Palestra de Leandro Portella

Leandro Portella no Colégio Primeiro Mundo:
Uma lição de vida de quem vivencia que “o importante não é o que falta no corpo, mas o que sobra no coração”

Telas de leandro Portella, expostas na palestra realizada no Colégio Primeiro Mundo  no dia 16 de setembro de 2025
Em pé, telas de Leandro Portella, expostas na palestra realizada no Colégio Primeiro Mundo, no dia 16 de setembro de 2025. Embaixo, telas pintadas por alunos do colégio.

No dia 16 de setembro, o artista plástico e escritor Leandro Portella esteve no Colégio Primeiro Mundo, para proferir palestra aos alunos do Ensino Fundamental I (crianças de 6 a 10 anos) , decorrente do projeto sobre arte inclusiva, de autoria da professora de inglês Lídia Valladão Diniz.

Leandro Portella - Arquivo pessoal
Leandro Portella – Arquivo pessoal

Um exemplo de resiliência

O convite feito ao palestrante se justificou, pois Leandro Portella nasceu com uma malformação, fenda de palato, que o levou a ter problemas na fala e, consequentemente, a sofrer bullying durante toda a infância. Como forma de superar esse sofrimento, encontrou no esporte, a natação, uma prática física que dava-lhe liberdade, confiança e um espaço onde não importava o som de sua voz, mas sim o desempenho do corpo.

Entretanto, aos 17 anos, na Praia da Sununga, Ubatuba (SP), um mergulho mal calculado veio a quebrar-lhe o pescoço, tornando-o tetraplégico.

A fibra de Leandro, no entanto, própria dos heróis mitológicos, levou-o a encontrar na arte e, recentemente, na literatura, o lenitivo, a transmutação das dores físicas e morais, tornando-o um paradigma de resiliência (leia a matéria completa, publicada pelo Jornal ROL: https://jornalrol.com.br/?p=75342).

A curiosidade infantil, diante de uma hiistória de vida digna de aplausos
A curiosidade infantil, diante de uma história de vida digna de aplausos

Uma plateia entusiamada!

Manter dezenas de crianças sentadas e atentas a uma palestra não é um feito para qualquer palestrante. Para tal, ele há de ser um verdadeiro show man. Não obstante, Leandro Portella, mais uma vez, superou as barreiras do corpo, demonstrando a força do espírito. Da cadeira de rodas, com voz quase sussurrada e sem movimentos do corpo, sua trajetória de vida fez-se espetáculo, que encantou adultos e, principamente, as crianças, que passaram a fazer-lhe perguntas.

A curiosidade infantil

Enzo – Por que sua voz é assim?
Leandro – Eu nasci assim e tive que passar por cirurgia e tratamento.

Leandro – É difícil o tratamento que você fez?
Leandro – No começo foi bem difícil, sim.

Samuel – O que você queria ser?
Leandro – Professor de Educação Física.

Pedro – Como você respirava na água?
Leandro – Uma onda me virou de barriga pra cima e consegui respirar.

João Pedro – Você sente dor quando tocam em você?
Leandro – Não sinto nada.

Beatriz – Como você descobriu o dom da pintura?
Leandro – Eu conheci uma moça no hospital e ela pintava com a boca, e aí eu quis aprender também.

Aurora – Você desenha ou só pinta?
Leandro – Só faço pintura.

Arthur – Você desenhou todos os quadros que pintou?
Leandro – Não, as pessoas desenham pra mim e eu faço a pintura.

Nicholas – Você desenha com os pés?
Leandro – Não.

Alice – Onde você faz as pinturas?
Leandro – Na minha casa.

Heitor – Você já pintou uma paisagem?
Leandro – Sim.

Dimitri – Qual foi a pintura mais difícil?
Leandro – O estádio do Corinthians.

Pedro – Como você faz os detalhes?
Leandro – Com concentração e tempo.

Gabriel – Como você limpa os pincéis?
Leandro – A Cris limpa pra mim.

Júlia – Como você mexe no computador?
Leandro – Por comando de voz, letra por letra.

Elisa – Como você vai ao banheiro?
Leandro – A tia Cris me ajuda.

