Sala de estar
Lina Veira: Crônica ‘Sala de estar’


Lembro quando meus filhos eram crianças, eu costumava levá-los para brincar na praia e ver o mar. Lá sempre foi uma extensão da nossa sala de estar.
Eles adoravam, e eu aproveitava para estimular brincadeiras de bola e de corrida na areia, aprimorar os elogios e mergulhar no mundo deles. Eu tive esse privilégio, e eles também.
Tobias, o caçula, parecia ser o mais sintonizado com ambiente, com o irmão e com seu amor à família, um coração saudoso e amigo tem até hoje. O mais velho, sempre ativo e criativo, gostava de receber os amigos na sala de estar, de passar mais tempo no seu quarto e jogar bola com eles na beira do mar.
Mas o que tem a ver ‘nosso lar’ com esse assunto? A praia em muitas circunstâncias, foi minha sala de estar com meus filhos, nosso momento de mais risadas e conversas, porque o verbo da vida em família precisa ser ESTAR. E “ A verdadeira beleza é com certeza a do interior” do nosso interior. Aquela que dura muito tempo e passa diretamente pelo coração imprimindo o caráter de um ser humano. Reconhecendo o território doméstico. Construindo um lar emocionalmente seguro em um mundo inseguro. Estar junto em família , foi um dos momentos mais sublimes enquanto eles cresciam, e DEVERIA ser a resposta da pergunta: O que temos para todos os dias?
O lar precisa ser um refúgio , na qual os filhos voltassem repetidas vezes, por se sentirem mais seguros e protegidos. E essa expectativa positiva comunicasse com seguridade que existe uma família.
Uma família, duas famílias… Um lugar em que as crianças aprendessem o significado de ser responsável e de se importar com o outro, onde o coração e o tempo de todos moram em paz.
– Vamos para o quintal de casa, saiam dos bastidores. O verbo de uma família precisa ser ESTAR.
Compreenda a singularidade de cada filho, eles são ricas descobertas silenciosas da vida. Dê a eles uma memória e cultive seu caráter em vez de garantir que eles pareçam bons diante dos outros. Que fantástico ler isso!
E lembre-se , a sala de estar precisa ser um lugar espontâneo e lembrado para toda vida.
E seu lar, um lugar onde vocês possam assistir a um filme juntos, lavar o carro num dia quente, ter uma refeição surpresa toda semana, jogar jogos de tabuleiro e ser feliz.
Não cedam à coisas que destroem as relações familiares.
Lina Veira
A alegria da família
Trocaram o kota pelo lambeta
Tomás Eugénio Tomás: ‘Trocaram o kota pelo lambeta’


às 13:05 PM
Lá pelos tempos de 78, tinha um Kota que tava firme com a sua dama. Jovens, com futuro, cheios de vontade. O Kota fazia de tudo para sustentar a banda. Não tinha vivenda grande, mas bué de comida na mesa, escola para pequenos, e aquele carinho de pai presente.
Mas os putos começaram a chiar:
— Pai, tu só traz comida, mas a casa nunca cresce!
— Pai, cadê as promessas?
E o Kota, sempre com coração mole, dava o pouco que tinha. Até emprego tentou meter alguns, tipo “toma só esse bita aí, já que tão a chorar”.
A mãe, cansada do falatório, começou a dar ouvidos demais. Criou confusão, inventou mambo e, no fim, separou do Kota. Epa, parecia novela!
Depois, meteu-se com um outro gás. O lambeta, todo estiloso, promessas daqui e dali. Os putos gritaram:
— Agora sim, mamã arranjou um bué da fixe!
Mas mano… bastou o lambeta entrar para ver que a vida virou outra. Cesta básica já não batia. O arroz virou farinha, a carne virou peixe seco (quando muito). Os putos que estavam gordinhos começaram a emagrecer, tipo estavam a fazer jejum à força.
A casa virou bangla: sumiço de mochila, Playstation estragado, brigas, desavença, bandidagem interna. Já nem dava pa’ deixar chinelo fora que alguém levava.
Aí é que bateu a real: o Kota que a gente trocou, afinal, segurava a casa com suor e verdade. E esse novo? Só prometia, mas de promessa a barriga não enche.
Moral do mambo?
Nem todo brilho é ouro. E às vezes, ao trocar o certo pelo duvidoso, a banda toda é que paga.
Tomás Eugénio Tomás

