O ébrio

Evani Rocha: Poema ‘O ébrio’

Evani Rocha
Evani Rocha
Fotografia digitalizada mostrando um homem com roupas gastas e sujas sentado no chão de uma rua íngreme de paralelepípedos, em uma vila antiga. Ele está encolhido com a cabeça curvada sobre os braços e joelhos dobrados. Ao seu lado, no chão, há uma garrafa de vidro de bebida alcoólica deitada. Ao fundo, casas históricas de estilo europeu ladeiam a rua e o céu exibe um pôr do sol vibrante em tons intensos de vermelho, laranja e amarelo.
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Amanheceu ali na esquina úmida e lodosa.

Tinha na boca um gosto de zinabre.

A pele encrespada e fria

Pelo sereno da madrugada.

Todos já se foram…

Apenas a penumbra permanecia…

Há pouco ele se arrasta pelos becos da cidade morta.

Ainda tenta beber o último gole,

Mas suas mãos trêmulas não suportam o peso do cálice.

No horizonte, o sol quase desponta 

Em meio a um barrado cor de sangue…

É o anúncio de um novo dia!

Permaneceu ali:

Cabisbaixo e embriagado,

Não só pelo álcool, 

Mas pela angústia que lhe açolava o peito.

Nada a lamentar, nem forças para gritar…

O mundo emudeceu!

Sem jeito de ignorar a resignação…

Então, debruçou-se sobre os joelhos,

Vencido pela solidão,

E deixou o tempo dele se encarregar!

Evani Rocha

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Humano

Mario Antonio Rosa: Poema ‘Humano’

Mario Antonio Rosa
Mario Antonio Rosa
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La piel toca, los labios huyen
en un día ecuatorial de cicatrices solitarias
y una hoguera continua se deslumbra en los ojos
en la gran cosecha de calor y árboles quietos

pienso lento

siento dolor, a veces lejanía, campo largo,
extraño la tierra de la lluvia, las cimas grises
que imitan la escala del espejo, voy sanando dormido
con ese amor que aprieta, ese amor de perfiles
que supura la gran noche de su aliento

alta mar y ganas de llorar

no, cerraste los ojos en mi espalda
huiste, luego volver resucitado, echar el corazón,
remar odios, somnolencia, vértigo y luego felicidad
así las cosas en este desierto que cava el cielo
tantas, tantas cosas con su escama de miedo
pero me volveré a desnudar bajo tu sueño, tu imperio corto,
ese abecedario donde las gentes se cobijan

intento estar recién nacido

de pronto he escrito esto en forma de abanico,
pronto es mediodía, todo desaparece, incluso tus huellas,
livianas como arena joven, en corriente ciega,
invadiendo contra nadie, de estrellas bajas, soledad,

una extraña quietud,
de esas que abraza cuando todo se ha perdido.

Mario Antonio Rosa

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Prenúncio

Evani Rocha: Poema ‘Prenúncio’

Evani Rocha
Evani Rocha
Paisagem outonal, com folhas ao vento
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O vento passou trazendo o adeus.

Havia apenas um perfume no ar

E um burburinho nos arvoredos…

Era o prenúncio do fim!

Não houve pranto,

Nem estardalhaço.

Apenas uma palavra contida,

Que não havia mais sentido…

Somente os olhos tristes,

Perdidos num tempo distante…

Onde hoje é morada da saudade.

Daquelas crianças correndo no terreiro,

Da inocência refletindo nos sorrisos…

O vento passou e trouxe as últimas folhas do outono,

Frágeis e quebradiças…

Como as lembranças.

Como a solidão desta despedida.

Vestida de branco e cabelos em trança…

Acabou, como acabam todas as coisas

Estáveis ou fugidias…

Como acaba tudo que um dia foi real

E hoje é somente ausência.

Evani Rocha

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Tan cerca que no me ves

Adriana Rodríguez

Poema ‘Tan cerca que no me ves’

Adriana Rodríguez
Adriana Rodríguez
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Camino tus huellas,
senderos de piedra y papel,
bisagras de viento aturdido
colándose por las grietas,
el hambre, el frío
y una gota de fe.

Camino por tus miradas,
cortinas de ventanas
con cristales rotos
que cortan mi lengua,
sangrando de las huellas
los ojos, las manos y la piel.

Camino por tus yemas,
lunares de tierra,
a la sombra del barro
que cubre con memorias
las horas que no fueron,
los tiempos de mañana,
la nostalgia del ayer.

Camino por el sonido
de una voz que calla,
que mira de espaldas
la sonrisa fingida,
la misericordia disfrazada,
yendo de puntas
sobre almohadas
que se han hecho de roca.

Camino por el aroma
de los deshechos del mundo,
mirando un segundo
un cesto lleno de sobras,
una ceguera cargando zozobra,
mil y unas palabras
ahogadas entre adoquines de asfalto.

