Todo azul
Denise Canova: Poema ‘Todo azul’


Todo azul hoje é meu
Azul define quem eu sou e eu fico feliz
Eu sou inspiradora, eu quero inspirar pessoas
Para que não desistam de seus sonhos
Lutem e realizem.


Todo azul hoje é meu
Azul define quem eu sou e eu fico feliz
Eu sou inspiradora, eu quero inspirar pessoas
Para que não desistam de seus sonhos
Lutem e realizem.
‘Violência contra a mulher retratada nas literaturas’


Se as literaturas retratam o homem no seu tempo, na contemporaneidade, um dos temas é a violência contra a mulher. Conforme Ezra Pound (2006,p.36): “[…] se a literatura de uma nação entra em declínio a nação se atrofia e de cai”. Isso significa que esta expressão artística é, enquanto manifestação dos homens, uma forma de comunicação. Talvez não haja equilíbrio social.
Já de acordo Antonio Candido no ensaio O direito à literatura, as literaturas, assim como o sonho (essencial para o equilíbrio psíquico individual), são uma necessidade universal e fundamental para a humanização do homem. O autor defende que o acesso a elas deve ser um direito garantido a todos, pois contribuem para a coesão social e a humanização, combatendo o caos e a desumanização.
Um dos textos literários que aborda o feminicídio é o conto Venha ver o pôr do sol de Lygia Fagundes Telles cuja história é de Ricardo e de Raquel, um casal de ex-namorados que vivencia um último encontro em um cemitério abandonado. Vale a pena conferir!!!
No Brasil, segundo dados oriundos do anuário Brasileiro de Segurança Pública e relatórios de órgãos federais, uma mulher é estuprada a cada 6 ou 8 minutos, no Brasil. Cabe ressaltar que essa informação é baseada apenas nos casos oficialmente registrados. Quantos ainda não o foram? Denuncie!!!! Nunca é tarde!!! Ligue 190 (Polícia Militar), 180 (Ligue 180 / Central de Atendimento à Mulher) ou 100 (Disque Direitos Humanos). Não se cale!!!
Em maio de 2016, no Rio de Janeiro, a barbárie contra uma jovem de 16 anos causou horror à sociedade brasileira. A adolescente foi violentada por 30 homens e a divulgação do ato foi feita pelos próprios estupradores. Antes deste caso e até na atualidade, quantos MAIS não ocorreram? Dez anos depois, recentemente, uma de 17 anos foi atacada por 4 homens. O que está acontecendo no mundo?
Vale ressaltar que, na crônica: Não as matem, de Lima Barreto (pré-modernista), há a denúncia do autor de que o homem se julga no poder de aniquilar a vontade da mulher. Isso foi redigido a mais de um século. A narrativa transcendeu o seu próprio tempo, porque o conteúdo da obra ainda se mantém atual, infelizmente. Ao tratar deste assunto, Barreto esteve à frente da Justiça brasileira no sentido de elucidar a razão do uso da força e da violência contra a mulher.
Na contemporaneidade, de forma avassaladora, ações cruéis só aumentam. Quais são os fatores que levam a tais práticas? Como acabar com estes atos bárbaros? Conforme anuário Brasileiro de Segurança Pública e relatórios de órgãos federais:
Perfil das Vítimas e Agressores
Isso ocorre mesmo havendo legislação como a Lei Maria da Penha criada pelo Estado brasileiro, Lei nº11.340, em 7 de agosto de 2006. Já, em 9 de março de 2015 começou a vigorar no ordenamento jurídico brasileiro a Lei nº13.104, no qual passou a prever no Código Penal o crime de feminicídio. Nem assim os índices reduzem. O que está havendo?
Dado o ocorrido, diversas discussões estão em pauta: a educação recebida pelos responsáveis concernente a atos que firam a dignidade feminina ou a integridade de jovens.
O que leva um adolescente a cometer estupro? Como as jovens têm sido orientadas para se defenderem? Será que vivemos em uma cultura do estupro?…
A expressão “cultura do estupro” não é nova. Entrou em uso nas ruas e nas redes sociais com os novos movimentos feministas e depois da publicidade de um estupro coletivo ocorrido em uma comunidade carioca. Ao mesmo tempo em que cresce a denúncia de uma “cultura do estupro”, estamos caminhando para uma cultura anti-estupro.
Urgem aulas de Educação Sexual a fim de orientar os alunos de que não só as relações sexuais sejam praticadas sob o signo do consentimento e da liberdade, da autonomia e da dignidade de cada um (uma). Mais também de que o estupro ou qualquer ato sexual violento é inaceitável, porque revela um profundo desrespeito à autonomia feminina. Estupro é um ato violentíssimo, uma invasão ao corpo cujos efeitos são devastadores: depressão, períodos longos de silêncio, descuido com o corpo, dificuldade e pânico diante de tentativas de relações afetivas e sexuais, incompreensão, distanciamento…
A temática deve ser abordada nas instituições de ensino. A conscientização é urgente. Cada professor na sua área de atuação deve discuti-la. Por exemplo:
– Língua Portuguesa e Literaturas: apresentar os textos literários aqui citados. Nas últimas trêssemanas,ministrando estas disciplinas, propus o seguinte:
* na primeira semana: leitura da crônica: Não as matem, de Lima Barreto. Em seguida, a elaboração de um parágrafo sobre a temática abordada.
* na segunda semana: Vídeo no YouTube sobre o conto Venha ver o pôr do sol, de Lygia Fagundes Telles. Em seguida, justificar o título e elaborar uma publicidade sobre a temática abordada.
* na terceira semana: leitura do primeiro capítulode Água de Mortas (Editora Patuá, 2017), pela escritora paraense Isadora Salazar. Neste, a temática do feminicídio é abordado.
– Biologia: os males no corpo e na alma
– Educação Física: defesa pessoal
– História: legislações
São apenas algumas sugestões. Professor, não tenha receio!!! Utilize sua criatividade e aborde a temática!!! Diga não a qualquer tipo de violência!!! E vale ressaltar que se o professor for repreendido pela abordagem da temática também é um ATO DE VIOLÊNCIA!!!! Diga NÃO À FALTA DE LIBERDADE PEDAGÓGICA!!!


