Onde o amor faz morada

Marli Freitas: Poema ‘Onde o amor faz morada’

Marli Freitas
Marli Freitas
Imagem criada pela IA do Gemini
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Onde o amor faz morada
É impossível a vontade de odiar.
Nascido Michael King Jr, um erro
Corrigido mais tarde pelo pai,
Pastor da Batista Ebenézer, que
O nomeou Martin Luther King Jr.

Passou a infância ouvindo histórias
Bíblicas e recitando versículos.
Muito cedo já demonstrava sua
Peculiaridade de resistência, mas,
Ao ser privado de conviver com seu
Melhor amigo branco, sentiu a dor…

De conhecer a história dramática em
Que os negros foram e continuavam
Submetidos à segregação racial nos
Estados Unidos. Golpe que poderia
Ter corrompido a sua honra, não fosse
Uma boa estrutura baseada na fé cristã.

Desde então compreendeu que devia
Ser resiliente o bastante para argumentar
Sobre o óbvio – somos todos filhos do
Mesmo Pai, portanto somos irmãos
Em Cristo, e passou a adotar como
Princípio para si e para todos…

A não violência como bandeira
De luta a favor dos direitos civis
Iguais, sem diferença de cor ou
Gênero. Adotou para si os passos
Do pai e acabou por graduar-se
Com um bacharelado em divindade…

E um PhD com uma dissertação intitulada
“Uma comparação dos Conceitos de Deus”.
Foi consignado pastor da Dexter Avenue
Baptist Church, Montegomery – Alabama,
Passando a discursar e intervir à frente da
SCLC – Conferência da Liderança Cristã do Sul.

Durante suas participações em protestos,
Foi preso vinte e nove vezes, se negando
A pagar fiança em nome das injustiças sociais
E, quando questionado, mantinha firmes os
Princípios, pois para ele “a crise sobre o racismo
Era urgente e o sistema entrincheirado”.

King sonhou e acreditou que a liberdade
Precisava ser exigida pelo oprimido e, aos pés
Do Memorial Lincoln, ditou o seu mais
Famoso discurso: “Eu tenho um sonho (…)
Nossos filhos não serão julgados pela cor da
Sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter (…)”.

Foi digno de receber, em 1964, o Prêmio Nobel
Da Paz por combater o racismo nos Estados
Unidos e ser um exemplo da resistência
Não violenta, deixando um legado na
História e honrado com as homenagens
Dignas de Guardião da Justiça Social.

Marli Freitas

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Da Síria ao Jornal Cultural ROL, Reema Hamza!

Reema Ramza traz ao ROL a literatura da Síria, o Coração do Oriente Médio, considerada um dos grandes berços da civilização e parte vital do Crescente Fértil, berço das primeiras civilizações da Antiguidade!

Reema Hamza

Reema Hamza, natural de As-Suwayda, Síria, é escritora e poetisa.

Formada pelo Instituto Superior de Música (Violino); Editora-Chefe da World of Culture (Mundo da Cultura); editora do Daily Global Nation (Nação Global Diária) e membro do Conselho Consultivo Internacional da Academia de Versala, Grécia.

Trabalhou com edição literária e administração em diversas plataformas culturais.

Suas obras foram traduzidas para vários idiomas.

Participações literárias:

Encyclopedia Oasis of Creativity (Enciclopédia Oásis da Criatividade – Partes I e II) e de The First Drop of Rain (A primeira gota de chuva); Encyclopedia Breath of the World (Enciclopédia Sopro do Mundo); Cartas de Mulheres Árabes (Palestina); Volume IV de Mandib (Índia); O Capítulo Não Escrito (Parte III); Antologia Internacional de Poetas do Amor e da Paz e Tema de estudos críticos na Metodologia de Investigação Cultural Dialética.

Publicou The Thread That Became a String, pela Editora e Casa de Estudos Umm Al-Dunya, no Egito e Poems That Chase Me, pela Barcelona Literary House for Studies and Publishing,  que inclui seus poemas traduzidos para cinco idiomas, havendo, ainda, um terceiro livro em fase de impressão que contém estudos críticos sobre sua experiência criativa.

Reema inicia sua jornada literária no ROL com o poema The café turns grey when she leaves (O café fica cinza quando ela sai), um lamento ao luto, à perda e à resiliência silenciosa.

