O mar não amamenta seus filhos

Abdel Latif Moubarak verseja um doloroso lamento poético sobre o exílio, as ilusões da pátria e a inocência engolida pelas ondas do destino

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Sua terra o expulsou,
Então você se assentou na asa de um poema.
Talvez suas letras não enganem… aquele que falhou com você.
Uma pátria às portas do inferno, ainda que assim parecesse —
Abandone-a, pois ela não era digna.
O tronco oposto da palmeira não foi sacudido
Para que promessas maduras, como tâmaras, caíssem em sua mão,
pois as ondas de um mar
cujos desejos cruéis talvez
o tentaram…
a matar você.
Sua terra o expulsou.
O seio do Arabismo já não era suficiente
para lhe amamentar
um sonho, sombreado pela escuridão,
sua modéstia dentro das fronteiras.
Os altivos aceitaram o exílio
com uma alvorada de dor que o negligenciou.
E você, que
tomou da mão do seu sacerdote
a brasa da preservação para a eternidade que
não o trairá —
você acreditou naqueles que habitavam ao lado de sua alma,
e foi queimado.
O destino não quis isso para você.
E era como se eles fossem o pedaço de doce, meu filho,
que caiu da sua boca.
O mar não amamenta seus filhos…
Durma, meu bem-amado.
É um paraíso para a eternidade, mais altivo
que um falso néctar
que cheiramos como um túmulo, cujos habitantes não se importam.
E o cordeiro ocultava em seus lábios
uma canção para a dor de sua infância.
Durma, meu bem-amado.
Não é mais de dentro da história
que sua inocência é condenada
ou questionada.
Esta é a sua natureza:
O mar não amamenta seus filhos.

Abdel Latif Moubarak

Sobre o autor

Abdel Latif Moubarak
Abdel Latif Moubarak

Abdel Latif Moubarak (em árabe: عبد اللطيف مبارك, nascido em 1964) é um renomado poeta egípcio. É membro da União dos Escritores Egípcios e da associação de Escritores Árabes na Internet.

Nascido em Suez, o autor escreve poesias utilizando tanto o árabe clássico quanto o vernáculo egípcio. Graduou-se em Direito pela Universidade Ain Shams. Moubarak consolidou-se como um dos poetas mais importantes da década de 1980, tendo seus poemas publicados em diversas revistas literárias no Egito e no mundo árabe, incluindo a revista Arab, revista Kuwait, News Literature, o jornal Republic, Al-Ahram e a revista New Publishing Culture.

Ao longo de sua trajetória, recebeu o Escudo de Excelência e Criatividade da União de Mídia Árabe em 2014 e o escudo de excelência e criatividade da East Academy em 2021. No cenário internacional, foi laureado com o Prêmio Internacional Sergio Camellini na Itália em 2025. No ano de 2026, conquistou o primeiro lugar no concurso “Divinamente Donna” na Itália, recebeu o prestigiado Prêmio Naji Naaman pelo conjunto de sua obra literária e ganhou o Grande Prêmio do Júri na Seção A do concurso literário italiano Il Meleto di Guido Gozzano em setembro. É também membro da Writers’ Web Bangladesh

Prêmios e reconhecimento

  • 2014: Escudo de Excelência e Criatividade da União de Mídia Árabe.
  • 2021: Escudo de Excelência e Criatividade da East Academy.
  • 2025: Prêmio Internacional Sergio Camellini (Itália).
  • 2026: Primeiro lugar no concurso “Divinamente Donna” (Itália).
  • 2026: Prêmio Naji Naaman pelo conjunto de sua obra literária.
  • 2026 (Setembro): Grande Prêmio do Júri na Seção A do concurso literário italiano Il Meleto di Guido Gozzano.

Obras publicadas

  • 1994: Sentimentos e Ecos (أحاسيس وأصداء) – Egito.
  • 1996: Tocando ao Rugido dos Canhões (العزف على هدير المدافع) – Egito.
  • 1997: Sussurros do Mar (همسات البحر) – Egito.
  • 2001: Uma Segunda Leitura do Corpo (قراءة ثانية للجسد) – Egito.
  • 2007: Uma Crise de Sede (نوبة عطش).
  • 2016: Vivenciou a Morte Novamente (بتجرب تانى تموت).
  • 2018: Algumas Brasas (قبس من جمر).
  • 2026: PROBABILITY (Poemas em inglês).
  • 2026: A Pastora (راعية) – Coletânea de contos.
  • 2026: Finais Pulsantes (نهايات نابضة).
  • 2026: O Romance de Hibis (رواية هيبس).
  • 2026: Uma Varanda na Beira do Nada (Un balcone sul ciglio del nulla / شرفة على حافة العدم) – Edição em língua italiana.

