Ella DominiciImagem criada por IA no Bing – 10 de abril de 2025, às 10:22 PM
Cisne é solitário, em colo claro deslizando íntimo, sobre si sobram- lhe penas oleaginosas vertiginosas, apenas elas escorregadas, noturnas, desamadas
Alma de cisne em transcendência retratando feminina lenda despida de terra, água, concubina das essências. Caçada pela dramaturga vida que envenena a platônica expectativa anunciando última cena, na dança dos aplausos ao solo em poesia: Coreografia do cisne e flor.
Se pudesse trincar o espelho do lago todas as gotículas seriam minhas círculos que se formam fora do itinerário natural quando se vibra e gutural quando se cria no gosto aveludado, em som de salmonella e cor vanilla.
Se pudesse pacificada como andorinhas a dor nadaria sem oriente nem para trás nem para frente…sumida Tateando doce de lagos gelados no fremir sentidos quando se dança uma valsa leve que balança
Jogue uma flor carmim sobre mim ela comigo baila como cisne desmaiados de tantos círculos assim que deixam as fadigas e cismas nesses beijos longos, vida e consciência na coreografia sonhadora da existência
Diamantino BártoloImagem gerada por IA do Bing – 2 de dezembro de 2024 às 8:38 AM
O Ser é a ideia mais abstrata de todas, e a menos compreensiva, porque ela é obtida depois de abstrairmos de tudo o que há de individual, concreto e quantitativo na realidade, de modo a ficarmos apenas com a realidade enquanto realidade.
Muito genericamente, dir-se-ia que o Ser é tudo o que existe ou pode vir a existir, logo, opõe-se ao nada e o nada apenas pode ser concebido pelo Ser de que é negação. O pensamento é, assim, o primeiro grau da realidade, embora realidade subjetiva.
Na hierarquia do Ser distinguimos três graus: o Ser possível; o Ser existente e o Ser necessário – este existe por si, e cuja essência é a própria existência. O Ser só o é enquanto lhe reconhecemos os seus atributos, isto é, unidade, transcendência e analogia.
Mas o Ser em si, tal e qual como ele é, constitui, hoje, um tema apaixonante, misterioso, quem sabe se sagrado e eternamente insondável e indecifrável, apesar d’Ele se nos desvelar nos mais insignificantes atos da natureza: como as fases de desenvolvimento de uma planta em todo o seu ciclo vegetal; como na vida do homem a partir do memento da sua concepção num acto sexual de amor, ódio, sadismo, violação ou vingança, até à sua morte biológica.
Mas no Ser último que transcende as fases cíclicas da natureza, causa das causas, necessário e suficiente, infinito e invisível, neste Ser desconhecido pela ciência, é que interessa meditar e tentar conhecê-Lo melhor o que, naturalmente, só será possível para além do mundo terreno e concreto que nos cerca, logo, o homem não atinge o Ser pela via científica ou especulativa, mas tão só pela Fé, pela convicção profundamente religiosa.
Com efeito, verificamos, constantemente, o desvelamento do Ser em todas as coisas, inclusivamente neste ato de escrever. Ele revela-se em mim como fonte de inspiração, de meditação, de ação, de fé, todavia eu não O vejo, não O consigo imaginar consubstanciado numa qualquer forma material ou delimitado no espaço e, apesar de tudo, acredito no Ser que eu sou e no Ser que faz com que eu seja aquilo que julgo ser.
Perante a grandiosidade deste facto, eu não posso deixar de me considerar tão pequenino, tão insignificante, tão imperfeito, face à magnitude do Ser Supremo que me dá o Ser concreto e abstrato, material e espiritual. Esse Ser Supremo em que eu acredito, ao qual procuro obedecer, ainda que na prática do mal, esse Ser só poderá existir como cúpula de todos os seres e então, tenho de o reconhecer em Deus.
O homem de hoje, preocupa-se pouco com o Ser enquanto Ser Homem, à imagem e/ou semelhança do seu Criador e não se apercebe do valor ético-social que representa ser Homem, enquanto modelo do Ser Supremo, daí que a crise espiritual seja constante no seu Ser verdadeiro, porque o ser que julga ser, não é mais que um “ser máscara”, uma ilusão materializada num comportamento mesquinho, egoísta e desonesto. É este Ser que o homem do princípio do século XXI, do terceiro milénio, após o nascimento de Cristo, procura exibir em todos os momentos, espaços e situações que se lhe proporcionam.
O desvelamento do Ser Verdadeiro e Supremo apenas existe a partir d’Ele, porque só Ele é Ser Omnisciente, Omnipotente, Criador de todos os outros seres, e sacrificado pelo ideal de ser Homem à sua semelhança. O Ser a que me refiro concretiza-se em Jesus Cristo, verdadeiro Ser que se desvela em todos os mistérios, manifesta-se em todas as coisas e interioriza-se na minha consciência para me aconselhar, para me guiar, enfim, para me fazer mais Ser e n’Ele me desvelar também.
Venade/Caminha – Portugal, 2024
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal