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Exposição Ecos da Casa Interior

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A psicanalista Delia Maria De Césaris estreia como artista, com a exposição ‘Ecos da Casa Interior’

Card da exposição 'Ecos da Casa Interior'
Card da exposição ‘Ecos da Casa Interior’
Delia Maria De Césaris - Foto divulgação

A artista plástica e curadora Maria Vieira e Nanaia de Simas, atriz e também curadora, apresentam para a sociedade Sorocabana, em primeiríssima mão, a psicanalista Delia Maria De Césaris, que está se lançando nas artes plásticas.  É a sua estreia como artista e todos estão convidados a ver de perto  a Exposição: ECOS DA CASA INTERIOR,  de 23/10 a 23/12/2025, das 8 às 21h de segunda-feira à sexta-feira  e aos sábados das 08h às 13h, no Centro Cultural JF Estúdio,  Largo São Bento,  91, centro da cidade.

Delia Maria De Césaris pinta Arte Naif.

Segundo a curadora Maria Vieira, a Arte Naif é o sonho acordado das coisas simples: casas pequenas de janelas abertas, flores que jamais murcham, ruas que se curvam como lembranças, tudo nela parece brotar de um território onde o tempo brinca com a infância e o olhar se torna refúgio.

Cada pincelada é uma confissão silenciosa do inconsciente. Freud talvez diria que o artista Naif dá forma àquilo que a mente adulta esqueceu, mas o desejo insiste em recordar: o abrigo, a fantasia, o mundo em que tudo pode ser belo e possível.

Exposição 'Ecos da Casa Interior'
Exposição ‘Ecos da Casa Interior‘ – Foto divulgação

Os casarios coloridos não são apenas casas, são símbolos do Eu: abrigo, corpo, memória. 

As cores, intensas, vibrantes, às vezes quase inocentes, são o grito e o sussurro do desejo de permanência, de afetos não resolvidos, de lembranças que florescem mesmo nas paredes da saudade.

A simplicidade, longe de ser ingenuidade, é profundidade velada: é o inconsciente que pinta com as mãos de uma criança e o coração de um adulto que recorda.

Nesta exposição, de estreia da Delia, cada tela é um espelho disfarçado: olhar para um casario Naif é, de algum modo, visitar a própria casa interior.

É ouvir o eco do inconsciente dizendo, em silêncio colorido, que ainda é possível habitar o mundo com delicadeza.

Nanaia de Simas também ficou encantada com o colorido, os detalhes e a delicadeza presente nas obras da artista Delia Maria De Césaris. 

Curadoria: Maria Vieira e Nanaia de Simas

PROJETO CORES QUE CURAM

A violência contra a mulher demonstra uma situação em que a desigualdade da relação de poder entre os gêneros mostra-se de forma agressiva, trazendo consequências negativas para as mulheres. A violência é uma expressão do desejo de uma pessoa controlar e dominar a outra. E muitas mulheres submetem-se a esse controle e domínio, por medo de perder o companheiro e por não reconhecerem que elas próprias podem por fim ao ciclo de violência. 

Quando essa situação alcança um patamar de grande sofrimento e risco de vida, a mulher procura apoio nas instituições de acolhimento que estão inseridas nas políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres.

Unir a experiência de mulheres que sofreram agressão com a Arteterapia foi a possibilidade de dar vazão ao grito de liberdade entalado na garganta de todas nós, mulheres, que lutamos para diminuir a cultural e ancestral relação de poder desigual entre os gêneros.  

E trabalhar a arteterapia com mulheres vítimas de violência, é fundamental criar um espaço seguro e acolhedor, utilizando atividades expressivas como pintura, desenho e colagem para que elas possam expressar emoções difíceis de verbalizar, como raiva, medo, frustação e mágoa, podendo auxiliar as mulheres a lidarem com seus sentimentos, possibilitando-as ressignificar a si mesmas. 