Momentos da Palestra

Cristina Silva (Técnica de Enfermagem), Leandro Portella, Lídia Valladão Diniz, Letícia Geraldo Firmino (Gestora), Alana Ferreira Melo (Coordenadora do Ensino Fundamental I e Júlia (Auxiliar de Coordenação)
Cristina Silva (Técnica de Enfermagem), Leandro Portella, Lídia Valladão Diniz, Letícia Geraldo Firmino (Gestora), Alana Ferreira Melo (Coordenadora do Ensino Fundamental I e Júlia (Auxiliar de Coordenação)
Telas de Leandro Portella
Telas de Leandro Portella

Vista geral do auditório
Vista geral do auditório

Vista geral do auditório
Vista geral do auditório

Pensamentos e passagens da vida de Leandro Portella

Pintando a Vida com Novas Cores

Quem sou eu:
Quem sou eu?

A Minha História
A Minha História

A Arte como Superpoder
A Arte como Superpoder

Todos Temos um Superpoder
Todos Temos um Superpoder

Prevenção de Acidentes
Prevenção de Acidentes

O que é Acessibilidade?
O que é Acessibilidade?

Inclusão é Brincar Juntos!
Inclusão é Brincar Juntos!

Eu e meu Sobrinho Gabriel
Eu e meu Sobrinho Gabriel
"O importante não é o que falta no corpo, mas o que sobra no coração".
O importante não é o que falta no corpo, mas o que sobra no coração”.

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Leandro Portella

Dos vendavais da vida à aragem das artes!

Logo da seção Ode à Competência
Logo da seção Ode à Competência

ODE À COMPETÊNCIA é uma seção do Jornal ROL que visa apresentar aos leitores pessoas que, enfrentando toda sorte de adversidades da vida, encontraram em si força, coragem e fé para superar as pedras “no meio do caminho”, e, com elas, exemplificar ao mundo a capacidade de um ser humano de se erguer dos escombros interiores, em direção ao Sol da Vida.

Ode à Competência, portanto, é uma seção que resume uma bandeira a se manter sempre hasteada: RESILIÊNCIA, que, no campo da Psicologia, significa, resumidamente, resistência ao choque, à adversidade.

"Eu sou Leandro Portella — artista plástico, tetraplégico, sonhador, resistente. Minha arte não é apenas o que eu faço. É quem eu sou."  Arquivo Pessoal
“Eu sou Leandro Portella — artista plástico, tetraplégico, sonhador, resistente. Minha arte não é apenas o que eu faço. É quem eu sou.” – Arquivo Pessoal

A primeira provação

Resiliência, esta bandeira quem a tem hasteada é LEANDRO PORTELLA, paulistano radicado em Araçoiaba da Serra (SP), que, já ao nascer, encontrou a primeira e grande barreira a ser transposta: uma malformação congênita, fenda no palato, levou-o, com apenas um ano e meio de idade, a passar pela primeira cirurgia e, a partir de então, demandou anos de acompanhamento com fonoaudióloga, exercícios repetidos e tentativas de aprimorar a fala.

Não obstante todo o empenho do tratamento fonoaudiológico, a voz permaneceu anasalada, fator esse que, durante a infância, acarretou-he piadas mordazes e bullying quase diariamente. Consequentemente, Leandro, pouco a pouco, tornou-se uma criança tímida, de poucas palavras.

Uma luz no meio do caminho

Todavia, o vento da vida sempre sopra, mitigando as dores físicas e interiores, e Leandro passou a enxergar e valorizar as pessoas que realmente o apoiavam, tendo poucos amigos, mas que iluminaram seu caminho. E, com o tempo, encontrou nos esportes um porto seguro.

A prática física dava-lhe liberdade, confiança e um espaço onde não importava o som de sua voz, mas sim o desempenho do corpo. E foi na natação que encontrou a maior paixão. A água tornou-se seu elemento natural, proprcionando-lhe a sensação de integridade, liberdade, capacidade de ser quem ele queria ser. A imersão na água trazia-lhe a desejada paz, como um antivírus do preconceito do qual era alvo.

Nova provação

Entretanto, o frescor do vento, de tempos em tempos, cede lugar à realidade, pois a vida é um constante desafio, e um instante pode romper a tranquilidade dos dias amenos. Aos 17 anos, na Praia da Sununga, Ubatuba (SP), um mergulho mal calculado, vindo a quebrar-lhe o pescoço, traçou-lhe outra rota, tornando-o tetraplégico.

