Quando o coração encontra o dedo

Karla Dornelas: ‘Quando coração encontra o dedo’

Seção O Leitor Participa
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Quando o coração se encontra na ponta do dedo,
ao cair de um alpendre
— que daria duplos saltos em gatos mais ariscos —
eu me joguei no universo.

E foi o dedo que encontrou o ferro
da porta do carro.

O quase desmaio
veio de dor.

E eu lá queria saber de curativo…

Eu sabia:
o coração batia ali,
no dedo,
na unha que mudava de cor.

Quem usa branco?

Eu queria era roxo neon.

O pisca-alerta do meu dedo
agora estava ligado.

Muito mais que meu coração em frangalhos,
numa tarde que se reconstruía
entre espasmos e silêncio.

E ali,
na dor mais simples,
me lembrei da minha humanidade.

O que escorria
não era só sangue.

Era mistura de lágrimas antigas,
de cicatrizes ocultas,
de tudo que ainda lateja
sem nome.

O dedo, cerrado.

O coração?

Esse…
hoje pulsa no corpo inteiro.

Mas uma tarde que chorou
como eu chorei,
não me para.

Nem o dedo na porta.

Porque eu vivo além das linhas.

Vivo por voar
entre os meus ‘eus’.

Karla Dornelas

Karla Dornelas
Karla Dornelas

Karla Dornelas, natural de Caratinga (MG), é escritora e poetisa. Membro da Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes – FEBACLA e da Academia Brasileira de História e Literatura – ABHL, com projetos literários em desenvolvimento, incluindo a reedição de seu primeiro livro de poesias, ‘Simplesmente Você’.

Ao longo de sua trajetória, foi contemplada com menções honrosas por sua dedicação à arte e à literatura.

Sua escrita nasce do olhar sensível sobre o cotidiano, transformando o mundo em experiências poéticas e afetivas.

Com linguagem marcada pela delicadeza, musicalidade e criação de vocabulário próprio, busca dar voz ao invisível e valorizar o que é essencialmente humano, dedicando-se à construção de uma trajetória literária voltada à arte de tocar e transformar o leitor por meio da palavra.

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La rencontre de la brume et la brise

Ella Dominici: ‘La rencontre de la brume et la brise

(O encontro da névoa com a brisa)

Ella Dominici
Ella Dominici
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Quands me jours seront gris peints par des brumes
Mes yeux couverts de bateaux blancs
des nates qui nagent sur une tasse au lait
Je rencontrerai sur la mèr larmes d’ écumes

Quands mes langues seront fatiguées de saveurs
Ma tête angoissée en ayant plus des pleurs
L’ espoir de te revoir en rêve s’évanouie
Je ferai semblant de te croire,s’épanouit

À me plaire

Quands le soleil de ma croyance soit couché
Et presque des ténèbres d’insécurité
Me prendront le coeur ,les jambes et le ventre

Vivront encore mes désirs de tes anches
branches de mon arbre assoiffés de ton feu.

Le soulagement des mes souvenirs qui souffrent tant
Vient par la brise, sont des légères vents qui me soufflent et adoucissent ces moments
La brise femelle m’ avalle le cerveau

Me couvre comme un couvercle manteau
La pensée te voit ,te désire ,te touche
Le vent doux enlève vers le haut l’amoureux vers.

O encontro da névoa com a brisa

Quando meus dias serão cinza pintados por névoas
Meus olhos cobertos de barcos brancos
natas nadando em um copo de leite
Encontrarei lágrimas de espuma no mar

Quando minhas línguas estiverem cansadas de sabores
Minha cabeça angustiada sem mais lágrimas

esperança de ver você novamente em um sonho desaparecendo
vou fingir que acredito em você, florescer
para me agradar

quando o sol da minha crença se pôs
quase uma escuridão de insegurança
Levará meu coração, pernas e ventre

saberia que mesmo que meus lábios fluam
ainda viverei meus desejos de seus juncos
galhos da minha árvore sedentos pelo seu fogo.

Alívio das minhas memórias dolorosas
vem pela brisa, são ventos leves
que me sopram e suavizam esses momentos

brisa feminina engole meu cérebro
me cobre como uma capa de casaco
pensamento te vê, te deseja, te toca

vento suave sopra o amante para o
alto em  amorosos versos

Ella Dominici

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Lágrimas de amor

Irene da Rocha: Poema ‘Lágrimas de amor’

Irene da Rocha
Irene da rocha
Imagem criada por IA do Bing – 09 de setembro de 2025,
às 13:11 PM

Molha-me a alma em doce ardor profundo,
Beijos guardados, abraços sem ter fim,
Transborda em pranto o amor que em mim é o mundo,
Corrente intensa que não cabe em mim.

Choro na chuva, em lágrimas me afloro,
Sem ter razão que possa aqui falar,
É só meu peito que se abre e imploro,
Deixando a alma inteira a se entregar.

Nos sonhos busco em ti meu terno abrigo,
E em cada instante a vida se traduz,
Na boca o beijo mora aqui comigo.

São rios de dor que a face me conduz,
Amor imenso que caminha contigo,
Chovendo em mim qual lágrima de luz.

Irene da Rocha

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O relógio do tempo

Sandra Abuquerque: ‘O relógio do tempo’

Sandra Albuquerque
Sandra Albuquerque
Imagem criada por IA da Meta. 18 de julho de 2025, 
às 16:42 PM
Imagem criada por IA da Meta. 18 de julho de 2025,
às 16:42 PM

Que um dia dois seres pensaram em nós isto é fato.

Nos planejaram ou nascemos do acaso.