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Poeme-se

José Antonio Torres: ‘Poeme-se’

José Antonio Torres
José Antonio Torres
Imagem criada por Ia do Bing - 19 de fevereiro de 2025,
 às 08:00 PM
Imagem criada por Ia do Bing – 19 de fevereiro de 2025,
às 08:00 PM

Na poesia me encontro.
Garimpando letras, formando palavras,
Dando forma aos sentimentos.
Com a poesia, mesmo na feiura, encontra-se o belo.
O árido fica formoso,
A paz torna-se realidade.
A poesia está em tudo e em todos.
Por meio da poesia,
A tragédia pode ganhar uma nova roupagem e ficar menos dolorosa.
Com a poesia não há o impossível.
Um grito pode significar um sussurro de amor;
O sofrimento da separação,
Se transforma em uma terna saudade.
A poesia está nos raios do Sol,
No brilho das estrelas,
Na luz prateada do luar.
Sentar na relva, ouvindo o canto melodioso dos pássaros,
É uma dádiva da poesia que a Natureza nos oferece.
Que saibamos transformar a nossa vida em poesia
E ter sensibilidade para apreciar a poesia da vida.

José Antonio Torres

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Versos de consolo para Vinhedo

Denise Canova: ‘Versos de consolo para Vinhedo’

Denise Canova
Denise Canova
Versos de consolo para Vinhedo.
Versos de consolo para Vinhedo.
Imagem criada pela IA do Bing

Versos de consolo

Para Vinhedo

Supere essa tragédia

62 mortes

62 anjos no Céu

Versos de consolo

Supere com fé.

Dama da Poesia

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Dilema

Pietro Costa: ‘Dilema’

Pietro Costa
Pietro Costa
Em cena, a agonia como protagonista
“Em cena, a agonia como protagonista”
Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer

Se vivemos em uma comédia obscena,

Ou mesmo em uma tragédia de láureas,

Entre vaias várias, estrondosas náuseas,

Qual performance está a roubar a cena?

Apreço pela fama enredando tramas,

Ó impiedosa síndrome macbethiana!

Ganância que encarna papéis a esmo,

E que ultraja a plateia de nós mesmos

O que sustém a foice do Poder,

Insensível à vigília das corujas,

Às mazelas a rastejar pelas ruas,

Aos tumores que atiçam seu ser?

Vida, palco do espanto e da epifania

Em cena, a agonia como protagonista

Que peças nos cabe trajar no camarim?

E quais holofotes tencionamos acender?

Ser ou não ser, uma indagação e um fim;

Ser ou não ser, perene dilema a irromper.

Pietro Costa

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Uma caricatura do homem moderno

Em ‘Luxúria, o Lobo do Homem’, o escritor Ronaldo Dalbianco mostra o lado mais perverso da humanidade, e sintetiza como notícias falsas destroem pessoas

Capa do livro 'Luxúria, o Lobo do Homem'
Capa do livro ‘Luxúria, o Lobo do Homem: Uma Tragédia Carioca’
Divulgação/Ronaldo Dalbianco

Como toda grande catástrofe, Luxúria, o Lobo do Homem – uma tragédia carioca começa por meio de atos bem intencionados, porém maléficos. Escrito por Ronaldo Dalbianco, músico e ator teatral, o lançamento é um retrato cru e visceral do comportamento contemporâneo, repleto de preconceito, difamação, miséria, traições e violência. 

Neste suspense social e psicológico, em que a sátira e a tragédia se entrelaçam, o leitor é apresentado à história de Rita Dourado: uma mulher traída e emocionalmente dilacerada, passando por uma crise de abstinência medicamentosa, que deseja se vingar do marido infiel. Para colocar o plano em ação, Rita apela ao amigo de sua filha, Matheo, e tenta seduzi-lo, mas é humilhada por ele. Desesperada e em busca de reparação, a mulher agride o rapaz e o acusa de violentar a sua filha, desencadeando uma tragédia.  

Do outro lado, está Odelon, pai de Matheo, que vive uma perigosa batalha interna ao descobrir a traição do namorado com o seu melhor amigo. Tudo o que Odelon deseja é matá-lo para defender a própria honra. Todas essas ações, somadas, conectam a vida dos personagens ao longo da narrativa, como um quebra-cabeça complexo, no qual cada evento acaba desencadeando um novo desastre de proporções épicas. 

A partir de diferentes pontos de vista, nesta obra cada personagem é o vilão e o herói da sua própria história; nenhum deles pensa nas brutais consequências que as suas ações podem causar na vida de outras pessoas. Ao explorar o lado mais sombrio da natureza humana, Luxúria, o Lobo do Homem, é uma caricatura incisiva do homem moderno, que faz o leitor repensar o próprio comportamento, a noção de liberdade em um mundo repleto de amarras sociais e a importância de evitar propagação de informações falsas.  