The café turns grey when she leaves

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Whenever s he looked at her tower,
her fingers filled with regret.
When she asked the fortune-teller,
she said:
The light in your poems is a grave error.
Your eyes—
a plundered distance
since the kohl of absence traced them.
Her shadow—
a wall the wars forgot standing.
Whenever she brandished water against it,
she saw her face
resembling a sentence
that stopped in the middle of the fire.
In the café,
the far corner draws her.
The world is an idea that never tempted her,
and her silence—
a window that does not close.
Her jilbab—faint tales
seeping from an old mirror.
She ordered her coffee
with the calm of a stranger.
The poem grew old in the first sip,
and the aroma stumbled
on a margin
bound by emptiness and passed by rain.
The café’s song
searches for a beginning in her features.
The waiter passed and asked her quietly,
“Madam, this is your rose… you left it on the table.”
She arranged her shawl and answered without looking:
“Roses are read once,
and after that…
Merely a repetition of the image of withering.”
The waiter rose, confused,
took the rose like one absorbing a secret
he does not know what to do with.
She remained for a moment,
then left behind trembling cups
and a chair that grew more alone.
Since that moment,
the café began to turn grey—how could it not,
when the corner she sat in
is always reserved,
without anyone coming?

Reema Hamza

O café fica cinza quando ela sai

Sempre que olhava para sua torre,
seus dedos se enchiam de arrependimento.

Quando perguntou à cartomante,
ela disse:
A luz em seus poemas é um grave erro.

Seus olhos —
uma distância saqueada
desde que o kohl da ausência os traçou.

Sua sombra —
uma parede que as guerras esqueceram de existir.

Sempre que brandia água contra ela,
via seu rosto
semelhante a uma frase
que parou no meio do fogo.

No café,
o canto mais distante a atrai.

O mundo é uma ideia que nunca a tentou,
e seu silêncio —
uma janela que não se fecha.

Seu jilbab— tênues contos
vazando de um espelho antigo.

Ela pediu seu café
com a calma de uma estranha.

O poema envelheceu no primeiro gole,
e o aroma tropeçou
numa margem
limitada pelo vazio e levada pela chuva. A canção do café
busca um começo em suas feições.

O garçom passou e perguntou-lhe em voz baixa:
“Senhora, esta é a sua rosa… a senhora a deixou sobre a mesa.”

Ela ajeitou o xale e respondeu sem olhar:
“Rosas são lidas uma vez,
e depois disso…
mera repetição da imagem do murchar.”

O garçom levantou-se, confuso,
pegou a rosa como quem absorve um segredo
com o qual não sabe o que fazer.

Ela permaneceu por um instante,
depois deixou para trás xícaras trêmulas
e uma cadeira que se tornava cada vez mais solitária.

A partir daquele momento,
o café começou a ficar cinzento — como poderia ser diferente,
se o canto onde ela se sentava
está sempre reservado,
sem ninguém aparecer?

Reema Hamza

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A greve dos bichos

Evani Rocha: ‘A greve dos bichos’

Evani Rocha
Evani Rocha

Não costumo escrever com frequência, mas hoje, isso é inevitável, pois aconteceu algo muito estranho comigo. 

Cheguei ao meu consultório, cumprimentei minha secretária e entrei. Percebi que havia dois pacientes aguardando, sentados nas poltronas da saleta de espera. Olhei o relógio, eram 06h45. Vi que não estava atrasada. Então sentei-me, liguei o computador, abri meu bloco de anotações, e conectei à lista de pacientes do dia. A primeira paciente era uma jovem senhora, por nome Esmeralda Borlok, 48 anos. Suspirei aliviada, olhei em volta, como estava tudo em ordem, apertei o botão de chamada. Após alguns segundos, ouvi uma batida e o movimento leve na maçaneta da porta. Levantei o rosto e deparei-me com uma senhora obesa, de pele clara, porém com manchas semelhantes a melasma, no rosto. Os olhos fundos mostravam também uma margem de olheiras considerável. Pediu licença, com uma voz rouca e cansada. Parece que havia corrido alguns quilômetros. Disse-me:

— Com sua licença, doutora! Bom dia! — respondi de pronto.

— Bom dia! Dona Esmeralda?

— Sim, sou eu mesma, doutora! — respondeu-me, meio encabulada.

— Sente-se, fique à vontade! — Eu disse, apontando para um estofado à minha frente. Foi quando a mulher deu dois passos para se sentar que percebi que mancava de uma perna. Enquanto ela se ajeitava na poltrona, vi que suas pernas e pés estavam inchados. Vestia uma saia jeans desbotada, uma camiseta branca e sandálias de dedo.

