Gentilezas

Verônica Moreira: Crônica ‘Gentilezas’

Verônica Moreira
Verônica Moreira
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Já parou para pensar que a felicidade de alguém, no dia de hoje, pode depender de uma simples ação que talvez para você não seja nada, mas que para outrem pode ser o motivo de um sorriso diário?

Passamos tempo demais preocupados com nossos próprios interesses e não percebemos o quanto podemos influenciar uma vida através de um simples gesto de gentileza.

Uma frase que sempre falo quando percebo alguma injustiça em relação a mim ou a outras pessoas é: “Gentileza gera Gentileza”. Refletindo sobre essa frase, me deparei há alguns dias com uma situação constrangedora e quero compartilhar o fato sem dar nome aos bois.

Quando participo de algum concurso ou preciso que alguém dê uma atenção especial a um determinado projeto, ou mesmo a uma publicação em redes sociais, costumo compartilhar nos grupos onde sempre me senti acolhida por pessoas queridas e amigas.

Todavia, há alguns dias, fiz uma publicação em um grupo e fui atacada por um colega de lá; atacada com palavras ásperas de alguém que se revoltou com a própria vida e quis descarregar sua revolta em mim. Mantive-me firme e gentil como sempre fui. Afinal, eu sou assim e mais uma vez posso dizer que tenho orgulho de mim, pois, apesar de tudo de feio que ele disse, atacando até meus colegas de grupo, eu apenas saí do grupo para que ele não continuasse com suas insinuações.

Mais tarde, fui informada de que tal senhor havia sido removido do grupo. Mas, durante os ataques à minha pessoa, ele disse que um dia havia me pedido uma ajuda e eu neguei. Pasmem! Eu não o conhecia, nunca havia tido nenhum contato com o indivíduo, nem sabia quem era. Justamente por não o conhecer, fiquei assustada com o ataque.

Mas pude dizer a ele justamente essa frase: “Gentileza gera gentileza”. E se por algum motivo eu não o conhecia, mesmo ele estando no grupo, e naquele momento, sem me conhecer, ele me destratou daquele jeito, agradeci a Deus por não tê-lo conhecido antes e por conhecê-lo daquela forma, pois assim sei que não conhecê-lo antes foi um livramento de Deus.
Estou compartilhando isso porque assim acontece na vida da gente diariamente. Pessoas nos julgam sem nos conhecer de verdade, talvez dão ouvidos às más línguas que destilam veneno contra nós, e nos atacam sem ao menos nos permitir falar.

Um ataque sem explicação, apenas porque um dia decidiram que não gostavam da gente e ponto final. Percebo que preciso me blindar o tempo todo, porque às vezes entramos em determinados espaços pensando que todos são amigos e querem o nosso bem. De repente, descobrimos que há muitas pessoas que não gostam da gente pelo simples fato de não conseguir suportar nosso brilho próprio.

​Não sei com vocês, mas comigo percebo violência o tempo todo — não física, mas indiretamente: quando alguém vê o meu bom trabalho, mas não comenta, não curte, não compartilha, não demonstra nenhum ato de gentileza, mas, no entanto, cobra que façamos isso por eles. São muitos vídeos, reels e publicações que alcançam 1.700 visualizações, mas apenas 20 curtidas. Isso demonstra que o tempo todo tem pessoas nos vigiando, muitas das vezes até admirando nosso trabalho, mas sem prestar apoio. Isso porque uma curtida ou um comentário pode ferir o ego dessas pessoas.

Aprendi que as pessoas querem te ver bem, sim, mas nunca melhor do que elas. Por isso é tão difícil para elas apoiarem o nosso trabalho. Só trabalhando, me aperfeiçoando, errando, todavia aprendendo, e continuarei ajudando as pessoas a plantarem para, juntos, colhermos os bons frutos de todo nosso plantio.

Agradeço a todos que apoiam meu trabalho e que são sempre gentis comigo. Amo vocês!

Ah, e não se esqueçam: gentileza gera gentileza.

Verônica Moreira

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Atitudes Comunicacionais

Diamantino Loureiro Rodrigues de Bártolo:

‘Atitudes Comunicacionais’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
Atitudes Comunicacionais agressivas
Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer

O relacionamento interpessoal provoca, necessária e inevitavelmente, determinados comportamentos comunicacionais: uns, eventualmente, premeditados, estudados e treinados; outros, espontaneamente. Apesar de tais limitações, é possível caracterizar os diversos comportamentos comunicacionais, a partir de critérios definidos: a) afirmatividade do comunicador (transparência da linguagem); b) Respeito pelo interlocutor (respeito pelo outro). A partir destes dois critérios e como posicionamento prévio, aceita-se que o comportamento comunicacional se distribui por quatro grandes tipos:

«1. Agressivo – Utilizado para se defenderem direitos à custa dos direitos dos outros, com agressividade, muitas vezes de prazer e de ofensa. Pressiona-se o interlocutor e obriga-se a reagir contra a vontade dele. Exerce-se intensamente uma pressão que, rapidamente, surge a ameaça de castigo e/ou de retaliação. Utilizam-se frases imperativas, prepotentes, ameaçadoras: “Quero este trabalho concluído rapidamente”. Recorre-se, também, ao menosprezo e desvalorização das capacidades do interlocutor e exibição do poder do agressor pela intimidação e ofensa: “Se não percebeu, tivesse percebido”, “Quem manda aqui sou eu”. Diversos gestos são feitos pelo agressor, como apontar com o dedo em riste, rosto tenso, olhos fulminantes.