Tomás Eugénio Tomás, licenciado em Ensino da Língua Portuguesa, é professor, escritor, director artístico, editor e CEO do projecto Ensinar e Aprender.
Escritor das obras ‘A Regra do Jogo’, ‘As crónicas também falam’, ‘Colecção Feminina’, ‘Esperança’ e ‘Kampôdia’.
O relógio do tempo
Sandra Abuquerque: ‘O relógio do tempo’


às 16:42 PM
Que um dia dois seres pensaram em nós isto é fato.
Nos planejaram ou nascemos do acaso.
Talvez …
Tenhamos sido adotados.
Apenas nesta passagem de tempo
Quantas experiências foram vividas
Por aqueles que nos antecederam !
Sorrisos, lágrimas
Raiva, euforia
Dificuldade do dia a dia
Ou um berço dourado.
Um ser ou mais
Gerados biologicamente
Ou através de uma adoção
Não importa
A forma como chegamos ao mundo
E fomos integrados a uma família.
E sim…
Que aqui estamos.
Uma família biológica ou adotiva
Herdamos muito dos antepassados
Mas nos moldamos ao ambiente.
Passamos pelo relógio do tempo
Fomos apresentados a três fases:
À infância: boa ou com marcas
À adolescência: onde as verdades são descobertas
E à adulta: o enfrentamento dos desafios.
A fase adulta se subdivide:
Até aos vinte está tudo bem.
Aos trinta, ainda sente-se no auge..
Mas aos 40 começa a pensar:
-Logo terei 50, metade de 100
É, a velhice tá chegando!
Quando entra os 60, pensa erradamente:
Estou perto de morrer!
Mas se esquece
Que quanto mais se vive
Mais experiência adquire.
Já não tem pressa de responder
Pois o sábio pouco fala.
Já tem consciência do que quer,
Pois já viveu os seus devaneios
E a consequência dos mesmos.
Reconhece é um bom vinho
E, talvez, até de qual vinhedo provém
Mas há os que não bebem.
E isto nada muda
Aprecia um bom livro
Admira um bom filme
E uma boa música ressoa em seus ouvidos.
Cada ruga é um detalhe de uma história vivida.
Quantos gostariam de viver longos anos.
Mas por causas naturais ou acidentais
Partem cedo.
Há quem diga que cumpriu sua missão
Ninguém vem a este plano por acaso.
Querendo ou não
Chegando a hora de partir
A morte gera desculpa.
Todo tempo é demarcado
Todos têm a sua ampulheta
É nela que seu tempo é demarcado
Pense nisto e não questione.
Comendadora poetisa Sandra Albuquerque
Rio de Janeiro,18 de julho de 2025
Família tradicional e sua ocupação atual
Lina Veira: ‘Família tradicional e sua ocupação atual’


