Entre confissões e convites
Guilherme Machado: ‘Entre confissões e convites’


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Nicole,
Eu quero que você entenda uma coisa: eu não desisti. Só decidi lutar essa batalha de outra maneira.
Durante muito tempo tentei fazer você deixar de ocupar meus pensamentos. Procurei me distrair, ocupar a mente, seguir a vida… tentei de todas as formas possíveis e imagináveis.
Fracassei em todas.
E, curiosamente, isso me trouxe paz. Descobri que algumas coisas simplesmente não obedecem à nossa vontade.
Não é obsessão.
É carinho.
É admiração.
Ou suponho talvez que seja…
Também quero que você saiba de outra coisa: eu soube que você está saindo com alguém. Se isso te faz feliz, sinceramente, fico feliz por você. Sua amiga chegou a me contar no ano passado, mas acho que, no fundo, eu não quis acreditar. Talvez por isso tenha continuado insistindo em algumas mensagens.
Hoje eu respeito completamente o seu tempo e as suas escolhas.
O que talvez você ainda não saiba é o motivo de eu continuar enxergando você de um jeito tão bonito.
Eu nunca procurei apenas beleza. Para mim, beleza sempre foi um acordo entre forma e conteúdo. E é exatamente isso que vejo quando penso em você.
Você provavelmente já ouviu algumas histórias sobre mim. Tudo bem. Nunca gostei muito de formar opinião a partir do que dizem. Como já ouvi certa vez, o diabo tem três auxiliares: “me disseram”, “me contaram” e “me falaram”. Prefiro acreditar que pessoas inteligentes observam antes de concluir.
Aliás, foi justamente por acreditar que você é inteligente que me interessei por você.
Tem outra confissão que talvez te faça rir.
Quando você estava fazendo as aulas da Psi do Futuro. Eu pensei: “Pronto, agora tenho um assunto para conversar com ela.” Fui lá e fiz as aulas também. A ideia era conseguir conversar com você sobre aquilo com alguma propriedade.
O plano era excelente.
A execução foi um desastre.
Porque, quando chegava a hora de conversar com você, meu coração resolvia trabalhar mais do que meu cérebro. Eu travava completamente.
É curioso. Em praticamente todas as áreas da minha vida consigo controlar bem minhas emoções.
Com você, nunca consegui.
E antes que você ache que estou romantizando isso, faço uma ressalva: essa última frase é quase um recurso literário. Porque, se eu fosse explicar racionalmente, também saberia. Algumas pessoas simplesmente despertam em nós uma vontade enorme de acertar e, justamente por isso, a gente acaba errando.
Já que estamos nas confissões, tem mais uma: quando eu era criança, gostava de novelas. Foi ali que nasceu parte do meu gosto pela escrita e pela literatura.
Ultimamente, ando achando que essa história está lembrando um pouco a do Lucas e da Jade, em O Clone. Se o Autor resolver manter o mesmo final, eu assino embaixo.
O Victor vive fazendo piada comigo. Sempre que me chama para algum rolê, diz que você provavelmente vai estar lá. Acho que ele já transformou isso numa missão pessoal.
Você ainda precisa conhecer o Victor e a Nayara. São daqueles amigos que a gente escolhe como família. Acabei pegando carinho até pelos filhos deles, o Daniel e o Gabriel.
Na verdade, aceitar esses convites nunca é tão simples para mim. Tenho um labrador com diabetes e, dependendo do horário, preciso organizar toda a rotina para voltar e aplicar a insulina. Às vezes parece uma operação logística.
Talvez por isso o Victor insista tanto.
Ele sabe que, se eu aceitar um convite mesmo com toda essa engenharia, existe uma boa chance de ser porque havia uma possibilidade de encontrar você.
Então deixo aqui um convite muito mais simples.
Vamos jantar qualquer dia.
Sem obrigação.
Sem pressão.
Sem expectativas irreais.
Só duas pessoas conversando.
Talvez você descubra que tudo aquilo que ouviu sobre mim estava certo.
Talvez descubra que estava tudo errado.
Mas, pelo menos, terá chegado à própria conclusão.
Eu já espero desde 2019. E olha que esperar nunca foi exatamente uma das minhas maiores virtudes.
Se demorar mais um ano, você encontrará minha melhor versão.
Se for agora, encontrará alguém em transformação.
E, sinceramente, eu gostaria mais que você conhecesse essa transformação do que apenas o resultado final.
Bom… já escrevi muito e continuo com a impressão de que falei menos do que realmente gostaria.
Talvez o restante fique para outro texto.
Ou, quem sabe, para uma conversa.
Porque tenho quase certeza de que, se esse dia chegar, eu ainda vou travar um pouco.
Mas prometo que bem menos do que da última vez.
E, se nada disso funcionar, pelo menos o Sergio ganhou material novo para a minha coluna.

