de mundo.

Ao aproximar-se do encerramento da avaliação, tornou-se evidente que nenhum encerramento seria admissível. Concluir pressupõe que alguma coisa permaneça suficientemente inteira para receber um ponto final, mas ali toda inteireza havia sido consumida muito antes da primeira palavra pretender descrevê-la. O laudo aproximava-se de seu término apenas porque a linguagem começava a desmoronar sob o peso daquilo que insistira inutilmente em medir. Não era o indizível que resistia à escrita; era a escrita que finalmente reconhecia sua incapacidade de sobreviver ao contato prolongado com aquilo que jamais aceitara transformar-se em significado.

As últimas superfícies abandonaram discretamente a condição de superfície. Não desapareceram. Tornaram-se incapazes de oferecer qualquer resistência ao olhar. A matéria já não possuía espessura suficiente para distinguir-se daquilo que a atravessava. O espaço deixou de conter volumes e passou a comportar apenas hesitações. Cada vazio apresentava fissuras internas por onde escapava uma ausência ainda mais antiga. Descobriu-se então que o nada também possuía profundidades, e que suas camadas inferiores jamais haviam recebido a visita de qualquer forma de existência.

O edifício inteiro começou a, esquecer o próprio fracasso. Durante toda a sua permanência sustentara a memória de um desmoronamento inevitável. Agora nem mesmo essa lembrança permanecia. 

A ruína dissolvia-se naquilo que antecede toda ruína: uma condição onde, nenhuma pedra chega a desejar transformar-se em parede, onde nenhum alicerce concebe a possibilidade de suportar peso, onde toda arquitetura permanece apenas como um rumor ainda incapaz de distinguir-se do silêncio absoluto.

A avaliação prosseguia mecanicamente, embora já não existisse objeto, critério ou avaliador. 

Permanecera apenas o procedimento, funcionando por uma espécie de inércia metafísica, semelhante ao movimento de engrenagens que continuam girando durante algum tempo depois de terem perdido completamente a máquina da qual faziam parte. 

A burocracia sobrevivia ao universo. Os formulários persistiam quando toda propriedade havia regressado à sua condição original de inapropriável. A assinatura aguardava um nome que jamais chegaria. A data permanecia em branco porque até o calendário havia desistido de organizar o desaparecimento.

A linguagem sofreu então sua última deformação. As palavras deixaram de significar não por insuficiência, mas por excesso. Cada vocábulo passou a conter todas as interpretações simultaneamente. Nenhuma delas prevalecia. O resultado não era riqueza semântica, mas colapso.

O sentido implodia dentro de si mesmo, esmagado pela infinidade de direções incompatíveis que tentavam ocupá-lo. Ler transformou-se numa experiência semelhante à de observar um edifício desabar infinitamente sem jamais alcançar o chão.

O silêncio, por sua vez, deixou de ser ausência de som para tornar-se ausência da própria necessidade de distinguir qualquer manifestação. Não havia mais diferença entre o ruído de uma pedra partindo-se e a quietude de uma eternidade completamente imóvel. 

Ambos pertenciam à mesma substância indiferente. A oposição entre presença e ausência revelou-se apenas um expediente provisório utilizado pela consciência enquanto ainda acreditava habitar algum lugar.

Foi nesse instante impossível de localizar que o imóvel perdeu definitivamente seu endereço. Não um endereço geográfico, mas ontológico. Deixou de situar-se no ser e também deixou de situar-se no não-ser. 

Passou a ocupar uma região onde nenhuma categoria alcançava autoridade suficiente para nomear o que quer que fosse. Nem mesmo o indizível permaneceu adequado. 

Havia algo ainda mais remoto do que aquilo que não pode ser dito: aquilo que jamais admitiu a possibilidade de existir para ser silenciado.

As últimas linhas do laudo começaram lentamente a apagar as primeiras. O documento escrevia-se ao mesmo tempo em que eliminava retrospectivamente sua própria origem. Cada frase anulava a anterior desde sempre. Cada palavra retirava do passado a justificativa para ter sido escrita.

A avaliação convertia-se em um manuscrito arqueológico de uma civilização que nunca alcançara a invenção da escrita. O texto tornava-se anterior ao alfabeto e posterior ao esquecimento.

Nenhuma conclusão restava possível. Conclusões pertencem aos edifícios terminados, às histórias encerradas, às ideias que ainda acreditam possuir contornos. Mas aquilo nunca constituiu um edifício, uma história ou uma ideia. 

