Um poema impactante de Ramos António Amine sobre a solidão, os segredos do prostíbulo e a falsa moralidade

Após quebrar a promessa
que fizera a si mesma,
de que não regressaria ao prostíbulo,
de tanto provar tamanhos
reforçados com estimulantes
que lhe exigiam novas posições,
após sucessivas posições provadas
e sem nenhum
suco de orgasmo à vista,
de tanto ser usada e abusada,
mantida nua e órfã de sentido
e não paga, ou paga pela metade,
a prostituta, desta vez de pé,
curva-se, cheia de reverências,
perante o vazio das madeiras.
Como da outra vez,
as madeiras estavam desprovidas
de ouvidos do
outro lado do confessionário.
Mesmo assim, ela confessou,
não para ser ouvida
nem absolvida,
mas para ser livrada
das vidas provadas
e da solidão que a corrói
quando está fora da
casa dos hóspedes.
Confessou a falta de sabor
que sente quando se
esfrega com clientes
com aparência de responsáveis.
Confessou o prazer que só
sente quando esfrega o seu corpo
com os jovens carregadores de sacos.
Confessou o quanto se entrega
aos últimos e
se reserva aos primeiros.
Confessou os segredos que os
seus clientes
revelam das suas esposas.
Confessou o quanto as esposas dos
seus clientes são malditas
nos lençóis dos prostíbulos,
e o quanto sente nojo quando tais
clientes libertam fluidos que nem servem
para fecundar um óvulo em debandada.
Confessou a sua revolta
contra os clientes que exigem
que ela, após os fluidos, se limpe com o
mesmo lenço trazido da casa deles,
preferindo, assim, limpar-se com a cortina do seu quarto de prostíbulo.
Quando queria vomitar o nome
do corrupto que pela primeira vez
a obrigou a engolir o fluido com cheiro de
ressacas,
eis que sentiu a entrada
de outro corpo no confessionário.
Esperando que fosse um acolhedor
das almas caídas,
descobre que não passava de mais uma prostituta,
que vinha ensaiar os cânticos
para a próxima celebração.
Ramos Antonio Amine
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Natural de Sorocaba (SP), é escritor, poeta e Editor-Chefe do Jornal Cultural ROL. Acadêmico Benemérito e Efetivo da FEBACLA; membro fundador da Academia de Letras de São Pedro da Aldeia – ALSPA; Acadêmico Imortal Fundador da Académie Léon-Gontran Damas des Lettres et Arts de la Guyane française; Fundador Imortal del Núcleo de Artes, Ciências e Letras de Assunção|Paraguai e membro da Academia dos Intelectuais e Escritores do Brasil – AIEB. Autor de 8 livros. Jurado de concursos literários. Recebeu, dentre vários titulos: pelo Supremo Consistório Internacional dos Embaixadores da Paz, Embaixador da Paz e Medalha Guardião da Paz e da Justiça; pela Real Ordem dos Cavaleiros Sarmathianos, Benfeitor das Ciências, Letras e Artes; pela FEBACLA: as Comendas: Baluarte da Literatura Nacional; Láurea Acadêmica Qualidade Ouro; Chanceler da Cultura Nacional e Ativista da Cultura Nacional ; pelo Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos, Benemérito Pesquisador em Artes e Literatura e Dr. h. c. mult.; Pela Academia de Letras de São Pedro da Aldeia, o Título Honra Acadêmica, pela categoria Cultura Nacional e Belas Artes; Grão-Mestre das Artes; Mestre dos Saberes Luso-Brasileiro; pela Academia dos Intelectuais e Escritores do Brasil – AIEB, Grandes Escritores do Brasil.


