Mudança

SAÚDE INTEGRAL

Joelson Mora

‘Mudança: a ponte entre quem somos

e quem podemos ser’

Joelson Mora
Joelson Mora
Imagem criada pélo ChatGPT - 07 de junho de 2025, às 18h
Imagem criada pélo ChatGPT – 07 de junho de 2025, às 18h

A vida é movimento.

Tudo o que existe está em constante transformação. As estações mudam. Os rios mudam seu curso. As árvores perdem suas folhas para florescer novamente. O próprio corpo humano se modifica diariamente, substituindo células, adaptando-se ao ambiente e respondendo aos desafios da existência.

Ainda assim, entre todas as criaturas da natureza, talvez o ser humano seja aquele que mais resiste à mudança.

Queremos novos resultados mantendo os mesmos hábitos. Desejamos uma nova realidade carregando as mesmas crenças. Sonhamos com um futuro diferente enquanto nos agarramos ao conforto do passado.

A palavra mudança costuma despertar sentimentos contraditórios. Para alguns, representa esperança. Para outros, insegurança. Há quem a veja como oportunidade e quem a perceba como ameaça.

Mas existe uma verdade inevitável: mudar não é uma opção. É uma condição da própria vida.

A ciência nos mostra que nosso organismo está em permanente renovação. A pele se regenera. Os ossos se remodelam. O cérebro cria novas conexões neurais ao longo da vida. Biologicamente, somos seres programados para a transformação.

Entretanto, as mudanças mais profundas não acontecem apenas no corpo.

Elas acontecem na forma como enxergamos o mundo.

Uma pessoa pode permanecer décadas na mesma cidade e, ainda assim, transformar-se completamente. Outra pode cruzar continentes e continuar prisioneira dos mesmos medos, das mesmas limitações e dos mesmos padrões.

A verdadeira mudança não começa nos pés.

Começa na mente.

Recentemente vivi uma mudança significativa ao deixar Sorocaba, cidade que marcou minha história, para iniciar uma nova etapa em Joinville. Ao empacotar meus pertences, percebi algo curioso: muitas vezes carregamos muito mais do que caixas.

Carregamos memórias.

Carregamos identidades.

Carregamos versões antigas de nós mesmos.

Em certos momentos da vida, mudar exige coragem para deixar para trás não apenas lugares, mas também pessoas, familiares, amigos, que participaram desta jornada até aqui. 

A filosofia antiga ensinava que ninguém entra duas vezes no mesmo rio, porque nem o rio é o mesmo, nem a pessoa permanece igual. A existência é um fluxo contínuo.

Talvez o sofrimento surja justamente quando tentamos congelar aquilo que nasceu para se transformar.

Relacionamentos mudam.

Empresas mudam.

Profissões mudam.

Corpos mudam.

Sonhos mudam.

Nós mudamos.

E isso não deveria ser motivo de medo.

Deveria ser motivo de gratidão.

A mudança é a prova de que estamos vivos.

Do ponto de vista espiritual, existe uma reflexão ainda mais profunda. Muitas tradições ensinam que a evolução humana acontece através de ciclos. Há momentos de construção, momentos de colheita e momentos de desapego.

Nenhuma borboleta nasce sem abandonar o casulo.

Nenhuma árvore cresce sem romper a semente.

Nenhum amanhecer acontece sem que a noite chegue ao fim.

Talvez algumas das mudanças que tanto tememos sejam, na verdade, convites para nos tornarmos aquilo que ainda não tivemos coragem de ser.

Por isso, vale uma pergunta:

O que em sua vida está pedindo mudança neste momento?

Um hábito?

Uma crença?

Uma atitude?

Um relacionamento?

Uma forma de enxergar a si mesmo?

Muitas vezes procuramos respostas fora, quando a transformação começa dentro.

O mundo muda quando mudamos nossa forma de vê-lo.

E talvez o maior desafio não seja mudar de cidade ou de rotina.

Talvez o maior desafio seja permitir que uma nova versão de nós mesmos venha à luz.

