In the city park, a little girl, dressed like a white dove, is giving sunflower seeds to wild pigeons.
Do you know what I remembered? In our land the war began like this: A bride, dressed like a white dove in a wedding dress, was shot by the enemy.
Her white wedding dress turned into the symbol of red war. While the white dove was a symbol of peace, it became a symbol of war. It seems that that little girl in a white dress tamed the wild pigeons. But politicians, whose eyes are the color of blood, turned even domestic pigeons into a symbol of war.
The big ones turned the symbol of peace into the symbol of war.
The rule of the world must be given to children, let children tame the wild big ones, so that white doves are not painted in red.
Card da crítica de arte ‘O que não conseguimos ver em Rothko’
O que faz de uma obra de arte uma obra de arte?
Sua técnica? O que ela me faz sentir? O preço que alcança em um leilão? A quantidade de pessoas que fingem tê-la entendido?
Ao traduzir para o italiano o livro de Péricles Gasparini, Cornici Alternative, Arte o Ribellione?, fui obrigada a me fazer exatamente esse tipo de pergunta. Na introdução, Gasparini não se questionava apenas sobre o valor de suas próprias criações, mas também sobre o que transforma um objeto em uma obra e uma obra em algo digno de ser preservado e transmitido ao longo do tempo. Quanto desse valor pertence ao artista e quanto, por outro lado, ao olhar que o reconhece?
São perguntas que carreguei comigo e que ressoavam com surpreendente intensidade diante das telas monumentais, imponentes e quase assustadoras de Mark Rothko.
O artista nasce para ser incompreendido, e sobre isso não há discussão. A melhor arte é aquela que te faz duvidar de si mesmo, não é?
Acredito que a arte mais ‘apreciável’ seja aquela que me provoca um turbilhão no estômago. Uma sensação que se parece com um atordoamento.
De qualquer forma, quando cheguei ao Palazzo Strozzi, em Florença, eu estava mentalmente pronta para ser atordoada: qualquer coisa, desde que não permanecesse indiferente.
Spoiler: diante das majestosas pinceladas amarelas, vermelhas e escuras, talvez eu tivesse esperado sentir algo a mais.
Mas talvez, como dizem algumas mulheres com a autoestima comprometida, “o problema sou eu”.
E ainda assim, Rothko provavelmente teria apreciado essa reação. E, na verdade, talvez desconfiasse da reação oposta.
Porque Mark Rothko não queria que suas pinturas fossem simplesmente admiradas. Não lhe interessava que alguém pensasse “que belas cores” e seguisse para a próxima sala. Ele queria provocar algo muito mais incômodo, uma espécie de confronto.
Observando as obras reunidas no Palazzo Strozzi — na exposição visitável até 23 de agosto de 2026, com mais de setenta peças provenientes de alguns dos mais importantes museus do mundo, do MoMA ao Metropolitan de Nova York, da Tate de Londres ao Centre Pompidou de Paris, que percorre praticamente toda a trajetória artística de Rothko, desde os primeiros trabalhos figurativos até os grandes campos de cor que o tornaram célebre — tive a mais vívida percepção de que o verdadeiro focus de suas pinturas não eram as cores, mas o espectador.
Rothko nasceu na Letônia com o nome de Marcus Rothkowitz e emigrou para os Estados Unidos ainda criança. Ao longo da vida, atravessou guerras, migrações, crises econômicas e mudanças culturais imensas. Ainda assim, em vez de pintar o mundo exterior, acabou retirando de suas telas quase tudo: pessoas, paisagens, objetos, histórias. No fim, restaram apenas cor, luz e silêncio.
Uma escolha um tanto insana, se pensarmos bem. Como se um escritor eliminasse a trama para ver se o leitor ainda permanece.
Em 1950, Rothko visitou Florença com sua esposa Mell e ficou profundamente impactado pelos afrescos de Beato Angelico no Museu de San Marco e pelo Vestíbulo da Biblioteca Medicea Laurenziana, projetado por Michelangelo. O Palazzo Strozzi construiu parte do percurso justamente em torno desse diálogo inesperado, estendendo a mostra também a esses lugares da cidade que o marcaram tão profundamente.
A parte que mais me tocou, porém, não é a dimensão mística que todos associam a Rothko.
Foi a provocação, o tapa de Rothko. Especialmente o imagino direcionado à elite do Four Seasons de Nova York. Não tanto porque suas obras não foram aceitas, mas porque ele próprio as retirou antes que se tornassem apenas o pano de fundo de algum jantar de mil dólares… Um gesto que considero elegantemente vingativo, infinitamente mais punk do que muitas provocações contemporâneas.
