Mulheres de São Paulo

Ella Dominici

‘Mulheres de São Paulo – Incandescentes e Femininas’

Ella Dominici
Ella Dominici
Imagem criada por IA da Meta
Imagem criada por IA da Meta

Elas — são fogo que anda nas ruas, com passos que o caos insinua.
Têm lava nas veias, vertente acesa, derretem o medo com delicadeza.

Elas são vulcões silenciosos, ferros e flores, ritos e gozos.
Do concreto fazem chão fértil, do pranto — um hino desperto e sutil.

No aço da pressa, germinam ternura, carregam nos ombros a própria estrutura.
São brasa e perfume, são dor e canção, fermentam o mundo em seu coração.

Quando o sistema as tenta conter, elas respondem com o poder
de jorrar incandescência pura, fertilizando o que o tempo cura.

Elas são o grito contido da terra, o verso que rompe a guerra.
São gestação do amanhã, poesia em corpo de afã.

Mulheres de São Paulo — brasas, na labareda que abraça as casas.
Lavam o caos com seu brilho maduro, e fazem do fogo — o fértil futuro.

Ella Domnici

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Fragmentos parasitoides

Nilza Murakawa: Poema ‘Fragmentos parasitoides’

Nilza Murakawa
Nilza Murakawa
Imagem criada por IA do Bing – 25 de janeiro de 2025,
às 7:37 PM 

Em lustres de cristais
Cirandam urubus e um negro corvo
Mastigam sempre qualquer estorvo
Engolem pedras brutas
E vomitam pobres mortais

Esguias garças
Pernas nuas
Eretos dorsos
Com etiquetas até o pescoço
Desfilam pelas ruas
Com suas bolsas escassas
À procura de tubarões e bons moços

Impassíveis predadores
Exibem as peles esticadas de suas caças
Cultuam alguns selecionados deuses
Silenciam tambores
Em plena praça
Sequer ouvem o choro
Em ocos troncos
Do animal morto
E já lhes assopram a fumaça

A céu aberto, as mariposas
Costuram o ar e, então, pousam
Limpam seus homens
Recortam-lhes os bolsos
Salgam-nos as entranhas
Devoram-nos com calma
Chupando-os até a alma

Sem constrangimento
Raposas oportunistas
Invadem marsúpios quentes
Fazem de tetas alheias
Seu próprio alimento

Grandes holofotes
Aquecem marmitas para abutres
Troféus, farelos e migalhas
Almas, ossos e medalhas
Cardápio que agrada estes tais ‘ilustres’

Uma senhorinha apressada
Com um franjado xale preto
Sapatos bem limpos, vestido discreto
Lenço na mão que ela mesma bordou
Corre atrás do seu guarda-chuva
Que o vento lhe roubou

Nilza Murakawa

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“Vândalo é o Sistema”

Sergio Diniz da Costa: “Vândalo é o Sistema”

Sergio Diniz
Sergio Diniz
Vândalo é o sistema
Vândalo é o Sistema
Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer

Mais um dia amanhece, ensolarado, e cá estou eu, acompanhado por meu cãozinho (Tobby), no nosso passeio diário.

         E hoje, em vez dos parques da cidade, as ruas do meu bairro.

         Passando por um muro, uma pichação me chama a atenção. No lugar de apenas os costumeiros símbolos ininteligíveis para as pessoas em geral, ao lado destes, a frase: “Vândalo é o Sistema”.

         Continuo a minha caminhada, arrancado bruscamente que fui pelo impaciente peludinho, premido por suas necessidades fisiológicas. Mas a frase segue comigo, produzindo comichões filosóficas.

         “Vândalo é o Sistema”. A frase ficou martelando na minha cabeça, certamente à espera de uma conclusão, concordando com ela ou a rejeitando.