Tratava-se apenas da lenta combustão do próprio conceito de realidade, queimando sem produzir calor, luz ou cinzas. 

A destruição havia alcançado um grau tão absoluto que deixara de produzir vestígios. O colapso tornara-se perfeitamente transparente.

Então até a inexistência começou a retirar-se de si mesma. O vazio abandonou sua função de vazio. O nada renunciou à responsabilidade de permanecer nada. A ausência exauriu a própria capacidade de ausentar. 

Não surgiu qualquer plenitude em seu lugar. Surgiu algo incomparavelmente mais inquietante: uma neutralidade anterior à oposição entre haver e faltar, uma região onde a metafísica jamais ousara construir porque ali até mesmo a impossibilidade parecia excessivamente afirmativa.

Restou apenas o título.

Mas o título já não nomeava obra alguma.

Nomeava unicamente o fracasso de toda tentativa de atribuir valor ao que nunca aceitou converter-se em propriedade da linguagem.

Avaliação Imobiliária do Indizível revelou-se, por fim, não como um documento, nem como uma narrativa, nem como um tratado, mas como o último expediente burocrático da própria inexistência, elaborado para registrar em cartório a falência definitiva do ser perante aquilo que o antecedeu, o atravessou e o sobreviverá sem jamais admitir que, em algum momento, tenha realmente existido qualquer realidade capaz de ser avaliada.

Clayton Alexandre Zocarato

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Leyendas del Umbral

Leyendas del Umbral – Un viaje al umbral de la realidad

Capa do livro 'Leyendas del Umbral'
Capa do livro ‘Leyendas del Umbral

Con la publicación de “Leyendas del Umbral”, VER-MAR Ediciones presenta una colección de relatos que exploran el umbral entre lo onírico y lo real, la poética y la realidad. Este libro es el primer título de la nueva etapa de la editorial, que busca conectar con lectores de todas las edades a través de historias que invitan a reflexionar sobre la condición humana.

A través de sus páginas, “Leyendas del Umbral” nos lleva en un viaje por los territorios de la imaginación y la introspección, donde la palabra se convierte en un puente entre lo visible y lo invisible. Con un mensaje de esperanza y crudeza, estos relatos buscan conectar con el sentido universal de la experiencia humana.

Sobre el libro:

– “Leyendas del Umbral” es una colección de relatos que exploran la frontera entre la realidad y la fantasía.

– Con un lenguaje poético y evocador, los autores nos llevan en un viaje por los territorios de la imaginación y la introspección.

– El libro es una invitación a reflexionar sobre la condición humana y los límites entre la realidad y la fantasía.

Sobre VER-MAR Ediciones:

VER-MAR Ediciones es una editorial argentina con 25 años de historia, comprometida con la publicación de voces innovadoras y creativas. Con “Leyendas del Umbral”, la editorial retoma su actividad con una propuesta literaria que busca conectar con lectores de todas las edades.

Próximos proyectos:

VER-MAR Ediciones anuncia la próxima Convocatoria Nacional “Poetas del Nuevo Siglo”, un concurso abierto a jóvenes de todo el país entre 13 y 16 años, con el objetivo de seguir promoviendo la creatividad y la diversidad literaria en Argentina

Sobre a autora

Marta Oliveri
Marta Oliveri

Marta Oliveri, natural de Buenos Aires, é escritora, poetisa, romancista, docente e ensaísta argentina, com destaque na literatura argentina contemporânea.

Neta do poeta húngaro Vèr Andor, abordou o problema de seu tempo a partir de uma postura poética e existencial. Sua busca por escrita representa a realidade completa de uma geração sobrevivente, sendo reconhecida por seu compromisso com os direitos humanos.

Publicou mais de 20 livros, incluindo poesia, novela e ensaio.

Na poesia, destaca ‘Antologia do Desamparo’, que reúne nove coletâneas de poemas e reflete a busca poética ao longo dos anos.

Na ficção, o romance ‘O Homem no Copo d’Água’ é uma de suas obras mais notáveis ​​e pessoais. E nos ensaios, ‘A Outra Visão’ é uma obra que lhe permite refletir sobre temas pelos quais é apaixonada. Esses três livros, embora de épocas diferentes, são, sob a ótica de Marta Oliveri, os que melhor a refletem como escritora, representando a completa realidade de uma geração sobrevivente, e, com isso, ensejando-lhe elogios por intelectuais como Leonardo Senkman.