O comportamento comunicacional agressivo, em certas circunstâncias excepcionais, pode funcionar com plenos resultados positivos, como quando é conveniente actuar rápido e bem, mesmo que seja necessário reduzir à total submissão o interlocutor. No limite da análise, a comunicação agressiva empobrece a inteligência do próprio agressor, reforça a vontade de mais agressividade, se esta tiver sido recompensada e pode aprofundar o sentimento do “mal-amado”, conduz, na maior parte dos casos, a um sentimento de revolta por parte dos agredidos e também à deslealdade e indiferença.

2. Passivo – Evita-se expressar opiniões, vontades e sentimentos próprios, submetendo-se facilmente aos dos outros. Opta-se pela fuga, pela submissão e dependência em relação aos outros. Sentido de subordinação e afastamento. Utilizam-se frases vagas, ambíguas, de indiferença e rejeição de envolvimento: “Não vale a pena dizer nada”, “Não tem importância”, “Desculpe, lamento muito…”, “Não gosto de criar problemas”. Também pelos gestos e certas atitudes: risos nervosos e forçados, ombros descaídos, voz sumida.

O comunicador passivo aceita tarefas insignificantes que oprimem e humilham, manifesta sentimentos de desvalorização pessoal, não provoca nos outros comportamento assertivo, pode contribuir para o aumento da agressividade no outro interlocutor. A médio prazo, não conduz à realização pessoal, embora possa proporcionar prestígio, tranquilidade e dinheiro, pelo menos em algumas pessoas com determinadas actividades;

3. Manipulador – A linguagem é utilizada como disfarce, sempre no interesse do próprio e em prejuízo dos outros. O manipulador não se afirma abertamente, escondendo-se numa “cândida generosidade e pureza”, levando as pessoas de boa-fé a fazerem o que ele pretende, quase sem darem por isso. A bajulação e lisonja (elogio falso e gratuito) são as armas eficazes para o manipulador, que, invariavelmente, utiliza frases como: “Estou a dizer-lhe isto para seu bem”, “Não confessaria isto a mais ninguém”.

O recurso à insinuação é outra estratégia utilizada pelo manipulador: “Diz-se muita coisa a seu respeito, mas eu não acredito”. Outro recurso que funciona neste tipo de comportamento é a chantagem, através do apelo aos sentimentos, opiniões e vontades do interlocutor, para o influenciar e convencer, violentando, se necessário, embora disfarçando a violência, dando à comunicação uma aparência de contrato. Pode utilizar uma linguagem redonda do tipo: “Penso que gostaria de poder ter a oportunidade de …”. Também pelo sarcasmo e pela ironia o manipulador pretende alcançar os seus objectivos.

O comportamento comunicacional do manipulador, em determinados contextos políticos, que são permeáveis à bajulação, ao elogio, à demagogia, infelizmente, funciona muito bem, embora pela negativa e, grande parte das vezes, contra os legítimos interesses dos cidadãos que, de boa-fé, acreditam em tais discursos manipuladores. Finalmente, pode-se utilizar a manipulação por puro prazer de representação.

4. Assertivo – Permite afirmar as opiniões, vontades e sentimentos próprios e ao mesmo tempo promover e respeitar as opiniões, vontades e sentimentos dos interlocutores, com o objectivo de desenvolver a pró-actividade e afirmatividade de todos os intervenientes em plena igualdade e sem qualquer subordinação. O comportamento comunicacional assertivo manifesta-se pelo seu elevado poder influenciador, sustentado em três factores fundamentais: a) Transparência de linguagem; b) Força exemplar da afirmação pessoal; c) Resolução de conflitos através da negociação.

A comunicação assertiva é, por isso mesmo, simples, directa e económica em palavras. Pauta-se pela afirmação rigorosa. Os conflitos resolvem-se pela negociação, sempre numa atitude de “GANHA/GANHA”, ou seja, ganham as partes conflituantes. A afirmação pessoal pela comunicação, sustenta-se na auto- estima, na determinação e na consciência do direito à auto-afirmação. A assertividade recorre ao comportamentalismo e ao humanismo psicológico.» (Cf. AZEVEDO, 1999:20-24).

BIBLIOGRAFIA

AZEVEDO, Lemos, (1999). Comunicar com Assertividade. Lisboa: Instituto do emprego e Formação Profissional/Ministério do Trabalho, do Emprego e Segurança Social

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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