         Num primeiro momento a rejeitei, porque, afinal de contas, a pichação, sim, é um ato de vandalismo, uma vez que o seu autor ─ geralmente, mais de um ─ não pede permissão ao proprietário dos imóveis ou dos bens públicos para tal manifestação; manifestação essa, aliás, muitas vezes insultuosa ou tão somente utilizada como forma de demarcação de territórios entre grupos ─ às vezes gangues rivais.

         Realizada à noite e em locais proibidos e, basicamente, com uma única cor, apresenta um visual desagradável, não apresentando algum valor artístico ou mesmo mensagens que gerem qualquer reflexão útil.

         Trata-se, portanto, de uma prática ilegal, considerada vandalismo, nos termos do artigo 65 da Lei 9.605/98, que trata dos Crimes Ambientais.

         Curiosamente, porém, a prática da pichação é encontrada desde a Antiguidade. A erupção do vulcão Vesúvio preservou inscritos nos muros da cidade de Pompeia, que continham desde xingamentos até propaganda política e poesias. Na Idade Média, padres pichavam os muros de conventos rivais no intuito de expor sua ideologia, criticar doutrinas contrárias às suas ou mesmo difamar governantes.*

         Visto sob este ângulo, definitivamente rejeitei a frase do muro.

         Todavia, semelhante à Serpente do Paraíso, ela continuou me instigando a comer e digerir o fruto dos meus conhecimentos, conceitos e até mesmo dos meus preconceitos.

         O ‘Sistema’ que, dentre inúmeras acepções, é definido como a qualidade econômica, moral, política de uma sociedade que condiciona, integra e/ou aliena um indivíduo.

         Neste momento, senti uma vontade irresistível de conhecer o autor da pichação, agora não mais vista como rabiscos grotescos, porém, como um grito silencioso de um grupo ou de uma voz solitária clamando, talvez, por ética, solidariedade, paz e justiça social. E aquele muro era tão somente uma grande folha de papel em branco, onde esse apelo haveria de alcançar olhos míopes e mentes entorpecidas pelo Poder.

         Este lampejo reflexivo ensombreceu meu passeio, mas, certamente, não o do meu cãozinho que, naquele instante, se detinha, curioso, fascinado diante de uma belíssima borboleta.

         Também me detive para apreciar aquele inseto, delicadamente colorido. E não pude deixar de comparar esta visão à do muro. Esta, para a admiração de um ser irracional. Aquela, provavelmente, para a inércia de um ser humano.

Sergio Diniz da Costa

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Memória

Evani Rocha: Poema ‘Memória’

Evani Rocha
Evani Rocha
Castelo da Pena e Palácios Mouros – Sintra, Portugal
Foto por Evani Rocha

Já decorei tua arquitetura,

Tuas ruelas de pedras,

As fachadas coloridas

Disfarçadas de arco-íris.

Já pisei tuas calçadas,

Bebi tuas águas,

Tua fala, teu olhar,

Milimetrei tuas ruas.

Já conheço esse teu jeito

De apaixonar,

De tirar a paz,

Remexer por dentro.

Já colhi todas as flores

De setembro

E ainda espero

Os últimos botões

Fora de tempo…

Não me prendo mais às tuas

Camas, frias, vazias

E brancas como a neve.

Já fui embora de ti

E retornei todas as vezes

Que tentei transcrever tua poesia.

Evani Rocha

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Série 'Como eu sou e como eu era': Posto de gasolina da Quintino, em Itapetininga/SP

Série Como Eu Sou, Como Eu Era, Como Serei?

 

 

Reiniciando a série ‘Como eu sou e como eu era’ do nosso jornal,  duas  fotos de Geraldo Toledo (na foto com sua esposa Joana) publicadas por ele no Facebook, mostram como era em 1993 a esquina das ruas Barbosa Franco e Quintino Bocaiuva, no centro de Itapetininga e como ela é hoje.

 

Em 1993, na esquina das ruas Barbosa Franco a Quintino Bocaiuva, no centro de Itapetininga havia a Mercearia São Pedro…

 

…hoje, em 2019, tem o Posto São Francisco.