O velho e a mitral

Eduardo Cesario-Martínez: Conto

‘O velho e a mitral’

Eduardo Cesario-Martínez
Eduardo Cesario-Martínez
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 Apesar de não me sentir tão velho, a maioria das pessoas costuma colocar um senhor logo antes do meu nome. E não pense você que possuo posição social de destaque. É verdade que também não preciso contar os vinténs no final do mês, isto é, desde que não surja algum imprevisto ou, porventura, eu resolva extrapolar o orçamento por conta de certas extravagâncias. Por sorte, gente da minha idade geralmente as usufruiu quase todas há tempos. 

    Como deve ter percebido, já passei dos 60. Para ser preciso, completei 67 no último julho. Devo confessar que, há muito, abomino meus aniversários. Não por conta do avançar da idade, mas porque todos, invariavelmente, acontecem no mesmo dia do mês mais frio do ano por aqui onde moro. Minhas carnes, antes firmes, agora não suportam mais os rigorosos invernos que cismam em chegar praticamente na mesma época.

    Além do clima, outro desconforto me tomou nos últimos dias. Não sei se essa é a palavra adequada, mesmo porque, até aquele exato momento, havia suportado, certamente a contragosto, todos os invernos, por mais rigorosos que fossem. Todavia, desde então, algo tem me tirado o sono e me enchido de pesadelos. É que tive meu primeiro encontro com a morte.

    Calma, que explico antes que você se aborreça e me deixe aqui falando sozinho. Isso é até compreensível, já que não seria o primeiro a fazê-lo. Entretanto, peço-lhe um pouco de paciência com este velho. Prometo ser breve, como breves foram os anos que passaram diante dos meus olhos. Como deveria tê-los aproveitado melhor!

    Fui ao médico no início da semana. Exames de rotina, nada mais. Faço-os quase anualmente. Não porque seja tão preocupado com a saúde, que, é certo, me fez companhia durante décadas. Eu, que pensava que tínhamos uma relação harmoniosa, fui pego de surpresa quando o cardiologista me abriu os olhos para um problema em uma das válvulas do coração. Mitral. Pois é esse o nome da dita cuja, que, a essa altura da vida, resolveu me trair. E eu, ingênuo até aquele momento, nunca havia desconfiado. Ela agiu sorrateiramente.

    — Doutor, é grave?

    — Não muito, mas requer cirurgia o mais breve possível.

    — É arriscado?

    — Não se preocupe com isso. Já operei diversos casos até piores do que o seu.

    — Então, posso ficar tranquilo?

   — Certamente, mas, como diz aquele ditado, o seguro morreu de velho. Melhor apressar o testamento.

    Que todos vamos morrer um dia, sempre soube.  No entanto, quando a morte se aproxima de maneira tão sutil, nos pega desprevenidos. Seja como for, já decidi que não farei testamento. Que os herdeiros se engalfinhem pelas migalhas!

Eduardo Cesario-Martínez

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Meu garimpo poético

Sandra Albuquerque: ‘Meu garimpo poético’

Sandra Albuquerque
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Todos os dias, desde que aqui cheguei, é um desafio sobreviver.

Da infância, da adolescência, da juventude e, agora, da terceira idade, tudo o que fiz de melhor aprendi com meus avós e com os livros.

Desde os oito anos de idade, me pego escrevendo pensamentos e saudades, lembranças de um tempo que jamais voltará.

Mas cada poema, cada crônica ou conto, são filhos meus que nascem do âmago da alma. Então, na hora de esboçá-los no miolo de um livro, faço um verdadeiro garimpo poético.

São inúmeras dúvidas! E com elas, novas ideias surgem. Criações em cima de criações.

Vejo-me numa viagem e as palavras vão surgindo como estrelas ou borboletas encantadas.

Pura emoção: choro e rio. Só quem escreve sabe a que estou me referindo. Quantas vezes algumas pessoas me perguntaram se eu estava apaixonada, e outras, se eu estava triste, ao lerem meus textos. E eu, simplesmente, respondi: “Poetizar é desnudar a alma e escrever nas entrelinhas do tempo entre a fantasia e a realidade.”

Nem tudo que se escreve é real. Muitas vezes, são voos da imaginação. Outras vezes, são fatos narrados ou avistados pelo autor.

A lauda é um palco, e o autor, simplesmente o protagonista. E, quando as cortinas se abrem, lá estão os seus assíduos leitores como plateia.