Porque toda mudança verdadeira carrega uma despedida.

Mas também carrega um nascimento.

E entre aquilo que deixamos para trás e aquilo que ainda iremos descobrir existe uma ponte invisível chamada coragem.

Atravessa-la é uma escolha.

Mas permanecer parado também é.

E a vida, silenciosamente, continua seguindo adiante.

Joelson Mora

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Mamasita

Jane Nash: Poem ‘Mamasita’

Jane Nash
Jane Nash
Mamasita Susan - Personal archive
Mamasita Susan – Personal archive

Nine years old this year
If you were a dog that would be bad
But tis 9 years since the stem cell transplant
9 years since being told
you’re at the end of the road
9 years since sitting in that restaurant
The three of us
Getting to grips with the fact
it might just all be over
The chemotherapy
The sickness
The losing of hair
Which is more devastating
that one can imagine
The terrible wig
The hat I knitted you to keep your head warm
The first thing I had ever knitted
For the last months of your life

Nine years old this year
When all the markers were against you
AML
it sounds like a football club abbreviation
Acute – there’s nothing cute about
Myeloid – it belonged to all of us
Leukemia – there are no good recovery stats
I watched you shrink,
Washed you
Fed you
Watched you hoping all the time
That this was no Black Star
I wanted in the small hours
A Lazarus effect
But to watch your tiny bones
Your shrinking body
Your little face
My soul began to take bites out of itself

Nine years old this year
Nine glorious accounts of rebellion
With each new birthday I have become
A little cheekier with fate
When I feel that my life is at a standstill
I look at your face, your fuller face
Your stronger bones
Your proud to be ageing body
I am reminded that miracles
Come in the form of packages
It takes a team of us, of them and
Your absolute resolve to survive
To happen
I never mind hearing your voice
Even if I’m tired and falling asleep
When you call across the time zones
I relish the sound of you
The recall of your daily adventures

No matter how ordinary
Because life can never be mundane

Jane Nash

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Confidente e fria

Evani Rocha: Poema ‘Confidente e fria’

Evani Rocha
Evani Rocha
Imagem gerada por IA do Canva -23 de abril de 2026, às 08h52

Quando a solidão chega e encontra ninho

Ela nunca mais vai embora

Não porque a queremos

Mas porque precisamos

Porque ela preenche um vazio

De não ‘sei o quê’

Porque ela é silenciosa e não questiona

Porque ela é dona

De todos os espaços

Que sobraram em nossa vida

Ela é confidente e fria

Fica com a gente e escuta os lamentos

Ela não bate à porta

Mas senta-se à mesa do café,

Do almoço e jantar…

Não para comer,

Mas para nos ver de perto

Olhar no fundo dos olhos

Sentir o cheiro do café e das rosas,

Abertas no jardim…

Ela fica,

Porque nos acostumamos

À sua companhia,

Ao seu sorriso apagado,

Aos seus afagos…

Nos acostumamos ao seu lado,

À sua imagem disforme e presente…

No terreiro, nas vidraças,

Nas chuvas de janeiro!

Ah, que sentimento é esse,

Que causa desassossego

Mas que ocupa os espaços ociosos,

Da casa, das ruas, das calçadas…

Que pode ser psicólogo,

Dar colo e puxão de orelha…

Mas que, também, não nos deixa sós

Nas horas eternas de um dia de verão!

Evani Rocha

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Clarões amorosos

Rita Odeh: Pensamentos ‘Clarões amorosos’

Rita Odeh
Rita Odeh
Imagem gerada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69dfaacf-a5cc-83e9-ad61-88bdaa91a20c

