Entre asas, silêncios e o fôlego de vida

SAÚDE INTEGRAL

Joelson Mora

‘Entre asas, silêncios e o fôlego de vida’

Joelson Mora
Joelson Mora
Imagem criada por IA do Bing - 02 de fevereiro de 2026, as 13:oo PM
Imagem criada por IA do Bing – 02 de fevereiro de 2026, às 13:oo PM

Há encontros que não pedem palavras. Apenas presença.

Na imagem, um homem estende a mão e uma ave repousa sobre ela. Não há jaula entre os dois naquele instante. Não há medo. Há confiança. Há troca. Há vida.

Mas, acima de tudo, há algo invisível unindo os dois:

o fôlego de vida.

O mesmo ar que entra nos pulmões do homem sustenta o bater das asas da ave. O mesmo sopro que mantém o coração humano pulsando é o que anima cada célula daquele pequeno ser. Não existem dois fôlegos, existe um só fluxo de vida compartilhado.

A natureza não grita, ela sussurra.

E só escuta quem desacelera o corpo, silencia a mente e permite que a alma volte a respirar.

O fôlego de vida como medicina esquecida

Vivemos numa era em que:

  • o corpo corre,
  • a mente acelera,
  • e a alma quase não respira.

Respiramos, mas não sentimos.

Inspiramos, mas não estamos presentes.

Na saúde integral, o fôlego de vida é a ponte entre corpo, mente e espírito. É ele que:

  • regula o sistema nervoso,
  • equilibra emoções,
  • oxigena pensamentos,
  • sustenta a espiritualidade no corpo físico.

Respirar é o primeiro ato ao nascer.

E será o último ao partir.

Entre esses dois momentos, toda a nossa história é escrita entre uma inspiração e outra.

Espiritualidade é consciência do sopro

Espiritualidade não é fuga.

É retorno.

Retorno ao corpo.

Retorno ao agora.

Retorno à percepção de que não somos separados da criação, somos extensão dela.

Quando tocamos um animal com respeito, quando sentimos o vento no rosto, quando fechamos os olhos e respiramos fundo, estamos participando de um ritual sagrado que acontece desde o princípio dos tempos:

o ritual de estar vivo.

Naquele instante da imagem, não é só uma ave sobre uma mão.

É o espírito lembrando ao homem:

“Você também é natureza.”

O corpo como templo do fôlego

Saúde integral é entender que:

  • o corpo é o templo do fôlego,
  • a mente é o campo de direção,
  • e a alma é o sentido do caminho.

Cuidar da saúde não é apenas fortalecer músculos.

É aprender a respirar com presença.

Não é apenas viver mais anos.

É viver mais inteiro em cada respiração.

Talvez o mundo não precise de mais técnicas…

Talvez precise de mais pausas.

Mais silêncio.

Mais gente sentindo o próprio fôlego.

Porque enquanto há fôlego, há possibilidade.

Enquanto há respiração, há recomeço.

E enquanto há consciência do sopro, há espiritualidade viva.

O fôlego de vida é gratuito.

Mas viver com consciência é uma escolha.

Joelson Mora

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Apagar-se é o preço de existir

Ella Dominici: ‘Apagar-se é o preço de existir’

Ella Dominici
Ella Dominici
Imagem criada por IA no Bing - 20 de março de 2025, às 07;30 PM
Imagem criada por IA no Bing – 20 de março de 2025,
às 07;30 PM

O vazio chegou primeiro.
Antes do nome, antes da pele, antes do rosto
que me ensinaram a chamar de meu.
Fui menos que um nada,
um quase-ser esperando a sorte do verbo.

Apaguei-me para caber no mundo.
Deixei pegadas que não segui,
vendi silêncios para comprar presença.
E ainda assim, o resto de mim ficou
insistindo em existir no que me faltava.

Houve um tempo em que fui todos,
um eco na multidão dos que não sabem que são.
E então, o traço. O risco. A marca.
Era eu.
Não um nome, não um número,
mas um corte no papel do tempo.

Deixei o coro dos rostos repetidos.
O coletivo me olhou como se eu traísse
o pacto dos que preferem ser sombra.
Mas a sombra não tem peso,
não tem voz,
não tem gravidade para sustentar-se.

E eu queria ser corpo,
queria ser coisa que não se apaga.
Queria ser o avesso da ausência,
o nome que me veste sem caber em mais ninguém.

APAGAR-SE É O PREÇO DE EXISTIR

Ella Dominici

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Gotas no Atlântico

Paulo Siuves: Poema ‘Gotas no Atlântico’

Paulo Siuves
Paulo Siuves
Imagem criada por IA no Bing - 1º de março de 2025, 
às 18:26 PM
Imagem criada por IA no Bing – 1º de março de 2025,
às 18:26 PM

Nasce mulher, alma ao vento,
Carrega o peso do tormento.
Promessas de igualdade, dança mentida,
Futuro que tropeça em memória perdida.

Feminicídio ecoa no silêncio da madrugada,
Enquanto os silêncios sangram na calçada.
A cultura do estupro ronda a cada esquina,
Sorrisos quebrados, voz que nunca se aninha.

Salário menor, esforço maior,
Lágrimas contidas, luta sem clamor.
A gota no Atlântico grita e persiste,
Mesmo quando a justiça se esconde e resiste.

Avanços surgem, mas como passos de formiga,
A corrente aperta, a liberdade castiga.
Mulheres são águias presas no ar,
Lutando para quebrar o laço a gritar.

Por suas irmãs ergue-se o protesto,
Simples nas palavras, mas firme, manifesto.
Não há corrente que resista ao grito,
De quem transforma a dor em esforço infinito.

Paulo Siuves

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Maestro

Pietro Costa: Poema ‘Maestro’

Pietro Costa
Pietro Costa
“Com fina verve, um maestro rege toda a sinfonia”
Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer

Contemplativo
Há silêncios circundantes
Atentivo
Aos ruídos desconcertantes

Susto os bramidos
De cifras e partituras
Busco acordes divinos
Nas desditas e fortunas

No caleidoscópio de emoções mobilizantes
No anfiteatro de performances palpitantes
Nas ilíadas e odisseias da jornada errante
Nos prosadores e poetas de pena fascinante

Há uma ventania que tudo movimenta e revira
Há um roteirista que tudo imagina, engendra e cria
Há um juiz que tudo elucubra, pesa, decide, avalia
Com fina verve, um maestro rege toda a sinfonia

Pietro Costa

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