Por sua expressiva carreira literária, foi indicada ao Prêmio Nobel de Literatura em diversas ocasiões, pela Sociedad Argentina de Periodismo Médico (SAPEM) e a Asociación Latinoamericana de Poetas (ASOLAPO)

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Poetizo, logo vivo – XIX

Pietro Costa: ‘Pensamento XIX’

Pietro Costa
Pietro Costa
Imagem criada por IA do Bing da Meta. 29 de julho de 2025, às 08:29 PM
Imagem criada por IA do Bing da Meta. 29 de julho de 2025,
às 08:29 PM

Se a realidade puder ser vertida a um algoritmo, devemos ser os seus bugs.

Pietro Costa

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Reflexões e realidades em contos

 Trasmonte, um olhar sensível sobre as disparidades sociais

Capa do livro Trasmonte Contos Contidos
Trasmonte Contos Contidos

O ESCRITOR E SUA OBRA

Silvio Antônio de Almeida, natural de Guaratinguetá, São Paulo, completará 65 anos no próximo julho, sendo um veterano da radiologia médica, com 45 anos dedicados à profissão.

Silvio AnTõnio de Almeida
Silvio Antônio de Almeida

Suas mãos, que ao longo de décadas ajudaram a diagnosticar e compreender o corpo humano, agora se voltam para um novo projeto: a literatura.

Em seu segundo livro, ele apresenta não apenas uma obra de ficção, mas um olhar crítico e sensível sobre as disparidades sociais que ainda perpetuam a desigualdade e a opressão.

Em seu livro repleto de reflexões, Silvio se inspira nas experiências da infância, nos reflexos da realidade política e nas dores de uma sociedade que insiste em marginalizar os menos favorecidos.

Ao longo de suas páginas, ele aborda as desigualdades sociais, revisitando uma visão crua, mas necessária, das feridas que ainda teimam em sangrar. As palavras que compõem seus contos são duras, porém imprescindíveis.

A realidade que ele descreve é muitas vezes difícil de encarar: um retrato de miséria, de sofrimento, e de um Brasil que, embora evolua, carrega em si um legado de injustiças.

Diferente do seu primeiro livro, onde havia um resgate emocional, das mais profundas lembranças de sua infância, muito bem vivida, este livro não se limita a simples narrativas, mas se transforma em uma reflexão profunda sobre os caminhos que a sociedade vem trilhando.

A crítica é evidente quando ele expõe a imensidão das diferenças sociais, contrastando com a ideia distorcida do que são os valores de convivência.

Os personagens de seus contos vivem o medo, o isolamento e a desconfiança. Há uma constante sensação de que o outro é uma ameaça iminente, como se todos estivessem armados exageradamente, prontos para se defender.

Contudo, essa dureza também é um convite à mudança.

O autor aponta para a necessidade de um novo paradigma, de uma forma mais humana de viver em sociedade. Ele acredita que é possível criar um caminho, baseado no compartilhamento, na compreensão e no respeito.

Seu livro é uma convocação para a reflexão, um pedido silencioso para que a sociedade repense suas prioridades e, quem sabe, construa um futuro mais justo e equilibrado.

As palavras de Silvio Antônio de Almeida, em sua crueza e intensidade, são um grito por transformação. Um grito que ecoa não apenas nas páginas do livro, mas no coração de todos aqueles dispostos a ouvir as verdades que não podem mais ser ignoradas.

RESENHA

Os contos deste livro nos levam a Serra da Mantiqueira, num vilarejo de um povo ligado à natureza, suas histórias, lendas e conexões com o ecossistema.

Os contos se entrelaçam, nos levando a profundas reflexões sobre o meio ambiente, a união das pessoas para o bem comum, a ambição e a miséria.

Mesmo nas lendas este livro traz um olhar mais profundo e cotidiano.

Reflexões profundas e necessárias para todos.

Assista à resenha do canal @oqueli no YouTube

SINOPSE

Trasmonte é uma coletânea cujos contos se entrelaçam como as raízes de uma figueira imponente, formando uma teia intricada de narrativas interconectadas.

Cada conto, como uma raiz, contribui para a complexidade desta árvore de narrativas, explorando os diferentes aspectos da destruição da natureza, das disparidades sociais e das misérias humanas, configurando uma denúncia que precisa ser escutada com atenção, na ação imediata do tempo que urge sem rodeios.

