Saudade
Laskiaf Amortegui: quando a saudade faz morada nas paredes do tempo


As casas guardam histórias que às vezes esquecemos.
A casa está vazia. Acaso a casa se foi com a mamãe?
A mamãe não sorri mais; a mamãe era o diapasão do lar.
As panelas esfriaram, o seu aroma se esfumou e a sua sinfonia desapareceu. A cozinha emudeceu. A algazarra familiar deixou de ecoar nas paredes: as crianças cresceram e se foram.
O papai deixou o ninho há muito tempo e, atrás dele, a mamãe.
A casa viveu o seu zênite junto a ela; sua alma e sua essência deixaram histórias secretas em suas paredes estéreis. A casa está triste, a mamãe não voltou. Foi-se sem bagagem nem sua bengala.
A casa sorri quando meus irmãos e eu nos aproximamos; ela se acuartela no canto do ontem, talvez procurando a mamãe, a matriarca maior.