Senti isso em suas telas: a transgressão descarada de uma superfície pintada com um cuidado quase religioso. Como se dissesse, veja você o que enxerga em tudo esse escuro.
Como se dissesse: se você não vê nada, talvez o vazio seja você.
Talvez seja também por isso que Rothko continue dividindo as pessoas. Sua arte não oferece apoios, não conta uma história, não sugere realmente o que você deveria sentir.
Ela te deixa sozinha em uma sala com você mesma e com um retângulo amarelo do tamanho de uma parede.
E, ao que parece, para muitos de nós, essa já é uma experiência suficientemente extrema.
Ramos António AmineImagem criada pela IA do ChatGPT– https://chatgpt.com/c/6a2abe96-1ce4-83e9-9cd9-378dfa25ec89
Após a fuga da aldeia com a brigada provincial e por recomendação do vigário, o carro da brigada foi conduzido até o mosteiro da capital provincial, onde o jovem foi acolhido no orfanato, enquanto aguardava os trâmites legais para a sua ida à capital do país, para frequentar o curso de Geologia, como prometido pelo vigário e confirmado pela brigada provincial.
Do outro lado do santuário, o vigário procurava formas discretas que lhe permitissem sair sem cruzar a mesma aldeia que quisera queimar vivo o jovem, pois seria ele o próximo alvo da fúria dos aldeões, por ter precipitado a saída do jovem da aldeia, quando este ainda tinha muito para dar.
Por isso, aguardava a noite.
Quando a noite chegou, disfarçado de motorista comum, o vigário colocou-se na viatura e dirigiu-se pela estrada que dava acesso à aldeia. Para sua surpresa, a aldeia estava totalmente calma, quase resignada consigo mesma. Nenhum dos seus habitantes se encontrava na estrada a vigiar os movimentos habituais. Este facto deixou o vigário incrédulo, pois não esperava tal situação, o que lhe permitiu atravessar a aldeia sem dificuldade, embora permanecesse atento a cada canto. Desconfiava sempre de possíveis ciladas por parte dos populares.
Na manhã seguinte, a aldeia descobriu que o vigário havia passado durante a noite e lamentou não tê-lo interceptado de dia, pois queria pedir desculpas pelo que acontecera ao jovem. Ainda assim, prometeu fazê-lo oportunamente, sendo aquela a única estrada de acesso ao santuário, por onde o vigário sempre passava.
No orfanato, o jovem não encontrava espaço para conversar com os outros miúdos ali acolhidos, não por preconceito das responsáveis do mosteiro, mas pela própria urgência da sua estadia. Ali, quase não havia tempo para conversas, todos estavam ocupados nos seus afazeres.
Apesar disso, observava os outros órfãos, marcados pela ausência de identidade e pela sede de futuro. Não via neles diferença essencial em relação a si. Apenas notava nos seus olhos um certo otimismo em relação ao presente e um automatismo nas suas acções, o que o distinguia, pois ele acreditava que cada um devia cultivar o seu próprio jardim, convicção que guardava desde a leitura de Cândido, de Voltaire.
Por outro lado, agradecia interiormente o cuidado das responsáveis do orfanato. Sem a sua abnegação, a rua teria sido o destino inevitável daqueles órfãos. Quis expressar a sua gratidão, mas encontrou barreiras, pois não era permitida qualquer aproximação, sobretudo de pessoas sem identidade definida, como ele. Ainda assim, guardou esse gesto consigo e prometeu fazê-lo oportunamente.
O mês foi passando.
Até que, certo dia, um dos comissionários do amparo da província, juntamente com o vigário, se fez presente na instituição. Após explicarem a razão da visita, informaram as responsáveis de que o jovem não ficaria ali de forma definitiva, pois tinha obtido a oportunidade de seguir para a capital do país para cursar Geologia, cumprindo-se assim a promessa feita pelas entidades envolvidas.
As responsáveis não resistiram. Além disso, o jovem não representava uma ligação afectiva forte para aquele lugar, que dependia sobretudo de crianças de presença recente e identidade em formação. Assim, assinaram os documentos que autorizavam a sua partida.
Porém, uma das funcionárias, a mais velha de todas, decidiu aproximar-se para se despedir do jovem. Esse gesto reabriu nele uma ferida que nunca cicatrizara: a memória da mãe e de um filho perdido há anos. No entanto, nem o jovem nem a funcionária sabiam que estavam diante de memórias vivas um do outro.
