fevereiro 13, 2026
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Carnaval e violência contra a mulher

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Renata Barcellos

‘Carnaval e violência contra a mulher: entrevista com Dra. Mery Janes Corbiceiro Fonseca’ 

Renata Barcellos
Renata Barcellos
Dra. Mery Janes Corbiceiro Fonseca – Arquivo pessoal

Provavelmente, o carnaval tem sua origem em festas pagãs, como os realizados em honra de Baco (deus do vinho), as saturnais romanas e as Lupercalia, ou aqueles que tiveram lugar em homenagem ao touro Ápis, no Egito. Dessa forma, estudos estimam que o primeiro culto que mais tarde seria conhecido como o Carnaval foi feito anos antes de Cristo, quando os agricultores se reuniram no verão, com os rostos mascarados e corpos pintados inteiramente em torno de uma fogueira para celebrar a fertilidade e produtividade do solo, bem como afastar os maus espíritos da colheita.

Já, segundo alguns historiadores, as origens das festividades do carnaval remontam à antiga Suméria e Egito há mais de 5.000 anos, com celebrações similares no Império Romano, onde o costume se espalhou por toda a Europa. E foi trazido para a América pelos navegantes espanhóis e portugueses a partir do século XV. A primeira concentração carnavalesca está localizada no Egito. A festa era nada mais do que dança, canto, e os participantes usavam máscaras e fantasias como um símbolo de ausência de classes sociais. Seguindo a tradição chegou à Grécia. No século VI a.C., era costume de andar de barco com rodas (navalis carrus) onde as pessoas dançavam todos os tipos de dança.

Em Roma, foi dedicado à deusa egípcia Ísis, espalhando o culto dos celtas e os alemães.

As cerimônias foram um ponto comum. Foram associados com os fenômenos espirituais, astronomia e ciclos naturais, e manifestados através de expressões tais como a dança, música, sátira, máscaras e desordem. Em uma sociedade com muitas diferenças sociais, as partes apresentaram-se para a necessidade de liberdade para todos. Ricos e pobres se misturam durante o carnaval não reconhecido. Em seguida, surge o de Veneza e, depois, os de outros lugares do mundo. E com suas características (máscaras, fantasias, carros alegóricos, desfiles, bailes etc.) adaptadas aos costumes de cada país.

Entretanto, infelizmente, neste período que deveria ser de alegria, é marcado por tristeza para muitas mulheres que sofrem algum tipo de violência. De acordo com estatísticas, metade das brasileiras (50%) já sofreu assédio sexual durante o Carnaval. Sete em cada dez mulheres têm medo de sofrer assédio na festa. E 73% têm receio de passar por essa situação pela primeira vez ou novamente. Entre mulheres negras, os índices são ainda mais altos. Devido ao aumento a cada ano, desde dezembro de 2023, o Brasil criou a Lei nº 14.786, que institui o protocolo “Não é Não – Mulheres Seguras” em todo o território nacional. A legislação estabelece medidas obrigatórias para casas noturnas, boates, espetáculos musicais realizados em locais fechados ou shows com venda de bebida alcoólica. A lei define como constrangimento qualquer insistência física ou verbal após a mulher manifestar discordância. E reconhece como violência o uso de força que resulte em lesão, dano ou morte, conforme o Código Penal.

Entre os direitos garantidos às vítimas estão a proteção imediata pela equipe do local, o afastamento do agressor e o acompanhamento por pessoa de sua escolha. Os estabelecimentos devem manter ao menos um funcionário capacitado para aplicar o protocolo, afixar informações visíveis sobre como acioná-lo e divulgar os contatos da Polícia Militar e do Ligue 180.

A Secretaria de Estado da Mulher do Rio de Janeiro preparou seis passos fundamentais que podem salvar vidas:

    1.    Peça ajuda a quem estiver por perto e acione a polícia pelo 190 ou pelo botão de emergência do App Rede Mulher: não se cale!

    2.    Se presenciar um caso de importunação, ofereça ajuda: finja conhecer a vítima e tente retirá-la daquela situação.

    3.    Se houver perigo, ou se a mulher estiver desacordada, ferida ou com o agressor em ação, ligue para o 190 ou acesse o botão de emergência do app Rede Mulher.

