O que é a vida?

Uma viagem poética e profunda sobre o verdadeiro significado de estar vivo

Marli Freitas
Marli Freitas
Uma composição artística e vibrante em formato de colagem com elementos da natureza e espirituais. No primeiro plano à esquerda, uma mulher de perfil, com os olhos fechados e expressão de serenidade, veste uma blusa branca e está rodeada por flores coloridas, incluindo girassóis e uma borboleta. Na parte superior esquerda, vê-se uma paisagem montanhosa ao amanhecer com pássaros a voar. Ao centro e à direita, a imagem transita por cenários místicos: flores brancas em destaque, uma fogueira com chamas em formato de coração, uma cachoeira límpida, uma galáxia espiralada no espaço e mãos estendidas na direcção de um planeta iluminado. Na parte inferior direita, uma rocha exibe um cristal lapidado brilhante com vista para montanhas e vales ao entardecer.
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A vida é…

O movimento vestido de magia e poesia,

O desassossego que move a procura,

O sal que valoriza o advento.

A vida é…

O entusiasmo que embeleza o etéreo,

O colorido que matiza a alma de céu,

A infinita novidade de cada revelar em flor.

A vida é…

O fogo em eterna vigília de amor,

O frescor que perfuma o espaço e o tempo,

O delírio que leva à imaginação e nutre o sonho.

A vida é…

A fé que significa o mistério,

O elo que nos une à grandeza do universo,

A essência cristalina de Deus.

Marli F. Freitas

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Soluços sagrados

Surendra Nagaraju revela como a arte e a empatia santificam as feridas do coração humano

Surendra Nagaraju - Elanaaga
Surendra Nagaraju – Elanaaga
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Cada vez que lia uma poesia sublime, eu chorava
Cada vez que ouvia uma grande música, eu soluçava
Cada vez que me deparava com a humanidade personificada,
eu gemia.

Depois de tantos lamentos,
quão sagrado o meu coração se tornou!

Elanaaga

Sacred sobs

Every time I read sublime poetry, I cried
Every time I listened to great music, I sobbed
Every time I came across humanity personified,
I moaned.

After so many wailings
how sacred has my heart become!

Elanaaga

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Ó Deus!

Ahmad Vali:
Uma busca espiritual que dissolve as fronteiras entre o eu e o divino

Logotipo da seção O Leitor Participa, do Jornal ROL. Na No centro da imagem, escrito O Leitor Partidipa. No meio Leitura é vida. Nas laterais, uma pilha de livros de cor marrom. E abaixo, o logotipo do ROL
Logotipo da seção O Leitor Participa
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Dissolvendo-me silenciosamente e apagando a mim mesmo,
procurei por ti.
Esgotado em meu caminho até ti,
fiquei para trás, enquanto tua misericórdia —
permaneceu como tu.

Agora não há dervixe,
nem mendicante, nem tigela de mendigo.

Em toda parte, há somente tu,
a plenitude do teu vazio.

Ahmad Vali

Original (Telugu): Ahmad Vali
Tradução: Elanaaga

O God

Melting silently and effacing myself,
I searched for you.
Depleted on my way to you,
I stayed behind as your mercy–
lingered as you.

Now there is no darwish,
no mendicant, nor any beggar’s bowl.

Everywhere, it is only you,
the fullness of your emptiness.

Ahmad Vali

M. B. Ahmad Vali

M. B. Ahmad Vali is a 57 year-old poet from Narsipatnam village, Andhra Pradesh State, India. He runs a small business. His writings keep appearing in the local Telugu periodicals as well as social media such as Facebook on and off.




A sacralidade da espera

Elisa Mascia: entre o desejo, a ausência e a espera, o amor transforma o reencontro em rito de comunhão e transcendência

Elisa Mascia
Elisa Mascia
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Não se transmite o sentimento do amor pelo anulamento da distância; antes, percebe-se o anular-se na paixão para acolher aquela parte que recompõe a unidade.

A espera é o tempo essencial para compreender o quanto o fogo ardente do espírito é necessário para construir o altar sagrado, onde uma só água é evocada para o refrigério da aridez.

Para preencher a ausência, a linguagem dos braços assume o cetro do comando sobre as intermináveis páginas escritas.

Não havia luz ao redor até o canto do teu nome, que ressoa sob a pele como a seiva infiltrada no pulsar do costado, onde os sonhos lançaram a chave no poço dos desejos e no pertencer aos raios do meu sol.

Dividir o pesado fardo das adversidades é o equilíbrio das batidas do relógio, cadenciado no pulso do combatente.

E vejo dois jovens correrem sobre os ombros curvados pelo sorriso de duas linhas que escreveram seu livro nas histórias das palmas das mãos.

Os dedos banhados na tinta divina finalmente proclamaram a sacralidade de um abraço, para selar o rito de não ter esperado em vão.

Elisa Mascia

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Coreografia em solo cisne

Ella Dominici: Poema ‘Coreografia em solo cisne’

Ella Dominici
Ella Dominici
Imagem criada por IA no Bing – 10 de abril de 2025,
às 10:22 PM

Cisne é solitário, em colo claro
deslizando íntimo, sobre si sobram- lhe penas
oleaginosas vertiginosas, apenas elas
escorregadas, noturnas, desamadas

Alma de cisne em transcendência retratando feminina lenda despida
de terra, água, concubina das essências.
Caçada pela dramaturga vida
que envenena a platônica expectativa
anunciando última cena,
na dança dos aplausos ao solo em poesia:
Coreografia do cisne e flor.

