dezembro 09, 2025
Entre o meu amor que celebra e o meu país que chora
Solenidade da AAP-Brasil
9ª FLAUS – Feira do Livro e Autores Sorocabanos
No Quadro do Jornal ROL, Eduardo Martínez!
Pajé Pitotó
Troféu Mulher de Pedra 2025
Príncipes também são sapos
Últimas Notícias
Entre o meu amor que celebra e o meu país que chora Solenidade da AAP-Brasil 9ª FLAUS – Feira do Livro e Autores Sorocabanos No Quadro do Jornal ROL, Eduardo Martínez! Pajé Pitotó Troféu Mulher de Pedra 2025 Príncipes também são sapos

Sessões de terapia nos dias da semana

image_print

Lina Veira: ‘Sessões de terapia nos dias da semana’

Lina Veira
Lina Veira
Imagem do Canva, com texto de Lina Veira

— Como você está se sentindo?

Outro dia constatei que nossa aventura existencial é incrivelmente desumana. Silenciosamente tudo começa no útero de nossa mãe; lá passamos a ter muitas caras, gostos e a assumir uma variedade de modelitos e comportamentos que apenas ouvimos; detalhe: não são nossos.

É um tempo, digamos, de muitas informações e poucas conclusões sobre nós mesmos, sobre nossa vida. Afinal, ninguém nos conhece ainda. Mas superamos com um pouco de psicologia ao crescer e, digamos, com uma boa leitura e amigos. Depois de muitas transformações individuais, crescemos, e quase adultos, percebemos que nada durante toda nossa vida é tão nosso e tão desmascarado quanto a expressão do pensamento, quanto o pensar. Nele somos nós mesmos, estamos nus. Somos nós!

Viva a justiça da existência humana! Eu posso ser eu mesma pensando! Que maravilha! E assim, embora nada nos aquiete ou nenhuma resposta nos convença, dia a dia o sol nasce e se põe, dia a dia continuamos a ouvir, a obedecer e aceitar as leis da física, as leis jurídicas, as leis da ciência, as leis de nossos pais! Tudo é como o outro deseja, como o pai sonha, como a mãe quer, como os colegas aceitam, como as normas e diretrizes da sociedade determina.

Tudo continua como no ventre de nossa mãe. Pensamentos que vêm e vão, que passeiam por dentro e fora de nós como um mar agitado ao vento, confuso de enigmas e sensações. Parece que todo desejo nos é roubado desde o nascer — o livre arbítrio de exercer nossas verdades — os nossos gostos, a nossa miséria, a nossa existência e segredos. Desde o começo é assim, tudo nos é imposto, inventado, controlado.

Literalmente tudo nos é forçado, combinado, feito de estatutos e decretos que amenizam tudo, menos o que sentimos. Vamos vivendo como se estivéssemos dentro de uma bolha, prontos para explodir dentro de nós mesmos, procurando respirar num mundo estranho onde cada um é obrigado a fazer a sua parte, sem nunca ter sido inteiro.

Escrito em 2018, em minhas sessões reais de terapia.

Do livro ‘Um de meus olhares’.


Lina Veira

Voltar

Facebook

Lina Veira
Últimos posts por Lina Veira (exibir todos)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PHP Code Snippets Powered By : XYZScripts.com
Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial
Acessar o conteúdo