Assim que ela se acomodou, olhei em seu rosto e forcei um sorriso simpático, afinal, eu precisava lhe passar confiança. Ela retribuiu o sorriso, deixando à mostra as falhas que possuía em sua arcada dentária. Confesso que tive compaixão da mulher… afinal, a medicina não nos tira a sensibilidade.

Levantei-me com o tablet nas mãos, e parei à sua frente. Puxei uma poltrona e sentei-me a um metro, mais ou menos, da mulher. Comecei a conversar com ela, conferindo alguns dados, como: idade, endereço, se tinha filhos e quantos, se fazia uso de algum medicamento…. Na verdade, eu queria ganhar um tempinho, para que aquela senhora respirasse melhor, pois julguei que estivesse muito ansiosa, pela respiração ofegante que apresentara, quando entrou. Assim que ela se mostrou mais serena, levantei-me e puxei outra poltrona que ficava ao seu lado, próximo a sua cabeça; mas de uma forma que eu não via diretamente o seu rosto. Via-o somente pelo reflexo no espelho do lado oposto da parede.

Planejei um ambiente aconchegante em meu consultório, pensando exclusivamente no bem-estar dos meus pacientes. A poltrona é reclinável e favorece a vista para um jardim de inverno, com muitas folhagens e flores, as quais podem ser apreciadas através da parede de vidro que o separa da sala do consultório. Penso que esse ambiente transmite serenidade e paz. Deixando os pacientes mais relaxados.

Comecei a consulta, propriamente dita:

— Então, dona Esmeralda, o que a trouxe aqui? — perguntei com a intenção de fazer as anotações necessárias no bloco de notas, de uma forma que ela não percebesse, para não se sentir coagida ou incomodada. — A mulher pigarreou, engoliu, tirou os óculos e segurou-o sobre a perna esquerda. Esfregou os olhos, como se quisesse enxergar melhor as situações vividas na história. Logo começou a me explicar:

— Olha, doutora, eu vim aqui porque preciso saber da senhora sobre esses problemas de cabeça, viu? Meu marido anda falando que estou ficando louca… embora eu não acredite, ele insistiu para que eu viesse me consultar. Então, eu não quero fazer a senhora perder muito tempo comigo, não. Eu vou lhe contar o motivo dessa contenda e daí a senhora só me responde, e pronto, eu vou-me embora!

— Sim, claro, pois me conte… — disse calmamente.

— A senhora veja, eu sempre pensei que tratava as minhas aves muitíssimo bem, dou lhes ração de melhor qualidade, milho somente colhido no ano… troco a água dos galinheiros duas vezes por dia! E mais! Os ninhos são feitos de caixote de madeira boa e forrados com capim seco, macio… Mas a senhora não há de ver que, há poucos dias, peguei a galinha carijó, cochichando ao pé da orelha da galinha preta, Efigênia, atrás do pé de capim cidreira?! Elas não me notaram, pois escondi-me atrás do tronco da jaqueira, que é bem grosso… Logo a carijó, Magá, em quem eu tanto confiava… — Perguntei-a: 

— Hummmmm, o que diziam? Deu para ouvir…?

—Sim, sim! Deu para ouvir, porque fiquei bem pertinho. Elas reclamavam da quantidade e qualidade da ração e do milho, o mais estranho é que mostravam insatisfação, também, dizendo que a cama era dura, forrada com produto de última qualidade… cogitavam mobilizar todo o galinheiro, instigando a solicitação de melhorias. Efigênia confirmava tudo, balançando a cabeça positivamente. 

Saí de fininho, porque não saberia como argumentar com elas, tamanha era a cara feia das duas… logo imaginei as mesmas, fazendo motim no galinheiro e greve. Com certeza seria greve ‘ovo zero’! Desesperei-me, pois como iríamos nos manter sem o dinheiro da venda dos ovos? Meu marido, mal faz a capinagem do pomar, e olhe lá!

 Fui correndo contar ao marido, que me ouvia, mas tinha os olhos arregalados, parecia incrédulo. Na hora, eu não sabia se ele duvidava da história ou estava desesperado pela falta dos ovos e, consequentemente, do dinheiro. Mas depois, me disse de forma arrogante:

“Oxente, mulher! Desde quando galinha fala? Você está delirando? Deixa eu ver se tem febre…” — Eu já estava azucrinada, respondi-lhe:

“Ara homem, tu acha que sou mulher de faltar com a verdade! Vá lá fora, estão lá atrás das cidreiras! Já tem uma aglomeração de mais de 15 indivíduos! Logo vai ver a greve estourar! Vai vendo… depois não diga que não avisei!”