Se pudesse trincar o espelho do lago
todas as gotículas seriam minhas
círculos que se formam fora do itinerário
natural quando se vibra e gutural
quando se cria no gosto aveludado,
em som de salmonella e cor vanilla.

Se pudesse pacificada como andorinhas
a dor nadaria sem oriente nem para trás
nem para frente…sumida
Tateando doce de lagos gelados
no fremir sentidos quando se dança
uma valsa leve que balança

Jogue uma flor carmim sobre mim
ela comigo baila como cisne
desmaiados de tantos círculos assim
que deixam as fadigas e cismas
nesses beijos longos, vida e consciência
na coreografia sonhadora da existência

Sophie Poët

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Desvelamento do ser

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo:

‘Desvelamento do ser’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
Imagem gerada por IA do Bing - 2 de dezembro de 2024
 às 8:38 AM
Imagem gerada por IA do Bing – 2 de dezembro de 2024
às 8:38 AM

O Ser é a ideia mais abstrata de todas, e a menos compreensiva, porque ela é obtida depois de abstrairmos de tudo o que há de individual, concreto e quantitativo na realidade, de modo a ficarmos apenas com a realidade enquanto realidade.

Muito genericamente, dir-se-ia que o Ser é tudo o que existe ou pode vir a existir, logo, opõe-se ao nada e o nada apenas pode ser concebido pelo Ser de que é negação. O pensamento é, assim, o primeiro grau da realidade, embora realidade subjetiva.

Na hierarquia do Ser distinguimos três graus: o Ser possível; o Ser existente e o Ser necessário – este existe por si, e cuja essência é a própria existência. O Ser só o é enquanto lhe reconhecemos os seus atributos, isto é, unidade, transcendência e analogia.

Mas o Ser em si, tal e qual como ele é, constitui, hoje, um tema apaixonante, misterioso, quem sabe se sagrado e eternamente insondável e indecifrável, apesar d’Ele se nos desvelar nos mais insignificantes atos da natureza: como as fases de desenvolvimento de uma planta em todo o seu ciclo vegetal; como na vida do homem a partir do memento da sua concepção num acto sexual de amor, ódio, sadismo, violação ou vingança, até à sua morte biológica.

Mas no Ser último que transcende as fases cíclicas da natureza, causa das causas, necessário e suficiente, infinito e invisível, neste Ser desconhecido pela ciência, é que interessa meditar e tentar conhecê-Lo melhor o que, naturalmente, só será possível para além do mundo terreno e concreto que nos cerca, logo, o homem não atinge o Ser pela via científica ou especulativa, mas tão só pela Fé, pela convicção profundamente religiosa.

Com efeito, verificamos, constantemente, o desvelamento do Ser em todas as coisas, inclusivamente neste ato de escrever. Ele revela-se em mim como fonte de inspiração, de meditação, de ação, de fé, todavia eu não O vejo, não O consigo imaginar consubstanciado numa qualquer forma material ou delimitado no espaço e, apesar de tudo, acredito no Ser que eu sou e no Ser que faz com que eu seja aquilo que julgo ser.

Perante a grandiosidade deste facto, eu não posso deixar de me considerar tão pequenino, tão insignificante, tão imperfeito, face à magnitude do Ser Supremo que me dá o Ser concreto e abstrato, material e espiritual. Esse Ser Supremo em que eu acredito, ao qual procuro obedecer, ainda que na prática do mal, esse Ser só poderá existir como cúpula de todos os seres e então, tenho de o reconhecer em Deus.

O homem de hoje, preocupa-se pouco com o Ser enquanto Ser Homem, à imagem e/ou semelhança do seu Criador e não se apercebe do valor ético-social que representa ser Homem, enquanto modelo do Ser Supremo, daí que a crise espiritual seja constante no seu Ser verdadeiro, porque o ser que julga ser, não é mais que um “ser máscara”, uma ilusão materializada num comportamento mesquinho, egoísta e desonesto. É este Ser que o homem do princípio do século XXI, do terceiro milénio, após o nascimento de Cristo, procura exibir em todos os momentos, espaços e situações que se lhe proporcionam.

O desvelamento do Ser Verdadeiro e Supremo apenas existe a partir d’Ele, porque só Ele é Ser Omnisciente, Omnipotente, Criador de todos os outros seres, e sacrificado pelo ideal de ser Homem à sua semelhança. O Ser a que me refiro concretiza-se em Jesus Cristo, verdadeiro Ser que se desvela em todos os mistérios, manifesta-se em todas as coisas e interioriza-se na minha consciência para me aconselhar, para me guiar, enfim, para me fazer mais Ser e n’Ele me desvelar também.

Venade/Caminha – Portugal, 2024

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal

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Dança Solo Cisne

Ella Dominici: Poema ‘Dança Solo Cisne’

Ella Dominici
Ella Dominici
Um cisne branco
Criador de imagens do Bing

Cisne é solitário, em colo claro, 

poetisa deslizando íntimo 

sobre si mesmo sobram-lhe penas 

oleaginosas vertiginosas 

Apenas elas…brancas ou negras escorregadas noturnas desamadas

Alma de cisne em transcendência 

retratando o glorioso símbolo 

feminina lenda despida de terra 

de água concubina das essências 

Caçada pela dramaturga vida

 que envenena a platônica coreografia 

anunciando última cena na dança 

dos aplausos ao solo em poesia

Ella Dominici

Contatos com a autora

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