Ismaél Wandalika: ‘Lá se vai a nossa sorte’


E lá se vai a sorte da gente, da gente que clama para frente, que limpa o caminho e faz o diferente.
Lá se vai a sorte da gente
Lá se vai a sorte da gente
lá se vai a nossa sorte
O dia nasce e a gente apela aos deuses
Um pedaço de esperança para o nosso suporte
Corremos a deriva ao redor do cume do monte
Assim traçamos caminhos que nos tornam fortes
lá se vai a nossa sorte
Abraçado ao relento
Despedindo as dores que embalam o peito
Não há luz em nosso mundo
A gente vive comendo a poeira do tempo
Ao som de nossos dias encontramos o refúgio
lá se vai a nossa sorte
Arrastada pela carruagem dos magistrados
Que contam histórias para iludir a mente do povo
Saqueiam bem o bem fingindo fazer o bem a quem nada tem.
lá se vai sorte nossa
Nesse panorama confuso
Miúdas bebem da ilusão e enganam os adultos
Aplausos falsos renovam contratos para escravidão
E o povo esquece que a sorte está no coração
Minutos de embriaguez retardam a solução
E lá se vai a gente dividida olhando pro chão
O Ministro abre os olhos e imputa as palavras erguidas pelas mãos.
E lá se vai a sorte da gente, da gente que clama para frente, que limpa o caminho e faz o diferente.
Lá se vai a sorte da gente
Lá se vai a sorte da gente
lá se vai a nossa sorte
Soldado Wandalika
- A prensa - 11 de agosto de 2026
- Cosmos - 6 de agosto de 2026
- A ilusão do mistério - 27 de julho de 2026
Natural de Luanda (Angola), e mais conhecido no meio artístico como Soldado Wandalika, é Gestor Administrativo, poeta, escritor, declamador, músico, compositor e agente cultural. Iniciou sua carreira literária como poeta declamador em 2006. Em 2020 lançou o primeiro EP, intitulado General de Guerra, composto por duas músicas e quatro poemas. Tem três músicas e um videoclipe disponibilizado nas plataformas digitais e no YouTube. Participou da Antologia Poema Sem Vogal, no Brasil. É colaborador da Rádio Cultura Angola no programa Manhã De Prosa e trabalhou na Rádio Cazenga, como agente cultural. Como poeta, colaborou com a Rádio Eclésia, dando voz ao espaço Palco das Artes. Tem colaborações artísticas com artistas do México, Moçambique, e do Brasil. Autor do livro Kuduro Poético. (Kuduro). É CEO do projeto internacional Poetas Da Ilusão, composto por brasileiros, moçambicanos e angolanos e mentor do projeto comunitário Meu Bairro Meu Centro Cultural.


Ismael Wandalika,
Seu poema retrata uma realidade angustiante que vivemos, em muitos países espalhados pelo mundo…
“…O dia nasce e a gente apela aos deuses
Um pedaço de esperança para o nosso suporte
Corremos a deriva ao redor do cume do monte
Assim traçamos caminhos que nos tornam fortes”
Esse trecho diz tudo!
Parabéns, nobre escritor, pela bela composição poética!
Minha amiga Evani Rocha, muito grato pelo seu comentário! A gente segue o ritmo sequencial dos nossos sonhos independentemente do mundo em que vivemos, há semelhanças na vivência kamba.