Vesti um sorriso

Sergio Diniz da Costa: Poema ‘Vesti um sorriso’*

Sergio Diniz
Sergio Diniz
Imagem gerada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69db04a6-5a84-83e9-bf69-a4e9797f8e6c

“Não sabia o que vestir hoje

Vesti um sorriso…” e saí

Sai às ruas como quem sai ao vento

De uma manhã lufando esperança

Esperança de que, no meio do caminho,

Encontrasse outros sorrisos iguais

E assim, numa sorridente manhã,

Teria a certeza de que,

No Guarda-Roupa da Felicidade

Escolhi a veste da igualdade.

* Poema inspirado numa frase postada no Facebook pela amiga Jaque Guarani Kaiowá,
com os dizeres “Não sabia o que vestir hoje. Vesti um sorriso.”

Sergio Diniz da Costa

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Conchas e o mar adentro

Ella Dominici: Poema ‘Conchas e o mar adentro’

Ella Dominici
Ella Dominici

Imagem criada por IA da Mea - 23 de janeiro de 2026, às 16h06 - https://grok.com/imagine/post/d861784d-8fdc-4842-ab4e-ed4b1df0f1df
Imagem criada por IA da Mea – 23 de janeiro de 2026, às 16h06 – https://grok.com/imagine/post/d861784d-8fdc-4842-ab4e-ed4b1df0f1df

conchas esmagadas em sofrido aperto
contritas consternadas pelo vento
constantes sopros desmesurados
neste amor que une graciosas pérolas
rochas com a sedimentação dos tempos

águas colam enquanto passam argolas
adentrando os montes pelas grutas
choro nas paredes lágrimas nos tetos
nas lástimas me inundo em lago interno

dentro vigora azul profundo água-estéril
pinga-pinga de arbustos-folhas-sacras
ondas desiguais do mar na praia
estrondos violência em sons espetaculares

como o mar se comporta mediante
Impassibilidade das rochas
recontam o amor louco e estupendo
em tuas rochas abres fenda e adentro
enquanto mar no ímpeto

Ella Dominici

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Vazia

Loide Afonso: Poema ‘Vazia’

Loid Portugal
Loid Portugal
Imagem criada por IA da Meta
Imagem criada por IA da Meta

A dor era tudo que
Eu sentia
Mesmo tentando fugir dela
Ela doía

Eu não quero ser o tipo de ser humano
Que chora
Sem uma pedra nas mãos

Não quero estar vazia
Não
Quero que as pedras se multipliquem
Minhas mãos se encham

Mais sem peso
Sem sentir raiva
Ou vontade de chorar
Só de mãos cheias

Não quero correr com
As mãos cheias
Quero caminhar tranquilamente

Como se nada tivesse nas minhas mãos
Quero voar também
Sentir o vento batendo forte

Não quero correr vazia
Nem sentindo peso
Quero estar em paz!

Loid Portugal

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Minutos de fuga

Loide Afonso: Poema ‘Minutos de fuga’

Loid Portugal
Loid Portugal
Imagem criada por IA da Meta
Imagem criada por IA da Meta

Gosto da forma
Desenfreada que
O vento
E ambiente casou

Entre entradas e saídas
Idas e vindas
Risadas
E o crush das câmeras

Atenção, isto não é pra ser sério!

As borboletas
Saltavam
Mesmo
Cegas
Com o brilho da noite
Da Leo

As folhas secas corriam
No tapete
Da fama
Queriam que eu gritasse
Que precisava de um beijo

Boy no espeto, tintim de copos, trocadilhos, tonturas e presença de vinhos

Os gestos
Perfumes
E as vozes
Ah! As vozes

Eram tantas
Vários tons
E melodias
E quando despertamos
Já era dia.

Loid Portugal

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Já fui semente

Irene da Rocha: Poema ‘Já fui semente’

Irene da Rocha
Irene da rocha
Imagem criada por IA do Grok - 16 de setebro de 2025, às 14:36 PM
Imagem criada por IA do Grok – 16 de setembro de 2025, às 14:36 PM

Já fui semente ao pó desamparada,
sem luz, sem água, à terra me entreguei;
na luta agreste, em dor desesperada,
ergui-me ao sol, no fogo me encontrei.