A mãe reconheceu o filho. O filho, porém, não a reconheceu. Ela ficou em choque, quase perdendo os sentidos ao ver o seu único filho transformado pelo tempo. Ainda assim, resistiu.
Decidiu revelar-se.
Mas não houve tempo.
A rotina da instituição não permitia conversas longas, e para evitar conflitos com as responsáveis, a mãe limitou-se a despedir-se do jovem, entregando-lhe um colar em formato de 7 e um papel com rabiscos apressados, onde se lia:
“Para trás, nunca, sob nenhum pretexto, pois o mundo está cheio de gente que te quer desviar do teu caminho.”
Assinado: a tua mãe.
A hora da saída para a capital já estava definida há muito. O jovem recebeu o colar e a carta, mas a sua atenção ficou presa noutro lugar. Afinal, precisava de se concentrar nos últimos dizeres vindos do vigário e dos comissionários do amparo.
Todo aquele tempo de espera permitira aos comissionários do amparo tratar de toda a documentação do jovem. Tinham prometido na aldeia, quando ele recebeu a confirmação da atribuição da oportunidade de estudos na capital, após ter respondido correctamente ao enigma elaborado pelo vigário.
Para além dos últimos dizeres, aquele momento serviu também para a entrega dos seus documentos, incluindo certificados que haviam sido esquecidos na quinta, quando da fuga da mãe e do menino. O jovem admirou-se da astúcia que levou os comissionários do amparo até à quinta dos ímpios, a ponto de tratarem de toda a documentação, sabendo que se tratava de um lugar de protecção reforçada. Ainda assim, não quis saber mais da quinta, como se pressentisse a morte do pai no garimpo daquela quinta, após ter encontrado algo de valor ímpar.
Enquanto isso, a mãe não tirava os olhos do jovem, culpando-se em silêncio por o ter deixado nas mãos do destino alheio. No entanto, nunca se culpava de ter fugido da quinta dos ímpios, decisão que os empurrou para caminhos diferentes. Dizia para consigo mesma que daria tudo para poder contornar o destino do filho. Porém, esse destino já estava traçado: curso de Geologia, na capital do país. Consciente disso, restava-lhe apenas manter-se serena e torcer pelo seu sucesso.
O jovem foi acompanhado até à terminal de transportes rodoviários da cidade, onde foi deixado sozinho para pernoitar e partir no dia seguinte. Da sua cidade para a capital, percorreria distâncias possíveis apenas com a coragem. A estrada principal não estava totalmente transitável, agravada pelo período de inverno, marcado por chuvas torrenciais e granizo.
A primeira tentação que o jovem enfrentou surgiu logo na terminal, onde, em plena noite sonolenta, sentiu que algo lhe era retirado por gente de má-fé. Era a sua pasta que, aos poucos, deixava de repousar como sua cabeceira e parecia querer ficar naquela cidade, como se os certificados vindos da quinta dos ímpios quisessem inviabilizar o seu destino. Mesmo assim, o jovem despertou a tempo e enfrentou os sem-vergonha, como se escutasse, dentro de si, as palavras ainda não lidas da carta da mãe. Apresentou-os imediatamente às autoridades da guarita e permaneceu vigilante.
Na hora de embarque, já na confusão da entrada da viatura, o jovem passou o teste da segunda tentação. Desta vez, quase perdeu o seu bilhete de passageiro, pressionado pelo fluxo desordenado de pessoas. Havia ali gente dura, marcada por uma vida que parecia não ter sido suficientemente amada pelo mundo. Ainda assim, recuperou o bilhete e seguiu viagem, guardando essa experiência consigo.
A viagem prosseguiu. Desamparado, o jovem foi-se perdendo em reflexões sobre a sua vida. Pela primeira vez, ninguém o incomodava, a não ser os rostos absortos e os companheiros de viagem isolados por ecrãs e auriculares.
Pensou que tudo na sua vida se encaixava: cada tragédia vivida preparava-o para uma etapa maior, até chegar ao ponto de se encontrar na viatura rumo à capital. Porém, por outro lado, sentia que o mundo à sua volta não era o melhor possível, daí que era imperioso começar a cultivar o seu próprio jardim.
Estas reflexões fortaleciam a sua determinação em prosseguir, apesar das estradas esburacadas e lamacentas. Só não entendia por que razão iria cursar Geologia, em detrimento de Filosofia, com a qual tivera contacto por meio de Cândido de Voltaire na quinta dos ímpios e, de A Rebelião das Massas, de Ortega y Gasset no santuário.
