O que é a vida?

Uma viagem poética e profunda sobre o verdadeiro significado de estar vivo

Marli Freitas
Marli Freitas
Uma composição artística e vibrante em formato de colagem com elementos da natureza e espirituais. No primeiro plano à esquerda, uma mulher de perfil, com os olhos fechados e expressão de serenidade, veste uma blusa branca e está rodeada por flores coloridas, incluindo girassóis e uma borboleta. Na parte superior esquerda, vê-se uma paisagem montanhosa ao amanhecer com pássaros a voar. Ao centro e à direita, a imagem transita por cenários místicos: flores brancas em destaque, uma fogueira com chamas em formato de coração, uma cachoeira límpida, uma galáxia espiralada no espaço e mãos estendidas na direcção de um planeta iluminado. Na parte inferior direita, uma rocha exibe um cristal lapidado brilhante com vista para montanhas e vales ao entardecer.
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A vida é…

O movimento vestido de magia e poesia,

O desassossego que move a procura,

O sal que valoriza o advento.

A vida é…

O entusiasmo que embeleza o etéreo,

O colorido que matiza a alma de céu,

A infinita novidade de cada revelar em flor.

A vida é…

O fogo em eterna vigília de amor,

O frescor que perfuma o espaço e o tempo,

O delírio que leva à imaginação e nutre o sonho.

A vida é…

A fé que significa o mistério,

O elo que nos une à grandeza do universo,

A essência cristalina de Deus.

Marli F. Freitas

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Um caminhante desnorteado

Nagaraju Ramaswamy:
Poema que transforma a perda do caminho em metáfora da própria existência

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Tem-se a sensação de que tudo é conhecido,
mas o caminho na floresta nunca termina.
A direção parece perfeita,
mas a pequena embarcação não chega à margem.
As trilhas no deserto não são desconhecidas,
mas, por mais que se caminhe,
não se chega à fronteira.
Assim é a vida dos seres humanos.
É uma selva impenetrável,
um vasto oceano que se estende até o horizonte.
Uma infinidade de areia que se alonga até a linha do céu.
É um encantamento mágico,
feito de miragens entretecidas e místicas.
E o homem, um caminhante desnorteado,
continua vagando, tendo perdido o seu caminho.

Nagaraju Ramaswamy

Original (Telugu): Nagaraju Ramaswamy
Tradução: Elanaaga

A Befuddled Wayfarer

One feels as if everything is known,
but the path in the forest never ends.
Direction seems perfect,
yet the dinghy doesn’t get ashore.
The tracks in the desert are not unknown,
but no amount of treading
takes you to the frontier.
Such is the life of humans.
It’s an impenetrable jungle,
a vast ocean spread to the horizon.
Infinite sand stretched to the skyline.
A magic spell it is,
of woven, mystical mirages.
And man, a befuddled wayfarer,
keeps roaming, having lost his way.

Nagaraju Ramaswamy

Original (Telugu): Nagaraju Ramaswamy
Translation: Elanaaga

Nagaraju Ramaswamy, um indiano de meia idade, cabelos brancos e de úculos.
Nagaraju Ramaswamy

Nagaraju Ramaswamy nasceu na Índia, em 9 de setembro de 1939. É engenheiro eletricista de profissão.

Após uma longa trajetória profissional na Índia, Nigéria, Gana, Omã e Arábia Saudita, aposentou-se há muitos anos e atualmente reside nos Estados Unidos.

Sua obra compreende 14 livros em télugo e três em inglês. Sua tradução para o télugo da coletânea de poemas “Sunstone”, de Octavio Paz, lhe trouxe reconhecimento. A tradução da poesia de John Keats também merece destaque. Igualmente dignos de menção são “The Great Void”, “Wings of Musings” e “Blue Pleasance”.

Seu livro mais recente em télugo, “Kavana Kokilalu”, reúne ensaios notáveis e detalhados sobre antigos poetas ingleses. A obra serve como um guia de consulta para os apreciadores da poesia inglesa.

Seus textos continuam sendo publicados em periódicos locais e nas redes sociais, como Facebook, WhatsApp, entre outras. Recebeu alguns prêmios e distinções por sua contribuição à literatura.




E o mundo me fez poeta

Ismaél Wankalika:
entre as sombras da vida e a luz dos versos, nasce a voz de um poeta!

Soldado Wandalika
Soldado Wandalika

Nascemos entre os fios que nos ligam a existência
Nossa razão é a lógica da saberia assertiva
Num caminho vários espinhos
Abismos não limpam gargalhadas nos meios dos sorrisos
O passado é renovado pela semente lançada no óvulo
Vários mundos escolhendo os seus
Rendidos no cenáculo lançam suas preces a Deus
E assim na madrugada nos meus escritos o poeta nasceu
Dando a coreografia de sua caneta seu sonho reviveu…

E o mundo me fez poeta

Na voz de meu pai
No cantar de mamãe
Ouviram-se as sombras de suas épocas
Canção holística que arrastou-os para trilha
O poeta despertou comendo suas rimas na órbita da vida
As vezes a vida enquadra-se no sentido que damos a ela.