1.
Quando juraste tornar-te a minha voz e o meu eco,
Por que é que andorinhas voaram do meu peito e o horizonte se expandiu?!
​2.
​Uma mulher basta?
= Tu és todas as mulheres numa só, por isso bastas.
​3.
O amor é como a vida, como a morte; só acontece uma vez.
​4.
Timing Amoroso
​Que horas são agora?
​São nove e… amo-te.
​5.
Espantoso! A seta que atravessou o meu coração não o fez sangrar; antes, encheu-o de amor!
​6.
Terás chegado no momento em que os meus olhos se pintaram de kohl à tua vista,
Ou estavas lá antes mesmo de o sonho nascer?!
​7.
Tudo começa como uma semente e depois cresce, exceto o nosso sonho. Chegou com o tamanho do Sol.
​8.
Somos iguais: como se fôssemos duas metades do mesmo pão.
​9.
Vou arrancar-te do teu inferno para o meu paraíso, onde não há ninguém além de: eu, tu e uma profecia.
​10.
Abraça-me, como um poeta abraça o verso final contra o seu peito.
​11.
Eles viram-me como uma mulher bonita e passaram. Tu viste-me como vinho e… embriagaste-te.
​13.
Assim como a primavera chega e percebemos que todas as estações eram apenas um prelúdio para a sua vinda, o homem do sonho chegou, e percebi que tudo o que vivi na vida era apenas um prelúdio para ele.
​14.
Maquilho os meus olhos com kohl para que as outras mulheres te possam ver neles em todo o teu esplendor, e me invejem por ti.
​15.
Por princípio, detesto a posse. Mas quando me chamas: “Minha Rita”, oh, como eu adoro!
​16.
As nossas almas não se uniram por acaso. Isto é uma questão vinda do meu Senhor.
​17.
Eras como a última peça do puzzle; quando te encontrei, tornei-me completa.
​18.
O mais estranho neste amor é que pediste a minha mão a Deus, e os anjos foram testemunhas deste pacto!
​19.
Chamam por ti e eu viro-me. Não serás tu… o meu próprio eu?!
​20.
A diferença entre o meu amado e todos os outros homens é como a diferença entre um ser humano comum e um profeta.

Rita Odeh

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O que importa é levar a vida

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Artigo: ‘O que importa é levar a vida’

Diamantino Bártolo
Diamantino Bártolo
Imagem gerada pelo ChatGPT – https://gemini.google.com/app/c301d29d04ca53cf?utm_source=app_launcher&utm_medium=owned&utm_campaign=base_all

É do conhecimento geral que, em circunstâncias muito especiais da vida de uma pessoa, por vezes, vale quase tudo, porém nunca vale tudo, por exemplo, mesmo quando se luta pela vida, pela saúde, pela salvação da alma, numa vida espiritual eterna, para os crentes. E em situações-limite, será que vale tudo: maltratar, injuriar, difamar, desprezar, humilhar, roubar, matar? É muito difícil dar uma resposta, mas é certo que cada pessoa decide em função da circunstância do momento, ou de antecedentes acumulados.

Há uma expressão muito interessante, que se utiliza com muita frequência, para justificar certos comportamentos: “o que importa é levar a vida”, “dar-se bem com todos”, como diz a sabedoria popular: ”dizer amem, com Deus e com o Diabo”, ideia que, de alguma forma, tem implícita a atitude do “vale tudo”, seja nas relações laborais, também na política, nos negócios e, deploravelmente, nas relações pessoais. Mas ainda há quem defenda uma tal posição.

É claro que quem assim procede, deverá saber que, mais tarde ou mais cedo, acabará por enveredar por práticas ambíguas, descredibilizadas e que, tais pessoas, acabam por perder o respeito e a confiança que nelas ainda se depositava, na medida em que quem pratica vários “jogos”, em simultâneo, corre o risco de os perder todos. Mais vale um amigo para a vida, do que mil para nos bajularem, quando de nós precisam ou em conjunturas especiais, para eles.

A confiança em alguém só se adquire quando se tem a certeza de que, quaisquer que sejam as circunstâncias, se pode contar, firme e inequivocamente, com essa pessoa, para o bem e para o mal, na alegria e na tristeza, nos sucessos e nos fracassos, na felicidade e no infortúnio.