Camino por las puertas
que se cierran de prisa,
por las horas más frías
y el invierno largo.
Camino extendiendo la mano,
elevando plegarias
y mordiendo los labios.

Camino y camino despacio
por todo este mundo
del que vecino he quedado.

Adriana Rodríguez

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Ausentes

Ismaél Wandalika: Poema ‘Ausentes’

Soldado Wandalika
Soldado Wandalika
Imagem criada pela IA do Gemini -
Imagem criada pela IA do Gemini

No silêncio no tempo que circula as ondas
‎Corpos ébrios  com as luzes dos altares
‎Invadem o calendário dos prazeres
‎…No Alvorecer vivenciaram suas mortes
‎Abriram-se na virada anunciaram seus intentos na roda dos sabores…

‎Ausentes

‎Conectados ao radar de sua existência pálida
‎Bebem o amargo fel que dança no inferno de sua boca
‎Reprimem o novo cenário no púlpito
‎Mas, casam-se e degustam-se de cada detalhe no oculto…

‎Ausentes
‎Embriagados com o vinho do sacrifício
‎Degolam as vozes na órbita do destino
‎Desfilam o sacramento nas bandejas do ópio Negligenciando o verso que detona-os!

‎Confessam suas ofensas em tom de ironia
‎Denotam suas mentes em controvérsia com Justiça!

‎Vivem Longe de suas vidas Fraudulentas
‎A família silencia a malicia de suas línguas
‎Esconde na mensagem que nutre a imagem que o povo visualiza…

‎Na calçada adentram na manta
‎Derreado perderam-se no meio da trilha
‎Emitem sons extintos em suas ondas…

‎Ausentes
‎Seus filhos crescem na prensa do abismo
‎Distantes do vínculo afetivo…


‎Ausentes…

Soldado Wandalika

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Surge of the sorrow

M. B. Ahmad Vali: Poem ‘Surge of the sorrow’

Logo da seção O Leitor Participa
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Sadness soared high,
turned into the sky.
Nothing feels like sorrow now.

After a protracted silence,
some ancient reminiscence
echoes in the emptiness.
It is yours; you are in it.

“Are you my shackle or my freedom?”
it asks and slowly merges with the sky.

M. B. Ahmad Vali

Original (Telugu): Ahmad Vali
Translation: Elanaaga

Onda de Tristeza

A tristeza alçou voo,
elevou-se ao céu.

Nada se compara à tristeza agora.

Após um longo silêncio,
alguma reminiscência ancestral
ecoou no vazio.

É sua; você está nela.

“Você é meu grilhão ou minha liberdade?”
perguntou, e lentamente se fundiu com o céu.

M. B. Ahmad Vali

Original (Telugu): Ahmad Vali
Tradução: Elanaaga

Ahmad Vali

M. B. Ahmad Vali is a 57 year-old poet from Narsipatnam village, Andhra Pradesh State, India. He runs a small business. His writings keep appearing in the local Telugu periodicals as well as social media such as Facebook on and off.

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Entre a liberdade e solidão

Lina Veira: ‘Entre a liberdade e solidão’

Lina Veira
Lina Veira
Imagem do Canva, com texto por Lina Veira

Até aqui eu quis ter muitas certezas
Sem exigir nada, eu quis ter muitas certezas.
Até aqui entre as danças e guerras da vida,
Eu queria parar no teu olhar e sorriso,
Na cor de cada dia do céu do teu dia.

Denunciar cada gesto coberto
Desarrumado como as estrelas,
Na insana lucidez de estar.
Até aqui eu quis viver cada
gesto e abraço que nunca tive.
Como um globo girando e acolhendo a todos,
Até parar no teu olhar e sorriso
E seguir meu caminho entre a liberdade e a solidão.

No escuro, guardei as memorias e rascunhos que precisei
E como num jogo de xadrez preservei a rainha e o rei.
Enquanto escrevia em todos esses anos,
desenhei um Universo que sempre quis para gente:
Ele é lindo!
Roubei um pouco do seu tempo
E cheguei com tempo para ganhar um abraço nele
Abracei tão grande que não me contive em esmagar os espaços vazios
Teria sido a escolha mais linda até aqui – teria sido.

Entre muitos labirintos que cruzei,
enfrentei-os ouvindo
sua voz entre a liberdade e a solidão
Depois entendi que não existia mais caminho para voltar
Nem eco, ou som algum.

Eu não pude evitar minha evolução, algumas curas.
Foi necessário.
Confesso que algumas vezes eu quis voltar
talvez para ter alguém na memória no fim da vida
E no mar de tantas fúrias e tormentas, sua voz deixou de ser calmaria e conforto
Para ser gratidão.
O tempo passou.
E nem sempre o melhor que temos é o que podemos dar e ser para alguém.

Lina Veira

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