Sandra Albuquerque

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Concurso fotográfico para o público 60+ abre inscrições

Programa USP 60+ recebe imagens digitais do isolamento de pessoas com mais de 60 anos. Os selecionados farão exposição virtual de seus trabalhos

O programa USP 60+ recebe, de 21 de setembro a 21 de outubro, inscrições de pessoas com mais de 60 anos, residentes no Brasil, para o concurso fotográfico O Olhar do 60+ da sua janela. Nesta segunda edição do concurso, os interessados deverão se inscrever no site do programa – extensao.usp.br/usp60, onde está publicado o edital completo.

O objetivo é promover e valorizar o olhar do público 60+ e seus registros a partir de fotografias. Em 2020, diante do isolamento social por conta da pandemia de covid-19, o programa convida o participantes a registrar os seus dias em casa e o que ele vê a partir daí.

O médico Egidio Dórea, coordenador do programa, destaca que, mesmo na quarentena, podemos ter poesia, significados e pensamentos positivos no dia-a-dia. “O tema mostrará uma visão mais introspectiva da realidade do participante, mas também um conteúdo poético quando, por exemplo, se fotografa o céu, um pássaro voando, os transeuntes passando ou uma tempestade se aproximando”, reflete.

Dórea salienta a importância de promover o concurso neste momento de isolamento. Ele diz que “a realização dessa exposição, mesmo virtual, é um motivo para um projeto. E sabemos que para envelhecer bem precisamos de propósitos na vida”.

Para participar, não é necessário ter vínculo com a USP ou formação em fotografia. Cada participante deverá ter no mínimo 60 anos completos em 21 de setembro de 2020 e poderá apresentar até cinco imagens digitais, com um pequeno texto descritivo para cada uma delas. O material deverá ser enviado em formulário próprio com resolução mínima de 72 pixels.

O concurso prevê como premiação a participação em uma exposição fotográfica virtual no site do programa USP 60+, de 6 de novembro a 6 de dezembro de 2020, e em suas redes sociais – facebook e canal do Youtube.

Serviço

Concurso fotográfico Olhar 60+ da sua Janela

Inscrições – de 21 de setembro a 21 de outubro de 2020 pelo site  extensao.usp.br/usp60.

Informações para imprensa
Elcio Silva | Michel Sitnik | Fabio Rubira | Sandra Lima
(11) 2648 0472 | (11) 2648 0042 | procin@usp.br

Sobre a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP:

A Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) é o órgão que desenvolve as políticas culturais e de extensão da Universidade de São Paulo, funcionando como um canal aberto de diálogo da USP com a sociedade. A PRCEU tem ampla atuação, trabalhando na gestão de programas de fomento às iniciativas acadêmicas em cultura e extensão e no apoio às ações da comunidade universitária junto à sociedade. Fazem parte dessa estrutura: Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, TUSP – Teatro da USP, Cinusp Paulo Emílio – Cinema da USP, OSUSP – Orquestra Sinfônica da USP, CoralUSP – Coral da USP, Centro Universitário Maria Antonia, CienTec – Parque de Ciência e Tecnologia da USP, Centro de Preservação Cultural – Casa de D. Yayá e Engenho São Jorge dos Erasmos. Promove, ainda, ações próprias no âmbito da cultura e da extensão universitária, como os programas “Nascente”, “USP e as Profissões” e “Giro Cultural USP”. Já no relacionamento com a comunidade, são desenvolvidos os programas “USP Aberta à Terceira Idade”, “USP Diversidade”, “USP Legal”, “Incubadora USP de Cooperativas Populares” e “USP Aproxima-Ação”.

 

 

 

 

 

 




Pedro Novaes: 'Quase idoso'

Pedro Israel Novaes de Almeida – ‘QUASE IDOSO’

 

 

O primeiro sinal de que já não somos jovens surge quando começamos a ouvir a referência “tio”.

Logos após, mudam os presentes, que passam a ser chinelos, cuecas “samba-canção”, livros e roupas de cores sóbrias. Sempre há algum engraçadinho presenteando com CDs de Cascatinha & Inhana ou Emilinha Borba.

O alerta da idade surge também quando de uma queda. A recuperação é mais lenta, e custa crer que caímos, ao fazer aquele movimento que já fizemos centenas de vezes, sem nenhum acidente.

