Tonneves

Nas Entrevistas ROLianas, José Antonio Neves da Silva, ou, simplesmente, Tom Neves, ou, ainda, apenas Tonneves, o Mestre da Cultura de Imperatriz

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Oleo sobre Tela - A Caçada Indígena - Tonneves
Oleo sobre Tela – Caçada Indígena – Tonneves

Gabriela Lopes: Tom, você nasceu em Pedreiras, no interior do Maranhão, e construiu uma trajetória artística que ultrapassou fronteiras. Como foi o início desse caminho nas artes plásticas e o que mais marcou sua formação como artista?

Tonneves: Minha jornada nas artes plásticas começou em Imperatriz, no Maranhão, onde cresci cercado pela rica cultura popular e pela exuberante natureza da região. Desde cedo, eu me fascinava com as cores, formas e texturas que me rodeavam, o que despertou meu interesse pelas artes visuais.

A arte popular maranhense, com suas cores vibrantes e padrões únicos, foi uma grande influência para mim, assim como a natureza exuberante do Maranhão, com suas paisagens diversas, que também desempenhou um papel fundamental na minha formação artística.

O início da minha trajetória foi marcado por uma exploração intensa das possibilidades das artes plásticas. Experimentei diferentes técnicas e materiais, sempre buscando encontrar minha própria linguagem artística. Minha formação foi, em grande parte, autodidata, embora eu tenha contado com alguns professores e mentores que me guiaram ao longo do caminho.

A fusão entre a arte popular e a arte contemporânea foi um dos aspectos mais marcantes da minha formação. Além disso, minha conexão com a cultura e a natureza do Maranhão foi essencial para o desenvolvimento da minha identidade artística.

Minha trajetória nas artes plásticas tem sido um processo contínuo de descoberta, profundamente influenciado pela minha origem e pelas minhas experiências. Acredito que a arte deve ser uma expressão autêntica do artista e de sua relação com o mundo ao seu redor.


Óleo sobre tela –

Gabriela Lopes: Seu trabalho é fortemente marcado pelas cores, pelos frutos do Cerrado e pela identidade do povo maranhense. De que forma sua vivência no Maranhão influencia diretamente sua criação artística?

Tonneves: Minha vivência no Maranhão tem um impacto profundo na minha criação artística. Crescer em um estado com uma rica diversidade cultural e natural proporciona uma fonte inesgotável de inspiração. As cores vibrantes do Cerrado, os sabores e as texturas dos frutos locais, assim como a expressividade do povo maranhense, são elementos que se entrelaçam na minha arte.

A identidade cultural do Maranhão, com suas tradições e histórias, é uma presença constante nas minhas obras, influenciando não apenas as cores e as formas, mas também a essência e a narrativa por trás de cada peça. A conexão com a terra e com as pessoas me permite criar trabalhos autênticos e cheios de significado, refletindo a beleza e a complexidade da minha terra natal.


Gabriela Lopes: Ao longo da sua carreira, você atuou como artista, gestor cultural, conselheiro e educador. Como essas diferentes experiências dialogam entre si e fortalecem o seu fazer artístico?

Tonneves: Minhas diferentes experiências ao longo da carreira têm sido fundamentais para o meu crescimento como artista. Ao atuar como gestor cultural, pude compreender melhor a dinâmica do setor cultural e a forma como as diversas expressões artísticas podem ser apoiadas e promovidas.

Como conselheiro, desenvolvi habilidades para analisar e avaliar projetos e iniciativas, o que contribuiu para refinar meu próprio trabalho artístico. Além disso, minha experiência como educador me permitiu compartilhar meu conhecimento e minha paixão pela arte com outras pessoas, o que, por sua vez, enriqueceu minha prática artística.

Essas diferentes experiências dialogam entre si e se fortalecem mutuamente, permitindo que eu aborde meu fazer artístico de maneira mais informada, consciente e criativa.


Óleo sobre tela – Cajus amarelos – Tonneves

Gabriela Lopes: Suas obras já circularam por países como Japão, Itália, Vaticano e Estados Unidos. O que muda — ou o que permanece — quando a arte maranhense encontra o olhar internacional?

