agosto 31, 2026
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Pena

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Virgínia Assunção: Poema ‘Pena’

Virgínia Assunção
Virgínia Assunção
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Há pessoas que não ferem pela força,
Mas pela arte de fingirem ser do bem.
Vestem-se de ovelhas em pele de lobo,
E não se preocupam se machucam alguém.

Confesso: não desperta em mim revolta.
Pois a revolta exige que se tenha algum valor.
O que essas pessoas de fato, provocam
É pena, silêncio tecido de pesar e torpor.

Estranha palavra essa: pena.
No coração, compaixão; na lei, punição.
Talvez não tenham sentidos tão diferentes:
Pois quem inspira pena, já vive em condenação.

Porque o pior dos presídios não tem grades,
Nem juiz, sentença, ou qualquer legislação.
Está na mente de quem engendra as maldades
E faz da própria vida a sua eterna prisão.


Virgínia Assunção

Virginia Assuncao
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4 thoughts on “Pena

  1. Parabéns pela sagacidade poética. Muito lindo e real.
    Você é uma potencialidade na escrita. Todo sucesso e lindos voos.

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