Horizonte humano
Taghrid Bou Merhi: Prosa poética ‘Horizonte humano’


Neste mês que abre suas janelas para a memória da mulher, o tempo faz uma breve pausa para escutar um antigo pulsar que habita o coração da história.
A mulher caminha pelas estradas da vida carregando o segredo dos começos, como se fosse a nascente onde se formam as primeiras narrativas da existência.
De seus passos crescem os significados, e de sua paciência os dias aprendem a ouvir a voz da justiça.
A mulher é a memória da terra quando narra seu cansaço, e a voz da alma quando busca um sentido mais profundo para a vida.
Em sua presença a linguagem se renova, e a ideia se amplia até tornar-se humana o suficiente para abraçar o mundo.
Quando escreve sua experiência nas páginas do tempo, desenham-se os contornos de um futuro mais caloroso.
Quantos sonhos nasceram no coração de uma mulher antes de encontrar o caminho da luz.
Quantas ideias atravessaram seu silêncio até transformarem-se em passos rumo à liberdade.
Ela é o ser que aprende com a dor a sabedoria do caminho e transforma a espera em energia de vida.
No seu dia internacional, as vozes das mulheres encontram-se como asas de luz atravessando os continentes.
Cada voz carrega uma história, e cada história abre uma janela para o significado da dignidade humana.
Desse encontro nasce uma nova linguagem que o coração compreende antes que as palavras a traduzam.
A mulher não é apenas um motivo passageiro de celebração no calendário dos dias.
Ela é uma presença profunda no tecido da civilização e um ritmo oculto que acompanha o crescimento da consciência humana.
Onde quer que esteja, nasce a possibilidade de mudança e desperta no ser humano um sentimento mais puro de justiça.
Por isso este dia surge como um espelho onde o mundo contempla seu rosto humano.
Nele percebe que a dignidade cresce quando o espaço para o sonho e o conhecimento se amplia.
E a mulher vê em seu reflexo um caminho que continua a estender-se em direção a um horizonte mais luminoso.
Assim a luz continua sua viagem através do tempo,
carregada pelo coração de uma mulher que acredita que a vida pode tornar-se mais compassiva.