antes de encontrar-te em sonhos
para assim atingir minha utopia
lavei-me toda todo tudo em lavanda
mãos impregnadas pela essência
teceram um jardim na pele
e em todos os escondidos
cantos floriu e riu
Violácea flor
cor de tanto amor campanil
se espreguiçou com voz
em falsete perfumando
a evolução dos sentidos
tranquila? paixão que aniquila!
todos sentidos coloridos de erva-anil
minha alma será eterna perfumada
será muda fala esperantista
ao despertar de mais utopias
esta ciranda inocente quase infantil
sangra, lava-me e leva-me a amar-te
LAVANDA…
Lavande, merci, je t’aime


Branco, o translúcido tecido
cobrindo branca, suavíssima pele
envolve-lhe suavemente
como tênues flocos de neve
vestindo paisagem deserta.
Ó, Musa semidesnuda
sobre um leito de desejos!
Que fios tecem teus sonhos
ainda virgens, intocados,
à espera do amante noturno?


Seu voo eleva sonhos
Que outrora
Viraram somente
Um brasão de sofrimento
Com muito sentimento
Rangendo nas portas
Mortais de Auschwitz
Que na Grécia
Fez espartanos
Panos para
Uma sociedade
Voltada para aniquilação
Do que não se conhece
Mesmo diante
Do barulho das armas
Suas asas
Nunca deixaram
De almejar
Alcançar
O infinito
Ressoando um pouco
Da criança
Que existe
Dentro de cada
Sonho de esperança
És, um cordeiro
De comoção
E emoção
A elucidar
Razões
Saturadas de aflições
A paz jaz
Na sua imensidão
Voando
Amando
Exasperando igualdade
Eis
Um contraponto
Por entre orgulhos
Recheados
De carências afetivas
Em se resistir
Perante um existir
Que finge
Ser imortal
Mas que carece
Do elementar
Abrupto moral
Em se construir uma paz
Que não seja somente
Celestial
Mas sim corporal
E mental
Almejando contemplar
Cada pomba
Sendo um tomba
Juntando civilizações
Em canções
Louvando a igualdade plena
Se distanciando
Da desigualdade serena
E querena
Clayton Alexandre Zocarato


À porta da casa
havia um caminho
cuja beira era a nossa varanda
(às vezes cheia de saudades,
outras, cheia de ausências),
então, passavam homens
passavam mulheres
e passavam várias idades
não podíamos contar os sonhos
porque não tinham nem gênero
nem idade, nem raça.
Vivos ou mortos,
cada caminhante é uma terra de sonhos.
Zé Franco


Meu corpo é o alvo, e celebra o teu amor rubro.
Danço como as musas dos antigos bosques gregos,
onde o mito ganha vida e o desejo se entrelaça.
Sou tua, inteira – a ninfa adorada dos teus sonhos
mais profundos, mais vibrantes. O prazer é meu e te pertence;
sou a fada da tua poesia.
Ah, como anseio que teus versos sejam todos para mim,
em meu louvor, em minha homenagem, no altar secreto do meu ser.
Meu ‘Eros’, símbolo da minha canção,
da minha loucura e doçura.
Homem, anjo dos meus encantos e desejos febris…
Como é possível ser tão mágico?
Teu olhar no meu, teus braços em meu corpo,
tuas mãos na minha pele, teu coração no meu.
Por que te amo? Não sei…
Só sei que morro se não te vejo;
meu rosto empalidece se não te beijo,
minhas mãos tremem se não te toco.
Amo-te, pois és meu cupido,
amo-te, pois és meu amigo
Verônica Moreira