Fui pisando duro para o quarto e fiquei observando a movimentação deles por quase duas horas, até adentrarem para o galinheiro. É isso, doutora, digo, essa movimentação das aves, sempre reclamando dos cuidados e do alimento, tem sido diariamente… eu falo para o meu marido todos os dias, mas ele repete a mesma coisa… dizendo que estou enlouquecendo. E foi por isso que ele marcou essa conversa. Mas eu juro para a senhora, por tudo que é sagrado, isso é a mais pura verdade!

É certo taxar alguém de louco quando se está falando a verdade? É certo…?

 Eu também estava em choque, não sei se era pela possibilidade de crer na história da mulher ou se realmente eu achava, também, que ela era louca.

Respondi, com a voz trêmula, forçando para não mostrar insegurança.

 — Claro, claro! A senhora tem razão!

Vamos fazer um combinado? Eu vou lhe passar um remedinho, mas veja bem, ele é um ‘placebo’ ou seja, não tem nenhum princípio ativo. A senhora vai levar e tomar na frente do seu marido, daí ele vai pensar que está tudo certo, que a senhora está medicada! — Ela arregalou aqueles olhos pretos e fundos, interpelando-me:

— E quanto às galinhas, a iminência de uma greve… o que eu faço?

— Respondi apressadamente:

— Essa situação eu vou resolver pessoalmente para a senhora. Eu vou comunicar a secretaria de agricultura para fazer-lhe uma visita, então marque uma reunião com as aves, para resolver tudo da melhor forma possível! Pode ficar tranquila!

A mulher recebeu a receita com um largo sorriso, até o andar mancado, parece ter desaparecido. Agradeceu-me e fechou a porta atrás de si.

Rapidamente chamei a secretária e lhe comuniquei que não estava passando bem, que ela deveria remarcar a consulta do próximo paciente. Pedi desculpas e saí apressada do consultório. Precisava chegar em casa e tomar um banho da cabeça aos pés. Aquela história havia deixado-me zonza e enjoada.

Quando abri a porta do meu apartamento, levei o maior susto da minha vida! Meu cão, Caramillo, estava sobre uma cadeira, à frente da pia, com a esponja nas patas dianteiras, lavando a louça. Eu dei um grito e joguei a bolsa para cima, a qual bateu no vidro da cristaleira, estilhaçando-o, ao chão.

Caramillo me olhou de um jeito zombeteiro e disse:

– Ai, ai, ai! Agora, além da louça, vou ter que juntar os cacos desse vidro!? Esse mês terei que pedir um aumentinho no salário! Senão, pensar na possibilidade de uma greve… Ou a senhora pensa que só essa ração seca que me dá e essa cama dura, paga toda essa trabalheira?!

Evani Rocha

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Dele eu quero tudo

Denise Canova: Poema ‘Dele eu quero tudo’

Denise Canova
Denise Canova
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Dele eu quero tudo

Do amor e de você

São tudo para mim

Um homem que conhece o amor?

É o homem ideal.

Denise Canova

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Academia de Letras do Brasil – MG

Fundação da Academia de Letras do Brasil – MG,

Seccional Zona da Mata Mineira

Logo da Academia de Letras do Brasil Zona da Mata Mineira
Logo da Academia de Letras do Brasil Zona da Mata Mineira

No dia 20 de junho de 2026, às 16 h, será realizada a solenidade de fundação da Academia de Letras do Brasil – MG, Seccional Zona da Mata Mineira, em evento oficial no Shopping de Manhuaçu. A presidência da nova seccional ficará a cargo do escritor Comendador Fabrício Santos, nomeado em Belo Horizonte pelo presidente da ALB-MG, Dr. Mauro Moraes.

A instituição nasce com 40 membros fundadores, além de 17 membros honorários e 3 membros honorários internacionais, consolidando-se como um espaço de valorização da literatura e da cultura regional, com representatividade em diversas cidades da Zona da Mata e também em países estrangeiros.

