Eventos no Rio de Janeiro revelam as conexões secretas de Machado de Assis com a Ordem e desmistificam lendas urbanas sobre a maçonaria

No Rio de Janeiro, para comemorar a data, no dia 20 de agosto, houve algumas atividades na cidade, dentre elas: palestra intitulada A MAÇONARIA NA PROSA BRASILEIRA DO SÉCULO XIX, do cunhado Jorge Eduardo de Magalhães, pela Academia Luso-Brasileira; Sessão Solene na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, proposta pelo vereador Pedro Duarte já há quatro anos; e a palestra com o tema O que a Maçonaria não é, do cunhado Frederico Amitrano, no Balaio das Artes.
Depois de uma manhã imersa na Segunda Fase do Modernismo, assistindo às apresentações de trabalhos sobre Cecília Meirelles, Drummond, Ferreira Gullar, Graciliano Ramos, Josué Montello…, cheguei ao lindo Liceu Literário Português, em Laranjeiras, para ouvir o que o amigo cunhado Jorge Eduardo (da ARFGBLM Baden Powell VII nº 35 da GLMERJ, membro da Academia Luso-Brasileira de Letras, professor, escritor…) tinha para nos dizer sobre os personagens maçons das literaturas brasileiras.
Mais uma vez, foi exemplar. Em uma hora, apresentou um breve estudo acerca da abordagem da Maçonaria e de personagens maçônicos nas obras de grande escritores brasileiros como Machado de Assis, Aluísio Azevedo, Olavo Bilac e Pardal Mallet, muitas vezes de forma direta ou mesmo sutil. Fato este que depois de ouvi-lo, pensamos: como nunca percebi isso? Mais uma vez, prova de que esta instituição, a maçonaria, precisa ser compreendida e desmistificada.
Vale ressaltar que embora os autores brasileiros não tenham criado personagens abertamente maçons com frequência, a temática e os ideais da maçonaria influenciaram o contexto histórico no qual as Literaturas Brasileiras foram produzidas, principalmente no período do Império. Escritores como Machado de Assis e Jorge Amado mesmo não sendo comprovado o vínculo como maçons, suas obras e contextos estão relacionados ao ambiente cultural no qual a maçonaria se desenvolveu no Brasil. Sendo assim, no que se refere ao Machado de Assis: trata-se de um dos maiores mistérios das Literaturas Brasileiras.
Não há um documento que comprove a iniciação do escritor. Entretanto, há evidências de que Machado era um profundo conhecedor ou um ‘maçom sem avental’. Obras como Esaú e Jacó, com seus personagens e a tábua de logosofia, são repletos de simbolismo maçônico. Além disso, ele era amigo íntimo de maçons notórios, como o Visconde do Rio Branco.
Depois, seguimos para a Sessão Solene na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, proposta pelo vereador Pedro Duarte e organizada pelas lojas: União Escosseza nº 105, Acácia do Lavradio nº 3481, Equidade nº 3954 e Leon Denis 17 nº 4225. Lá, pudemos assistir ao grupo Exaltação ao samba enredo. E, fomos surpreendida pela leitura de um poema intitulado Estranha mulher de autoria da cunhada poetisa Maria Ivone Correia Dias (membro da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás): “essa mulher estranha, temida e venerada, mil vezes perseguida, vencendo com galhardia, é cidadã do mundo, é a MAÇONARIA”. Sim, teve poesia na solenidade. Lindo poema pode ser lido na íntegra em https://masonic.com.br/trabalho/estranhamulher.html.
E o dia comemorativo finaliza com a instigante palestra O que a Maçonaria não é, noBalaio das Artes. Urge esclarecermos dentre muitas questões de que não se trata de uma seita. Conforme o palestrante Frederico Amitrano (Eminente Grão Mestre do Grande Oriente Maçônico do Brasil no Rio de Janeiro), “sabemos que há muitos mistérios em relação à Ordem Maçônica, o que facilitou a existência de muitas lendas urbanas. Por isso, o objetivo da palestra não foi revelar os segredos da maçonaria, mas desfazer diversos tabus e achismos, como por exemplo, sobre pactos satânicos, enriquecimento imediato etc”. Assim, a palestra fez um belo passeio histórico sobre a maçonaria até os dias atuais.
Por fim, este dia foi muito proveitoso. Momentos propiciados para se pensar o que é a maçonaria e o papel social do maçom. De acordo com o Grande Oriente do Brasil (GOB), (a mais antiga instituição maçônica brasileira), maçonaria é uma “instituição essencialmente filosófica, filantrópica, educativa e progressista” cujos membros professam os princípios de igualdade e de fraternidade. Seu objetivo é “a investigação da verdade, o exame da moral e a prática das virtudes”. Tem como princípio basilar: Deus, pátria e família. Por essa razão, os maçons devem ser motivados por suas esposas a ser assíduo às sessões da sua loja e motivá-las a participar da Fraternidade Feminina Cruzeiro do Sul. Trata-se de uma Associação Civil Paramaçônica Feminina não iniciática, sem fins lucrativos, vinculada ao GOB e criada pela Constituição do GOB de 1967.
Caro cunhado (a), divulgue e desmistifique a maçonaria. Incentive a ser maçom ou fraterna. Urge um mundo livre, igualitário e fraterno!!!
Renata Barcellos
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Natural do Rio de Janeiro (RJ), é pós-doutora em Língua Portuguesa e em Literatura Brasileira pela UFRJ e professora da Educação Básica à Superior. É membro de diversos sodalícios: APALA, ALAP, AJEB RJ, SCLB MA, AMT, AOL, ABRASCI, ABRAMIL, Pen Clube; membro correspondente do Instituto Geográfico de Maranhão, da Academia Maranhense de Letras e da Academia Vianense de Letras. Membro dos grupos de pesquisa GELMA e do Formas e Poética do Contemporâneo – ForPOC (CNPq/ UFMA/ CCEL). Fundadora do Barcellartes. Escreve matérias e entrevistas para o saite Facetubes, para o Jornal Terra da Gente e A voz do Escriba e para revistas como 7 Literário News, LiterArte SP, Revista Sarau e Voo livre.


