O sol desperta em manso tom de alegria, Beija a terra em doce encanto que irradia; O orvalho sobe, e a névoa, vaga, se esvazia, Enquanto a vida abre as portas do seu dia.
Nasce o abraço em lume puro e verdadeiro, Risos bordando o ar num brilho alvissareiro; Corações pulsam juntos, num só candeeiro, Sagrado o tempo de amar no mundo inteiro.
A luz derrama sua dança abençoada, Folhas cintilam pela trilha iluminada, E os pássaros cantam na manhã dourada.
O céu se abre num gesto amplo e divino, Sopro de Deus embala o sonho peregrino; E a alma floresce ao teu calor, destino.
Nas manhãs em que o Sol nascia a brilhar, Hoje resta só pó e pranto a ocultar; O vento chora uma fria melodia, Cantando o fim de uma era de poesia.
As flores tornaram-se em tom de cinza, Os risos, ecos de uma lembrança que finda; O homem, na própria ruína erguida, Fez do mundo um teatro de partida.
Mães perderam os doces abraços, Crianças, o amanhã e todos os laços; E o céu, coberto de frios estilhaços, Ignora os dias claros e os antigos mares de rosas.
Que glória brota da devastação, Se o preço pago é sangue e nação? Nenhum hino cura a perdição Da paz que o medo levou do coração.
Mas entre ruínas renasce a vida, Semente lançada em terra ferida; Pois, mesmo após a dor consumida, O amor persiste razão retida.