Distribuição dos membros por cidades:

| Cidade | Membros |

| Manhuaçu | 16 |
| Ipanema | 6 |
| Conceição de Ipanema | 5 |
| Lajinha | 4 |
| Caratinga | 4 |
| Reduto | 3 |
| Ponte Nova | 2 |
| Simonésia | 2 |
| Santana do Manhuaçu | 2 |
| Manhumirim | 1 |
| Ouro Preto | 1 |
| Chalé | 1 |
| Divino | 1 |
| Santa Margarida | 1 |
| Mutum | 1 |
| Carangola | 1 |
| Muriaé | 1 |
| Pocrane | 1 |
| Alvarenga | 1 |
| Luisburgo | 1 |
| Bom Jesus do Galho | 1 |
| Rio Piracicaba | 1 |

Representação Internacional:

  • Estados Unidos – 1 membro honorário
  • Cuba – 1 membro honorário
  • Portugal – 1 membro honorário

A criação da seccional representa um marco para a literatura mineira, ampliando o alcance da !Academia de Letras do Brasil” e fortalecendo o intercâmbio cultural entre escritores locais e internacionais. O evento promete reunir autoridades, intelectuais e admiradores da arte literária, celebrando a diversidade e a riqueza cultural da região.

ALB-MG-ZMM

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Liberdade

Ivete Rosa de Souza: poema ‘Liberdade’

Ivete Rosa de Souza
Ivete Rosa de Souza
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Guardo em meu coração um grito de liberdade.

Desse mundo cruel, a transbordar crueldade.

Visto-me de sonho e esperança, sem medo.

Dos que me passaram, dos que fazem da matança.

Um dia sempre escuro, deixando rastro da soberba, indecente.

Da infinita escuridão, do veneno permanente

Engolindo a verdade, destruindo a felicidade.

Sem temor, impede muitos, sem pudor ou piedade.

A viver como zumbis, nesta imensa multidão.

Incompetentes sem destino, sem mérito ou solução

Quisera poder mudar, ter coragem de enfrentar, e a cura destilar.

Movendo pedras da ignorância, da incerteza escapar.

Recebendo bênçãos e glórias, poder enfim caminhar.

Em terra livre, sem dono, sem cabresto, sem espera.

Deixar no tempo liberdade, encontrando outros, fortalecidos, levantando a bandeira.

Da comunhão de um povo, livre dos incompetentes.

Que escravizam a verdade,

Lançando ódio em corpos e mentes.

Quisera poder gritar, liberdade para sonhar, para viver novamente.

Ivete Rosa de Souza

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Fome nas literaturas

Renata Barcellos: ‘Fome nas literaturas’

Renata Barcellos
Renata Barcellos
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A fome é um tema profundo e multifacetado nas literaturas. Trata-se não apenas uma metáfora, mas também uma denúncia social e reflexão sobre a desigualdade. No que tange o marco legal brasileiro de combate à fome, é estruturado por uma rede de leis e programas que garantem a Segurança Alimentar e Nutricional (SAN), visando ao acesso regular a alimentos de qualidade para toda a população.

As principais legislações e políticas públicas estruturantes incluem:

1. Leis e Direitos Fundamentais

• Emenda Constitucional nº 64/2010: alimentação como um direito social fundamental no art. 6º da Constituição Federal, impondo ao Estado a responsabilidade de garantir o Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA).

• Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (LOSAN – Lei nº 11.346/2006): base legal que cria o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN). Define princípios e diretrizes para que o poder público, em conjunto com a sociedade civil, formule políticas voltadas à erradicação da fome.

• Política Nacional de Combate à Perda e ao Desperdício de Alimentos (Lei nº 15.224/2025): sancionada para incentivar a doação de alimentos, permite que bens próprios para consumo sejam direcionados a bancos de alimentos ou diretamente a beneficiários, reduzindo o desperdício e fortalecendo a rede de assistência.

A seguir, destacamos os principais escritores que abordaram o assunto.

A obra “Fome”, de Knut Hamsun, é um marco na história das Literaturas Mundiais. Publicado em 1890, o romance rompe com o Realismo e o Naturalismo do século XIX para inaugurar a estética moderna – aquela que mergulha na mente humana em colapso. Nesta obra, é narrada a história de um jovem escritor anônimo vagando pelas ruas de Christiania (atual Oslo), dividido entre o orgulho e a miséria. Mais do que um estado físico, a fome torna-se metáfora existencial da crise do homem moderno.
Literaturas Brasileiras.

– “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, publicado em 1890, narra o meio insalubre do cortiço. O narrador descreve os esfomeados com um apetite voraz e irracional. A fome os transforma, anulando qualquer racionalidade e destacando apenas os instintos mais primitivos. Esta é não apenas uma necessidade biológica, mas também uma força motriz do Naturalismo. Uma das consequências diretas da exclusão social e da desigualdade retratadas no Brasil do século XIX. Ela reduz os moradores (sobretudo os mais marginalizados) a uma condição animalesca na luta pela sobrevivência.

