José Antonio Torres: Crônica ‘Sensação de impotência’


Caminhando pela praia, sentindo a areia fina como a sutileza do amor. A sensação de que algo desliza e se esvai impressiona pela percepção de impotência. A mesma de quando te perdi. Tão perto, tangível e, ao mesmo tempo, se esvaindo, te perdendo.
Dor e angústia por assistir ao teu sofrimento e nada poder fazer para minorá-lo. Tudo fazendo, como um ator, representando para não demonstrar a minha dor e não te preocupar. Sim, eu sabia. Mesmo você sofrendo e partindo um pouco a cada dia, ainda se preocupava para que eu ficasse bem.
Assistir à vida se esvaindo de alguém sem poder contê-la é um sofrimento atroz. Não temos como reter a vida em um corpo quando é chegada a hora. Como um vaso que se quebra e perde o seu conteúdo, assim a vida se esvai quando o corpo está consumido e alquebrado pela terrível doença.
Não sofre apenas quem sente as dores físicas, a fraqueza e as limitações do corpo, mas também os que convivem com o ser amado e que, em pouco tempo, não o terão mais em seus braços…
Conscientemente sabemos que é inevitável, mas, ainda assim, a percepção da perda definitiva machuca, consome e dilacera nossa alma. Não mais a presença, a voz, o riso, o abraço, o beijo…. nada!
Tudo em um único instante ficou no passado e na lembrança.
Uns partem em tenra idade, outros jovens, outros ainda, maduros e outros mais, idosos. São ciclos mais ou menos longos que serviram para cumprir uma etapa que havia ficado pendente.
O tempo vai passando, a dor se acalmando e a compreensão se faz. As lembranças dos momentos de alegria vividos juntos se sobrepõem aos momentos ruins. O entendimento de que o ser amado partiu para a verdadeira morada, livre do sofrimento terreno e onde vai se recuperar para alcançar novas conquistas, nos conforta.
A mensagem que fica é a de que precisamos amar, valorizar e desfrutar de cada momento junto de quem se ama. Agindo assim, não haverá espaço para culpas e arrependimentos, que são fardos extremamente pesados para se carregar ao longo da vida.
José Antonio Torres
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Natural do Rio de Janeiro (RJ), é poeta, escritor e militar do Exército – reformado. Autor dos livros Um Mergulho na Alma – Reflexões Divagações, Casulo & Borboleta e Sementes de Sentimentos. Coautor em diversas Antologias, dentre as quais: Antologia Vivências: Viver é Adaptar-se – Editora Conejo e Antologia Primavera, lançada pela Academia de Letras e Artes pela Paz – ABLAP. Membro de várias Academias de Letras, dentre as quais, Federação Brasileira das Ciências, Letras e Artes – FEBACLA; Academia Hispano-Brasileña de Ciências, Letras y Artes – AHBLA; Academia de Letras de São Pedro da Aldeia – ALSPA e Academia dos Intelectuais e Escritores do Brasil – AIEB e Academia Brasileira de Medalhística Militar – ABRAMMIL. Agraciado com dois Títulos Doutor Honoris Causa em literatura, um pela FEBACLA e outro pela AHBLA. Agraciado com o Título Embaixador Cultural da Paz; Embaixador Cultural Brasil África; Grande Prêmio Internacional de Literatura Luís de Camões; Prêmio Personalidade nos anos de 2022 e 2023 pela Editora Mágico de Oz, além de outros.


é verdade meu amigo, temos que viver cada momento retribuindo tudo de bom e partilhando toda a felicidade com quem estamos juntos no dia a dia. Parabéns por mais essa obra. bjs de luz
Evelina, muito obrigado pelo teu carinho.
Assim é.
Um beijo de luz no teu coração.
Amigo suas palavras tocam nossos coracoes como uma luz para o que temos de melhor wue e amar.
Amar tudo que somos tudo o que temos todos os amigos e familiares todos os dias.
Maravilha
Roselly, muito obrigado pelo teu carinho e por tuas palavras tão gentis.
Fico feliz em tocar o teu coração.
Um beijo de luz no teu coração.
Que texto tocante. A forma como você utiliza a metáfora da areia para descrever a natureza intangível da vida e da perda é de uma sensibilidade ímpar que traduz aquela sensação de ‘impotência’ que é tão difícil de colocar em palavras. Você captou com precisão o peso que acontece nos momentos de despedida.
Ao mencionar que não sofre apenas quem parte, mas quem fica assistindo à ‘vida se esvair’, você valida o luto de quem cuida, um sentimento que muitas vezes é negligenciado.