Tonneves: Quando minhas obras são vistas internacionalmente, acredito que o que permanece é a essência da cultura maranhense, que é rica e única. No entanto, o olhar internacional traz novas interpretações e perspectivas, o que enriquece ainda mais a arte.

A arte maranhense possui uma identidade forte, reconhecida e valorizada em outros países. Ao mesmo tempo, sua internacionalização permite que ela seja observada sob diferentes ângulos, o que pode gerar novas descobertas, leituras e formas de apreciação.


Gabriela Lopes: Recentemente, você recebeu o Prêmio de Mestre da Cultura Maranhense, um reconhecimento de enorme relevância. O que esse título representa para você, pessoal e simbolicamente?

Tonneves: Receber o Prêmio de Mestre da Cultura Maranhense é uma grande honraria e um reconhecimento significativo do meu trabalho e da minha dedicação à cultura do Maranhão. Esse título representa um marco importante na minha carreira, simbolizando o apreço e a valorização da minha contribuição para a preservação e a promoção da rica herança cultural do estado.

Pessoalmente, esse reconhecimento me enche de orgulho e me motiva a continuar trabalhando para manter vivas as tradições e expressões culturais maranhenses. Simbolicamente, ele reforça a importância da cultura como elemento unificador e de identidade para a comunidade, inspirando-me a seguir contribuindo para o enriquecimento cultural do Maranhão.

Sou profundamente grato por essa distinção e sigo comprometido em continuar trabalhando em prol da cultura do Maranhão.


Óleo sobre tela – Currim – Tonneves

Gabriela Lopes: Na sua visão, qual é o papel do Mestre da Cultura na preservação, transmissão e renovação dos saberes culturais do Maranhão?

Tonneves: O Mestre da Cultura desempenha um papel fundamental na preservação, transmissão e renovação dos saberes culturais do Maranhão. Eles são guardiões das tradições e dos conhecimentos ancestrais, atuando como pontes entre o passado e o presente.

Ao transmitir esses saberes às novas gerações, os Mestres da Cultura garantem a continuidade das práticas culturais que definem a identidade maranhense. Além disso, promovem a renovação desses conhecimentos, adaptando-os às novas realidades e contextos, o que é essencial para manter a cultura viva, dinâmica e relevante.

Dessa forma, os Mestres da Cultura são fundamentais para o fortalecimento da diversidade cultural do Maranhão e para a valorização de sua identidade.


Gabriela Lopes: Você também atua como professor, compartilhando seu conhecimento com novas gerações. O que mais te emociona nesse processo de ensinar arte?

Tonneves: Ensinar arte vai muito além de transmitir técnicas ou teorias. Trata-se de inspirar os alunos a enxergarem o mundo de maneira diferente, a encontrarem sua própria voz e forma de expressão.

O que mais me emociona é acompanhar o desenvolvimento deles, não apenas como artistas, mas como indivíduos que passam a observar e interagir com o mundo de forma mais crítica, sensível e criativa. Cada descoberta, cada nova perspectiva que surge, é um lembrete do impacto que podemos ter nas próximas gerações. É um privilégio fazer parte desse processo e contribuir para que deixem sua marca no mundo.


Gabriela Lopes: Para finalizar, que mensagem você deixaria para jovens artistas maranhenses que sonham em viver da arte e manter viva a cultura do nosso estado?

Tonneves: Aos jovens artistas maranhenses, eu diria que a arte é uma jornada incrível e desafiadora, mas profundamente gratificante. Nunca deixem de sonhar e de acreditar no poder da criatividade para transformar a realidade ao seu redor.

A cultura do Maranhão é rica e diversa, e vocês têm o privilégio de serem herdeiros dessa herança. Busquem inspiração nas raízes do nosso estado, mas não tenham medo de inovar e de levar nossa arte por novos caminhos. Perseverança, dedicação e paixão serão seus maiores aliados.

Mantenham viva a cultura do Maranhão, não apenas preservando suas tradições, mas também contribuindo para sua evolução. Acreditem em si mesmos e no impacto que podem gerar por meio da arte.

Gabriela Lopes

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