À medida que os personagens de um conto emergem, suas histórias se entrelaçam, organicamente, com as vidas delineadas nos contos vizinhos, criando uma rede de relações e significados.

Trasmonte não é apenas testemunha da degradação do meio ambiente e das desigualdades, também oferece uma visão multifacetada das experiências humanas diante destas adversidades.

Neste universo literário entrelaçado, as raízes representam os fios invisíveis que conectam as histórias, transmitindo a essência compartilhada da condição humana, diante dos desafios impostos pela destruição ambiental e pelas disparidades sociais.

Trasmonte convida os leitores a explorarem não apenas os contos individuais, mas uma tapeçaria complexa em que as histórias se nutrem, mutuamente, criando um panorama completo e reflexivo das buscas de harmonia social.

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OBRAS DO AUTOR

Capa do Livro 'Culinária Literária'
Capa do Livro ‘Culinária Literária’

Trasmonte Contos Contidos
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Resenhas da colunista Lee Oliveira




O amor é tudo

Dorilda Almeida: Poema ‘O amor é tudo’

Dorilda Almeida
Dorilda Almeida
Imagem gerada por IA do Bing -  6 de novembro de 2024
 às 2:37 PM
Imagem gerada por IA do Bing –  6 de novembro de 2024
às 2:37 PM

Não tenho nenhum espaço vazio
Todos preenchidos dentro de mim
Por amor
Sintonizo
Com todos os seres da natureza
Com toda forma de criação
Os meus sonhos
Realidade
Sou capaz de vencer
Obstáculos, dificuldades
Confrontos, desamor
Confiante em ti,
Amor,
Não existem medos
Ansiedade, insegurança
Só gratidão
Por tudo que existe
O amor é tudo
Mesmo este mundo difícil.
Eu sinto paz dentro de mim
O amor está em nós
Em profundidade.

Dorilda Almeida

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Com você caminho na vida

Ale Abdo: Poema ‘Com você caminho na vida’

Ale Abdo
Foto por Ale Abdo
Foto por Ale Abdo

Os caminhos que enfrentamos sozinhos é muito mais difícil

Somos juntos fortes e resilientes

Somos unidos na vida antes e no agora

Temos mais a certeza de que enfrentaremos o destino traçado

Com tudo que suportamos e ultrapassamos

Vencemos os terrenos árduos desta vida

Superamos limites juntos na realidade

E desejamos e sonhamos por momentos na eternidade

Sabemos unidos pular os obstáculos

Voamos alto como águias em vales inexplorados

Reconhecendo o quanto teremos que superar

Mas com a certeza que juntos iremos nos amar e suportar

Não há quem possa atrapalhar nosso destino

Por Deus traçado e confirmado na fé eterna

Dá-me tuas mãos para juntos alcançarmos

Os momentos infinitos de um amor a dois eternizado.

Ale Abdo

Direitos reservados a Ale Abdo (C) 2024

With you I walk in life

The paths we face alone are much more difficult

We are strong and resilient together

We are united in life then and now

We are more certain that we will face the destiny set

With everything we endure and overcome

We overcome the arduous terrain of this life

We overcome limits together in reality

And we wish and dream for moments in eternity

We know how to overcome obstacles together

We fly high like eagles in unexplored valleys

Recognizing how much we will have to overcome

But with the certainty that together we will love and endure each other

There is no one who can hinder our destiny

By God traced and confirmed in eternal faith

Give me your hands so that together we can reach

The infinite moments of an eternal love for two.

Ale Abdo

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Inspiração

J.H. Martins: poema ‘Inspiração’

Imagem do escritor J.H.Martins
J.H.Martins
Imagem ilustrativa . Foto de André Furtado 
Fonte : Pexels
Foto de André Furtado. Fonte Pexels

Inspirar é como respirar

Uma necessidade sem igual

É o ar que faz a alma voar

E torna a vida tão especial

A inspiração vem de dentro

E nos leva a lugares sem fim

É a chamada que acende o talento

E nos faz criar do começo ao fim

Ela está no Sol que brilha

No mar que se estende no horizonte

No verde que a natureza trilha

E o amor que é a sua grande fonte

A inspiração é a força a considerar

Para transcender da realidade ao oculto

Nos levando a sonhar e realizar

O inimaginável com todo indulto.

J.H.Martins

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