Ela ajuda na redução de ansiedade e estresse, melhora a autoestima e o autoconhecimento e fortalece a ressignificação do trauma. O uso da arte como linguagem não verbal facilita a comunicação de experiências difíceis e a criação de um apoio mútuo entre as participantes. 

Esta ajuda foca a arte como forma de comunicação, deste modo, ajuda a expressar e comunicar sentimentos, facilitando a reflexão, a comunicação, e permitindo as mudanças necessárias no comportamento. A criação artística, tomada como ação, coloca em marcha um processo: intervém no espaço terapêutico e invade a realidade, reavaliando-a.

As atividades serão desenvolvidas em oficinas (colocar se será semanal, quinzenal ou mensal). As atividades serão flexíveis, adaptando-se às necessidades do grupo, e focadas em resgatar a subjetividade, autoestima e criatividade, promovendo o autoconhecimento e a reintegração social.  Além disso, acreditamos que a independência econômica é fundamental. Também vamos trabalhar em nossas oficinas, atividades que podem se transformar em fonte de renda, abrindo portas para um futuro com liberdade e novas perspectivas.

Através do processo criativo, as mulheres podem aprofundar o conhecimento sobre si mesmas, fortalecendo o rompimento de padrões de violência e o ciclo de abuso. 

A arteterapia é um recurso acolhedor e curativo para as mulheres vítimas de violência doméstica.

Estratégias e atividades

  • Criar um espaço seguro: 

O ambiente deve ser acolhedor, permitindo que a mulher se sinta segura para expressar seus sentimentos sem julgamentos, o que é crucial para que ela se abra. 

  • Utilizar ferramentas expressivas: 

Pintura, desenho, colagem, modelagem com barro, música e dança são ótimas ferramentas para acessar e processar emoções. A escolha dos materiais pode ser adaptada ao ambiente e às necessidades do grupo, como o uso de lápis de cor, giz de cera, giz pastel, papel 180mg branco e de cores diferentes, cartolina de várias cores, sucata, tinta guache de várias cores, tinta para tecido de várias cores, pincéis de diversos tamanhos, lã de diversas cores e outros materiais. 

  • Focar no autoconhecimento e autoestima: 

Atividades como a criação de mandalas, que simbolizam equilíbrio e reconstrução, ou a “caixa de espelho”, que ajuda no reconhecimento da própria imagem e identidade, são eficazes para resgatar a subjetividade. A escrita terapêutica e atividades que destacam qualidades positivas também fortalecem a autoestima. 

  • Promover a interação e o compartilhamento entre elas no grupo para criar rede apoio e solidariedade, pois é na troca que elas perceberão que cada história é igual a de outras mulheres e nesta troca de experiências, elas podem contar umas com as outras e perceber a importância disso no dia a dia. 

Isso fortalece vínculos interpessoais entre mulheres de diferentes faixas etárias; contribui para o empoderamento e resiliência das participantes; e a possibilidade de integrar uma rede de apoio ampliada, com acesso a recursos terapêuticos e comunitários. 

  • Incentivar a criatividade e a alegria, a arte também pode ser uma ferramenta para trazer alegria e vitalidade. Trazer leveza para a vida das mulheres 

O papel do mediado

Isenção de julgamento, não projetar suas próprias emoções.

É fundamental não minimizar ou justificar a violência vivenciada pela mulher, evitando julgamentos e desqualificações. 

Estar atenta às manifestações de emoção, acolher o máximo possível e desenvolver habilidades de atenção plena para lidar com situações de alto conflito.

Promover reflexão através de atividades, sem direcionar a resposta, e promover a autonomia da mulher, ajudando-a a sair do ciclo de violência. 

Importante. 

A arteterapia é uma ferramenta complementar a outros suportes, como acompanhamento psicológico individual ou em grupo, e assistência jurídica. Em muitos casos, o acompanhamento é realizado em conjunto com outras abordagens dentro de uma rede de apoio multidisciplinar. Para isso, teremos a rede de atendimento e acolhimento de Sorocaba como suporte para este trabalho.

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Sergio Diniz da Costa
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