4. Se for vítima de alguma violência, guarde informações sobre o fato: anote dia, horário, nome e contato de testemunhas e, se possível, registre foto ou vídeo do agressor.

5.    Faça o Registro de Ocorrência na Delegacia da Mulher ou na delegacia mais próxima.

6.    Procure um dos 53 centros especializados de atendimento à mulher no estado, disponíveis no app Rede Mulher ou no site www.secmulherrj.rj.gov.br.

Outras medidas importantes para quem vai curtir o Carnaval:

– Mantenha sua bebida coberta, até um guardanapo pode evitar que joguem alguma droga no seu copo.  

– Compartilhe sua localização durante deslocamentos, faça contato com um familiar ou amigo durante o percurso. Não é Não! Respeite a Decisão.

A seguir, entrevista com Dra. Mery Janes Corbiceiro sobre violência contra a mulher.

Minibiografia de Dra. Mery Janes Corbiceiro: psicanalista Clínica, Coach, Consteladora Familiar, Pedagoga, Pós graduada em Terapia de família. Casada há 34 anos, mãe de dois filhos e avó de uma neta. Apaixonada pelos animais e por Jesus.

1.Quando surgiu seu interesse por Terapia Familiar?

Dra. Mery Janes Corbiceiro: Meu interesse pela Terapia Familiar surgiu ao longo da minha carreira como professora, que me levou à compreensão de que o sofrimento humano raramente é isolado. Ao longo desse processo, percebi que muitos conflitos emocionais, comportamentais e relacionais estão profundamente ligados às dinâmicas familiares, aos vínculos afetivos e às histórias que atravessam gerações. A Terapia Familiar possibilita olhar o indivíduo dentro de um contexto maior, promovendo compreensão, diálogo e caminhos mais saudáveis para todos os envolvidos.

2. A partir de seus atendimentos, quais fatores motivam a violência contra a mulher?

Dra. Mery Janes Corbiceiro: A violência contra a mulher é um fenômeno complexo e multifatorial. Entre os fatores mais recorrentes estão padrões culturais machistas, desigualdade de poder nas relações, histórico familiar de violência, dificuldades emocionais não elaboradas, uso abusivo de álcool ou drogas, ciúmes patológicos e a dificuldade do agressor em lidar com frustrações. Muitas vezes, a violência é sustentada pelo silêncio, pela dependência emocional ou financeira e pela naturalização do abuso ao longo da história. 

Pormuito tempo a educação   utilizou a punição física como método de ensino , levando a criança apreender  que quem ama , também bate e se ela apanhou é culpa sua, fez algo errado. Hoje não é mais o pai e nem a mãe é o parceiro que se tona o agressor.

3. Qual a diferença entre psicóloga, psicanalista e Consteladora familiar?

Dra. Mery Janes Corbiceiro: A psicóloga é uma profissional formada em Psicologia, com registro no Conselho Regional, habilitada para avaliação psicológica, diagnóstico e atendimento clínico, utilizando diferentes abordagens científicas.

A psicanalista atua a partir da teoria psicanalítica, focando nos processos inconscientes, na história de vida e nos conflitos internos, podendo ter formação em Psicologia ou áreas afins, com especialização em Psicanálise.

A consteladora familiar trabalha com a abordagem das Constelações Familiares, que busca identificar padrões sistêmicos e emaranhamentos familiares que impactam a vida da pessoa. Cada atuação tem objetivos e métodos diferentes, podendo inclusive ser complementares, desde que respeitados os limites éticos e profissionais.

4- Mensagem a quem está sofrendo violência doméstica:

Dra. Mery Janes Corbiceiro: Você não está sozinha, e a violência nunca é culpa sua. O medo, a vergonha e a confusão fazem parte desse processo, mas é possível romper o ciclo. Buscar ajuda é um ato de coragem, não de fraqueza. Existem profissionais, serviços e redes de apoio preparados para acolher, orientar e proteger você. Sua vida tem valor, sua dor é legítima e você merece viver com respeito, dignidade e segurança. Quem ama não machuca, cuida. Indico a série MAID e o filme:  É assim que acaba.

“Não é Não”!!! Respeite a Decisão!!!


Renata Barcellos

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