O rascunho
José Antonio Torres: ‘O rascunho’


Em minha vida, nunca tracei metas ou objetivos.
Sempre fui trilhando, da melhor forma possível, os caminhos que a vida ia me apresentando.
E assim, ainda prossigo.
Parar ou me prostrar diante das dificuldades não é uma opção.
Sou uma obra inacabada.
Estou em permanente construção, reparando as imperfeições que existem em mim.
Há muito ainda por fazer.
Não vim a este mundo para desfrutar de benesses.
Vim aprender, corrigir equívocos e aprimorar o meu espírito.
A verdadeira felicidade está em outro plano,
muito mais sutil e etéreo, não neste.
Se meu corpo padece de deficiências e certa imobilidade,
minha mente decola e absorve conhecimentos,
me descortinando novos horizontes.
Quando achei que estava pronto,
que nada mais poderia realizar,
me reinventei e surpreendi a mim mesmo.
Sinto que meus sentimentos florescem em beleza e sensibilidade,
descortinando, a cada dia, a sensação da mais maravilhosa liberdade,
banhada de intensa alegria.
Diante disso, vou procurando perfumar meus caminhos,
para que os que comigo caminham possam inalar essa essência ao meu lado.
Não, não estou pronto.
Quando penso que a obra em mim está terminada,
olho de fora para dentro do meu ser e percebo que ainda sou, apenas,
um rascunho de mim mesmo.