Entre o Uai mineiro e o Tchê gaúcho, a liberdade ganha sotaque, sabor e poesia com Marli Freitas

Rio Grande do Sul guardou a soberania na flâmula e no coração,
“Liberdade, Igualdade e Humanidade”!
Exaltado na literatura, o rio-grandense-do-sul,
Sentiu o vento suave da própria república.
Minas Gerais, com jeito de quem não quer nada,
Tremula ao vento o orgulho de sonhar a liberdade!
“Libertas Quae Sera Tamen”,
Liberdade Ainda Que Tardia!
O gaúcho confraterniza nas praças e charla tomando chimarrão.
Seu grito de guerra “De a cavalo indiada”!
Bah!!! Coisa de homem valente que doma animal xucro
E acarinha prenda bonita!
O mineiro prepara o café, reúne os compadres,
Enquanto desenvolve uma prosa mansa, onde um começa
Pausadamente, o outro segue devagar
E a mulher coloca água no feijão!
O gaúcho quando pego de surpresa invoca o BAH! TCHÊ!
Liberta-se do espanto, salva o orgulho e se entrega à festança.
O mineiro dengoso carrega o UAI sabendo que cabe em qualquer lugar,
Mas traz um orgulho escondido de quem conjurou a favor da liberdade.
O gaúcho escolhe bem a carne (nem magra e nem gorda) no ponto.
No coletivo é um deleite: atento ao fogo, à organização, tempera com sal grosso,
Capricha nos acompanhamentos e prepara a bebida,
Enquanto em Minas Gerais o olho do dono engorda o porco, reúne os amigos,
Prepara a fornalha, sapeca, salga a pele e brinda com aguardente…
É arroz com suã, feijoada, feijão tropeiro, torresmo, morcilha e carne na lata.
Tem gaúcho que vive na beira do mar, mas tenho uma dúvida:
Será que sobra mar e falta mistério ou sobra mistério e falta mar?
Dizem que Minas perdeu o mar, mas até hoje não sei
Quem é mineiro e quem é espírito-santense na beira do mar.
Marli F. Freitas
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Natural de Dom Cavati (MG) é professora, historiadora, escritora e poeta. Cursou História e Geografia e lecionou durante 29 anos. A literatura sempre fez parte de sua vida através das histórias narradas de forma teatral por seu pai. Quando aprendeu a ler passava horas lendo na Biblioteca Municipal e tinha um gosto especial pelas obras dos irmãos Grimm. Durante a vida escolar foi se encantando por vários autores, com apreço especial pela poesia de Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Cecília Meireles, Machado de Assis, João Cabral de Melo Neto, entre outros. É autora de cinco livros, dentre os quais: Entre a Terra e o Céu – Estou Feliz, Estou Passarinho; Entre o Balanço e o Voo – O Vento Amou As Asas Recém-nascidas; Entre o Elo e a Auxese – Teus São Os Olhos Meus. Condecorada com várias comendas, dentre as quais: Ruy Barbosa; Princesa Isabel; Ludwig van Beethoven; Fiódor Dostoiévski; William Shakespeare e Mérito Científico Galileu Galilei. Membro de várias academias, dentre as quais: Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes; Académie des Lettres et Arts Luso-Suisse; Núcleo Acadêmico de Letras e Artes de Portugal



Marli, lendo seu poema, comi arroz com suã, feijoada, feijão tropeiro, torresmo, morcilha e carne na lata, tomando um gole de café e outro de chimarrão. Um saborosíssimo almoço, ouvindo uma troca de Uai! e Tchê, com humor e afeto! Essa é a riqueza do Brasil, e mais ainda com a riqueza inspirada de uma bela poetisa!
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