Entre ausências e retornos

Adriana Rocha: ‘Entre ausências e retornos’

Adriana Rocha
https://chatgpt.com/c/6a7227c9-64fc-83e9-8829-0cb02aab0859

Há ausências que não fazem barulho, mas ecoam… A cada nova edição do Jornal ROL, reencontro a alegria de ler textos que inspiram e de ver novos colegas enriquecendo esse espaço de reflexão e diálogo. Sinto satisfação a cada voz que chega, a cada olhar que amplia horizontes.  Leio os textos, celebro a qualidade das reflexões, alegro-me com a chegada de novos colaboradores e percebo, com sincera admiração, um jornal cada vez mais plural e vivo. Mas, entre uma página e outra, também me visita um discreto incômodo: o da minha própria sazonalidade. Discretamente, entre uma leitura e outra, uma pergunta me acompanha: em que estação ficaram as minhas palavras?

Escrever como colunista nunca foi apenas produzir palavras; foi pertencer, participar e deixar, periodicamente, um fragmento de mim. Ser colunista nunca foi apenas publicar um texto. Era um compromisso silencioso com a escrita, um encontro periódico com leitores e leitoras que talvez eu nunca conhecesse, mas que, por alguns minutos, caminhavam comigo pelas linhas.

Talvez a escrita tenha mesmo esse poder: quando se afasta, não nos abandona. Apenas permanece em silêncio, aguardando o instante certo para voltar a florescer.

Há saudades que não se explicam. Apenas se revelam. A vida, por vezes, impõe seus ritmos, e a escrita também aprende a respeitar os intervalos. Ainda assim, confesso: minha sazonalidade me inquieta. Sinto falta da disciplina do pensamento que busca forma, da emoção que encontra morada nas palavras e da alegria serena de entregar um texto ao mundo.

Talvez escrever seja exatamente isso: um lugar para onde sempre voltamos. E, quando a saudade se transforma em palavra, já não estamos completamente ausentes. Estamos, aos poucos, reencontrando o caminho de casa…

Adriana Rocha

Voltar

Facebook




Então Deus criou a mulher

Verônica Moreira: Crônica ‘Então Deus criou a mulher’

Verônica Moreira
Verônica Moreira
Uma representação artística do Jardim do Éden. No centro, Adão e Eva estão sentados entre flores. Eva segura uma maçã vermelha e olha para uma criatura metade homem, metade cobra que está enrolada em uma macieira à direita. A criatura estende a mão para ela. O fundo é uma paisagem de floresta exuberante com cachoeiras e vários animais.
https://chatgpt.com/c/6a6cf1ef-dcc8-83e9-a479-69f90a2f8994

A vida é uma obra-prima esculpida por Deus. Ele, o grande pintor do universo. Aquele que desenhou, com o verbo, tudo o que foi feito. Em cada detalhe, verbalizou a perfeição, a graça e a luz.

Não havia imperfeições na criação. Cada animal, cada ave, cada inseto, cada árvore e cada tom de verde eram verbalizados com o mais minucioso detalhe. O que o olho humano não alcança foi o que Deus planejou para o interior do homem. E, quando Ele disse: “Haja luz”, a luz raiou e aqueceu a Terra; assim fez-se o dia. “Haja noite”, e a escuridão tomou conta do céu. Por amor, para que o céu não ficasse em total escuridão, Ele fez a Lua e verbalizou novamente: “Haja estrelas!”.

Somos tão especiais para Deus que Ele planejou tudo o que, para nós, humanos, talvez fossem insignificâncias. Mas então Ele fez o homem… Ah, o homem… a mais perfeita criação, um ser dotado de força, agilidade e pronto para governar o mundo. O homem governou sobre os animais; as feras o temiam. As serpentes fugiam dele, e isso era perfeito.

Todavia, o homem não foi suficiente sozinho. Embora na companhia dos animais, ele sentia-se só. Olhava para os animais, todos com sua fêmea; ele, no entanto, dormia nu, deitado sobre o gramado verde, fora de período, e não compreendia sua solidão. Pobre Adão, ali se viu um poeta. Perguntou para Deus: “Por que eu não tenho uma companheira para me trazer calor? Gostaria de poder me debruçar no colo de uma fêmea, assim como os leões e todas as espécies que existem neste jardim. Oh, Deus, por que não fez tudo perfeito para mim? Acaso eu não mereço este favor?”.