É difícil confiar numa pessoa, quando ela se relaciona muito bem com outras pessoas que nos são particularmente indesejáveis e que nos deixam desconfortáveis. É verdade que toda a gente tem, pelo menos, uma pessoa, supostamente, amiga, ou até muitas outras alegadas amizades, que cada amigo, por sua vez, tem outro amigo, e que numa relação alargada haverá alguém que não é meu amigo, mas amigo do meu amigo, ou vice-versa! 

Se por um lado devemos aceitar o princípio, segundo qual: “o amigo do meu amigo, meu amigo é”, correlativamente, o contrário também devemos adotar, isto é: “O amigo do meu inimigo, meu inimigo é”. Então como se deverá proceder? Pode-se confiar num amigo que por sua vez é amigo de um nosso inimigo, ou pelo menos num nosso adversário, concorrente? Muito difícil de resolver, não é?

O “Saber-conviver-com-os-outros” implica regras, críticas, escolhas, assertividade. Ao longo da vida sempre haverá “faturas para pagar”, precisamente em função do que adquirimos, no mundo das relações humanas. Obviamente que se nos colocarmos do lado dos “gregos”, ficamos contra os “troianos”; mas se tentamos ajudar aos dois, e ambos vêm a ter conhecimento da nossa posição, o mais certo é sermos indesejados por eles e jamais obtermos a sua confiança. Afinal estamos a trair os dois.

 Igualmente, ficaremos com a certeza de que nunca vamos poder beneficiar de algum favor de um dos lados, porque, uma vez mais, não se pode favorecer o amigo do meu adversário, do meu detrator, de quem me não quer bem, de quem me difama e denigre. A solidariedade, a amizade, a lealdade e a reciprocidade, em relação a uma das partes, revela: coerência, confiança, honradez, bom caráter, verticalidade e dignidade.

BIBLIOGRAFIA

BERGOGLIO, Jorge, Papa Francisco, (2013). O Verdadeiro Poder é Servir. Por uma Igreja mais humilde. Um novo compromisso de fé e de renovação social. Tradução de Maria João Vieira /Coord.), Ângelo Santana, Margarida Mata Pereira. Braga: Publito.

Venade/Caminha – Portugal, 2026

Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo

Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portuga

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Balancing act

Surendra Nagaraju: Poem ‘Balancing act’

Surendra Nagaraju - Elanaaga
Surendra Nagaraju – Elanaaga
Imagem gerada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69da87a2-d3ec-83e9-8f47-3bd76b3f5f23

At first, He frightens my life’s ship
with monstrous tides.
But soon, He bestows assurance with mercy.
Suppressing the brutality of the waves,
He fills my heart with calm and peace.

He may appear a little unkind outwardly,
but my Lord is not prejudiced.
Doesn’t grant me agony alone all times;
Now and then, He showers me with surplus smiles.

(Self-rendering of my Telugu poem Parihara Krityam)

Surendra Nagaraju – Elanaaga

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Pequenas permanências

Ella Dominici: Poema ‘Pequenas permanências’

Ella Dominici
Ella Dominici
Imagem gerada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69cc86f4-eca4-83e9-9cf8-91ca341a3c59

A vida não começa em grandes inaugurações,
instala-se mansa nas frestas do instante.
As coisas mínimas guardam força secreta,
uma folha cai — mas cumpre seu trajeto.

Aprende primeiro o ar antes de tocar o chão,
que a acolhe antigo, sem qualquer alarde.
As formigas não pensam no amanhã distante,
carregam o agora com rigor delicado.

O peso que levam não as torna menores,
apenas ordena seu íntimo caminho.
O rio sabe bem do fim que o aguarda,
e ainda assim desenha curvas no tempo.

As flores não negam sua breve passagem,
abrem-se inteiras na exata duração.
Nós queremos fixar o que nasce em ciclo,
e esquecemos: crescer é também dissolver.

A finitude muda apenas a paisagem,
do visível tênue ao invisível pleno.
E viver, no fundo, é circular com o tempo,
como folhas, rios — retornando em silêncio.

Ella Dominici

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