Do seio escuro, em força revelada,
criei raiz, no chão firme fiquei;
tornei-me tronco e sombra consagrada,
frutifiquei na vida que sonhei.

E quando o vento em fúria me despoja,
chorando quedo ao pó que me devora,
mas minha fé maior jamais se deixou.

Pois sei que a vida em flor se restaura,
e a primavera em mim tudo reboja:
renasço em luz, mais forte a cada aurora.

Irene da Rocha

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Coisa que só eu ouço

Paulo Siuves: Poema ‘Coisas que só eu ouço’

Paulo Siuves
Paulo Siuves
Imagem criada por IA do Bing – 08 de julho de 2025, às 19:30 PM

Sempre vi o frio
como poesia sazonal.
Ele chega devagar,
no começo do outono,
cortante e sussurrante —
um frio que as pessoas desprezam,
até que percebem
que não era só um ventinho qualquer,
mas um inverno disfarçado.

De manhã,
o frio contrasta com o brilho generoso do sol,
mas é um brilho gelado,
como o da luz acesa da geladeira —
presença sem calor.

À tarde,
o vento sopra na minha orelha
frases que ninguém mais escuta.
Os outros correm pela avenida,
com seus fones de ouvido,
seus compromissos,
suas camisetas de verão.
E eu,
me encolho
num frio que castiga
os mais frágeis do que eu
— e às vezes, sou eu quem é.

À noite,
um mingau, um caldo,
ou um vinho encorpado,
tinto generoso como as estrelas
que brilham de longe,
trazem algum alento.

Os tecidos de algodão
tentam, em vão, proteger minha pele
desse poema gelado
que o frio insiste em declamar
na minha orelha.

E eu me recolho,
em silêncio,
sob o abrigo dos cobertores,
porque o frio —
o frio não é psicológico, coronel.

Ele só gosta de fingir que é.

Paulo Siuves

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Insignificante

Evani Rocha: Conto: ‘Insignificante’

Evani Rocha
Evani Rocha
Imagem criada por IA do Gencraft - 16 de junho de 2025, às 10:20 PM
Imagem criada por IA do Gencraft – 16 de junho de 2025,
às 10:20 PM

Sobre a mesa os cotovelos magros, e as mãos com seus dedos longos e finos apoiando o queixo… Era uma mesa de madeira lisa, dura, silenciosa. Os lábios cerrados também eram silenciosos. Os olhos parados ao longe, no abandono daquele rosto esguio cruelmente insignificante. Quem se importa com a dor da infância? Se já é gente grande, com dores tão imensas, e tão distante daquelas? O horizonte parece um caminho para as nuvens, mas não são nuvens dessas brancas que se diz como algodão. Elas têm cores: alaranjadas, acinzentadas, violetas e carmim… O quadro da parede retrata uma casinha solitária em frente a uma montanha nua, sem árvores, sem rios… Talvez aqueles pontinhos verdes sejam cactáceas, para resistir ao tamanho daquele sol!

O vento sopra o pó da estrada de terras que vai embora serpenteando o vale. A mesa também é insignificante. Não menos que todas as preces do fim das tardes, a se repetirem dia após dia… os pensamentos caóticos lhe cansam a paciência. Esperar dói! Dói muito, talvez pela incerteza. O quadro está torto, exposto, na parede de adobe. Que importa um quadro torto, se a vida também é torta!? Se pudesse arrumaria o quadro na parede, e colocaria nele pelo menos uma arvorezinha ao lado da casa…
Se pudesse, tiraria as curvas do caminho de terra e deixaria que ele entrasse céu adentro, até às nuvens…

Se pudesse, não pensaria mais, deitaria na cama desarrumada, puxaria o cobertor e fecharia os olhos. Esticaria os braços frágeis com suas mãos magras e seus dedos longos. Lá fora na varanda ficaria a mesa dura e silenciosa para sempre, a olhar um horizonte tão distante a mudar de cores todos os dias. Insignificante, cruelmente insignificante.

Evani Rocha

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