Adão começou a pensar que os animais eram mais amados por Deus do que ele próprio, que era feito à imagem e semelhança do Criador.

Então Deus viu, naquele momento, nascer o poeta questionador e percebeu que ele precisava de uma resposta para seus conflitos internos. Decidiu criar a companheira que Adão queria. Fez Deus que Adão caísse em profundo sono e tomou uma de suas costelas. Mais uma vez verbalizou, dizendo: “Haja beleza, doçura e encanto. Haja calor e uma pele aveludada para aquecer seu companheiro. Haja seios e pernas contornadas, cabelos belíssimos que caiam sobre suas costas, e que ela seja forte para fortalecer seu companheiro quando ele se sentir fraco. Que ela seja inteligente para governar com ele”.

Então Deus criou a mulher…

Ao acordar do profundo sono, Deus chamou: “Adão! Venha ver sua companheira”. Adão, maravilhado com a perfeição de sua fêmea, disse: “Osso dos meus ossos e carne da minha carne”.

Deus disse: “Você agora não está só. Cuide da sua companheira, não a deixe só. Proteja-a com sua vida, se preciso for”.

Um cenário perfeito, uma mulher perfeita, e agora sim, Adão se considerava um homem perfeito.

Mas Adão não cumpriu o que Deus disse e, depois de muito conviver com a mulher, sentiu falta dos animais e da solidão. Passou a deixar sua mulher sozinha. Ela, sentindo-se só, passou a caminhar por todo o jardim e, numa das árvores, conheceu uma serpente falante que a seduziu.

E o final da história todos já sabem… Adão culpou Deus, a mulher culpou a serpente, e a serpente nem havia saído do lugar; a mulher foi até ela. Deus havia dito para Adão e Eva que poderiam comer de todas as árvores do Jardim, menos da árvore da ciência do bem e do mal.

Deus poderia destruir Eva, mas Adão ficaria revoltado e só novamente. Então Deus decidiu que o homem deveria, a partir daquele dia, se virar sozinho; a mulher deveria sentir dores e ter filhos para aprender a não ser desobediente; e a serpente passou a rastejar e comer o pó da terra por todos os séculos.

Mas o que se aprende com tudo isso é: homens, não abandonem suas mulheres, pois as serpentes hoje estão por toda parte. Mulheres, não pisem em lugares que não foram feitos para vocês; ali vocês sentirão dores desnecessárias. E serpentes, não pensem que ficarão impunes quando causarem danos aos filhos de Deus.

Aos poetas, Deus disse: continuem questionando, mas quando tiverem a oportunidade de viver a resposta, aproveitem cada segundo porque eles não voltam.

Verônica Moreira

Voltar

Facebook




De los tiempos oscuros

Marta Oliveri: Poema ‘De los tiempos oscuros’

Marta Oliveri
Marta Oliveri
https://gemini.google.com/app/d489f296251ff4fe?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all

Por qué habremos de sufrir
el infierno en escenario edénico,
qué hace al hombre presa de tal duelo
que se erige de ácidos fantasmas
sobre la dulce piedad de las estrellas

Qué decide que el uno,corazón,
templo erigido por los cuarto cimientos
de las cuatro estaciones
tienda un pálpito de hielo hacia su centro
y una garra hacia la piel inerme
de su prójimo

¿No alcanzó la cruz,
el Gólgota
el madero infinito
el grito del poeta
la parábola diáfana del agua
el bautismo
la verja en azul del finito mirar
la suave nervadura del árbol junto al nido.

¿No fue suficiente
la emoción del nacimiento
la inocencia original
que nos dio cuna?

¿Cuanta muerte es la muerte
inocente y salvaje
para que el miedo
en círculos dantescos
logre erigir un calendario eterno?

¿Cuanto puede sufrir una criatura
hasta donde resiste
la tierra anochecida?.
Qué pan daremos
hacia el fin del trigo
qué leche en pechos muertos,
qué hermandad en cadáveres?

Veo la lumbre
el susurro abismal de este temblor
que sólo se atreve en pesadilla
intima voz rezando una plegaria
a qué dios si no nace la cuna
urdida con las manos mortales
de los hombres

quién podrá darlo a luz
si la tierra marchita
su vientre en la penumbra
de los tiempos oscuros.

Con qué aurora pincelar el paraíso.

