Tempo das miudezas
A delicadeza da infância e o resgate da liberdade no sensível poema de Dorilda Almeida


Infância alegre,
no meio de árvores frutíferas,
vivíamos o tempo inocente
das nossas vidas,
entre formigas, pássaros e vagalumes a brilhar
Vivíamos
O tempo das miudezas!
Criávamos cobras e lagartos
no quintal de todos nós.
O lagarto se chamava Pascoal.
Amávamos como irmãos, amigos.
Cada animal tinha um nome;
E ao serem descobertos pelos adultos
eram soltos.
Vivíamos
O tempo das miudezas!
Nossa cidade respirava lendas e segredos antigos,
cercada de serras e belezas naturais,
era cheia de mistérios e exuberância:
muitos musgos, galhos e flores secas
Era lugar de brincadeira total
O tempo das miudezas!
No coração da cidade
corria um rio de águas cintilantes como a nossa Constelação
O nosso mundo era de imaginação e liberdade.
Era um espaço mágico,
um lugar onde ninguém vigiava ninguém
um mundo cheio de encantamento
O tempo bom das miudezas!
(Poema integrante da Antologia Manoel de Barros – O Poeta das Miudezas – 2026)