Insignificante

Evani Rocha: Conto: ‘Insignificante’

Evani Rocha
Evani Rocha
Imagem criada por IA do Gencraft - 16 de junho de 2025, às 10:20 PM
Imagem criada por IA do Gencraft – 16 de junho de 2025,
às 10:20 PM

Sobre a mesa os cotovelos magros, e as mãos com seus dedos longos e finos apoiando o queixo… Era uma mesa de madeira lisa, dura, silenciosa. Os lábios cerrados também eram silenciosos. Os olhos parados ao longe, no abandono daquele rosto esguio cruelmente insignificante. Quem se importa com a dor da infância? Se já é gente grande, com dores tão imensas, e tão distante daquelas? O horizonte parece um caminho para as nuvens, mas não são nuvens dessas brancas que se diz como algodão. Elas têm cores: alaranjadas, acinzentadas, violetas e carmim… O quadro da parede retrata uma casinha solitária em frente a uma montanha nua, sem árvores, sem rios… Talvez aqueles pontinhos verdes sejam cactáceas, para resistir ao tamanho daquele sol!

O vento sopra o pó da estrada de terras que vai embora serpenteando o vale. A mesa também é insignificante. Não menos que todas as preces do fim das tardes, a se repetirem dia após dia… os pensamentos caóticos lhe cansam a paciência. Esperar dói! Dói muito, talvez pela incerteza. O quadro está torto, exposto, na parede de adobe. Que importa um quadro torto, se a vida também é torta!? Se pudesse arrumaria o quadro na parede, e colocaria nele pelo menos uma arvorezinha ao lado da casa…
Se pudesse, tiraria as curvas do caminho de terra e deixaria que ele entrasse céu adentro, até às nuvens…

Se pudesse, não pensaria mais, deitaria na cama desarrumada, puxaria o cobertor e fecharia os olhos. Esticaria os braços frágeis com suas mãos magras e seus dedos longos. Lá fora na varanda ficaria a mesa dura e silenciosa para sempre, a olhar um horizonte tão distante a mudar de cores todos os dias. Insignificante, cruelmente insignificante.

Evani Rocha

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Venda nova do imigrante…

Marcelo Pires:

‘Venda Nova do Imigrante, recanto de valor impressionante’

Marcelo Pires
Marcelo Pires

Andiamo, andiamo, lavorare al’ campo
Onde há beleza plena e inebriante
Aos olhos emocionados dos imigrantes

No pé da montanha repousam flores
Nos jardins da Venda estão as mais belas
As cores vivas nas pétalas enfeitam as lapelas

Terra nova, felicidade à vista, Venda Nova
Parece correr entre as montanhas como o rio
Na verdade é miragem, a Venda está bem fixada
Tem raízes antigas, mas seu nome é Venda Nova
Oh amada!

Gente de valor, forjada no trabalho e ardor
Cravada no meio do vale
Como o coração é cravejado pelas flechas do amor

O velho italiano canta per noi, la musica:
Siamo in Venda Nova per vivere in pace
Vicini ai brasiliani, lavorando per fare la vita

O flamboyant cobre o chão de flores vermelhas
Como se fosse um tapete para todos os povos
Que na Venda Nova do Imigrante, se mudaram
Chegando entoando seus belos votos

Neste recanto tem amor para todos os habitantes
Sejam eles italianos, índios, brasileiros e africanos
Os motores dos tratores soam como se fossem louvores
Da nossa terra, desbravando as lavouras

Enfrentando as manhãs frias
Os bravos agricultores aceleram suas máquinas
No mesmo ritmo de seus corações
Cumprindo a missão mais nobre, no ritmo mais forte
Os corações ficam repletos de emoções
As mesas cheias dos divinos produtos de suas plantações.

Agricultura, tradição e beleza nas lavouras
Nossa cidade avança triunfante
Seguindo a sabedoria dos antigos imigrantes
Juntamente com todos os valentes homens e mulheres
Que aqui chegaram, de todas as raças e credos
recebendo a graça, mais importante
Fundar, construir e conduzir a amada
Venda Nova do Imigrante.

Marcelo Pires

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