O som da cidade

Ismaél Wandalika: Poema ‘ O som da cidade’

Soldado Wandalika
Soldado Wandalika
Imagem fotografada com o telemóvel do autor, recriada por IA. Bairro avô Kumbi, Kilamba kiaxi, Luanda Angola.
Imagem fotografada com o telemóvel do autor, recriada por IA. Bairro avô Kumbi, Kilamba kiaxi, Luanda Angola.

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É denso
‎É intenso
‎tem poesia no seu quotidiano
‎Correm as quitandeiras ao som de seus cânticos vermelhos
‎O sol nasce beijando sua pele e queima seu corpo negro como dilolo
‎O fiscal chega e leva o negócio
‎A canção intensifica sua melancolia
‎Vozes unissímas  surgem na harmonia do ritmo na praça.

‎O som da cidade

‎todos comem a fome sem preguiça
‎Live dos kuduristas é terapia
‎O sorriso da criança faz magia
‎Ninguém desiste da trilha

‎O Som Da Cidade
‎No hospital
‎Há um som peculiar nos olhos que esperam a solução
‎Há também um grito literário ansiando por valorização
‎A cidade é cheia de vazios
‎Rica pela realeza de seus filhos
‎Desenvolve malembe malembe ao nosso ritmo, nosso esforço, nosso governo!

‎Na observação dos dias
‎No nascer da aurora
‎A cidade espelha sua aura para o planeta
‎Cada um aqui faz a sua parte pela pátria
‎E o som multiplica sua melodia.
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‎O Som Da Cidade

Soldado Wandalika

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Abraçando cactos

Veronica Moreira: Poema ‘Abraçando cactos’

Verônica Moreira
Verônica Moreira
Criador de Imagens no Bing - Da plataforma DALL·E 3
Criador de Imagens no Bing – Da plataforma DALL·E 3

Tornou-se difícil escrever,
descrever o que se passa aqui dentro de mim.
Mas, se não escrevo,
não me sinto como realmente sou.

Tudo sinto em mim,
embora não consiga explicar.
Apenas sinto, sinto muito,
e não tem nada a ver com lembranças ou saudades.
Não tem a ver com vazios e crenças negativas.
Tem a ver com meus olhos internos,
que veem o que ninguém pode ver.

Ontem, chorei de dor
porque vi a mim mesma antes do naufrágio.
Vi a mim antes da refeição.
Vi a mim antes da ferida.
E vi a mim agora, depois de tudo.

E só agora, depois de tudo o que vi,
percebo quanto tempo perdi
com tudo o que abracei,
pensando que eram flores.

Dói… dói demais perceber
que, o tempo todo,
eu abraçava cactos. E sangrei…
Não até a morte,
mas até reviver outra vez.

Verônica Moreira

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