Contudo, o texto não para no sofrimento, ele faz uma transição para a compreensão e para a ideia da ‘verdadeira morada’, transformando a angústia em uma lição de valorização do presente, uma reflexão poderosa sobre o amor e a finitude que, pela carga emocional tão autêntica, vai além de um simples desabafo, torna-se um acolhimento para quem já passou por algo semelhante. Vivemos em uma cultura que valoriza o controle sobre tudo, e o seu texto encara de frente a realidade de que, diante da finitude, somos apenas observadores. Transformar o sofrimento na urgência de ‘amar, valorizar e desfrutar’ é a maior homenagem que se pode prestar a quem partiu.
Por isso temos que fazer e dizer a quem amamos tudopois assim não sentiremos remorso.Vc disse tudo.
Teresa, muito obrigado pelo teu carinho.
Assim é.
Um beijo de luz no teu coração.
Há situações que fogem do nosso controle. E a finitude é uma delas. Na sua maioria é sempre muito dolorida, principalmente das pessoas amadas que vivenciam algum tipo de dor. Nos sentimos impotentes e, de certa forma, fracassados. Só o tempo nos dará a compreensão e aceitação. Sermos forte diante da vida é uma questão de sobrevivência! Parabéns pelo texto!
Helena Masurk, muito obrigado pelo teu carinho.
Exatamente assim.
Um beijo de luz no teu coração.
Oi amigo!! Mais uma vez ,brilhante!!!!
Helena, muito obrigado pelo carinho.
Um beijo de luz no teu coração.
Correção:
“… Sermos fortes diante da vida…:
Helena Mazurk, obrigado. Bjs
Carol, muito obrigado pelo teu carinho e por tuas palavras que me tocaram profundamente.
Escrevi essa crônica tentando colocar em palavras os sentimentos experienciados em uma fase muito sofrida pela qual eu e familiares passamos.
Um beijo de luz no teu coração.
Oi amigo!! Mais uma vez ,brilhante!!!!
Esse texto toca fundo em nossos corações que se viram entes queridos que partiram antes de nós. O restante dos meus comentários deixo por conta da música Epitáfio dos Titãs.
Luiz Antonio, muito obrigado pelo carinho.
Assim é, meu amigo.
Um forte abraço de luz.
Muito triste.
Meu caro amigo poeta, novamente nos vislumbra com esse paradigma da vida. Chegamos, Vivemos e Partimos. Esse ciclo que muitas vezes é interrompido prematuramente, pois não é possível termos o controle da partida. Quem fica sofre, padece e eterniza esse pensamento do convívio dos amigos, familiares e da pessoa amada. Magistralmente descreveste essa comparação implícita do viver com o partir. Grande abraço.
Salvador, muito obrigado pelo teu carinho.
Exatamente assim, meu amigo.
Um forte abraço de luz.
Belíssimo texto e que nos serve de reflexão. Triste, mas real. Parabéns José Antonio, você sempre nos surpreendendo com essas excelentes obras literárias. Sucesso meu amigo! Deus te abençoe! 🙏😘❤️
Anunciada, muito obrigado pelo carinho e por tuas palavras tão gentis.
Um beijo de luz no teu coração.
E é a vida com todas as letras.nascer,crescer,realizar sonhos(tentar ao menos)e seguir tentando pq quanto mais sabemos mais sofremos. Mas estando abaixo do Céu e acima da terra vamos levando esse belo e misterioso espetáculo universal chamado VIDA!!!!!Parabéns amigo!!👏👏👏
Belíssimo texto e que nos serve de reflexão. Triste, mas real. Parabéns José Antonio, você sempre nos surpreendendo com essas excelentes obras literárias. Sucesso! Deus te abençoe! 🙏
Anunciada, muito obrigado pelo carinho.
Um beijo de luz no teu coração.
Belíssimo texto e uma excelente Reflexão. Parabéns José Antonio. Deus te abençoe! 🙏 Sucesso hoje, amanhã e sempre! Beijos!
Anunciada, muito obrigado pelo carinho.
Um beijo de luz no teu coração.
Sensacional Amigo! É assim que devemos fazer, viver a Vida, pois o amanhã só a Deus pertence. Cada vez mais nos mostrando os caminhos que devemos seguir e segui-los bem. Mais uma vez Parabéns.
Ivone, muito obrigado pelo carinho.
Assim é.
Um beijo de luz no teu coração.
Muita das vezes me parece que vc veio aqui em casa ,olhou nos meus olhos e começou a escrever .
É impressionante de como me toca sabe!
Oi
Parabéns texto maravilhoso e real
Beijos
Bom dia, sim são dilemas e questões do existir. Abordadas de maneiras tão sutis. Grata por me permitir revelas . Bjs