Marta Oliveri

Voltar

Facebook




Acolhimento

José Antonio Torres: Crônica ‘Acolhimento’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
Imagem de um pôster em papel de tom amarelado, com o título em letras grandes e escuras: "Sempre que for possível, doe ou doe-se". Logo abaixo, a frase menor "A generosity campaign" (Uma campanha de generosidade). Abaixo das frases, duas mãos se aproximam para segurar juntas um coração vermelho e tridimensional.
https://gemini.google.com/app/0e3dd6a5f686841a?utm_source=app_launcher&utm_medium=
owned&utm_campaign=base_all

Em algum momento da vida, você já parou para refletir e se perguntou se, e o quanto, ajudou alguém?

Ao fazer essa reflexão, talvez se surpreenda ao perceber que a sua vida está sendo inútil nesse quesito tão importante.
Faça uma retrospectiva e tente lembrar de quantas oportunidades teve para ser útil, para amparar ou socorrer alguém ou alguma instituição em dificuldades, e se omitiu.

Não estou falando apenas de ajuda financeira, pois entendo as dificuldades e as despesas que a vida nos impõe. Considere-se um privilegiado se tem condições de quitar e resolver essas dificuldades próprias. Muitos se acham em situação desesperadora e não conseguem.

Diante dessa incapacidade, é como se um buraco no chão se abrisse, fosse se alargando e engolindo quem se encontra nessas condições.

Talvez o nosso primeiro pensamento seja o de julgar que a pessoa ou a instituição cavou o seu próprio buraco. Algumas vezes é verdade, mas, em outras, elas foram empurradas para esse buraco devido a inúmeros fatores.

Sempre que for possível, seja, com o mínimo que puder dispor financeiramente ou através do seu tempo livre, voluntário em alguma causa – sempre há quem precise – doe ou doe-se! Posso garantir que isso te fará sentir muito bem e renovado como ser humano.

É muito fácil criticar quando alguém erra ou encontra-se em dificuldades, mesmo sem sabermos o que levou àquela situação.
Nessas horas, deveríamos abrir mais os braços do que a boca.

O mundo precisa mais de quem acolha do que de quem critique.

José Antonio Torres

Voltar

Facebook




Homenagem ao Dia do Escritor

Augusto Damas: ‘Homenagem ao Dia do Escritor’

Augusto Damas
Augusto Damas
https://chatgpt.com/s/m_6a6535930624819196a6149b0dbbe3c0

Neste Dia do Escritor, prestamos nossa mais sincera homenagem àqueles que transformam palavras em conhecimento, sentimentos em poesia e ideias em inspiração.

O escritor é o guardião da memória, o construtor de sonhos e o semeador da cultura. Em cada página escrita, permanece um legado que atravessa gerações, desperta reflexões e fortalece os valores da sociedade.

Escrever é um ato de coragem, sensibilidade e compromisso com a verdade, a imaginação e o saber. Por meio da literatura, da crônica, do artigo, da poesia ou da pesquisa, o escritor amplia horizontes, aproxima pessoas e preserva a riqueza da língua e da história.

Que esta data seja um reconhecimento a todos os autores que dedicam sua vida à arte da escrita, contribuindo para uma sociedade mais consciente, humana e culta.

Parabéns a todos os escritores! Que a inspiração continue iluminando seus caminhos e que suas palavras permaneçam vivas, tocando corações e transformando o mundo.

25 de julho – Feliz Dia do Escritor!

Voltar

Facebook




A arte de mover abismos

Pietro Costa: Poema ‘A arte de mover abismos’

Pietro Costa
Pietro Costa
A arte de mover abismos – Pietro Costa

Pietro Costa

Voltar




Right remedy

Surendra Nagaraju: Poem ‘Right remedy’

Surendra Nagaraju - Elanaaga
Surendra Nagaraju – Elanaaga
Imagem criada pela IA do Gemini – https://gemini.google.com/app/e32de6a4cf75733d?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all

Of late, the whole world is
appearing black to me.
People, environs– everything
is dark around me.

I pondered a lot
and chose the right remedy:
Wash out the murk
accumulated inside me.

Right remedy

Ultimamente, o mundo inteiro
está me parecendo negro.

Pessoas, ambientes – tudo
está escuro ao meu redor.

Refleti muito
e escolhi o remédio certo:
Lavar a escuridão
acumulada dentro de mim.

Elanaaga

Voltar

Facebook