O tempo é cruel Deus é soberano Me perdoe, pai Por nunca ter dito eu o amo
Eu queria que você tivesse visto O homem que me tornei. Talvez eu nunca possa saber, Mas acho que você teria orgulho de mim.
Eu queria ter jogado futebol com você. Já adulto, vi tantos pais jogando com seus filhos E, em silêncio, imaginava que éramos nós dois, Enquanto escondia a emoção para ninguém perceber.
Hoje entendo que nunca foi sobre o jogo. Era apenas um filho, mesmo depois de adulto, Desejando ter vivido com o pai Um momento que nunca aconteceu.
Eu evitava lhe contar meus problemas, Talvez para não lhe dar mais um para carregar. Mas bastava deixar alguma coisa nas entrelinhas E você percebia o que eu tentava esconder.
Às vezes, meses depois, o telefone tocava. Você ainda estava pensando naquilo que eu havia deixado escapar. Sempre aparecia com alguma solução. É um traço seu que hoje reconheço em mim. Talvez essa fosse a sua maneira de dizer que me amava.
Nas sextas-feiras, muitas vezes falei de você. Contei aos meus alunos sobre os seus erros, Não para que pensassem menos de você, Mas para que não precisassem cometer os mesmos erros.
Falei de um homem bom, de coração bom, Que algumas vezes tomou decisões ruins. E cada vez que sua história ensinou alguém, Eu tive a certeza de que honrei a sua memória.
Demorei muitos anos para entender Que algumas coisas não precisam ser ditas para serem verdade. Talvez tenha faltado um “eu o amo” entre nós, Mas nunca faltou amor.
Hoje encontro você em algumas partes de mim, Em gestos que repito sem perceber, Na vontade de cuidar de quem está ao meu lado, Nos exageros que também herdei de você, E até nessa mania de querer encontrar uma solução para tudo.
Mas se o tempo foi cruel, O amor não terminou no adeus O que eu não pude dizer em vida, Hoje entrego nas mãos de Deus.
E se existe um lugar Onde o amor alcança quem partiu, Que você saiba, pai Seu filho sempre o amou.
Uma homenagem a Clovis Cesar Machado de Araujo Sobrinho.
Escuto tua voz no eco do silêncio aprisionado para respirardes tudo.
Abri uma janela no céu que se debruça sobre o teto do teu coração. Batemos os sinos do campanário em uma cidade antiga que ninguém mais conhece.
Fico à espera, com cerejas nos lábios e morangos no pescoço. É longo o rio da tua chegada, e a distância se torna insuportável para a luxuriosa rosa ardente enquanto se afoga no oceano das palavras imersas no mel de acácia.
A língua engole a última gota melosa e se cala porque todo o amor já está escrito. Ressoa no silêncio a voz costurada de segredo que rola no abismo onde havia terminado e é resgatada com o coração nas mãos.
mente apaixonada… Como se anseia, por momentos, aqueles amores que não se puderam nem tocar. Quem reparara um coração partido quando o espelho da realidade o reflete? A dúvida é: será uma lembrança própria ou compartilhada? E se for do meu coração apenas… como se cura?, como se remenda um coração que anseia um oásis, talvez da imaginação ou de vazios emocionais? Mas, e se for mútuo? Eis a grande dúvida: dois corações batendo num passado perdido na história do cosmo. Beijos dados com a alma sem roçar lábios. Carícias dadas com amor sem sentir um corpo. E uma dor, além do compreensível, que nos faz suspirar e com um lenço descartável secar a pele. Onde andarás, amor do meu ontem? Onde eu só me apaixonei e conto a nossa história.