O ato comunicativo

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

‘O ato comunicativo’

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1. Na comunicação e no relacionamento interpessoal, as pessoas e as organizações têm de ser competentes, aqui no conceito prático de obtenção dos melhores resultados, isto é, fazer passar as mensagens verbais e não-verbais, que se vão transmitindo no exercício dos múltiplos papéis que diariamente são desempenhados pelas pessoas e organizações. Exija-se, pois, competência.

2. O relacionamento humano seria impossível sem o ato comunicativo, entendido este como uma interação entre pessoas que desejam a convivencialidade societária, seja em contexto familiar, profissional, social, religioso ou outro. As relações humanas pressupõem diálogo, troca de ideias, transmissão de conhecimentos, divulgação de factos, manifestação de sentimentos e tantas outras intervenções, só possíveis, pela comunicação, verbal e/ou não verbal. 

3. Todas as comunicações humanas apresentam complicações, que os interlocutores procuram, por vezes, resolver e, outras vezes, dificultam: 

a) Um primeiro problema que se coloca é que em todas as comunicações humanas ninguém pensa que há obstáculos: quer se esteja a conversar com uma pessoa, ou com um grupo; 

b) Uma outra dúvida é que os indivíduos, de uma maneira geral, não são muito bons ouvintes, realmente a ouvir, quando alguém fala com eles e, depois, a entender corretamente o que ouvem.

4. O relacionamento interpessoal provoca, necessária e inevitavelmente, determinados comportamentos comunicacionais: uns, eventualmente, premeditados, estudados e treinados; outros, espontaneamente. Apesar de tais limitações, é possível caracterizar os diversos comportamentos comunicacionais, a partir de critérios definidos: «a) Afirmatividade do comunicador (transparência da linguagem); b) Respeito pelo interlocutor (respeito pelo outro. A partir destes dois critérios e como posicionamento prévio, aceitam-se quatro grandes tipos de comportamento comunicacional, a indicar: assertivo; passivo; agressivo e manipulador.

5. Caberá ao sistema educativo, apoiado na sua principal estrutura, a Escola, ensinar a usar, corretamente, uma determinada língua, na circunstância, a língua oficial em vigor no respetivo país. A esta estrutura, por enquanto ativa e insubstituível, para além de transmitir todo um conjunto de técnicas, regras e significações, compete-lhe, também, promover, dinamizar e aferir os resultados do ato comunicacional, incentivando os elementos essenciais: emissor-recetor para o desenvolvimento e aprofundamento do diálogo, com recurso aos métodos que em cada situação se considerem os melhores, de imediato, entre professores e alunos,

6. Diz-se que se está numa situação argumentativa, entre outras, sempre que se é chamado a tomar posição face a algo: seja a uma atitude; a um ato; a um projeto; a uma decisão; a um critério. Argumentar é, também, comunicar e daí a conveniência de se conhecer bem o recetor, para que se verifique uma compreensão cabal do discurso argumentativo

7. A tónica para o desenvolvimento de relações humanas sadias, frutuosas e duradoiras passa pela ação comunicacional, pelo ato comunicativo entre pessoas, entre grupos, entre nações. Não haverá outro caminho mais seguro e pacífico do que aperfeiçoar todas as técnicas, estratégias e metodologias para uma prática de relações humanas que possa estar acima de todo e qualquer interesse ilegítimo. 

A instituição de um paradigma comunicacional impõe-se, hoje, à sociedade universal, sendo urgente implementar todos os recursos possíveis para que o relacionamento humano intercultural, inter-religioso, intergrupal, interplanetário, seja uma regra e não uma exceção.

Venade/Caminha – Portugal, 2026

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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Confrontos

Lina Veira: Crônica ‘Confrontos’

Lina Veira
Lina Veira
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Hoje confrontei a mim mesma, tentei decidir o que é verdade dentro de meu coração. Parte de mim disse: Quer saber a verdade? E esse talvez, seja o maior confronto da vida.

Os  confrontos  nas relações humanas sempre existiram por gerações, parecem até saudade com fome, cabeça sem pouso, contextos reais envolvendo a política, terras de herança, cultura popular, religiosidades, rixas e cóleras entre familiares e amigos. Uma anulação da posição de ideias e de posturas de alguém. Marcados por hostilidade, onde busca-se vencer a discussão a qualquer custo.

Penso ser muito comum nas leituras, um confronto de ideias, onde o maior desconforto de um leitor, varia conforme o foco de seu dia e a falta de concentração combinada com a necessidade constante de reler parágrafos sem aquela concordância visual ou afetiva. Confrontar alguém exige coragem. Um autor então, exige conhecimento literário, penso.  Estratégias práticas de desenvolvimento interpessoal, para gestão de conflitos é preciso, diante de tantos danos emocionais e verbais sem  retratações  e mediações, com  significativos  traços de abusos emocionais.