E o mundo me fez poeta

Eu era um menino desolado
Com ânsias no coração procurava melodias
Beijava o sol todas as manhãs que o vento soprava ao redor mundo
Escassez de encanto
Na palm da infância
Vivi meus dias perto do mar da vida

Caneta expressava um barulho tardio
No peito intenso desejo de mudar o trajeto
Ainda luto contra os meus choros
Massageio a dor no cotovelo das ondas
Caminho segurando as forças com o som de uma guitarra sem cordas
Esse é o meu destino visualizado na penumbra.

E o mundo me fez poeta

Entre os gritos injustos de meu pai
A resiliência destemida de mamãe
Fiz nascer meu primeiro verso
Transformei suas vidas nos meus textos
Sou eles, nessa versão poética de suas místicas vidas
Suas estórias estão aqui dentro
O orgulho que os venceu, tenho seu segredo em mim
Escrevo nestas sombras o enigma de suas tragédias
Sorte adiada no pumar da esperança
Sou poeta!
finjo dor
Escrevo com ardor

Sou capitão neste navio
Na contra mão de suas sombras
Cortarei o negro com a força das espadas.

E o mundo me fez poeta

Sinto o peso das almas que a mim clamam
Pressão nos ombros
No mundo de vários mundos encontrei o meu mundo.
Fiz minha letra
Que alma chora mas a resiliência mantém-me vivo.

E o mundo me fez poeta!

Soldado Wandalika

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Onde o coração se aquieta

Marli F. Freitas: Poema ‘Onde o coração se aquieta’

Marli Freitas
Marli Freitas
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Lá onde as garças sobem o rio,
Enfeitando a alma e a paisagem,
Tudo debaixo do céu desperta
A imaginação a favor da poesia.

Lá onde as corujas guardam
A cidade, a brisa é suave, o coração
Se aquieta, o olhar serena
E o monte sugere uma prece.

Lá onde o tempo é medido em
Canto de passarinho e o aroma
É doce, dormem as dores e
Acordam floridas as alegrias.

Lá onde o campo é lindo,
O gado é manso, as lembranças
São ternas, a minha menina
Brinca e sorri a cada cortesia.

Lá onde Deus desenhou as vias
Do epílogo, o dia transcorre
Perspicaz aos encantos e assombros,
Manifestando a beleza da vida.

Marli F. Freitas

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Mudança

SAÚDE INTEGRAL

Joelson Mora

‘Mudança: a ponte entre quem somos

e quem podemos ser’

Joelson Mora
Joelson Mora
Imagem criada pélo ChatGPT - 07 de junho de 2025, às 18h
Imagem criada pélo ChatGPT – 07 de junho de 2025, às 18h

A vida é movimento.

Tudo o que existe está em constante transformação. As estações mudam. Os rios mudam seu curso. As árvores perdem suas folhas para florescer novamente. O próprio corpo humano se modifica diariamente, substituindo células, adaptando-se ao ambiente e respondendo aos desafios da existência.

Ainda assim, entre todas as criaturas da natureza, talvez o ser humano seja aquele que mais resiste à mudança.

Queremos novos resultados mantendo os mesmos hábitos. Desejamos uma nova realidade carregando as mesmas crenças. Sonhamos com um futuro diferente enquanto nos agarramos ao conforto do passado.

A palavra mudança costuma despertar sentimentos contraditórios. Para alguns, representa esperança. Para outros, insegurança. Há quem a veja como oportunidade e quem a perceba como ameaça.

Mas existe uma verdade inevitável: mudar não é uma opção. É uma condição da própria vida.

A ciência nos mostra que nosso organismo está em permanente renovação. A pele se regenera. Os ossos se remodelam. O cérebro cria novas conexões neurais ao longo da vida. Biologicamente, somos seres programados para a transformação.

Entretanto, as mudanças mais profundas não acontecem apenas no corpo.

Elas acontecem na forma como enxergamos o mundo.

Uma pessoa pode permanecer décadas na mesma cidade e, ainda assim, transformar-se completamente. Outra pode cruzar continentes e continuar prisioneira dos mesmos medos, das mesmas limitações e dos mesmos padrões.

A verdadeira mudança não começa nos pés.

Começa na mente.

Recentemente vivi uma mudança significativa ao deixar Sorocaba, cidade que marcou minha história, para iniciar uma nova etapa em Joinville. Ao empacotar meus pertences, percebi algo curioso: muitas vezes carregamos muito mais do que caixas.

Carregamos memórias.

Carregamos identidades.

Carregamos versões antigas de nós mesmos.

Em certos momentos da vida, mudar exige coragem para deixar para trás não apenas lugares, mas também pessoas, familiares, amigos, que participaram desta jornada até aqui. 

