Mártir

Sergio Diniz da Costa: Poema ‘Mártir’

Sergio Diniz
Sergio Diniz
Imagem gerada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69e40d0a-3e54-83e9-a21d-d353c8d68062

O cortejo avança, ganhando os primeiros degraus.
O Sol oculta suas faces douradas,
Em cúmulos encastelados,
Contrito pelo confronto covarde;
O Cadafalso agiganta-se ao alto,
Lúgubre e ávido por sua vítima;
No primeiro patamar irreversível
Afronta o Negro Gigante
Impávido semblante descorado.

Da vida exuberante, em seu fim inevitável;
Da morte, em implacável espera,
Antagônicos sentimentos acirrados
Ao sabor da inquieta hoste:
Aproxima-se a última hora!

O mártir, silente, olhos fulgurantes,
Passeia os pensamentos, em frações menores,
Sobre a multidão esfaimada de emoções:
Gritos, impropérios…
O mártir está só!

O Cadafalso abre seus braços odientos
A receber o dócil cordeiro;
A Turba, em frêmitos aviltantes,
É um mar encapelado, a sorver o nobre destino.

Último adeus!
Onde os sectários dos mesmos ideais?
Emudece a voz, sem os ecos da constância.

Última hora!
O cordame úmido fecha suas garras
Sufocando pranto, silêncio e dor:
Tomba o Monumento, sem a solidez da esperança.

O Negro gigante, saciado em obscura vindita
Adormece em silêncio de nova espera;
A Noite, caindo o cair da licença
Tinge o cenário com a cor da monotonia;
O mártir, de despojos ignorados,
Lança-se ao rol dos esquecidos.

Uma pequenina gota do sangue heroico,
Em discreto saltitar,
Lançara-se, porém, à relva úmida.
O Tempo apagou os vestígios do holocausto
Somente não apagou a semente
Que, brotando a seu tempo,
Desfraldou ao Celeste Observador
O verde emblema da vitória!

(A todos os mártires, de todos os tempos)

Sergio Diniz da Costa

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Sergio Diniz da Costa: Poema ‘Mártir’

Sergio Diniz
Sergio Diniz
Tiradentes, o Mártir da Independência do Brasil
Tiradentes, o Mártir da Independência do Brasil
Microsoft Bing. Imagem criada pelo Designer

O cortejo avança, ganhando os primeiros degraus.

O Sol oculta suas faces douradas,

Em cúmulos encastelados,

Contrito pelo confronto covarde;

O Cadafalso agiganta-se, ao alto,

Lúgubre e ávido por sua vítima;

No primeiro patamar irreversível

Afronta o Negro Gigante

Impávido semblante descorado.

Da vida exuberante, em seu fim inevitável;

Da morte, em implacável espera,

Antagônicos sentimentos acirrados

Ao sabor da inquieta hoste:

Aproxima-se a última hora!

O mártir, silente, olhos fulgurantes,

Passeia os pensamentos em frações menores,

Sobre a multidão esfaimada de emoções:

Gritos, impropérios…

O mártir está só!

O Cadafalso abre seus braços odientos

A receber o dócil cordeiro;

A Turba, em frêmitos aviltantes,

É um mar encapelado, a sorver o nobre destino.

Último adeus!

Onde os sectários dos mesmos ideais?

Emudece a voz, sem os ecos da constância.

Última hora!

O cordame úmido fecha suas garras

Sufocando pranto, silêncio e dor:

Tomba o Monumento, sem a solidez da esperança.

O Negro gigante, saciado em obscura vindita

Adormece em silêncio de nova espera;

A Noite, caindo o cair da licença

Tinge o cenário com a cor da monotonia;

O mártir, de despojos ignorados,

Lança-se ao rol dos esquecidos.

Uma pequenina gota do sangue heroico,

Em discreto saltitar,

Lançara-se, porém, à relva úmida.

O Tempo apagou os vestígios do holocausto

Somente não apagou a semente

Que, brotando a seu tempo,

Desfraldou ao Celeste Observador

O verde emblema da vitória!

Sergio Diniz da Costa

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