Jesus teve vários confrontos com aqueles que se opunham a Ele. E assim acontece com uma opinião pessoal hoje, uma escolha de partido político, uma ideologia pra viver.  
O confronto pode ser útil, mas prejudicial, dependendo da situação.  Em algum momento enfrentaremos outras pessoas quando elas nos ofenderem ou nos machucarem, e isso pode ser saudável, desde que nossas motivações sejam corretas. Até aqui tudo parece simples, mas não é.

As pessoas são más e quando o  confronto é usado como forma de menosprezar, condenar, se vingar, está errado, mas  precisa ser absorvido, amenizado. Em nome de ninguém é bom. Como dizia São Francisco: a ausência do conflito não traz solução para o caso, é importante você se posicionar e defender o que acredita para não ter prejuízos  amanhã. Mas, antes dos erros graves, se levante.

Orai e vigiai

Sodoma e Gomorra nos ensinou isso.

Respira profundamente.

Escreva uma crônica sobre o caso

Seja como um cachorro, lamba uma das patas e saia silenciosamente.

Confrontos em relacionamentos são embates focados na anulação do outro, marcados por hostilidade, onde busca-se vencer a discussão a qualquer custo. Diferente de um conflito — que  pode ser um debate saudável de ideias , pois nenhuma reação humana se desenvolve apenas com concordâncias  e acertos —, o confronto destrói a empatia e visa impor a própria vontade.

Busque ajuda.

Lina Veira

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Avanço tecnológico e relações humanas

Evani Rocha: ‘Avanço tecnológico e relações humanas’

Evani Rocha
Evani Rocha
Imagem gerada pela IA do Gencraft – 30 de abril de 2026, às 09h21

Qual a sua percepção sobre o mundo à sua volta? Você é do tipo que sempre enxerga o ‘copo quase cheio’? Na verdade, ninguém é otimista o tempo todo, haja vista, os tempos difíceis que vivemos! Por um lado, os avanços da tecnologia que tornou a vida mais prática. O surgimento da potencialidade da IA nos assusta. Vivemos em uma era digital, porém de incertezas, quanto ao futuro da Inteligência Artificial. Às vezes tememos pelo que o homem, de posse desse ‘poder’, possa fazer…! (É um dos grandes desafios éticos que o ser humano terá que enfrentar).

Por outro lado, parece que ainda não saímos das cavernas. Os noticiários diariamente noticiam casos criminais que ultrapassam o horror: roubar, furtar, usurpar, torturar e matar, entre outros, tem se tornado casos rotineiros na sociedade. Parece que a vida perdeu totalmente o valor!

Nos perguntamos: onde está a sabedoria e inteligência humana, criadora dessa tão avançada tecnologia? Chegamos praticamente ao ápice tecnológico e estamos descendo ao ‘abismo da humanidade?!’ Não é possível que possamos aceitar esses crimes absurdos como normais. Não podemos mais viver em paz, assistindo a esse show de horrores, cotidianamente!

Não é porque é com o outro, pois um dia, infelizmente, pode bater à nossa porta. Precisamos urgentemente fazer uma análise da nossa percepção sobre o mundo em que estamos. Quebrar certos velhos paradigmas só é possível quando clareamos essa percepção e mudamos nossa forma de agir. A mudança começa em nosso mundo interior, para então, ganhar o ambiente exterior. O ambiente exterior é a família, a educação e os valores que passamos aos nossos filhos; os ambientes em que os jovens frequentam, a escola. A educação nas escolas não pode ser só ‘conteúdo’, precisa disciplinar, transmitir valores, como respeito, cuidado, empatia e amor ao outro!

A educação formal é apenas um ramo da formação de um cidadão. E penso que é para agora, urgentemente, desde os pequeninos, aos jovens, saindo do ensino médio. Muitos outros ramos devem ser acrescidos nessa ‘árvore da formação de um cidadão’: que seja mais humano, que olhe o outro com empatia, que internalize valores, como respeito, responsabilidade, amor à vida…, não somente à sua vida, mas a vida do outro, dos animais, da natureza em geral. Assim, talvez para um futuro a médio e longo prazo, consigamos quebrar esse ciclo venenoso de criminalidade que está tomando conta das sociedades, não só no Brasil, mas em sociedades pelo mundo.

Que não seja utopia, coexistir, uma sociedade que possa tirar proveito de todos os benefícios da tecnologia, ao mesmo tempo que vivencia relações humanas mais saudáveis e pacíficas!

