Sônyah Moreira: ‘É banana comendo macaco’
A floresta é densa, a diversidade de espécies é enorme, temos tipos variados e afeitos a mudar de lado a qualquer tempo, ou ao menor aceno de maiores vantagens, como um galho mais bem localizado, uma banana maior, um cipó mais longo. É, as coisas são estranhas mesmo nesta floresta!
Assim segue o dia na floresta encantada, os habitantes mais populares desse lugar lúdico e fantasioso são os macacos, pulando e grunhindo de galho em galho. São barulhentos mesmo!
A cada novo dia, a floresta acorda em polvorosa, sempre com uma noticia nova a balançar os galhos e agitar seus habitantes, especialmente a macacada! É, são tempos difíceis!
Um dia surge a idéia da volta do macacão-mor, aquele, antecessor do atual! Ele quer voltar! Quer a todo custo voltar a mandar na macacada. Usa de todo o seu arsenal disponível para sua conquista: joga bananas encantadas para os seus apoiadores, dedura os oponentes, e assim segue, pulando de galho em galho.
Dias atrás houve um pseudo duelo, com direito a manchetes e apostas de quem sairia vencedor; a macacada ficou à espreita dos acontecimentos, vez por outra se ouvia grunhidos de apoio ou repulsa pelo macacão.
Na verdade, o barulho foi maior que o acontecimento; os adversários contidos e acuados cada qual em seu canto sem muito alarde. Para os mais afoitos, uma decepção!
Mas, a floresta é dinâmica, sempre com novidades. Ultimamente, usa-se o artifício de gravações comprometedoras de áudios e vídeos entre a macacada. Ora, vejam só! Que massada!
Macaco é um bicho estranho! Eles têm o hábito de sentar-se em cima de seus rabos e apontar os alheios, embora seja tão sujo quanto.
Torna-se urgente uma coalizão pacificadora, visto que a macacada desencantou-se de seus líderes. Dizem por aí que estão à espera de um Messias, se é que seja possível o surgimento de tal embuste.
O fato é que a coisa tá feia! E isso fica claro, como bem preceitua o ditado popular, vivemos num mundo tão louco, vingativo e desordenado a ponto de se poder afirmar que, de fato, já há “banana comendo macaco”.
Caro leitor, a alegoria pode até ser cômica, porém, é trágica!
Os caminhos que estamos percorrendo estão nos levando a um perigoso retrocesso democrático; nossas instituições comprometidas, uma verdadeira inversão de valores, os bandidos ditam regras aos mocinhos!
O perigo é iminente, o desencanto tolhe a visão e o raciocínio lógico. A imagem da “banana comendo o macaco” é o caos generalizado, e a coisa disforme, fora do contexto da realidade. É o fim do mundo! Ou, o que é pior: o fim da República das Bananas!
Sônyah Moreira (sonyah.moreira@gmail.com)
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Natural de Sorocaba (SP), é escritor, poeta e Editor-Chefe do Jornal Cultural ROL. Acadêmico Benemérito e Efetivo da FEBACLA; membro fundador da Academia de Letras de São Pedro da Aldeia – ALSPA e do Núcleo Artístico e Literário de Luanda – Angola – NALA, e membro da Academia dos Intelectuais e Escritores do Brasil – AIEB. Autor de 8 livros. Jurado de concursos literários. Recebeu, dentre vários titulos: pelo Supremo Consistório Internacional dos Embaixadores da Paz, Embaixador da Paz e Medalha Guardião da Paz e da Justiça; pela Soberana Ordem da Coroa de Gotland, Cavaleiro Comendador; pela Real Ordem dos Cavaleiros Sarmathianos, Benfeitor das Ciências, Letras e Artes; pela FEBACLA: Medalha Notório Saber Cultural, Comenda Láurea Acadêmica Qualidade de Ouro; Comenda Baluarte da Literatura Nacional e Chanceler da Cultura Nacional; pelo Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos, Pesquisador em Artes e Literatura e Dr. h. c. mult. Pela Academia de Letras de São Pedro da Aldeia, o Título Imortal Monumento Cultural e Título Honra Acadêmica, pela categoria Cultura Nacional e Belas Artes; Prêmio Cidadão de Ouro 2024, concedido por Laude Kämpos. Pelo Movimento Cultivista Brasileiro, o Prêmio Incentivador da Arte e da Cultura .