Talvez …

Tenhamos sido adotados.

Apenas nesta passagem  de tempo

Quantas experiências foram vividas

Por aqueles que nos antecederam !

Sorrisos, lágrimas

Raiva, euforia

Dificuldade do dia a dia

Ou um berço dourado.

Um ser  ou mais

Gerados biologicamente

Ou  através  de uma adoção

Não importa

A forma como chegamos  ao mundo 

E fomos integrados a uma família.

E sim…

Que aqui estamos.

Uma família biológica ou adotiva

Herdamos muito dos antepassados 

Mas nos moldamos ao ambiente.

Passamos  pelo relógio do tempo

Fomos apresentados a três fases:

À infância: boa ou com marcas

À adolescência: onde as verdades são descobertas

E à adulta: o enfrentamento  dos desafios.

A fase adulta se subdivide:

Até aos vinte está tudo bem.

Aos trinta, ainda sente-se  no auge..

Mas aos 40 começa a pensar:

-Logo terei 50, metade de 100

É, a velhice tá chegando!

Quando entra os 60, pensa erradamente:

Estou perto de morrer!

Mas se esquece

Que quanto mais se vive

Mais experiência adquire.

Já não tem pressa de responder

Pois o  sábio pouco fala.

Já tem consciência do que quer,

Pois já viveu os seus devaneios 

E a consequência dos mesmos.

Reconhece é um  bom vinho 

E, talvez, até de qual vinhedo provém

Mas há os que não bebem.

E isto nada muda

Aprecia um bom livro

Admira um bom filme

E uma boa música ressoa  em seus ouvidos.

Cada ruga é um detalhe de uma história vivida.

Quantos gostariam de viver longos anos.

Mas por causas naturais ou acidentais

Partem cedo.

Há quem diga que cumpriu sua missão

Ninguém vem a este  plano por acaso.

Querendo ou não 

Chegando a hora de partir

A  morte gera desculpa.

Todo tempo é demarcado 

Todos têm a sua ampulheta

É nela que seu tempo é demarcado

Pense nisto e não questione.

Comendadora poetisa Sandra Albuquerque
Rio de Janeiro,18 de julho de 2025

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Pumar de vida

Ismaél Wandalika: Poema ‘Pumar da vida’

Soldado Wandalika
Soldado Wandalika
Imagem gerada por IA do Bing - 13 de dezembro de 2024 
às 2:49 PM
Imagem gerada por IA do Bing – 13 de dezembro de 2024
às 2:49 PM

A vida nasce
Em casa esquina cruzada
Deus ilumina a jornada
Busca-se esperança entre véu
Que inala a palma de cada ser
Entre decidir a trilha junta-se a partida.

É assim que se deu abertura
Cantaram as letras nas alturas
A arte nasceu suas tempestades
Dia de tristeza a lágrimas cinzentas
A Lua aplaudiu aquela alma pura
Dia de água entre o pumar de vidas.

Pumar de vida.

Soldado Wandalika

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A dor

Ismaél Wandalika: Poema ‘A dor’

Soldado Wandalika
Soldado Wandalika
Imagem gerada por IA do Bing - 5 de dezembro de 2024
 às 7:06 PM
Imagem gerada por IA do Bing – 5 de dezembro de 2024
às 7:06 PM

A dor escava os sentimentos
Fura alma divide os pensamentos
Abate corpos e desperta cérebros

Há dor no sorriso
Que oculta as lágrimas do peito
Os olhos traduzem as palavras de cada momento

Na dor o vazio é patente
O coração rasga e sente
Caminhamos descontentes

Alma abraçada ao nada
Vive os últimos episódios na tela
A gente inventa alegria
Corrida renhida no âmago da vida

E lá se vão os dias
Aqui passam os anos
O amor nasce nos instantes
Não há como fugir da dor

A dor alcança todos
Leva todos e deixa todos

A dor de perder um grande amor
A dor das perdas dos ente queridos
A dor dos sorrisos tristonhos
A dor de ver um familiar se perdendo
A dor das eternas lembranças
A dor de acreditar nas esperanças!

A Dor

Soldado Wandalika

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Nas profundezas da dor

José Louro: Poema ‘Nas profundezas da dor’

José Louro
José Louro
Nas profundezas da dor
By Ricardo Dias dos Santos  - featuring José Manuel Monteiro Louro
Nas profundezas da dor
By Ricardo Dias dos Santos – featuring José Manuel Monteiro Louro

Mergulhaste nas profundezas da dor
Esperando encontrar nas lágrimas
a água límpida e cristalina
para nela purificares a tua alma

Mergulhaste nas profundezas da dor
Esperando encontrar água límpida e cristalina
na pureza das tuas lágrimas.
Mas encontraste apenas um poço de pedra.

Encontrado o poço de pedra
De quem um dia encontrou o eterno sofrimento
Percebeste que a noite seria tua companheira
Até ao limite da dor, até ao fim dos teus dias.

Nesse dia fatídico percebeste então
Que a luz que um dia viste
Não passou de uma mera ilusão.
Foi nesse dia que abraçaste o teu destino.

Nesse dia fatal esvaziaste o teu coração
Da força do amor de quem um dia foi puro
e apenas quis o abraço da vida em todo o seu esplendor.
Nesse dia encheste o teu coração do granito mais frio.

Nesse dia incerto e em lugar oculto
A tua alma viria a morrer
Nesse dia incerto e em lugar oculto
A tua alma partiu para não mais voltar.
Para não mais voltar
Para não mais voltar
A tua alma partiu

José Louro
07-11-2024

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