Até que o transporte parou em plena viagem, à procura de estratégias para escapar a um charco que se formara ao longo da estrada principal. O cenário chamou-lhe a atenção. Pensou, então, que a palavra Geologia, formada por “geo” (terra) e “logia” (estudo), poderia dar-lhe uma forma de compreender e talvez propor vias alternativas para o tráfego de pessoas e bens.
Depois de uma semana e meia de viagem, o jovem chegou à capital do país. Logo na descida, quis o destino que enfrentasse mais uma constatação dura: a existência de contentores de lixo espalhados, crianças desamparadas e, do outro lado da via, automóveis de luxo que passavam indiferentes. Notou também que, pela primeira vez, respirava um ar poluído, marcado por emissões que afectavam a camada de ozono.
Pela segunda vez, o jovem sentiu a razão de levar o curso de Geologia a sério. Porém, esse ânimo foi abafado ao recordar que, após o desembarque, cabia-lhe procurar a sua própria moradia.
Hay algo profundamente absurdo en la historia de la humanidad.
Hemos aprendido a descifrar el universo, a caminar sobre la Luna, a crear máquinas capaces de almacenar el conocimiento de siglos enteros en la palma de una mano. Sin embargo, todavía no hemos aprendido a convivir plenamente entre nosotros.
Seguimos construyendo armas con la misma pasión con la que podríamos construir esperanza. Seguimos perfeccionando la destrucción mientras millones de personas intentan sobrevivir a ella.
II. La lógica invisible de la guerra
Quizás por eso pienso que la guerra le teme a los abrazos. Porque un abrazo derrumba en segundos los muros que el odio tarda años en levantar.
La guerra necesita distancia. Necesita que olvidemos el rostro del otro. Necesita convertir personas en enemigos, nombres en estadísticas y vidas en daños colaterales. Necesita, sobre todo, que dejemos de reconocernos.
Por eso se disfraza. Se viste de uniformes, banderas, discursos y consignas. Se presenta como heroísmo, como justicia o como destino inevitable. Pero detrás de cada guerra siempre aparece la misma verdad incómoda: la incapacidad humana de sostener el dolor ajeno.
III. Poder, promesas y decepción
En teoría, los presidentes son considerados los “padres de la nación”. Y si esa metáfora fuera real, su responsabilidad sería tan simple como inmensa: proteger, cuidar, guiar.
Pero la realidad insiste en desviarse de esa idea.
En cada ciclo electoral se repiten las promesas, los discursos de esperanza, las palabras que hablan de futuro. Y, sin embargo, con demasiada frecuencia, esas promesas se diluyen con el tiempo, dejando tras de sí una estela de distancia, decepción y desconfianza.
No se trata solo de política. Se trata de una pregunta más profunda: ¿qué ocurre cuando la palabra pierde su valor?
IV. La fragilidad de la existencia
Vivimos como si el tiempo fuera infinito. Pero no lo es. Ninguno de nosotros está aquí para siempre.
Y aun así, seguimos atrapados en dinámicas de conflicto, competencia y destrucción que parecen olvidar lo esencial: la vida humana es breve, frágil e irrepetible.
¿Qué sentido tiene construir un mundo lleno de violencia, engaños y guerras si el final es exactamente el mismo para todos?
Tal vez el problema no sea únicamente político, sino profundamente humano. Tal vez hemos olvidado que vivir no debería ser solo sobrevivir dentro de sistemas de confrontación, sino intentar construir algo que merezca ser habitado.
V. Cultura, violencia y normalización
Incluso la cultura con la que crecen las nuevas generaciones refleja esa tensión. Muchos de los videojuegos más populares giran en torno a la guerra, las armas y la competencia violenta, mientras millones de niños los juegan con naturalidad. No como juicio moral, sino como síntoma: la violencia ha dejado de ser excepción para convertirse en entretenimiento cotidiano.
Y entonces surge una pregunta inevitable:
Si somos capaces de imaginar tantos mundos virtuales, ¿por qué nos cuesta tanto imaginar un mundo real donde vivir no implique destruirnos unos a otros?
VI. El origen del conflicto
La guerra nunca comienza cuando se dispara un arma. Comienza mucho antes.
Comienza cuando dejamos de escuchar. Cuando creemos que nuestra verdad justifica la anulación del otro. Cuando la indiferencia se vuelve costumbre. Cuando el sufrimiento ajeno deja de interpelarnos.
VII. La otra dirección
Y, sin embargo, la historia también está llena de quienes eligieron otra dirección.
