Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo: uma reflexão sobre confiança, amizade e reciprocidade

Neste ponto da reflexão, a questão central que se nos coloca é saber em quem podemos confiar? Pode-se confiar em alguém, ao ponto de se divulgar a nossa vida, os nossos princípios, valores, sentimentos, emoções, desejos, projetos, problemas, até os mais íntimos, com a certeza de que as informações, os desabafos, ficam com esse alguém que, inteiramente, até consideramos, por exemplo, o nosso único, especial e maior amigo?
Existem, de facto, amigos íntimos, verdadeiros, incondicionais em quem possamos confiar? Em situações-limite, em que há interesses idênticos, em beneficiar de uma determinada oportunidade, pode-se contar com o apoio claro desse amigo, que consideramos verdadeiro? Ou, pelo contrário, haverá situações muito complexas, que nem ao nosso “amigo especial” se pode dar a conhecer?
Bom, das duas, uma: ou se tem um amigo verdadeiro, puro, incondicional, especial, e nele se pode confiar totalmente; ou apenas temos um amigo que o é enquanto lhe convier e que, em certas circunstâncias, abandona o amigo para se relacionar com outros alegados amigos, para obter determinados proveitos, ficando, praticamente, contra o primeiro!
Nesta última hipótese, este é o “amigo” em quem não se pode confiar, porque nos troca, sempre que a situação lhe convém. O amigo autêntico, solidário, leal, que está permanentemente do nosso lado, aquele que por nós tem um genuíno “Amor-de-Amigo”, é o mesmo que sabe colocar todas as situações no seu devido lugar e que, até espera do amigo todo o apoio, quando precisa de resolver algum problema mais complicado, incluindo aspetos do foro íntimo.
Rejeitar um amigo verdadeiro, puro e incondicional, trocando-o ou substituindo-o por outros interesses, situações e pessoas, não é próprio de quem se diz amigo e pode conduzir, inclusivamente, a grande mágoa, intensa dor, imenso sofrimento, desgosto profundo e morte, de quem é vítima da deslealdade de uma pessoa em quem se confiou tudo, em quem se acreditou, de quem se gostou sinceramente, sempre com respeito, com carinho e com meiguice.
A vida em sociedade, cada vez mais, pressiona as pessoas para terem de conviver com todas as outras, para, alegadamente, terem algum sucesso, numa qualquer atividade, quantas vezes, até para manter um relacionamento que convém, para se atingir determinados objetivos. Infelizmente, o “Saber-conviver-com-os-outros” pode transformar-se numa perigosa hipocrisia, em complicadas deslealdades, em faltas de solidariedade e numa pseudoamizade, de inaceitável conveniência. Então e uma vez mais, em quem podemos confiar?
Devemos acreditar que temos capacidade, e vontade, para sermos verdadeiros amigos de outras pessoas, e que estas, de igual forma, podem retribuir, com a mesma sinceridade, amabilidade e consideração, incondicionalmente, a nossa amizade, assumindo atitudes de clara, inequívoca e permanente solidariedade, amizade, lealdade, confiança e disponibilidade constante para estar ao nosso lado, com valores, sentimentos, atitudes, objetivos e métodos idênticos, tal como nós nos revelamos e procedemos para e com essa pessoa. Funciona o princípio da reciprocidade voluntária.
BIBLIOGRAFIA
BÁRTOLO, Diamantino Lourenço Rodrigues de, (2013). Rotas: Amigo Especial: Onde Estás? Págs. 06 e 60-a-69. Coedição. Organização de Clarisse Maia-Guedes. Rio de Janeiro/Brasil: Guemanisse
BERGOGLIO, Jorge, Papa Francisco, (2013). O Verdadeiro Poder é Servir. Por uma Igreja mais humilde. Um novo compromisso de fé e de renovação social. Tradução de Maria João Vieira /Coord.), Ângelo Santana, Margarida Mata Pereira. Braga: Publito.
Venade/Caminha – Portugal, 2026
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal
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Natural de Venade, freguesia portuguesa do concelho de Caminha, é Licenciado em Filosofia – Universidade Católica Portuguesa; Mestre em Filosofia Moderna e Contemporânea – Universidade do Minho – Portugal e pela UNICAMP – Brasil; Doutorado em Filosofia Social e Política pela FATECBA; autor de 14 Antologias próprias: 66 Antologias em coedição em Portugal e no Brasil; vencedor do III Concurso Internacional de Prosa – Prémio ‘Machado de Assis 2015’, Confraria Cultural Brasil – Portugal – Brasil; Prêmio Fernando Pessoa de Honra e Mérito – Literarte – Associação Internacional de Escritores e Artistas do Brasil’ 2016; Vencedor do “PRÊMIO BURITI 2016”; Vencedor do Troféu Literatura – 2017; Cargos: Presidente do NALAP – Núcleo Acadêmico de Letras e Artes de Lisboa;; Condecorações: Agraciado com a ‘Comenda das Ciências da Educação, Letras, Cultura e Meio Ambiente Newsmaker, Brasil’ (2017); Título Honorífico de Embaixador da Paz; Título Nobiliárquico de Comendador, condecorado com a ‘Grande Cruz da Ordem Internacional do Mérito do Descobridor do Brasil, Pedro Álvares Cabral’ pela Sociedade Brasileira de Heráldica e Humanística; Doctor Honoris Causa en Literatura” pela Academia Latinoamericana de Literatura Moderna y la Sociedad Académica de Historiadores Latinoamericanos. Título de Lorde – Mérito Cultural, outorgado pela Casa Real de Borgonha – Afonsina.



Amigo e Confrade das Letras Diamantino, seu texto desenvolve uma reflexão sobre amizade, confiança e lealdade, colocando face à face os vínculos verdadeiros às relações marcadas dissimuladamente pela conveniência. A reciprocidade voluntária, desta forma, emerge, feito o hastear de uma bandeira, como princípio ético para relações baseadas no trinômio da integridade humana: sinceridade, solidariedade e compromisso mútuo.
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