A ideia principal é a crítica ácida ao comportamento da sociedade na era da internet, recheado de preconceito e discriminação, com a moral voltada às consequências de tudo isso. É como uma grande metáfora quanto ao perigo da propagação de notícias falsas para a vida de inocentes. Este livro é uma espécie de catarse, revela Ronaldo Dalbianco. 

FICHA TÉCNICA:

Título: Luxúria, o Lobo do Homem 

Subtítulo: Uma tragédia carioca 

Autor: Ronaldo Dalbianco 

Editora: autopublicação 

Edição: 1ªed., 2023 

ISBN/ASIN: 978-65-00-69466-6 

Classificação indicativa: +18  

Número de páginas: 184 

Preço: R$ 40,10 (livro físico) | R$ 14,90 (e-book) 

Onde encontrar: Amazon | Uiclap | Site do auto

Sobre o autor

Ronaldo Dalbianco

Ronaldo Dalbianco é mineiro, formado em Artes Cênicas, servidor público da Justiça Federal do Rio de Janeiro e bacharelando em Letras.

Como artista dos palcos, durante os dezoito anos em que viveu na capital carioca participou de diversas montagens teatrais nos papéis de ator, cantor, assistente de direção cênica, musical, de texto e de roteiro.

‘Luxúria, o Lobo do Homem’ é o seu livro de estreia.

Acompanhe o autor nas redes sociais: 

Instagram e Threads: @ronaldo_dalbianco 

Site: https://www.ronaldodalbianco.com.br/ 

Voltar: http://www.jornalrol.com.br

Facebook: https://facebook.com/JCulturalRol/




O leitor participa: Arvelos Vieira, da Academia Cruzeirense de Letras e Artes: 'A lama da insensatez'

 “Novamente a lama da insensatez,/ Desliza por vales e planícies,/ Violenta, arrebatando tudo outra vez,/ Um mar de tragédia, dor e imundices!

A lama da insensatez

Novamente a lama da insensatez,

Desliza por vales e planícies,

Violenta, arrebatando tudo outra vez,

Um mar de tragédia, dor e imundices!

 

Não bastasse a destruição em Mariana,

Três anos atrás, um espaço muito curto,

Agora é Brumadinho quem vive o drama,

Dessa tragédia que já virou um surto!

 

Morte, lágrimas e ilusões destruídas,

Até quando viveremos essa impunidade,

Temos que ter irrestrito respeito pela vida,

Chega, é insuportável tanta calamidade!

 

A Vale do Rio Doce, empresa mineradora,

Grande responsável por mais essa tragédia,

Sua importância econômica é apreciadora,

Mas sua ineficácia é muito abaixo da média!

 

Uma empresa de capital compartilhado,

De crescimento astronômico e arrebatador,

Parece gerir seus lucros descompromissado,

Sem atentar-se as tragédias que geram dor!

 

Centenas de mortes estão sendo computadas,

Nessa calamidade de proporções incalculáveis,

Aliás tragédia que fora previamente anunciada,

Não levada a sério pelos grandes responsáveis!

 

E a natureza outra vez mais é dilacerada,

De forma estúpida fruto da ignorância

Por décadas essa tragédia será lembrada,

Pela insensibilidade e feroz ganância!

 

A lama da tragédia e da insensatez,

Novamente causou um mar de infelicidade,

Varreu tudo com violência e altivez,

Arrasando Brumadinho, pobre cidade!

 

Muitos corpos estão sendo reconhecidos,

Outros tantos jamais serão encontrados,

Rolaram ou afundaram na lama do suplício,

Para sofrimento dos parentes transtornados!

 

A lama da tragédia e da insensatez,

Desliza pela planície ferozmente,

Arrasando tudo de uma só vez,

Causando desespero eminente!

 

E agora JOSÉ, como fica essa situação?

Duas barreiras romperam causando destruição,

Centenas de famílias jamais se recuperarão,

Ante acontecimentos de estrondosa repercussão!

 

Apelamos aos nossos governantes,

Para que tomem drásticas providências,

Tragédias dessa envergadura e montante,

Nunca mais, inadmissível tal abrangência!

 

O país não pode permitir passar em vão.

Empresas que se acham acima da razão,

Corrompam e ajam com insubordinação,

Impondo-se ante um país refém da submissão!

 

A hora agora é de mudança consubstancial,

O brasileiro precisa de respeito e amparo,

O que deve ser feito compete ao governo federal,

E o pulso firme do nosso presidente Bolsonaro!

 

Arvelos Vieira – arvelosvieiraneto@gmail.com