Evani Rocha

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Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo: 'Relações humanas sinceras'

Diamantino Lourenço R. de Bártolo

Relações Humanas sinceras

A sinceridade entre interlocutores ajuda à compreensão e, sempre que necessário, à tomada de boas decisões, porque a mentira, a ambiguidade e a omissão, intencionais, para negar, confundir ou esconder, respetivamente, partes importantes do discurso, normalmente conduzem à desconfiança, ao descrédito e ao rompimento de relações e, também, quando existe, ao fim da própria amizade.

As relações humanas sinceras revelam o verdadeiro caráter de quem assim procede. Faltar à verdade é trair quem em nós acredita e nos ouve, é levar as pessoas a formular juízos de valor a propósito de quaisquer interesses, situações e outras pessoas que, assentes na mentira, são errados, injustos, imorais e eticamente condenáveis.

Faltar à verdade para salvar a própria vida, ou de algum ente querido, ou de um amigo especial, sem incriminar outras pessoas, poderá ser, moralmente, aceitável? Negar um facto para evitar que alguém seja condenado, quando tal episódio não prejudica ninguém, a não ser a própria pessoa, que até se prova ter sido involuntário, impensado, sem premeditação de dolo, poderá ser objeto de castigo? E num teatro de guerra, ou similar, mentir quanto à nacionalidade, religião e quaisquer convicções políticas, filosóficas ou outras, para salvar a vida e o bem-estar daqueles que dependem de nós, constituirá mentira, assim tão gravosa? E, finalmente, num simples jogo, afirmar-se que se possuem determinados elementos, (cartas importantes, estratégias e táticas, por exemplo) para levar o adversário, a cometer erros, e nós ganharmos a partida, tal mentira será condenável?

A omissão leva a não se dizer tudo quanto se sabe sobre um determinado assunto, às vezes até para salvar uma relação pessoal. Será como uma espécie de mensagem telegráfica: objetiva e, simultaneamente, evasiva quanto a pormenores, responde-se, exclusivamente, ao que nos é perguntado, sem se entrar em detalhes, porque de contrário, novas questões surgem, novas particularidades são pedidas e, poder-se-á chegar a determinada situação em que das duas uma: ou se diz toda a verdade, que até não convém; ou se entra pela mentira que, igualmente, virá a ser prejudicial na maior parte das situações de vida. A opção é difícil e cada pessoa é aquilo que as circunstâncias lhe pedem.

Excluídas, portanto, situações-limite, praticamente de vida ou de morte, determinados tipos de jogos, não esquecer que o negócio, por vezes, também é um jogo, todavia, depois de fechado, não será correto reabri-lo com argumentos falsos e diversas conjunturas onde a omissão é utilizada, nada justificando a mentira e, como diz a sabedoria popular: “A mentira tem a perna curta” ou seja: mais tarde ou mais cedo, ela é descoberta como tal.

Hoje, praticamente, não se fecham negócios com um simples e vigoroso aperto de mão; hoje, nem o documento escrito é respeitado quando outros interesses, por vezes mesquinhos, se levantam; hoje, o que juramos sob palavra de honra, pela própria saúde e até dos entes mais queridos, pela felicidade, por Deus, amanhã poderá ser negado, na medida em que se ontem havia uma verdade, rapidamente ela poderá ser substituída pela mais descarada e abjeta mentira.

O comportamento humano nestes novos tempos, assumido por muito “boa gente” parece cada vez mais volátil, é o rumo que, para certas pessoas, parece produzir os melhores resultados. Então a mentira utilizada neste tipo de “navegação à vista”, de vidas efémeras, certamente que conduzirá à desconfiança, às desavenças, ao conflito cego e fatal, enfim, ao “naufrágio”.

Nas nossas relações humanas diárias, em quaisquer contextos civilizados e humanamente credíveis, deve-se utilizar sempre a verdade, com abertura de espírito, para melhor podermos dialogar com lealdade e, por que não, com amizade? A, verdade, normalmente, é sempre a mesma, não tem alternativa, deve ser utilizada por quem se quer bem, por quem revela consideração e estima por outra pessoa, por quem deseja viver em harmonia consigo e com os seus semelhantes, com felicidade.

A lealdade nas relações humanas, a partilha de alegrias e tristezas, sucessos e fracassos, desejos e projetos, é um valor que cimenta a amizade para toda a vida, que abre um “cantinho no coração”, para nele acolhermos quem nos fala verdade, só que às vezes deixamo-nos iludir, corromper por quem nos quer impressionar com uma qualquer aparência, ou posições sociais elevadas, por “lobos vestidos de cordeiros” e somos levados a rejeitar quem sempre nos falou verdade, porque esta lealdade nas relações humanas, para muita gente, é bem difícil, nada conveniente e, por isso mesmo, desvalorizada, ridicularizada, nomeadamente por quem tem objetivos de uma qualquer conquista.

 

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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