– “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, publicado em 1902, não aborda a fome como um elemento isolado, mas como parte de uma engrenagem trágica. A escassez extrema aparece na obra de quatro formas principais: como calamidade cíclica, penitência religiosa, consequência ambiental e, sobretudo, como arma de guerra e epidemia sofrida pelas tropas e pelos sertanejos. Ao narrar a violenta e exaustiva repressão sofrida pelo bando de Antônio Conselheiro, o autor narra também a formação do homem sertanejo. Assim, constituindo uma denúncia dos crimes cometidos.

– “A bagaceira”, de José Américo de Almeida, publicada em 1928,. O livro começa pela seca de 1898 e termina com a de 1915. Tem o enredo pautado pelo triângulo amoroso entre Soledade, retirante que chega à fazenda de Dagoberto Marçau, o senhor de engenho viúvo que inicia um caso com ela. E seu filho Lúcio (idealista) mantém uma paixão não platônica por esta moça. Trata-se não só de um romance da seca por trazer os retirantes aos engenhos de cana mas também um que aborda os problemas sociais dos engenhos, na Zona da Mata. Uma das frases mais célebres do livro é sobre a fome que assola a população regional: “Há uma miséria maior do que morrer de fome num deserto: é não ter o que comer na terra de Canaã”.

– “O Quinze” é um romance da escritora brasileira Rachel de Queiroz, publicado em 1930. A história se passa no sertão nordestino do Brasil durante a seca de 1915, uma das mais devastadoras da região. A fome é um tema central no livro, pois a seca trouxe consigo a escassez de água, de alimentos e a miséria para a população local. A fome é representada como uma força avassaladora que afeta profundamente a vida das pessoas e as leva a fazer escolhas difíceis para garantir sua sobrevivência.

– “Menino de Engenho” é um romance de José Lins do Rego, publicado em 1932, faz parte do ciclo da cana-de-açúcar do autor. A obra é uma narrativa semiautobiográfica que descreve a infância e a adolescência do protagonista, Carlos, em um engenho de açúcar no nordeste brasileiro. Embora o foco principal do livro seja a vida no engenho e as relações familiares, a questão da fome também é um elemento importante na história.

– “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, publicado em 1937. O livro retrata a vida de um grupo de crianças e adolescentes desabrigados que vivem nas ruas de Salvador, na Bahia. A fome é um tema central na obra, pois as crianças enfrentam condições de vida precárias e frequentemente passam fome. Esta é uma constante em suas vidas, e a necessidade de encontrar comida é uma das principais motivações por trás de suas ações.

– “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, publicado em 1938. A obra é um retrato da vida de uma família de retirantes nordestinos que luta para sobreviver em meio à seca e à pobreza. A fome é um tema central e recorrente no livro. Graciliano Ramos descreve de forma vívida a angústia e o sofrimento da família diante da falta de comida.

– “Quarto de Despejos: Diário de uma Favelada”, de Carolina Maria de Jesus, publicado em 1960. Trata-se de um relato autobiográfico das experiências de vida da escritora como uma mulher pobre (catadora de papel) e mãe solteira no Brasil, moradora da favela do Canindé, em São Paulo. A autora destaca as desigualdades sociais, a desigualdade de gênero e a falta de direitos humanos que afetam milhares de brasileiros.

– “Olhos d’Água” é uma coletânea de contos da escritora brasileira Conceição Evaristo, publicada em 2014. Os contos componentes desta obra abordam várias questões relacionadas à vida de mulheres negras nas favelas e periferias do Brasil, como a fome e a pobreza.

– “Torto Arado” é um romance do escritor brasileiro Itamar Vieira Junior, publicado em 2018. O livro narra a história de duas irmãs, Bibiana e Belonísia, que vivem em uma comunidade rural, no interior da Bahia, e explora temas de desigualdade, opressão, exploração e, em alguns trechos, a fome.

A partir das obras selecionadas acima, verificamos como a fome é um tema recorrente nas Literaturas brasileiras. Muitos escritores explora(ra)m este assunto em suas obras. Além de ser uma realidade social no Brasil, a temática é também usada simbolicamente para representar a miséria, a desigualdade e a luta pela sobrevivência. Assim, constatamos como as literaturas têm desempenhado um papel crucial na representação das questões sociais no Brasil, incluindo a desigualdade e a pobreza. Ela serve tanto como um problema a ser combatido quanto um símbolo de desigualdade e injustiça social.

Renata Barcellos

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