Personas que tendieron la mano donde otros levantaban el puño. Personas que respondieron con compasión en medio de la violencia. Personas que entendieron que la paz no es debilidad, sino una de las formas más exigentes del coraje.
Porque amar no es un sentimiento abstracto. Amar es un acto de reconocimiento.
Es aceptar la humanidad incluso cuando incomoda. Es rechazar la idea de que el odio sea inevitable. Es comprender que ninguna bandera vale más que una madre llorando a su hijo. Que ningún territorio justifica una infancia rota. Que ninguna victoria compensa una vida perdida.
VIII. Hacia una nueva admiración
Tal vez ha llegado el momento de cambiar el foco de nuestra admiración.
De mirar menos a quienes destruyen y más a quienes reparan.
Menos a quienes dividen y más a quienes sostienen.
Menos a quienes gritan y más a quienes escuchan.
La guerra teme a los abrazos porque los abrazos contienen una evidencia insoportable: que la humanidad, en su forma más simple, todavía desea ser cuidada.
IX. El cansancio del mundo
Hay días en los que el mundo parece demasiado pesado para mirarlo sin cansancio.
Las noticias se repiten como un eco: guerras, pobreza, hambre, enfermedades, crisis, desplazamientos, pérdidas. Como si la realidad global estuviera compuesta únicamente de fracturas.
Y en medio de ese flujo constante, aparece una sensación silenciosa pero creciente: la idea de que el mundo no deja de empeorar.
No porque el mundo haya cambiado en su esencia, sino porque la forma en que lo consumimos nos lo devuelve siempre herido.
Todo parece regido por el conflicto, por el dinero, por la desigualdad. Y en ese escenario, lo que se desea no es ignorar la realidad, sino poder respirar dentro de ella sin hundirse.
Simplemente poder escuchar, de vez en cuando, algo que no duela.
X. Lo que permanece
Al final:
Los imperios caen.
Las fronteras cambian.
Las ideologías se transforman.
Pero permanece algo más resistente que todo eso: la capacidad humana de cuidar.
Quizás la verdadera revolución de nuestro tiempo no sea tecnológica, económica ni militar.
Quizás sea emocional.
Quizás consista en reaprender lo más básico: mirar, escuchar, comprender.
Porque mientras exista un solo ser humano capaz de elegir el amor por encima del odio, la guerra no tendrá la última palabra.
XI. Preguntas incómodas del sistema
¿Cómo se sostiene la confianza en las leyes cuando, en demasiados casos, las instituciones que deberían protegerlas también fallan en representarlas con integridad, en distintos lugares del mundo?
Pensemos en la economía a nivel mundial, también resulta profundamente inquietante. En muchos casos, parece haberse normalizado una estructura en la que solo unos pocos acceden a una vida cómoda, mientras la mayoría sostiene el sistema con jornadas interminables de trabajo, a menudo superiores a las cincuenta horas semanales, intentando cubrir gastos básicos, facturas y deudas que los mantienen atrapados en un ciclo constante de presión económica.
Es como si una gran parte de la población viviera dentro de un engranaje invisible, donde el esfuerzo no siempre se traduce en estabilidad, sino en supervivencia.
Y en ese mismo escenario global, existen países marcados por sistemas políticos extremos, ya sean regímenes autoritarios o estructuras profundamente inestables, donde la libertad, la seguridad o las oportunidades no están distribuidas de manera equitativa.
Más allá de las ideologías, lo que queda expuesto es una realidad incómoda: la sensación de que el valor de la vida humana no siempre ocupa el centro de las decisiones económicas y políticas.
¿Qué somos? ¿En qué nos hemos convertido? ¿Qué es la vida, o para qué venimos a ella? Parecemos estar atrapados en estructuras que nos condicionan constantemente.
Vivimos atravesados por clases sociales, ideologías políticas y sistemas de normas que, en demasiadas ocasiones, parecen desconectados de la experiencia humana real.
Y entonces surge una pregunta incómoda, casi inevitable: si la vida es un espacio limitado y frágil, ¿por qué la organizamos tantas veces como si no lo fuera? ¿Por qué aceptamos dinámicas que nos alejan de lo esencial, de lo humano, de lo que realmente importa?
Reflexionemos sobre este manifiesto humanista contemporáneo —o ensayo filosófico-político de tono literario, como ustedes lo sientan y lo perciban deberíamos denominarlo—. Al final, vistos desde el cielo, todos parecemos diminutos, como hormigas. La vida es demasiado breve, todos deberíamos poder cumplir nuestros sueños. Pienso que ya es hora de que la humanidad pueda respirar en un mundo mejor .