O escrever

Milton Gaspar Domingos:
Uma jornada sobre como a arte e o conhecimento transformam o vazio em liberdade e dão voz ao silêncio da alma

Um jovem com cabelo escuro encaracolado e sardas está sentado a uma secretária de madeira, profundamente concentrado a pintar num caderno de esboços. A luz do sol entra por uma janela à direita, iluminando o espaço com uma luz quente e acolhedora. Ele está a pintar uma borboleta com um forte contraste: a asa esquerda é feita de traços pretos e caóticos a carvão ou lápis, enquanto a asa direita é vibrante, pintada com aguarelas e funde-se com flores coloridas. Uma linha que se assemelha a um batimento cardíaco atravessa a parte inferior do desenho. A mesa à sua volta está repleta de materiais de arte, incluindo uma paleta de aguarelas suja de tinta, copos com pincéis, aparas de lápis e vários papéis soltos com esboços geométricos e formas.
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Mais do que pintar o caderno é,
é ver o mundo como ninguém vê
é dar vida, também realidade
ao desejo, e à necessidade

Sim, é aprender no divertimento
Exteriorizar o pensamento
é criar do nada, sim, do vazio
Atender o espírito que em mim crio

É libertar-se, sim, da ignorância
luz ter, livrar-se da inconsciência
É transformar os feios em bonitos

sentir no coração o batimento
É do mudismo não permanecer,
do grito silencioso viver.

Milton Gaspar Domingos

Milton Gaspar Domingos

Milton Gaspar Domingos (Decano), natural da província de Malanje (Angola) e residente no município do Quéssua, é professor de Língua Portuguesa e de Literatura), no Liceu nº 314 – 4 de Janeiro.

Mestrando em Educação pela Universidade Europeia do Atlântico (UNEATLÂNTICO) e Licenciado em Língua e Literaturas em Língua Portuguesa pela Faculdade de Humanidades da Universidade António Agostinho Neto (FHUAN).

Autor de artigos disponíveis na internet e investigador na área de Língua, Literatura.

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A arte de palavrear

Pietro Costa
Uma jornada existencial sobre fazer da dor uma ponte, enfrentar os monstros íntimos e imergir no chão do ser para encontrar o sentido mais profundo da vida

Pietro Costa
Pietro Costa
Card do poema A arte de palavrear, de Pitro Costa

Pietro Costa

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Essência da poesia

Ella Dominici
Essência da poesia: um mergulho profundo na alma, nos fados e no tripé sagrado que equilibra o desejo, a opinião e a fé no fulgor do instante

Ella Dominici
Ella Dominici
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Tem nos olhos a febre das manhãs que não dormem,
um lume de marés que se escrevem em sargaços.
A palavra lhe nasce em sístoles de vento,
tecendo silêncios de um tempo sem nome.

Seus passos são traços no ventre da areia,
onde a escrita se esquece, mas nunca se apaga.
Carrega no peito o sal das perguntas,
nas mãos, a tinta que verte do abismo.

Ela vê o que o mundo não ousa dizer,
sente as raízes do verbo ainda cru.
O papel lhe responde em sombras e brisas,
no alfabeto de águas que dança sem rima.

Não busca verdades, colhe o que arde,
colhe a incerteza, a fresta, o presságio.
Ser poeta é saber-se eterna passagem,
caminho de Sol, de sombras e fados.

No fulgor das histórias que inventa, se inventa.
No lume da língua, seu corpo persiste.
No cristal do instante, inscreve seu nome,
feito estrela que, ao morrer, ainda brilha.

O que a define, seu tripé que se equilibra
na beira do tempo, desejo, opinião e fé
O corpo se inquieta, a alma silencia,
a mente divaga, o espírito vigia.
E quando tudo vacila, sustenta a vida,
Poeta em poesia!