Começamos a evitar esforços físicos repentinos, e entramos para o grupo de adeptos do ditado “Devagar se vai longe”.  Perdemos, aos poucos, os rompantes de indignação, e começamos a deixar de tentar convencer as pessoas de que estão enganadas.

Nem jovens nem idosos, vamos perdendo a predileção por festas e comemorações, e diminuem os encontros com amigos. Alguns, nesta fase, partem para aventuras amorosas extraconjugais, ou entregam-se ao alcoolismo. Outros, viram motoqueiros ou ciclistas.

É na quase senilidade que surgem, na maioria, os desapegos com a própria imagem, e qualquer Kombi 1970 tem o mesmo mérito de um Golf 2017: saem daqui e chegam lá.  Se a roupa não combina ou a meia é furada, pouco importa.

Quase todos ainda sentem, calados, a expectativa de um golpe de sorte ou grande invenção, que permita a realização de velhos sonhos. Conheço alguns que ainda tentam inventar o moto contínuo ou transformar ferro em ouro.

Muitos possuem prazeres mórbidos, como rever, envelhecida e feia, aquela linda moça que prestou solene e doída desconsideração, nos áureos tempos. É desumano, mas existe um sentimento íntimo de vingança, quando do reencontro com antigos desafetos, em mau estado.

Na quase senilidade, surge vigoroso o sentimento de amparar, cada vez mais, os filhos.  A busca pelo sucesso pessoal vai dando lugar à busca do sucesso dos filhos, condição que segue vida afora.

Muitos tardam a entender que caminham, a passos largos, à condição de idosos, só assimilada quando corpo e mente começam a dar sinais de fragilidade e tendência à introspecção. É na terceira idade que a nova condição acaba assimilada, e a vida adquire novo brilho, com novos desafios e realizações.

Não há como postergar o correr do tempo, sendo inútil ignorá-lo. O melhor é ceder às limitações que vão surgindo, sem agir como se todo idoso fosse sábio e injustiçado.

pedroinovaes@uol.com.br

O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.




Artigo do Dr. José Otávio Vasques Ayres: 'Terceira Idade – problemas de boca e garganta'

DR JOSE OTAVIO VASQUES AYRES – TERCEIRA IDADE – PROBLEMAS DE BOCA E GARGANTA

Foto de Jose Otavio Vasques Ayres.BOCA– É importante estar atento a manchas vermelhas, brancas ou escuras e a feridas. (Especialmente em fumantes). Com a idade, aceleram-se os problemas de gengiva. Há também diminuição da produção de saliva. DICA= A higiene oral deve receber atenção especial. Realizar inspeção frequente de toda a cavidade oral e se notar algo diferente, deverá ser examinado. Tomar muita água em pequenos volumes, o dia todo, ajuda a compensar a falta de saliva.

GLOSSODÍNEA – Algumas pessoas, com a idade, podem apresentar um ardor importante na língua. Ao exame físico, não há alterações. Existe tratamento eficaz que será tanto melhor, quanto mais precoce. DICA= Evitar alimentos muito quentes ou muito gelados, fumo, álcool, pimenta e ácidos em geral.

GARGANTA– Com a idade amigdalite e a faringite por bactérias são incomuns, sendo mais frequentes os quadros virais, onde não são usados antibióticos. A diferenciação entre quadro viral ou bacteriano deve ser feita pelo médico.

DISFAGIA – É a dificuldade de engolir. Quadro frequente e muito importante. Pode ser por infecção, refluxo ou até mesmo estresse. Mas pode ocorrer em quadros mais graves como câncer e alterações neurológicas. DICA= Sempre que houver disfagia persistente, há necessidade de um exame especializado.

ROUQUIDÃO – Alterações de voz são comuns, podendo estar ligadas ao envelhecimento do aparelho fonador. Porém, podem ser decorrentes de: Refluxo, alergia, edema de pregas vocais, nódulo de pregas vocais (popular calo), cisto de pregas vocais, cândida, infecção, doenças neurológicas, paralisia de pregas vocais, câncer de laringe, outros. DICA=Tomar sempre muita água. Evitar gargarejos, pastilhas ou sprays. DICA = Rouquidão por mais que 5 dias necessita de avaliação otorrinolaringológica, com exame de pregas vocais.

DR JOSE OTAVIO VASQUES AYRES

Fonte de imagem = internet