Marta OliveriImagem criada por IA da Meta – 04 de setembro de 2025
Subversión 1 Cómo decir que el desierto llora que en un hombre dormido yace el infinito Admitir que el saber es un recién nacido, un brote apenas en la heredad del cosmos y abrir los párpados cansados de realidad en vértigo a un sueño sin abismos.
Subversión 2 Es menester darle a Dios otra oportunidad en la osadía humana de crearlo
Subversión 3 La locura es el refugio de las almas que han pecado de lucidez extrema
Subversión 4 La tierra que mereces aún no ha nacido. Pero el viento lleva huellas imprecisas y el sueño un mapa fragmentario.
Subversión 5 Muere la potestad de lo “real” cuando soplan los gigantes de Quijote y se duelen los molinos de sus aspas,
Subversión 6 Los parias son ángeles que han sido privados de sus alas.
Subversión 7 Los ángeles son los parias que aún no han recibido el don del exilio
Subversión 8 No hay obediencia posible en la verdadera santidad.
Subversión 9 No hay santidad posible en la sumisión del presente establecido
Subversión 10 De la memoria nace el futuro soñado en el ininterrumpido fluir de las almas libres.
‘O poder ambíguo da literatura: entre a subversão e a submissão’
Ella DominiciImagem criada por IA do Bing – 11 de julho de 2025, às 15:41 PM
A literatura, enquanto arte da palavra e exercício da imaginação, transita em um campo dúbio de potências: pode metamorfosear, subverter e libertar, mas também coagir, reprimir e conduzir à submissão. O gesto de escrever – e, por extensão, o de ler – carrega em si a possibilidade de resistência política, mas igualmente pode reforçar estruturas de dominação simbólica e emocional. Entre a chama da inquietação e o sopro da apatia, a literatura atua como campo de disputa.
Do ponto de vista crítico literário, nomes como Roland Barthes, Mikhail Bakhtin e Antonio Candido revelaram que a palavra escrita nunca é neutra. Barthes, por exemplo, ao desconstruir a figura do autor como autoridade última do texto, abre espaço para o leitor como agente de sentidos, portanto, também como ser político. Bakhtin, ao propor a noção de dialogismo, aponta para uma literatura que se constrói em tensão com o outro, abrindo margem à subversão. Já Antonio Candido, em sua defesa do direito à literatura, vê a leitura como exercício fundamental para a formação da sensibilidade e da cidadania.
Por outro lado, a história mostra que a literatura também já foi instrumento de conformismo. Narrativas padronizadas, discursos que reforçam estigmas ou textos alinhados a regimes autoritários serviram – e servem – para modelar consciências, neutralizar críticas e naturalizar opressões. O cânone, por vezes, é tão responsável pela exclusão de vozes quanto pela consagração delas.
Sob o olhar da psicanálise, esse embate entre coagir e estimular ganha novas camadas. A escrita, conforme Freud sugeriu, nasce do recalque e da sublimação. Ela é, ao mesmo tempo, sintoma e cura. Escrever pode ser um ato de libertação do inconsciente, uma tentativa de elaborar traumas e dar nome ao indizível. Mas também pode operar como mascaramento, repetição compulsiva ou fixação melancólica – caminhos possíveis à dépressivité, como apontaria Lacan ao discutir o sujeito do desejo preso em estruturas simbólicas.
Entre a repressão e o florescimento, a literatura é palco de tensões. O mesmo texto pode libertar um leitor e paralisar outro. O que para um é estímulo para a ação, para outro pode ser consolo anestésico. É nesse terreno ambivalente que a literatura opera: nem sempre como antídoto, nem sempre como veneno, mas como substância viva, pulsante e imprevisível.
No fim, talvez seja esse seu maior valor: não servir a um único propósito, mas inquietar. E nesse desconforto, provocar transformações. Afinal, como já disse Clarice Lispector, “escrever é uma maldição que salva”. A literatura não promete salvação, mas, ao menos, a possibilidade de ressignificar a dor – e, com sorte, transformar silêncio em voz.