A pessoa certa – Poema de Adriana Rodríguez

Versos profundos e melancólicos sobre a beleza dolorosa do amor perfeito vivido em uma vida equivocada

Adriana Rodríguez
Adriana Rodríguez
https://gemini.google.com/app/6df0d0b56f537d99?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all

A ti
que caminhaste distante
sempre a um rio de minha mão, num instante,
a uma vida de mim.

A ti
que ainda estás em minhas ausências,
que ainda vives de inclemências,
que ainda pregas a liberdade.

A ti
que agora bailas sobre o esquecimento,
apertando forte o fio do momento
com uma mão que hoje sangra.

A ti
que sempre foste o indicado
de um tempo arrependido,
de uma história sem sentido,
num tempo que não avança.

A ti
que amei talvez demais,
sempre foste o amor perfeito
numa vida equivocada.

A ti
onde o amor foi profundo e sincero,
onde o brilho cegou qualquer reflexo,
onde nasceste para ser eterno,
ainda que seja pelo meu momento.

Adriana Rodríguez

Voltar

Facebook




O amor não terminou no adeus

Em versos profundamente comoventes, o poeta Guilherme Machado canta a saudade, a herança dos gestos e o amor eterno que transcende a partida de um pai

Guilherme Cesar Machado de Araújo
Guilherme Machado
https://gemini.google.com/app/a7dc194a12855ba0?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all

O tempo é cruel
Deus é soberano
Me perdoe, pai
Por nunca ter dito eu o amo

Eu queria que você tivesse visto
O homem que me tornei.
Talvez eu nunca possa saber,
Mas acho que você teria orgulho de mim.

Eu queria ter jogado futebol com você.
Já adulto, vi tantos pais jogando com seus filhos
E, em silêncio, imaginava que éramos nós dois,
Enquanto escondia a emoção para ninguém perceber.

Hoje entendo que nunca foi sobre o jogo.
Era apenas um filho, mesmo depois de adulto,
Desejando ter vivido com o pai
Um momento que nunca aconteceu.

Eu evitava lhe contar meus problemas,
Talvez para não lhe dar mais um para carregar.
Mas bastava deixar alguma coisa nas entrelinhas
E você percebia o que eu tentava esconder.

Às vezes, meses depois, o telefone tocava.
Você ainda estava pensando naquilo que eu havia deixado escapar.
Sempre aparecia com alguma solução.
É um traço seu que hoje reconheço em mim.
Talvez essa fosse a sua maneira de dizer que me amava.

Nas sextas-feiras, muitas vezes falei de você.
Contei aos meus alunos sobre os seus erros,
Não para que pensassem menos de você,
Mas para que não precisassem cometer os mesmos erros.

Falei de um homem bom, de coração bom,
Que algumas vezes tomou decisões ruins.
E cada vez que sua história ensinou alguém,
Eu tive a certeza de que honrei a sua memória.

Demorei muitos anos para entender
Que algumas coisas não precisam ser ditas para serem verdade.
Talvez tenha faltado um “eu o amo” entre nós,
Mas nunca faltou amor.

Hoje encontro você em algumas partes de mim,
Em gestos que repito sem perceber,
Na vontade de cuidar de quem está ao meu lado,
Nos exageros que também herdei de você,
E até nessa mania de querer encontrar uma solução para tudo.

Mas se o tempo foi cruel,
O amor não terminou no adeus
O que eu não pude dizer em vida,
Hoje entrego nas mãos de Deus.

E se existe um lugar
Onde o amor alcança quem partiu,
Que você saiba, pai
Seu filho sempre o amou.

Uma homenagem a Clovis Cesar Machado de Araujo Sobrinho.

Guilherme Machado

Voltar

Facebook




Eu poderia ter escolhido o mar

Evani Rocha:
Entre o azul do mar e o azul de um olhar, uma escolha que mudou tudo

Evani Rocha
Evani Rocha
https://chatgpt.com/c/6ab3dbf1-387c-83e9-9d00-dac913d48186

Eu poderia ter escolhido o mar

Mas preferi seu olhar

Nem as ondas espumantes

Ou os corais

Mas esse silêncio, que extravasa de sua boca

E se derrama pelas praias

A sensatez disfarçada de loucura

E os passos marcando a areia branca

Eu poderia mergulhar naquele azul profundo

Das águas

Mas escolhi o azul raso de seus olhos

As promessas rabiscadas num guardanapo

E o codinome que se revelou a mim

Preteri a brisa fresca de outono

À meiguice posta sobre a mesa do jantar

Ao canteiro de girassóis na calçada

Ah! Eu poderia ter escolhido o voo

Das gaivotas sobre as marés

Ou as nuvens de algodão se espalhando no céu!