A filosofia antiga ensinava que ninguém entra duas vezes no mesmo rio, porque nem o rio é o mesmo, nem a pessoa permanece igual. A existência é um fluxo contínuo.

Talvez o sofrimento surja justamente quando tentamos congelar aquilo que nasceu para se transformar.

Relacionamentos mudam.

Empresas mudam.

Profissões mudam.

Corpos mudam.

Sonhos mudam.

Nós mudamos.

E isso não deveria ser motivo de medo.

Deveria ser motivo de gratidão.

A mudança é a prova de que estamos vivos.

Do ponto de vista espiritual, existe uma reflexão ainda mais profunda. Muitas tradições ensinam que a evolução humana acontece através de ciclos. Há momentos de construção, momentos de colheita e momentos de desapego.

Nenhuma borboleta nasce sem abandonar o casulo.

Nenhuma árvore cresce sem romper a semente.

Nenhum amanhecer acontece sem que a noite chegue ao fim.

Talvez algumas das mudanças que tanto tememos sejam, na verdade, convites para nos tornarmos aquilo que ainda não tivemos coragem de ser.

Por isso, vale uma pergunta:

O que em sua vida está pedindo mudança neste momento?

Um hábito?

Uma crença?

Uma atitude?

Um relacionamento?

Uma forma de enxergar a si mesmo?

Muitas vezes procuramos respostas fora, quando a transformação começa dentro.

O mundo muda quando mudamos nossa forma de vê-lo.

E talvez o maior desafio não seja mudar de cidade ou de rotina.

Talvez o maior desafio seja permitir que uma nova versão de nós mesmos venha à luz.

Porque toda mudança verdadeira carrega uma despedida.

Mas também carrega um nascimento.

E entre aquilo que deixamos para trás e aquilo que ainda iremos descobrir existe uma ponte invisível chamada coragem.

Atravessa-la é uma escolha.

Mas permanecer parado também é.

E a vida, silenciosamente, continua seguindo adiante.

Joelson Mora

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Mamasita

Jane Nash: Poem ‘Mamasita’

Jane Nash
Jane Nash
Mamasita Susan - Personal archive
Mamasita Susan – Personal archive

Nine years old this year
If you were a dog that would be bad
But tis 9 years since the stem cell transplant
9 years since being told
you’re at the end of the road
9 years since sitting in that restaurant
The three of us
Getting to grips with the fact
it might just all be over
The chemotherapy
The sickness
The losing of hair
Which is more devastating
that one can imagine
The terrible wig
The hat I knitted you to keep your head warm
The first thing I had ever knitted
For the last months of your life

Nine years old this year
When all the markers were against you
AML
it sounds like a football club abbreviation
Acute – there’s nothing cute about
Myeloid – it belonged to all of us
Leukemia – there are no good recovery stats
I watched you shrink,
Washed you
Fed you
Watched you hoping all the time
That this was no Black Star
I wanted in the small hours
A Lazarus effect
But to watch your tiny bones
Your shrinking body
Your little face
My soul began to take bites out of itself

Nine years old this year
Nine glorious accounts of rebellion
With each new birthday I have become
A little cheekier with fate
When I feel that my life is at a standstill
I look at your face, your fuller face
Your stronger bones
Your proud to be ageing body
I am reminded that miracles
Come in the form of packages
It takes a team of us, of them and
Your absolute resolve to survive
To happen
I never mind hearing your voice
Even if I’m tired and falling asleep
When you call across the time zones
I relish the sound of you
The recall of your daily adventures

No matter how ordinary
Because life can never be mundane

Jane Nash

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Confidente e fria

Evani Rocha: Poema ‘Confidente e fria’

Evani Rocha
Evani Rocha
Imagem gerada por IA do Canva -23 de abril de 2026, às 08h52

Quando a solidão chega e encontra ninho

Ela nunca mais vai embora

Não porque a queremos

Mas porque precisamos

Porque ela preenche um vazio

De não ‘sei o quê’

Porque ela é silenciosa e não questiona

Porque ela é dona

De todos os espaços

Que sobraram em nossa vida

Ela é confidente e fria

Fica com a gente e escuta os lamentos

Ela não bate à porta

Mas senta-se à mesa do café,

Do almoço e jantar…

Não para comer,

Mas para nos ver de perto

Olhar no fundo dos olhos

Sentir o cheiro do café e das rosas,

Abertas no jardim…

Ela fica,

Porque nos acostumamos

À sua companhia,

Ao seu sorriso apagado,

Aos seus afagos…

Nos acostumamos ao seu lado,

À sua imagem disforme e presente…

No terreiro, nas vidraças,

Nas chuvas de janeiro!

Ah, que sentimento é esse,

Que causa desassossego

Mas que ocupa os espaços ociosos,

Da casa, das ruas, das calçadas…

Que pode ser psicólogo,

Dar colo e puxão de orelha…

Mas que, também, não nos deixa sós

Nas horas eternas de um dia de verão!

Evani Rocha

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