Durante seis meses ficou internado no Hospital das Clínicas, sob dores físicas atrozes e expectativa, tentando visualizar seu futuro. A liberdade de movimentos transformou-se num calabouço. E mais um estação do calvário interior descortinava-se a sua frente. Mais uma vez, a vida obrigava-o a ressignificar a relação com o mundo e consigo mesmo. Uma nova realidade se impôs diante dele, exigindo reinvenção.

Leandro Portella - Arquivo Pessoal
Leandro Portella – Arquivo Pessoal

Leandro Portella - Arquivo Pessoal
Leandro Portella – Arquivo Pessoal

A redenção pela arte

Para o espírito estoico, sempre há um mapa a assinalar o caminho. E foi pela arte que Leandro o encontrou. A arte tornou-se sua Pedra Filosofal, que permitiria transmutar a dor interior no ouro das oportunidades, e no elixir de uma vida plena de realizações.

No Hospital das Clínicas conheceu a artista Eliana Zagui. Ela havia contraído poliomielite na infância e perdeu os movimentos do corpo. No hospital, pintava quadros com a boca. Ambos se tornaram amigos e Leandro, apesar de nunca ter demonstrado aptidão com a pintura, pelo incentivo de Eliana começou a pintar como forma de terapia.

Com o tempo, percebeu que poderia até mesmo vender os quadros, gerando renda. Passou a ter aular com a professora Elza Tortello, desenvolvendo a técnica e estilo. Ingressou na Associação de Pintores com a Boca e os Pés (APBP), uma entidade internacional que apoia artistas com deficiência. A partir de então, sua arte começou a ganhar visibilidade, e participou de diversas exposições no Brasil e no exterior.

A política e o ativismo

A estrada de Leandro o levou à política e ao ativismo. Na política, teve por referência a senadora Mara Gabrilli, portadora de uma lesão semelhante à dele. Ao conhecê-la, foi estimulado a entrar na política para ajudar as pessoas com deficiência.

Candidatou-se a vereador de Araçoiaba da Serra e em 2012 foi eleito. Cônscio da importância do cargo, decidiu que era hora de entrar na faculdade e começou a cursar Gestão Pública, para continuar na vida política.

Como ativista, presidiu o Banco de Cadeiras de Rodas do Rotary local e atuou no Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Documentário internacional

Em 2020, sua história chegou às telas de cinema no documentário internacional Human Life, pelo qual, emocionou-se ao se ver ao lado de outras pessoas extraordinárias, cujas trajetórias de superação inspiram o mundo.

'Depois do Mergulho – Crônicas de uma Vida Reinventada', lançado no dia 16 de março de 2025 em Araçoiaba da Serra (SP) — Foto: Arquivo pessoal
Depois do Mergulho – Crônicas de uma Vida Reinventada’, lançado no dia 16 de março de 2025 em Araçoiaba da Serra (SP) — Foto: Arquivo pessoal

Literatura e novo documentário

2025 tem trazido a Leandro novas e importantes conquistas: em março, lançou o livro Depois do Mergulho – Crônicas de uma Vida Reinventada e participou do documentário Ressignificar, produzido pela PNAB. O livro traz reflexões sobre a vida de Leandro após o acidente. No documentário, mostra como a arte pode ressignificar a dor e revelar novos sentidos para a existência.

A tecnologia como aliada

O Universo conspira a favor de todo guerreiro da vida. Para Leandro, a tecnologia deu-lhe um computador com um comando de voz, por meio do sistema Motrix, o que llhe permite continuar criando, escrevendo e interagindo com o mundo de uma forma mais autônoma, inclusive proferindo palestras. A tecnologia, assim como a arte, segundo ele, tem sido uma ferramenta fundamental para sua liberdade.

Palavras de um vencedor

Hoje, sigo pintando, palestrando, criando e vivendo. Meu corpo é outro, mas minha essência continua intensa, curiosa e apaixonada pela beleza de existir. Eu sou Leandro Portella — artista plástico, tetraplégico, sonhador, resistente. Minha arte não é apenas o que eu faço. É quem eu sou.

Depois do Mergulho – Crônicas de uma Vida Reinventada:
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Capa do livro 'Depois do Mergulho – Crônicas de uma Vida Reinventada'
Capa do livroDepois do Mergulho – Crônicas de uma Vida Reinventada’

Documentário Internacional Human Life

Documentário ‘Ressignificar (2025)

Contatos com o Leandro Portella:

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