A palestra era sobre o modelo mais tradicional da família.
‘Família’, independentemente de seu modelo ou formação, é um núcleo social de pessoas unidas por laços afetivos, que geralmente compartilham o mesmo espaço, baseada no amor e no respeito, na ordem e progresso, elementos essenciais para o desenvolvimento pessoal e interpessoal, aplicado às interações e comunicações entre as pessoas.
No Antigo Testamento encontramos muito bem escrito no livro do EXÔDO, que faz referência à vida em família. “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolongue teus dias” (Ex 20,12), esse era um mandamento recebido pelo povo como compromisso, para que todos tivessem respeito e fossem acolhidos. Era proclamado como sinal de sabedoria e cuidado de vida. Somente o respeito mútuo ente pai, mãe e filhos produz bons frutos: vida longa, alegria, atenção, sabedoria. No Brasil, a ‘família tradicional brasileira’ é um conceito que se refere a um modelo familiar que, historicamente, é composto por um pai, uma mãe e filhos, com o pai como provedor e chefe da família. No entanto, este modelo tem se transformado significativamente nas últimas décadas, com o aumento de outros arranjos familiares e a reconfiguração dos papéis dentro da família, deixando de ser a maioria nas pesquisas das últimas décadas, ocupando 49%, e demais formações a outra metade.
Todos os estudos que envolvem relações humanas e seu comportamento mostram que o amor é a força que une e ajuda a superar conflitos impulsionando o desenvolvimento de todos, e que no caso dos filhos e filhas numa família, estes precisam viver neste lar colaborando. Muitas têm sido as transformações culturais e sociais, que tem nos deixado um novo formato e tipos de famílias, se desprendendo da origem biológica e passando a valorizar muito mais a realidade afetiva.
Independente da sua formação familiar, monoparental – quando a mulher tem um filho de forma independente, ou contemporânea – onde a mulher passa a ser o chefe da casa, comunitária – composta por avós, pais, filhos, tios e primos na mesma casa, ou arco-íris – constituída por um casal homossexual. A maior ocupação de uma família é equilibrar o trabalho e vida familiar, valorizando os laços e a união, além de reconhecer os desafios enfrentados na atualidade. Família dá trabalho e tem tarefa de casa todos os dias, é um exercício de vida e não se define pela casa bonita, carro ou conta bancária. Mas por aceitar e compreender o outro, por ensinar que o amor é o fundamento principal.
– Entenderam como é importante a gente conversar sobre ‘ser’ ou ‘construir uma família’? Só ela tem na pintura, a tinta que respinga para a vida inteira na nossa vida.
– Fecho os olhos e vejo as pessoas à mesa do almoço, sentadas na sala com suas roupas novas, suas perspectivas ao fundo do quadro na parede, um cenário guardado dentro dos meus olhos e do coração, para eu contemplar mais uma vez, recortar e guardar cada resenha e cor.
Ali na rodovia do horizonte da vida, eu precisei lembrar de mim, da saudade que acalma e sangra meu coração, entender a tradução de muitos silêncios e continuar.
Aplausos…
Lina Veira
Junho de 2025
O jardim onde morrem as flores…
Resenha do livro ‘O jardim onde morrem as flores e nascem os segredos’, de Stefany Borba

RESENHA
Um livro extraordinário, capaz de prender o leitor do início ao fim.
A trama é meticulosamente elaborada, com cada detalhe, por mais sutil que pareça, se encaixando perfeitamente à medida que a história avança.
O enredo é repleto de surpresas, e as pontas aparentemente soltas fazem total sentido no desfecho.
Uma obra envolvente e fascinante.
Simplesmente amei!
Assista à resenha do canal @oqueli no YouTube
SINOPSE
Após o funeral de sua avó, Maria Isabel se vê atormentada por uma pergunta que sempre lhe rondou a mente, mas para a qual jamais encontrou resposta: Por que uma mulher que amava tanto as flores nunca cuidou do próprio jardim?
Enquanto observa as últimas rosas compradas por Maria Antônia sobre a mesa da cozinha, Bel não imagina que o jardim descuidado da avó, tomado por plantas mortas e ervas daninhas, esconde um segredo terrível.
Quando o solo é escavado, surgem os ossos das vítimas de um serial killer dos anos 80, conhecido como o Assassino das Bonecas, desenterrando um passado sombrio.
Dias após a missa do sétimo dia de Maria Antônia, na pacata Itapetininga, em São Paulo, crimes semelhantes aos de décadas atrás voltam a assombrar a cidade, e, ao que tudo indica, o novo assassino é alguém muito próximo de Bel.
SOBRE A AUTORA E SUA OBRA
Stefany Neves de Borba é uma escritora iniciante e leitora veterana, natural de São Paulo, com 30 anos de idade.

Além de autora, ela também atua como designer editorial, profissão que exerce desde 2013, após se formar em Produção Editorial.
Para Stefany, a literatura e a arte são essenciais, funcionando como seu “oxigênio na terra”.
Sua obra de estreia, “Um Jardim onde morrem as flores e nascem segredos”, é um romance policial Young Adult que explora as complexas relações familiares e sociais.
A trama, protagonizada por três mulheres de gerações distintas, propõe um diálogo sobre as dinâmicas de poder, as relações abusivas e os papéis sociais impostos, especialmente no que se refere às sutis, mas ainda perceptíveis, desigualdades de gênero.
O enredo surgiu a partir de conversas com mulheres de sua família, que viveram em diferentes épocas e enfrentaram as dificuldades de ser mulher em um mundo em constante transformação.
A partir dessas histórias, Stefany buscou refletir sobre os desafios de suas antepassadas, ressoando questões que continuam a ser relevantes no cenário atual.
OBRA DA AUTORA