Mas fui escolhida por essa paz,

Que nada diz em palavras,

Mas diz tudo,

Num jeito único de se dar!

Evani Rocha

Voltar

Facebook




Não fales

Elisa Mascia:
Poema onde o silêncio fala a linguagem secreta do amor

Elisa Mascia
Elisa Mascia
https://gemini.google.com/app/71f4e1f6d7a5d3f9?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all

Escuto tua voz no eco do silêncio aprisionado para respirardes tudo.

Abri uma janela no céu que se debruça sobre o teto do teu coração.
Batemos os sinos do campanário em uma cidade antiga que ninguém mais conhece.

Fico à espera, com cerejas nos lábios e morangos no pescoço.
É longo o rio da tua chegada, e a distância se torna insuportável para a luxuriosa rosa ardente enquanto se afoga no oceano das palavras imersas no mel de acácia.

A língua engole a última gota melosa e se cala porque todo o amor já está escrito.
Ressoa no silêncio a voz costurada de segredo que rola no abismo onde havia terminado e é resgatada com o coração nas mãos.

Elisa Mascia

Voltar

Facebook




Humana e previsível

Em ‘Humana e previsível’, Evani Rocha proporciona ao leitor um mergulho sensível nos meandros da alma que busca decifrar a vida de um jeito único!

Evani Rocha
Evani Rocha
https://chatgpt.com/c/6aa00001-05ec-83e9-be0b-3f95194a55f0

Eu queria escrever uma poesia única,

Lavar minhas veias com as palavras que brotam de minha alma

Eu queria entender a vida,

Escrever minha história em pergaminho,

Desbravar os caminhos dos sentimentos…

Eu queria uma aurora colorida, ou silenciosamente chuvosa…

Eu queria uma noite de inverno dentro de mim,

Pra ouvir meus pensamentos,

Decifrar a vida de um jeito loucamente meu!

Sem ponto e vírgula ou reticências.

Eu queria ver o tempo do avesso no reverso do espelho,

Trilhar os meandros desse trem, os vales

E as montanhas!

Colher flores do campo na primavera

E folhas secas no outono…

Eu queria ser breve nas minhas narrativas,

Não me exigir explicações, dizer sempre não de um jeito sutil!

Eu queria…eu queria….

Mas sou indecifravelmente humana e previsível!

Evani Rocha

Voltar




Lembranças

Laskiaf Amortegui: Poema ‘Lembranças’

Laskiaf Amortegui
Laskiaf Amortegui
https://gemini.google.com/app/de971e98591ac930?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all

​mente apaixonada…
​Como se anseia, por momentos,
aqueles amores que não se puderam nem tocar.
Quem reparara um coração partido
quando o espelho da realidade o reflete?
​A dúvida é: será uma lembrança própria ou compartilhada?
E se for do meu coração apenas…
como se cura?, como se remenda
um coração que anseia um oásis, talvez da imaginação ou de vazios emocionais?
​Mas, e se for mútuo?
Eis a grande dúvida:
dois corações batendo num passado perdido na história do cosmo.
Beijos dados com a alma sem roçar lábios.
Carícias dadas com amor sem sentir um corpo.
E uma dor, além do compreensível, que nos faz suspirar
e com um lenço descartável secar a pele.
​Onde andarás, amor do meu ontem?
Onde eu só me apaixonei e conto a nossa história.
​

Laskiaf Amortegui

Voltar

Facebook




Possibilidades

Ella Dominici: Poema ‘Possibilidades’

Ella Dominici
Ella Dominici
https://chatgpt.com/s/m_6a7f362b37248191904a362613d5d614

Em fragmentos de mim eu conto
decepções rasgos despedidas
peças de encaixe perdidas desmonto

entremeio de rendas, vazados deixados
tempo as ruiu abrindo frestas
entre realidades e sonhos

desejos em contestações
estrelas apagadas de íntimas
constelações

atenuando a destruição de prazeres
não da carne nem dos pensares
mas do humano ímpeto de vida

com bálsamo para as perdas
jardim de jasmim com pragas
escolho mudar grãos desatentos

as fendas foram oportunidades
ao olhar em fértil amadurecimento
à vislumbrar miragens e paisagens

fé latente que se fortalece
esquece vultos determina vida
transcende mágoas desistências

não desfalece faz-se resiliência
natureza é voz de Deus audível
vista no vicejar das estações

frio se reveza em frutos calores flores
e o improvável crendo é possível
retomar sem angústia ou pressa

com liberdade dos passos descalços
num deleite em paz de pássaros
que abrange o inteiro no voejar
não deixa que a vida pela metade seja

Ella Dominici

Voltar

Facebook