agosto 31, 2026
A confissão da prostituta II
Caminho
Inteligência e coragem para vencer na vida em 2027
A árvore centenária
Eu amo falar dos seus lábios
Nem todo mundo: poema de Verônica Moreira
20 de agosto: Dia do Maçom
Últimas Notícias
A confissão da prostituta II Caminho Inteligência e coragem para vencer na vida em 2027 A árvore centenária Eu amo falar dos seus lábios Nem todo mundo: poema de Verônica Moreira 20 de agosto: Dia do Maçom

A confissão da prostituta II

image_print

Um poema impactante de Ramos António Amine sobre a solidão, os segredos do prostíbulo e a falsa moralidade

Ramos António Amine
Ramos António Amine

Após quebrar a promessa
que fizera a si mesma,
de que não regressaria ao prostíbulo,

de tanto provar tamanhos
reforçados com estimulantes
que lhe exigiam novas posições,

após sucessivas posições provadas
e sem nenhum
suco de orgasmo à vista,

de tanto ser usada e abusada,
mantida nua e órfã de sentido
e não paga, ou paga pela metade,

a prostituta, desta vez de pé,
curva-se, cheia de reverências,
perante o vazio das madeiras.

Como da outra vez,
as madeiras estavam desprovidas
de ouvidos do
outro lado do confessionário.

Mesmo assim, ela confessou,
não para ser ouvida
nem absolvida,

mas para ser livrada
das vidas provadas
e da solidão que a corrói
quando está fora da
casa dos hóspedes.

Confessou a falta de sabor
que sente quando se
esfrega com clientes
com aparência de responsáveis.

Confessou o prazer que só
sente quando esfrega o seu corpo
com os jovens carregadores de sacos.

Confessou o quanto se entrega
aos últimos e
se reserva aos primeiros.

Confessou os segredos que os
seus clientes
revelam das suas esposas.

Confessou o quanto as esposas dos
seus clientes são malditas
nos lençóis dos prostíbulos,
e o quanto sente nojo quando tais
clientes libertam fluidos que nem servem
para fecundar um óvulo em debandada.

Confessou a sua revolta
contra os clientes que exigem
que ela, após os fluidos, se limpe com o
mesmo lenço trazido da casa deles,
preferindo, assim, limpar-se com a cortina do seu quarto de prostíbulo.

Quando queria vomitar o nome
do corrupto que pela primeira vez
a obrigou a engolir o fluido com cheiro de
ressacas,

eis que sentiu a entrada
de outro corpo no confessionário.
Esperando que fosse um acolhedor
das almas caídas,
descobre que não passava de mais uma prostituta,
que vinha ensaiar os cânticos
para a próxima celebração.

Ramos Antonio Amine

Voltar

Facebook

Sergio Diniz da Costa
Últimos posts por Sergio Diniz da Costa (exibir todos)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PHP Code Snippets Powered By : XYZScripts.com
Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial
Acessar o conteúdo