Ella Dominici

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De los tiempos oscuros

Marta Oliveri: Poema ‘De los tiempos oscuros’

Marta Oliveri
Marta Oliveri
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Por qué habremos de sufrir
el infierno en escenario edénico,
qué hace al hombre presa de tal duelo
que se erige de ácidos fantasmas
sobre la dulce piedad de las estrellas

Qué decide que el uno,corazón,
templo erigido por los cuarto cimientos
de las cuatro estaciones
tienda un pálpito de hielo hacia su centro
y una garra hacia la piel inerme
de su prójimo

¿No alcanzó la cruz,
el Gólgota
el madero infinito
el grito del poeta
la parábola diáfana del agua
el bautismo
la verja en azul del finito mirar
la suave nervadura del árbol junto al nido.

¿No fue suficiente
la emoción del nacimiento
la inocencia original
que nos dio cuna?

¿Cuanta muerte es la muerte
inocente y salvaje
para que el miedo
en círculos dantescos
logre erigir un calendario eterno?

¿Cuanto puede sufrir una criatura
hasta donde resiste
la tierra anochecida?.
Qué pan daremos
hacia el fin del trigo
qué leche en pechos muertos,
qué hermandad en cadáveres?

Veo la lumbre
el susurro abismal de este temblor
que sólo se atreve en pesadilla
intima voz rezando una plegaria
a qué dios si no nace la cuna
urdida con las manos mortales
de los hombres

quién podrá darlo a luz
si la tierra marchita
su vientre en la penumbra
de los tiempos oscuros.

Con qué aurora pincelar el paraíso.

Marta Oliveri

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Un ave llegó y dijo

Adriana Rodríguez: Poema ‘Un ave llegó y dijo’

Adriana Rodríguez
Adriana Rodríguez
Imagem criada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/6a208153-ada8-83e9-a7e2-90395d11466b

Un ave sorprendió a un hombre
al acercarse a escuchar su voz
el suave canto de sus cuerdas
y el sonido de su interior
un ave llegó posando sobre sus patas su cuerpo
un abrazo de sentimientos
desplegaron sus alas al vuelo y regresó
contaba de las mareas,
que visten los grandes mares
de los grandes cielos
que surcan los océanos
de sus alas níveas
que guardan el horizonte en su vuelo
una silueta en el universo
de un par de ojos café

Adriana Rodríguez

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Sentimento

José Antonio Torres: Poema ‘Sentimento’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
Imagem criada por IA do Bing – 24 de março de 2025,
às 07:42 PM

O sentimento não se explica, sente-se.
Quanto mais nos doamos, mais o sentimos.
É uma sensação de intensa felicidade,
Inigualável sob todos os aspectos. 

O sentimento é ternura, carinho, cuidado.
No ápice do seu significado, o amor.
Ele é a forma mais expressiva da evolução humana.
Elo sublime de conexão com o divino.

O sentimento é o aprimoramento das percepções.
É resultado do constante lapidar das imperfeições;
É a interação de almas que se buscam
E vêm realizar o encontro marcado no etéreo.

O sentimento não tem forma, odor ou som.
Mas em todas essas coisas podemos encontrá-lo,
Pois ele é a conjugação dos outros sentimentos.
Ele não é único, ele é múltiplo.

O sentimento está no olhar, no falar, no calar.
Em cada instante ele estará presente.
A forma de percepção da sua presença
Dependerá do momento poético que vivemos.

José Antonio Torres

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Preso ao vazio

José Antonio Torres:

‘Estou preso ao vazio de mim mesmo’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
Estou preso ao vazio de mim mesmo
Estou preso ao vazio de mim mesmo
Imagem criada pela IA do Bing

Me sinto prostrado,
Incapaz de reagir a esse sentimento que teima em me torturar.
Minha mente foge para bem longe,
Mas meu coração se recusa a desistir e grita teu nome.
Loucos pensamentos e deliciosas sensações habitam meu ser
E convulsionam ao rumaram para ti.
Não pensei que fosse possível existir algo tão forte, intenso e conflitante.
As amarras desse amor que me prendem e oprimem,
São elos inquebrantáveis…
Quanto mais resisto e tento me afastar,
Mais preso me sinto.
O que me faz sofrer,
É a certeza de que esses elos não me prendem a ti.
Estou preso ao vazio de mim mesmo.

José Antonio Torres

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