“Sim: a tecnologia, indubitavelmente, facilitou o contato. Mas será que tal facilidade também estreitou, de fato, os laços humanos? Ou, ao contrário, alargou os abismos, dando-nos mais uma ferramenta para o exercício de nossas intolerâncias?”
Lembro-me de que, recém-chegado ao Japão, comprei um cartão telefônico que me proporcionava alguns poucos créditos para falar com os meus pais, residentes no Brasil ― créditos esses que eu ia usando lentamente, uma vez que as chamadas internacionais, e consequentemente o cartão, custavam caro: principalmente considerando o meu limitado orçamento de estudante. O ano era 2001, e o Facebook sequer havia sido inventado.
Tais dificuldades, felizmente, já não mais ocorrem em 2017; uma vez que a internet permite-nos agora interagir com qualquer um, a qualquer hora e em qualquer parte do mundo. Posso, por exemplo, ligar a meus pais quando eu desejar e ― pasmem! ― de graça: seja pelo Facebook, Skype, Whatsapp ou outros aplicativos semelhantes.
Sim: a tecnologia, indubitavelmente, facilitou o contato. Mas será que tal facilidade também estreitou, de fato, os laços humanos? Ou, ao contrário, alargou os abismos, dando-nos mais uma ferramenta para o exercício de nossas intolerâncias?
Afinal, como podemos observar, as redes sociais têm se transformado, não raramente, em campos de batalhas, nos quais todos querem reinar como se fossem donos da verdade. E, nessas batalhas virtuais, as ofensas proliferam-se; uma vez que, atrás do escudo de um computador ou de um celular, sentimo-nos livres para brincar com as emoções alheias: seja para ofender, perdoar… ou pedir o perdão.
Pois, sim, o mundo virtual permitiu-nos a irresponsabilidade para disparar palavras vãs também no ato do perdão; uma vez que pedimos e aceitamos desculpas com a mesma facilidade com que escrevemos e, logo em seguida, apagamos uma mensagem ― tudo para alimentarmos relações que, no fim das contas, são vazias de sinceridade.
E, desse modo, as relações interpessoais, no mundo contemporâneo, passaram a ser, ironicamente, mais frágeis do que antes, quando a comunicação era mais difícil. E isso porque a internet permite-nos agora falsear tudo: fotos, mensagens e até sentimentos. De tal modo que, nesse mundo tão artificial, o perdão também tornou-se virtual. Não duvido mesmo que, num futuro próximo, o perdão, nos moldes das indulgências da Idade Média, seja negociado nas redes sociais. Provavelmente, ao preço de um bitcoin.
Edweine Loureiro da Silva – edweine.loureiro@gmail.com
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Natural de Sorocaba (SP), é escritor, poeta e Editor-Chefe do Jornal Cultural ROL. Acadêmico Benemérito e Efetivo da FEBACLA; membro fundador da Academia de Letras de São Pedro da Aldeia – ALSPA e do Núcleo Artístico e Literário de Luanda – Angola – NALA, e membro da Academia dos Intelectuais e Escritores do Brasil – AIEB. Autor de 8 livros. Jurado de concursos literários. Recebeu, dentre vários titulos: pelo Supremo Consistório Internacional dos Embaixadores da Paz, Embaixador da Paz e Medalha Guardião da Paz e da Justiça; pela Soberana Ordem da Coroa de Gotland, Cavaleiro Comendador; pela Real Ordem dos Cavaleiros Sarmathianos, Benfeitor das Ciências, Letras e Artes; pela FEBACLA: Medalha Notório Saber Cultural, Comenda Láurea Acadêmica Qualidade de Ouro; Comenda Baluarte da Literatura Nacional e Chanceler da Cultura Nacional; pelo Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos, Pesquisador em Artes e Literatura e Dr. h. c. mult. Pela Academia de Letras de São Pedro da Aldeia, o Título Imortal Monumento Cultural e Título Honra Acadêmica, pela categoria Cultura Nacional e Belas Artes; Prêmio Cidadão de Ouro 2024, concedido por Laude Kämpos. Pelo Movimento Cultivista Brasileiro, o Prêmio Incentivador da Arte e da Cultura .




